REsp 2257096 - DECISAO
Houve defeito na prestação do serviço bancário porque foram autorizadas operações manifestamente incompatíveis com o perfil do correntista (contratação de empréstimo de R$ 45.570,00 incomum ao cliente e sucessivas transferências via Pix atípicas; IP/IMEI não usuais; uso do número oficial), devendo a instituição responder objetivamente nos termos do art. 14 do CDC. A participação viciada da vítima por engenharia social não afasta a obrigação de monitoramento e bloqueio de operações atípicas por parte do banco; portanto, a culpa exclusiva da vítima não se mostrou apta a exonerar o banco neste caso.
- Parties
- Recorrente: SIRLEU JOSÉ PROTTI JUNIOR; Recorrido: Banco Santander
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 April 2026
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Do Superior Tribunal De Justiça (julgamento Do Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do recurso especial e dou-lhe provimento para reconhecer a falha na prestação do serviço bancário e declarar a inexistência do débito decorrente do contrato de empréstimo e das transferências questionadas.
- Legal Topics
- Fraude Bancária, Responsabilidade Objetiva, Culpa Exclusiva Da Vítima, Fortuito Interno, Dever De Segurança, Engenharia Social (vishing/spoofing), Monitoramento E Bloqueio De Operações Atípicas, Pix
Case Brief
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Parties
SIRLEU JOSÉ PROTTI JUNIOR
Recorrente
Banco Santander
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Do Superior Tribunal De Justiça (julgamento Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 Se a instituição financeira responde objetivamente por prejuízos decorrentes de fraude por engenharia social quando as operações são atípicas ao perfil do cliente
- 2 Se a participação da vítima (fornecimento de credenciais/QR code) configura culpa exclusiva e rompe o nexo causal
- 3 Se houve omissão do Tribunal a respeito de prova técnica (IP/IMEI, uso do número oficial) e violação de deveres de proteção de dados
Ratio Decidendi
Houve defeito na prestação do serviço bancário porque foram autorizadas operações manifestamente incompatíveis com o perfil do correntista (contratação de empréstimo de R$ 45.570,00 incomum ao cliente e sucessivas transferências via Pix atípicas; IP/IMEI não usuais; uso do número oficial), devendo a instituição responder objetivamente nos termos do art. 14 do CDC. A participação viciada da vítima por engenharia social não afasta a obrigação de monitoramento e bloqueio de operações atípicas por parte do banco; portanto, a culpa exclusiva da vítima não se mostrou apta a exonerar o banco neste caso.
Court Disposition
Conheço do recurso especial e dou-lhe provimento para reconhecer a falha na prestação do serviço bancário e declarar a inexistência do débito decorrente do contrato de empréstimo e das transferências questionadas.
Orders
- Declarar a inexistência do débito decorrente do contrato de empréstimo de R$ 45.570,00 e das transferências via Pix realizadas em 26/08/2022 e 29/08/2022
- Condenar a instituição financeira à restituição simples dos valores subtraídos da conta do recorrente, corrigidos monetariamente desde a data de cada operação e acrescidos de juros de mora desde a citação
Full Case Text
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