AREsp 2425511 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque o agravante deixou de impugnar de forma específica, pormenorizada e concreta os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, em especial a fundamentação fundada na Súmula n. 7 do STJ; alegação genérica de que não se busca o reexame de provas é insuficiente para afastar o...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: JOÃO RICARDO LEZAN DE ALMEIDA; Tribunal a Quo: Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba; Interveniente: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 October 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade Do Recurso Especial
- Outcome
- agravo não conhecido
- Legal Topics
- Fraude Em Licitação, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7 Do STJ, Súmula 182 Do STJ, Nulidade Da Sentença, Princípio Da Congruência, ANPP, Atipicidade Da Conduta
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
JOÃO RICARDO LEZAN DE ALMEIDA
Agravante
Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba
Tribunal a Quo
Ministério Público Federal
Interveniente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 nulidade da sentença por ausência de vista ao Ministério Público para eventual proposta de ANPP (art. 28-A do CPP)
- 2 violação do princípio da congruência (arts. 412, 383 e 418 do CPP)
- 3 atipicidade da conduta quanto ao art. 90 da Lei 8.666/1993 e art. 386, III, do CPP
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque o agravante deixou de impugnar de forma específica, pormenorizada e concreta os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, em especial a fundamentação fundada na Súmula n. 7 do STJ; alegação genérica de que não se busca o reexame de provas é insuficiente para afastar o óbice de admissibilidade, nos termos da Súmula n. 182 do STJ.
Court Disposition
agravo não conhecido
Orders
- Publique-se
- Intimem-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO JOÃO RICARDO LEZAN DE ALMEIDA interpõe agravo em recurso especial contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba que inadmitiu o recurso especial interposto com fulcro no art. 105, III, "a", da CF, nos autos da Apelação Criminal n. 0029770-96.2016.815.2002. Consta dos autos que o recorrente foi condenado à pena de 2 anos de detenção, em regime aberto, acrescida de 10 dias-multa, substituída por duas restritivas de direitos (prestação de serviços à comunidade e prestação pecuniária), pela prática do crime tipificado no art. 90 da Lei n. 8.666/1993 (fraudar o caráter competitivo de licitação). A decisão agravada apontou o seguinte óbice à admissibilidade do recurso especial: a análise das teses recursais demandaria revolvimento do conjunto fático-probatório, providência vedada em recurso especial, conforme a Súmula n. 7 do STJ (fl. 1683). O agravante alega, em síntese: a) nulidade da sentença por violação do art. 28-A do CPP, em razão da ausência de vista ao Ministério Público para eventual proposta de ANPP, vigente à época da condenação; b) violação do princípio da congruência (arts. 412, 383 e 418 do CPP), por ter sido condenado por fatos diversos daqueles descritos na denúncia; c) violação dos arts. 90 da Lei n. 8.666/1993 e 386, III, do CPP, pois a conduta seria atípica e não configuraria fraude a licitação. Requer o conhecimento do agravo e do recurso especial, para que seja reconhecida a nulidade da sentença e do acórdão recorrido ou, subsidiariamente, seja decretada sua absolvição por atipicidade da conduta. O Ministério Público Federal apresentou parecer pelo não provimento do agravo em recurso especial (fls. 1.797-1.805). Decido. O agravo foi interposto no prazo legal. Passo a verificar se houve impugnação específica de todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, à luz da Súmula n. 182 do STJ. Todavia, apesar de a decisão impugnada não ter admitido o recurso especial, com base na incidência da Súmula n. 7 do STJ, nas razões do agravo, a defesa salientou que "o recurso especial trata de questões de direito, não visa ao simples reexame de provas, não se enquadrando, portanto, nos parâmetros da Súmula 7 do STJ, de modo que o recurso especial merece ser admitido para reformar o acórdão proferido acórdão proferido pela Câmara especializada criminal do Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba". Portanto, deixou de impugnar, no que tange à incidência da Súmula n. 7 do STJ quanto à tese de violação do art. 386, III, do CPP - o argumento da decisão de inadmissibilidade segundo o qual "a sentença penal condenatória, fundamentadamente, detalhou em que consistiram os atos fraudulentos, bem como a participação de cada um na empreitada criminosa, não havendo o que se falar em nulidade". Assim, verifico que, nas razões do agravo, a defesa não apresentou "impugnação específica, pormenorizada e concreta" quanto ao argumento de incidência da Súmula n. 7 do STJ. Com efeito, é insuficiente, para pedir o afastamento da Súmula n. 7 do STJ, alegar genericamente que não se pretende o reexame de provas, omitindo-se em indicar qual a premissa fática delineada e admitida pelo Tribunal a quo que, uma vez revalorada, permite a pretendida absolvição do réu. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS DA DECISÃO QUE INADMITIU O RECURSO NÃO COMBATIDOS. SÚMULA N. 182 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Nas razões de pedir do agravo em recurso especial, a parte deixou de refutar, especificamente, os fundamentos utilizados da decisão impugnada, o que atraiu a incidência da Súmula n. 182 do STJ. 2. O acórdão de apelação indicou razões claras e suficientes para afastar a tese de negativa de autoria e a parte não indicou omissão sobre ponto essencial para o julgamento da lide ou redação de difícil compreensão, a justificar a interposição de recurso especial a pretexto de violação do art. 619 do CPP. 3. Ainda, "para impugnar a incidência da Súmula n. 83 do STJ, o agravante deve demonstrar que os precedentes indicados na decisão que inadmitiu o recurso especial são inaplicáveis ao caso ou deve colacionar precedentes contemporâneos ou supervenientes aos indicados na decisão para comprovar que outro é o entendimento jurisprudencial do STJ" (AgRg no AREsp n. 1823881/PR, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, 5ª T., DJe 26/4/2021), o que não ocorreu. 4. Não é suficiente, para requerer o afastamento do óbice da Súmula n. 7 do STJ, alegar genericamente que não se pretende o reexame de provas. Deixou de ser indicada premissa fática delineada e admitida pelo Tribunal a quo que, uma vez revalorada, permitisse a pretendida absolvição. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp n. 1.827.996/PR, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 10/8/2021, DJe de 16/8/2021.) Assim, observo que não houve fundamentação clara, específica e pormenorizada que contraditasse os fundamentos exarados na decisão combatida. Portanto, incide o enunciado na Súmula n. 182 do STJ: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". À vista do exposto, não conheço do agravo. Publique-se e i ntimem-se. EMENTA