AREsp 1965271 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial por duas razões: (i) deficiência de fundamentação quanto à indicação precisa do dispositivo de lei federal tido por violado, nos termos da Súmula n. 284/STF; e (ii) eventual provimento exigiria reexame do acervo fático-probatório, vedado pelo entendimento...
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- Parties
- Agravante: CONSELHO REGIONAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA DE SANTA CATARINA - CREA/SC
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Fundamentação Da Decisão (art. 489 Cpc), Prova Pericial, Lei N. 5.194/1966 (responsabilidade Técnica), Exercício Ilegal Da Profissão, Inexigibilidade De Crédito Tributário, Súmula N. 284/stf, Súmula N. 7/stj, Honorários Advocatícios (art. 85, §11, Cpc)
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Parties
CONSELHO REGIONAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA DE SANTA CATARINA - CREA/SC
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 alegada negativa de prestação jurisdicional por ausência de apreciação da prova pericial (art. 489 CPC)
- 2 necessidade de acompanhamento por responsável técnico para atividade de reflorestamento (arts. 6º, a, e 7º da Lei n. 5.194/1966)
- 3 inadmissibilidade do recurso especial por ausência de indicação precisa do dispositivo legal (Súmula n. 284/STF)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial por duas razões: (i) deficiência de fundamentação quanto à indicação precisa do dispositivo de lei federal tido por violado, nos termos da Súmula n. 284/STF; e (ii) eventual provimento exigiria reexame do acervo fático-probatório, vedado pelo entendimento consolidado na Súmula n. 7/STJ; em consequência majoraram-se honorários em 15% nos termos do art. 85, §11, CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem (art. 85, §11, CPC).
- Publique-se.
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DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado pelo CONSELHO REGIONAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA DE SANTA CATARINA - CREA/SC, contra a decisão que não admitiu seu recurso especial, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, que visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO, assim resumido: TRIBUTÁRIO EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL CONSELHO DE FISCALIZAÇÃO PROFISSIONAL ATIVIDADE DE REFLORESTAMENTO ANOTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE TÉCNICA INEXIGIBILIDADE. Quanto à primeira controvérsia, alega violação do art. 489 do CPC, no que concerne ao reconhecimento de negativa de prestação jurisdicional diante da ausência de apreciação da prova pericial produzida, trazendo os seguintes argumentos: Assim, diante da ausência de apreciação da prova pericial na decisão exarada, restou caracterizada a ausência de um dos elementos essenciais da sentença, qual seja, sua fundamentação (fl. 540). Quanto à segunda controvérsia, alega violação dos arts. 6º, "a", e 7º da Lei n. 5.194/1966, no que concerne ao reconhecimento da necessidade de acompanhamento por engenheiro agrônomo na realização da atividade de reflorestamento, trazendo os seguintes argumentos: A realização da atividade de reflorestamento é fato incontroverso, conforme afirmado pelos próprios recorridos nos Embargos à Execução Fiscal opostos .. Entretanto, os recorridos se equivocam ao aduzir que a atividade por eles realizadas de cultivo de reflorestamento não possui grau de complexidade que obrigue a contratação de responsável técnico devidamente habilitado, tanto que foi identificado pelo perito judicial a provável sobreposição de áreas florestadas com áreas de preservação permanente. Ocorre que, ao realizar por conta própria o reflorestamento, os recorridos interferiram em áreas legalmente protegidas, o que poderia ser evitado se o manejo da área tivesse sido orientado por um profissional legalmente habilitado para a implantação de novos reflorestamentos, pois diferentemente do que muitos entendem REFLORESTAR não é apenas PLANTAR ÁRVORES (fl. 542). O cultivo para florestamento e reflorestamento demanda a real necessidade de acompanhamento técnico, pois o manejo e a recuperação das áreas é de extrema importância para a conservação da biodiversidade e a manutenção do equilíbrio dos ecossistemas do planeta (fl. 545). Diante do exposto, constatada a realização de atividades na área da Engenharia e da Agronomia, torna-se imprescindível o acompanhamento de um responsável técnico devidamente habilitado, em atendimento ao que dispõe a Lei nº 5.194/66 (fl. 546). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não há a indicação clara e precisa do dispositivo de lei federal tido por violado, pois nas razões do recurso especial não se particularizou o inciso, o parágrafo ou a alínea sobre o qual recairia a referida ofensa, incidindo, por conseguinte, o citado enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Ressalte-se, por oportuno, que essa indicação genérica do artigo de lei que teria sido contrariado induz à compreensão de que a violação alegada é somente de seu caput, que, no caso, traz em seu texto uma mera introdução ao regramento legal contido nos incisos, nos parágrafos ou nas alíneas. Nesse sentido: "Quanto à segunda controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não há a indicação clara e precisa do dispositivo de lei federal tido por violado, pois, nas razões do recurso especial, não se particularizou o parágrafo/inciso/alínea sobre o qual recairia a referida ofensa, incidindo, por conseguinte, o citado enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia" (AgInt no AREsp n. 1.558.460/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 11/3/2020.) Confiram-se também os seguintes julgados: AgInt no AREsp n. 1.229.292/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 4/9/2018; AgInt no AgRg no AREsp n. 801.901/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 1º/12/2017; AgInt nos EDcl no AREsp n. 875.399/RS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 1º/8/2017; AgInt no REsp n. 1.679.614/PE, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe de 18/9/2017; e AgRg no REsp n. 695.304/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ de 5/9/2005. Quanto à segunda controvérsia, relativamente ao art. 7º da Lei n. 5.194/1966 , incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não há a indicação clara e precisa do dispositivo de lei federal tido por violado, pois nas razões do recurso especial não se particularizou o inciso, o parágrafo ou a alínea sobre o qual recairia a referida ofensa, incidindo, por conseguinte, o citado enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Ressalte-se, por oportuno, que essa indicação genérica do artigo de lei que teria sido contrariado induz à compreensão de que a violação alegada é somente de seu caput, que, no caso, traz em seu texto uma mera introdução ao regramento legal contido nos incisos, nos parágrafos ou nas alíneas. Nesse sentido: "Quanto à segunda controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não há a indicação clara e precisa do dispositivo de lei federal tido por violado, pois, nas razões do recurso especial, não se particularizou o parágrafo/inciso/alínea sobre o qual recairia a referida ofensa, incidindo, por conseguinte, o citado enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia" (AgInt no AREsp n. 1.558.460/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 11/3/2020.) Confiram-se também os seguintes julgados: AgInt no AREsp n. 1.229.292/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 4/9/2018; AgInt no AgRg no AREsp n. 801.901/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 1º/12/2017; AgInt nos EDcl no AREsp n. 875.399/RS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 1º/8/2017; AgInt no REsp n. 1.679.614/PE, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe de 18/9/2017; e AgRg no REsp n. 695.304/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ de 5/9/2005. Ademais, relativamente ao art. 6º, "a", da Lei n. 5.194/1966, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente não demonstrou, de forma clara, direta e particularizada, como o acórdão recorrido violou o dispositivo de lei federal, o que atrai, por conseguinte, a aplicação do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A jurisprudência desta Corte considera que quando a arguição de ofensa ao dispositivo de lei federal é genérica, sem demonstração efetiva da contrariedade, aplica-se, por analogia, o entendimento da Súmula n. 284, do Supremo Tribunal Federal. Em relação à afronta aos arts. 13 da Lei n. 10.559/2002 e 943 do Código Civil, verifica-se a ausência de demonstração precisa de como tal violação teria ocorrido, limitando-se a parte recorrente em apontá-la de forma vaga, o que impede o conhecimento do recurso especial". (AgInt no REsp n. 1.496.338/RS, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 27/8/2020.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.826.355/RN, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 4/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.552.950/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8/5/2020; AgInt no AREsp n. 1.617.627/RJ, AgInt no AREsp n. 1.617.627/RS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg no REsp n. 1.690.449/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 5/12/2019; AgRg no AREsp n. 1.562.482/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 28/11/2019. Além disso, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: A autuação se deu com base no artigo 6º, alínea a, da Lei Federal nº 5.194/66, diante do suposto exercício ilegal da profissão. A suposta violação, por sua vez, decorreria do plantio de eucalipto e pinus elliottii em imóveis de sua propriedade, sem acompanhamento de profissional responsável técnico. No caso concreto, a sentença recorrida analisou com precisão as provas constantes do processo, concluindo pela inexigibilidade do crédito em execução ante a ausência do fato gerador para cobrança da multa (fl. 519). Logo, relacionando a legislação de regência com a atividade desenvolvida pelo executado, entendo que não se caracteriza como produção técnica especializada a ensejar a assistência de responsável técnico exigido pelo CREA (fl. 522). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp n. 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; e AgInt nos EDcl no REsp n. 1.848.786/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16/10/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.