EAREsp 2427201 - ACORDAO
O acórdão recorrido apresentou motivação suficiente nos termos do art. 93, IX, da CF e da tese firmada no Tema n. 339 do STF, não sendo necessário o exame detalhado de todas as alegações; além disso, a ausência de impugnação de fundamento relevante impede revisão (Súmula 283/STF) e a teoria da causa madura autoriza...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental / Decisão Sobre Seguimento De Recurso Extraordinário (negativa De Seguimento)
- Outcome
- Negado provimento ao agravo regimental
- Legal Topics
- Fundamentação Das Decisões, Repercussão Geral (tema 339 Do Stf), Admissibilidade De Recurso Extraordinário, Teoria Da Causa Madura, Nulidade De Sentença, Suficiência Da Fundamentação
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Procedural Posture
Agravo Regimental / Decisão Sobre Seguimento De Recurso Extraordinário (negativa De Seguimento)
Legal Issues
- 1 Suficiência da fundamentação do acórdão nos termos do art. 93, IX, da CF e do Tema n. 339 do STF
- 2 Aplicabilidade do Tema n. 339 ao caso concreto
- 3 Incidência da teoria da causa madura no processo penal e possibilidade de julgamento do mérito pelo Tribunal de apelação sem anular a sentença
Ratio Decidendi
O acórdão recorrido apresentou motivação suficiente nos termos do art. 93, IX, da CF e da tese firmada no Tema n. 339 do STF, não sendo necessário o exame detalhado de todas as alegações; além disso, a ausência de impugnação de fundamento relevante impede revisão (Súmula 283/STF) e a teoria da causa madura autoriza o Tribunal de apelação a decidir o mérito sem anular a sentença, de modo que a decisão que negou seguimento ao recurso extraordinário foi mantida com fundamento no art. 1.030, I, a, do CPC.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo regimental
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental
- Confirmar a decisão que negou seguimento ao recurso extraordinário com fundamento no art. 1.030, I, a, do CPC e na conformidade com o Tema n. 339 do STF
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da CORTE ESPECIAL do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 04/06/2025 a 10/06/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Nancy Andrighi, João Otávio de Noronha, Humberto Martins, Maria Thereza de Assis Moura, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Presidente do STJ. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. I. CASO EM EXAME 1.1. Agravo regimental interposto contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário, sob o fundamento de que o acórdão recorrido estaria em conformidade com a tese fixada pelo STF no Tema n. 339 da repercussão geral. 1.2. A parte agravante alegou a inaplicabilidade do Tema n. 339 ao caso, argumentando que não houve fundamentação adequada no acórdão recorrido quanto às matérias suscitadas, o que configuraria ofensa ao texto constitucional. II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO 2.1. A existência de afronta ao art. 93, IX, da Constituição Federal quando se discute a suficiência da fundamentação das decisões judiciais, com aplicabilidade do Tema n. 339 do STF. III. RAZÕES DE DECIDIR 3.1. O STF, ao tratar do Tema n. 339 da repercussão geral, firmou a tese de que a Constituição Federal exige que acórdãos e decisões sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem vinculação à correção ou abrangência detalhada de todas as alegações das partes, mas sim à existência de motivação que permita a compreensão da solução dada à controvérsia. 3.2. No caso concreto, o acórdão recorrido apresentou motivação adequada para a solução da controvérsia, em conformidade com o Tema n. 339, razão pela qual é justificada a negativa de seguimento ao recurso extraordinário nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC. IV. DISPOSITIVO 4.1. Agravo regimental a que se nega provimento.
RELATÓRIO 1. Trata-se de agravo regimental interposto contra a decisão que negou seguimento ao recurso extraordinário, assim ementada (fl. 2.304): RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. A parte agravante defende a inaplicabilidade do Tema n. 339 do STF no caso concreto, sob o argumento de que a manutenção da condenação imposta ao ora agravante não contém nenhuma fundamentação idônea quanto à alegada atipicidade da conduta decorrente do flagrante preparado pela polícia corregedora. Requer o provimento do agravo para que o recurso extraordinári o seja admitido, com a remessa dos autos ao Supremo Tribunal Federal. É o relatório. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. I. CASO EM EXAME 1.1. Agravo regimental interposto contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário, sob o fundamento de que o acórdão recorrido estaria em conformidade com a tese fixada pelo STF no Tema n. 339 da repercussão geral. 1.2. A parte agravante alegou a inaplicabilidade do Tema n. 339 ao caso, argumentando que não houve fundamentação adequada no acórdão recorrido quanto às matérias suscitadas, o que configuraria ofensa ao texto constitucional. II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO 2.1. A existência de afronta ao art. 93, IX, da Constituição Federal quando se discute a suficiência da fundamentação das decisões judiciais, com aplicabilidade do Tema n. 339 do STF. III. RAZÕES DE DECIDIR 3.1. O STF, ao tratar do Tema n. 339 da repercussão geral, firmou a tese de que a Constituição Federal exige que acórdãos e decisões sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem vinculação à correção ou abrangência detalhada de todas as alegações das partes, mas sim à existência de motivação que permita a compreensão da solução dada à controvérsia. 3.2. No caso concreto, o acórdão recorrido apresentou motivação adequada para a solução da controvérsia, em conformidade com o Tema n. 339, razão pela qual é justificada a negativa de seguimento ao recurso extraordinário nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC. IV. DISPOSITIVO 4.1. Agravo regimental a que se nega provimento. VOTO 2. No julgamento do paradigma vinculado ao Tema n. 339, o Supremo Tribunal Federal apreciou a seguinte questão: .. se decisão que transcreve os fundamentos da decisão recorrida, sem enfrentar pormenorizadamente as questões suscitadas nos embargos declaratórios, afronta o princípio da obrigatoriedade de fundamentação das decisões judiciais, nos termos do art. 93, IX, da Constituição Federal. Na ocasião, firmou-se a seguinte tese vinculante: "O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas." O respectivo acórdão recebeu a seguinte ementa: Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3º e 4º). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (AI n. 791.292-QO-RG, relator Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 23/6/2010, DJe de 13/8/2010.) Por isso, para que um acórdão ou decisão seja considerado fundamentado, conforme definido pelo STF, não é necessária a apreciação de todas as alegações feitas pelas partes, desde que haja motivação considerada suficiente para a solução da controvérsia. Nesse contexto, a caracterização de ofensa ao art. 93, IX, da Constituição Federal não está relacionada ao acerto atribuído ao julgado, ainda que a parte recorrente considere sucinta ou incompleta a análise das alegações recursais. No caso, conforme consignado na decisão agravada, foram declinados, de forma satisfatória, os motivos da compreensão adotada no acórdão objeto do recurso extraordinário, como se observa do seguinte trecho do referido julgado (fls. 2.085-2.087): No mais, como se constatou quando do julgamento monocrático, sobre a alegada ofensa ao art. 381, III, do CPP, o Tribunal local rejeitou a pretensão defensiva com base em dois fundamentos: (I) o magistrado não estaria obrigado a responder expressamente todos os argumentos das partes; (II) a sentença teria refutado implicitamente a preparação do flagrante; e (III) com a devolução da questão àquela Corte na apelação, seria desnecessário anular a sentença, uma vez que o próprio TJ/SP poderia examinar (como de fato examinou) a tese da defesa. É o que se colhe do acórdão recorrido (e-STJ, fls. 1.824-1.825): .. Apenas os dois primeiros fundamentos do acórdão foram impugnados no recurso especial, que nada disse sobre o terceiro. Com efeito, a defesa não explicou qual a utilidade de anular a sentença para que o juízo de primeiro grau se manifeste sobre um argumento defensivo que já foi rejeitado pelo Tribunal de segunda instância, nem apresentou argumentos para demonstrar o desacerto dessa terceira conclusão do aresto. A falta de impugnação dos fundamentos do acórdão, como se sabe, obsta o conhecimento do recurso especial no ponto, pela incidência da Súmula 283/STF. As próprias razões deste agravo regimental confirmam tal conclusão, já que não apontam nenhum excerto do recurso especial que tenha combatido o terceiro fundamento do acórdão recorrido, acima destacado, para rejeitar a nulidade da sentença. Reitero que, mesmo nos casos de nulidade da sentença, o art. 1.013, § 3º, III, do CPC permite que a Corte de apelação julgue o mérito do ponto eventualmente omisso, sem a necessidade de anular a sentença para que outra seja proferida, sanando a omissão. O dispositivo em questão consagra a teoria da causa madura, cuja aplicação no processo penal é admitida por este STJ: .. Assim, como o próprio TJ/SP já enfrentou o mérito da tese defensiva de atipicidade da conduta, a teoria da causa madura mostra que não há necessidade de que o juízo de primeira instância a analise agora. O agravo regimental, aliás, não trouxe nenhum argumento para infirmar a aplicação desses precedentes. A defesa apenas afirmou que o saneamento da omissão pela Corte local causaria supressão de instância, mas nada disse sobre a sintonia entre a decisão agravada e a atual jurisprudência desta Corte Superior, que reconhece a aplicabilidade da teoria da causa madura no processo penal. Verifica-se, portanto, que foram suficientemente apresentadas as razões pelas quais não estão preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso dirigido ao STJ, não tendo sido examinada a matéria de fundo, motivo pelo qual é inviável o exame das questões relacionadas ao mérito recursal. Com efeito, demonstrada a realização da prestação jurisdicional constitucionalmente adequada, ainda quando não se concorde com a solução dada à causa, afigura-se inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, pois o provimento recorrido encontra-se em sintonia com a tese fixada no Tema n. 339 do STF. 3. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É como voto.