AREsp 2155419 - DECISAO
Reconsiderou-se a decisão monocrática; concluiu-se que o acórdão recorrido apresentou fundamentação suficiente e enfrentou as questões capazes, em tese, de infirmar a conclusão adotada, não havendo omissão ou contradição nos termos dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015; ademais, por força do art. 537, § 1º, do CPC/2015...
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- Parties
- Agravante: MUNICÍPIO DE NITERÓI; Réu: ESTADO DO RIO DE JANEIRO; Autora: AUTORA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Juízo De Reconsideração E Julgamento Do Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- Agravo conhecido, mediante juízo de reconsideração, para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
- Legal Topics
- Fundamentação Das Decisões (art. 489 E Art. 1.022 Cpc/2015), Astreintes (multa Diária), Revisão De Multa Vencida, Art. 537, § 1º Do Cpc/2015, Súmula 7/stj, Súmula 83/stj
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Parties
MUNICÍPIO DE NITERÓI
Agravante
ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Réu
AUTORA
Autora
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Juízo De Reconsideração E Julgamento Do Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 ocorrência ou não de violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015
- 2 possibilidade de revisão do valor acumulado da multa periódica (multa vencida)
- 3 alcance do art. 537, § 1º, do CPC/2015
Ratio Decidendi
Reconsiderou-se a decisão monocrática; concluiu-se que o acórdão recorrido apresentou fundamentação suficiente e enfrentou as questões capazes, em tese, de infirmar a conclusão adotada, não havendo omissão ou contradição nos termos dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015; ademais, por força do art. 537, § 1º, do CPC/2015 e da jurisprudência do STJ, é vedada a revisão da multa vencida, de modo que o agravo foi conhecido para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negado provimento.
Court Disposition
Agravo conhecido, mediante juízo de reconsideração, para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
Orders
- Reconsiderar a decisão de fls. 242-247 (e-STJ).
- Conhecer, em parte, do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo interno interposto por MUNICÍPIO DE NITERÓI contra decisão monocrática proferida pelo Ministro Mauro Campbell nos termos da seguinte ementa (e-STJ, fl. 242): PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 489 DO CPC. INOCORRÊNCIA. ASTREINTES. REVISÃO. FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS NÃO ATACADOS. SÚMULA 283/STF. AGRAVO CONHECIMENTO PARA CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO ESPECIAL E, NESSA EXTENSÃO, NEGAR-LHE PROVIMENTO. Em suas razões (e-STJ, fls. 258-270), o agravante afirma que o julgamento monocrático viola os princípios da ampla defesa e do contraditório, devendo o recurso ser analisado pelo órgão colegiado. Alega ter atacado expressamente os fundamentos do acórdão recorrido no tocante à aplicação da multa diária por descumprimento. Aponta ofensa aos arts. 489, § 1º, e 1.022 do CPC/2015, sob o argumento de que o Tribunal de origem não se manifestou quanto aos vícios da omissão e contradição trazidas nas razões recursais. Pleiteia, assim, a reconsideração da decisão, a fim de que seja dado provimento ao agravo interno. Impugnação às fls. 300-305 (e-STJ). De fato, observa-se que houve a devida impugnação aos fundamentos do acórdão recorrido, devendo ser afastado o óbice da Súmula 283/STF, razão pela qual, com base no art. 259, § 6º, do RISTJ, reconsidero a decisão de fls. 242-247 (e-STJ). Passo ao exame do agravo em recurso especial. De início, é preciso deixar claro que o acórdão recorrido resolveu satisfatoriamente as questões deduzidas no processo, sem incorrer nos vícios de obscuridade, contradição, erro material ou omissão com relação a ponto controvertido relevante, cujo exame pudesse levar a um diferente resultado na prestação de tutela jurisdicional. Assinala-se que as instâncias ordinárias expressamente enfrentaram todas as questões relevantes ao deslinde da controvérsia, de forma clara e fundamentada, tratando-se, na verdade, de pretensão de novo julgamento das matérias. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a responder a questionamentos das partes, mas apenas a declinar as razões de seu convencimento motivado, como de fato ocorre nos autos. A propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. ALEGAÇÃO DE AFRONTA AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA. RESPONSABILIDADE CIVIL. ÓBITO ENVOLVENDO CABO DE ALTA TENSÃO. DANO MORAL. RESPONSABILIDADE E ADEQUAÇÃO DO QUANTUM INDENIZATÓRIO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. O acórdão recorrido não possui as omissões suscitadas pela parte recorrente, mas apresentou, concretamente, os fundamentos que justificaram a sua conclusão. Como é cediço, o Julgador não está obrigado a rebater, individualmente, todos os argumentos suscitados pelas partes, sendo suficiente que demonstre, fundamentadamente, as razões do seu convencimento. Inexiste, portanto, ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015. Além disso, apresentou fundamentação concreta e suficiente para dar suporte às suas conclusões, inexistindo desrespeito ao dever judicial de se fundamentar as decisões judiciais, existindo mero inconformismo da parte recorrente com o resultado do julgamento que lhe foi desfavorável. Portanto, não há ofensa ao art. 489 do CPC/2015. 2. O Tribunal de origem, a partir do cotejo dos elementos de provas acostados aos autos, reconheceu a existência da responsabilidade da ora agravante pelo acidente ocorrido, bem como pela adequação do quantum indenizatório. 3. Os argumentos utilizados pela parte recorrente somente poderiam ter sua procedência verificada mediante o necessário reexame de matéria fática, o que é vedado na via estreita do recurso especial, por força da Súmula n. 7 do STJ. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.630.849/RJ, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, julgado em 23/9/2024, DJe de 25/9/2024.) ADMINISTRATIVO. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. EX-FERROVIÁRIO DA CBTU. SUBSIDIÁRIA DA RFFSA. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. LEIS N. 8.186/1991 E 10.233/2001. REFERÊNCIA. PLANO DE CARGOS E SALÁRIOS DA EXTINTA RFFSA. SUCEDIDA PELA VALEC S.A. EQUIPARAÇÃO COM REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS DA CBTU. IMPOSSIBILIDADE. I - Conforme a pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, não ocorre a violação dos arts. 489 e 1.022, todos do CPC/2015, quando as questões discutidas nos autos são analisadas, mesmo que implicitamente, ou ainda afastadas de maneira embasada pela Corte Julgadora originária, posto que a mera insatisfação da parte com o conteúdo da decisão exarada não denota deficiência na fundamentação decisória, nem autoriza a oposição de embargos declaratórios. (..) X - Recurso especial parcialmente provido. (REsp n. 2.145.338/MG, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 10/9/2024, DJe de 12/9/2024.) Cabe ressaltar, nesse contexto, "que o teor do art. 489, § 1º, inc. IV, do CPC/2015, ao dispor que "não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador", não significa que o julgador tenha que enfrentar todos os argumentos trazidos pelas partes, mas sim os argumentos levantados que sejam capazes de, em tese, negar a conclusão adotada pelo julgador" (EDcl nos EDcl no AgInt nos EAREsp n. 1.388.769/SP, relator Ministro Og Fernandes, Corte Especial, julgado em 16/2/2022, DJe de 15/3/2022). Em relação à multa imposta por descumprimento da determinação judicial, o Tribunal de origem assim se manifestou (e-STJ, fl. 45 - sem grifo no original): Nos termos do disposto no art. 537, § 1º, do CPC/15, a redução da multa diária fixada somente pode ocorrer com eficácia ex nunc, devendo, portanto, permanecer no montante em que chegou a multa vencida, pois somente as multas vincendas podem ser alteradas e tal comando legal tem a mens legis de coibir o descumprimento de decisão judicial, visto que a possibilidade de redução de multa vencida acaba por premiar a quem descumprir, sem justificativa plausível, a obrigação que lhe foi imposta no comando judicial, premiando, portanto, a conduta recalcitrante de quem descumpre a decisão judicial. Na hipótese dos autos, observa-se que o Estado do Rio de Janeiro e o Município de Niterói levaram mais de cinco anos para o cumprimento da decisão agravada, sem apresentar qualquer justa causa que os impedissem de cumprir o comando judicial, ou seja, deixaram de cumprir a decisão judicial, que não demandava maiores esforços, visto que se tratava de incluir a autora e sua família nos programas habitacionais, por pura desídia e não podem ser premiados por isso. Ressalte-se que a multa vencida chegou ao patamar elevado, por culpa exclusiva dos réus, que fizeram de letra morta o comando judicial por mais de cinco anos, recalcitrância que não deve ser chancelada pelo Judiciário. Assim, não se justifica a redução requerida pelo Município de Niteroi, sendo certo que o mesmo é ente público com arrecadação vultosa e não ficará impossibilitado de arcar com o montante da multa vencida, que somente se tornou elevado, repita-se, em razão da própria desídia do recorrente. Dessa forma, tendo em vista que o art. 537, § 1º, do CPC somente admite a revisão ou exclusão da multa vincenda, e não da multa vencida, impõe-se o desprovimento do recurso interposto pelo Município de Niterói e provimento do recurso interposto pela autora para reformar a decisão vergastada, mantendo-se o valor da multa vencida. Em face disso, o acórdão recorrido encontra-se em consonância com o entendimento firmado na Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça no julgamento dos EAREsp n. 1.766.665/RS, relator Ministro Francisco Falcão, relator para acórdão Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, em 3/4/2024 (DJe de 6/6/2024), no sentido de que somente é possível a revisão ou exclusão da multa vincenda, conforme disposto no art. 537, § 1º, do CPC/2015. Confira-se a ementa do referido julgado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. MULTA PERIÓDICA (ASTREINTES). VALOR ACUMULADO DA MULTA VENCIDA. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. REGRA ESPECÍFICA NO CPC/2015. DESESTÍMULO À RECALCITRÂNCIA. REDUÇÕES SUCESSIVAS. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO PRO JUDICATO CONSUMATIVA. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça sedimentou-se, sob a égide do CPC/1973, no sentido da possibilidade de revisão do valor acumulado da multa periódica a qualquer tempo. No entanto, segundo o art. 537, § 1º, do CPC/2015, a modificação somente é possível em relação à "multa vincenda". 2. A alteração legislativa tem a finalidade de combater a recalcitrância do devedor, a quem compete, se for o caso, demonstrar a ocorrência de justa causa para o descumprimento da obrigação. 3. No caso concreto, ademais, ocorreu preclusão pro judicato consumativa, pois o montante alcançado com a incidência da multa já havia sido reduzido por meio de decisão transitada em julgado. 4. Embargos de divergência conhecidos e não providos. Tendo o acórdão recorrido decidido em consonância com a jurisprudência desta Corte, incide, na hipótese, o enunciado n. 83 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça, que abrange os recursos especiais interpostos com amparo nas alíneas a e/ou c do permissivo constitucional. Ante o exposto, conheço do agravo, mediante juízo de reconsideração, para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Publique-se. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. OBRIGAÇÃO DE FAZER. 1. RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA PARA NOVA ANÁLISE. 2. OFENSA AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. 3. ALTERAÇÃO DA MULTA VENCIDA. IMPOSSIBILIDADE. ACÓRDÃO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. SÚMULA 83/STJ. 4. AGRAVO CONHECIDO, MEDIANTE JUÍZO DE RECONSIDERAÇÃO, PARA CONHECER EM PARTE DO RECURSO ESPECIAL E, NESSA EXTENSÃO, NEGAR-LHE PROVIMENTO.