REsp 1973790 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o acórdão recorrido contém fundamentação suficiente nos termos do Tema n. 339/STF, e porque a alegada violação constitucional depende da análise dos §§ 4º e 5º do art. 171 do Código Penal, configurando ofensa reflexa cuja repercussão geral foi rejeitada pelo Tema n....
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: WILTON CUNHA DA SILVA; Agravante: RICARDO CABRAL DE MOURA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 February 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Recurso Extraordinário / Julgamento Decisão De Negar Provimento Ao Agravo Regimental E Manter a Negativa De Seguimento Ao Recurso Extraordinário
- Outcome
- Agravo regimental a que se nega provimento.
- Legal Topics
- Fundamentação Das Decisões (art. 93, IX, Cf), Repercussão Geral (tema 339/stf; Tema 660/stf), Princípio Do Contraditório E Ampla Defesa, Ato Jurídico Perfeito, Direito Adquirido E Limites Da Coisa Julgada, Art. 171, §§ 4º E 5º Do Código Penal, Condição De Procedibilidade E Representação
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Parties
WILTON CUNHA DA SILVA
Agravante
RICARDO CABRAL DE MOURA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental No Recurso Extraordinário / Julgamento Decisão De Negar Provimento Ao Agravo Regimental E Manter a Negativa De Seguimento Ao Recurso Extraordinário
Legal Issues
- 1 suficiência da fundamentação do acórdão recorrido em face do art. 93, IX, CF (Tema 339/STF)
- 2 se a alegada ofensa constitucional é reflexa por depender de normas infraconstitucionais (incidência do Tema 660/STF)
- 3 aplicação dos §§ 4º e 5º do art. 171 do Código Penal e da exceção do inciso IV do § 5º
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o acórdão recorrido contém fundamentação suficiente nos termos do Tema n. 339/STF, e porque a alegada violação constitucional depende da análise dos §§ 4º e 5º do art. 171 do Código Penal, configurando ofensa reflexa cuja repercussão geral foi rejeitada pelo Tema n. 660/STF, razão pela qual o recurso extraordinário não tem seguimento.
Court Disposition
Agravo regimental a que se nega provimento.
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental.
- Manter a decisão que negou seguimento ao recurso extraordinário.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da CORTE ESPECIAL do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 21/02/2024 a 27/02/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Nancy Andrighi, João Otávio de Noronha, Humberto Martins, Herman Benjamin, Luis Felipe Salomão, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento a Sra. Ministra Maria Thereza de Assis Moura. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. SUFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO JULGA DO RECORRIDO. CONFORMIDADE COM O TEMA N. 339/STF. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL, BEM COMO AO ATO JURÍDICO PERFEITO, AO DIREITO ADQUIRIDO E AOS LIMITES DA COISA JULGADA. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. TEMA N. 660/STF. 1. "O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão" (Tema n. 339/STF, QO no Ag n. 791.292/PE). 2. Existente a fundamentação, entende o Supremo Tribunal Federal que foi respeitado o art. 93, IX, da CF, mesmo que a parte não a repute adequada ou completa, conforme a conclusão firmada no Tema n. 339/STF, tese de observância obrigatória (CPC, art. 927, III). 3. A suscitada afronta aos princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, bem como ao ato jurídico perfeito, ao direito adquirido e aos limites da coisa julgada, se dependente da análise de normas infraconstitucionais, configura ofensa reflexa ao texto constitucional, não tendo repercussão geral (Tema n. 660 do STF). 4. Agravo regimental a que se nega provimento.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por WILTON CUNHA DA SILVA e RICARDO CABRAL DE MOURA contra a decisão que negou seguimento ao recurso extraordinário assim ementada (fl. 5.832): RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339/STF. CONFORMIDADE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL, BEM COMO AO ATO JURÍDICO PERFEITO, AO DIREITO ADQUIRIDO E AOS LIMITES DA COISA JULGADA. TEMA N. 660/STF. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. DIREITO PENAL. EXAME DO ART. 171, §§ 4º E 5º, DO CP. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. OFENSA REFLEXA À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. REEXAME DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. VERBETE 279 DA SÚMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RECURSO NÃO ADMITIDO. As partes agravantes alegam a inaplicabilidade do Tema n. 339 do STF ao caso, uma vez que o acórdão impugnado não teria se manifestado acerca do motivo pelo qual seriam dispensáveis as representações das vítimas que, à época dos fatos, não apresentariam idade superior a 70 anos. Sustentam que teria havido ofensa ao princípio constitucional da retroatividade de norma penal mais benéfica, razão pela qual a ofensa constitucional alegada não teria sido reflexa e o Tema n. 660 do STF não seria aplicável. Requerem o provimento do agravo para que o recurso extraordinário seja admitido e remetido ao Supremo Tribunal Federal. As contrarrazões foram apresentadas às fls. 5.898-5.901 e 5.902-5.905. É o relatório. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. SUFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO JULGA DO RECORRIDO. CONFORMIDADE COM O TEMA N. 339/STF. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL, BEM COMO AO ATO JURÍDICO PERFEITO, AO DIREITO ADQUIRIDO E AOS LIMITES DA COISA JULGADA. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. TEMA N. 660/STF. 1. "O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão" (Tema n. 339/STF, QO no Ag n. 791.292/PE). 2. Existente a fundamentação, entende o Supremo Tribunal Federal que foi respeitado o art. 93, IX, da CF, mesmo que a parte não a repute adequada ou completa, conforme a conclusão firmada no Tema n. 339/STF, tese de observância obrigatória (CPC, art. 927, III). 3. A suscitada afronta aos princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, bem como ao ato jurídico perfeito, ao direito adquirido e aos limites da coisa julgada, se dependente da análise de normas infraconstitucionais, configura ofensa reflexa ao texto constitucional, não tendo repercussão geral (Tema n. 660 do STF). 4. Agravo regimental a que se nega provimento. VOTO Conforme consignado na decisão agravada, quanto à questão da adequada fundamentação das decisões judiciais, o STF, ao apreciar o Tema n. 339 de repercussão geral, firmou a seguinte tese vinculante: O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. O respectivo acórdão recebeu a ementa que segue transcrita: Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3º e 4º). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (AI n. 791.292-QO-RG, relator Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 23/6/2010, DJe de 13/8/2010.) Nessa linha, a existência de motivação suficiente para o deslinde da causa afasta a ocorrência de nulidade do provimento questionado, a despeito de a parte recorrente reputar as razões de decidir incorretas, incompletas ou demasiadamente sucintas. No caso, a matéria invocada pelas partes insurgentes foi expressamente examinada pelo acórdão recorrido, consoante se observa na seguinte transcrição (fls. 5.710-5.711): No caso em tela, não há falar em ausência de condição de procedibilidade para a ação penal, pois, além de os estelionatos terem sido praticados contra pessoas idosas e vulneráveis (art. 171, § 4º, do CP), a hipótese diz respeito à exceção prevista no inciso IV do § 5º do art. 171 do Código Penal, in verbis: § 5º Somente se procede mediante representação, salvo se a vítima for: .. IV - maior de 70 (setenta) anos de idade ou incapaz. Com efeito, em diversas passagens, a sentença traz registros da condição de vulnerabilidade das vítimas, tendo em vista que os acusados praticaram o delito contra pessoas idosas, vulneráveis em face da avançada idade (fls. 1.504; 1.508; 1.509; 1.511; 1.517; e 1.518), mencionando expressamente a idade de uma delas: 83 anos (fl. 1.509). Além disso, há, nos autos, manifestação exarada por uma das vítimas, idosa de 74 anos, na delegacia, circunstância apta a indicar a inequívoca manifestação de vontade de ver apurado o fato delituoso, sendo desnecessária representação formal (fls. 24/28). .. Como se percebe, o caso dos autos encontra-se na exceção especificada no inciso IV do § 5º do art. 171 do Código Penal, não sendo o caso, pois, de aplicação incontinenti da mesma ratio decidendi do AgR no HC n. 208.817/RJ. Com efeito, demonstrada a realização da prestação jurisdicional constitucionalmente adequada, ainda quando não se concorde com a solução dada à causa, afigura-se inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, pois o provimento recorrido encontra-se em sintonia com a tese fixada no Tema n. 339 do STF, de observância obrigatória (CPC, art. 927, III). Ademais, o STF pacificou o entendimento de que a suscitada afronta aos princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, bem como ao ato jurídico perfeito, ao direito adquirido e aos limites da coisa julgada, quando dependente da prévia análise de normas infraconstitucionais, configura ofensa reflexa ao texto constitucional. Nesse sentido é o Tema n. 660 do STF, cujo acórdão paradigma recebeu a seguinte ementa: Alegação de cerceamento do direito de defesa. Tema relativo à suposta violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa, dos limites da coisa julgada e do devido processo legal. Julgamento da causa dependente de prévia análise da adequada aplicação das normas infraconstitucionais. Rejeição da repercussão geral. (ARE n. 748.371-RG, relator Ministro Gilmar Mendes, julgado em 6/6/2013, DJe de 1º/8/2013.) No caso, a suposta ofensa ao princípio do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, bem como ao ato jurídico perfeito, ao direito adquirido e aos limites da coisa julgada depende da análise do art. 171, §§ 4º e 5º, do Código Penal, motivo pelo qual incide o Tema n. 660 do STF. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É como voto.