Rcl 42371 - ACORDAO
Havendo fundamentação suficiente no acórdão recorrido, nos termos da tese vinculante do Tema n. 339 do STF, e por ser competência da Corte de origem obstar o seguimento do recurso extraordinário pela sistemática da repercussão geral (art. 1.030 e ss. do CPC), não há usurpação de competência do STF, devendo ser...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 February 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Extraordinário / Julgamento Na Corte Especial; Negativa De Seguimento Ao Recurso Extraordinário/negação De Provimento Ao Agravo Interno
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno; mantida a negativa de seguimento ao recurso extraordinário.
- Legal Topics
- Fundamentação Das Decisões Judiciais, Repercussão Geral, Admissibilidade De Recurso Extraordinário, Usurpação De Competência Do STF
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Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Extraordinário / Julgamento Na Corte Especial; Negativa De Seguimento Ao Recurso Extraordinário/negação De Provimento Ao Agravo Interno
Legal Issues
- 1 suficiência da fundamentação do julgado recorrido
- 2 conformidade com o Tema n. 339/STF
- 3 alegação de usurpação de competência do Supremo Tribunal Federal
Ratio Decidendi
Havendo fundamentação suficiente no acórdão recorrido, nos termos da tese vinculante do Tema n. 339 do STF, e por ser competência da Corte de origem obstar o seguimento do recurso extraordinário pela sistemática da repercussão geral (art. 1.030 e ss. do CPC), não há usurpação de competência do STF, devendo ser negado provimento ao agravo interno e mantida a negativa de seguimento ao recurso extraordinário.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno; mantida a negativa de seguimento ao recurso extraordinário.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Manter a negativa de seguimento ao recurso extraordinário pela observância do Tema n. 339 do STF e pela sistemática da repercussão geral.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da CORTE ESPECIAL do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 01/02/2024 a 07/02/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Nancy Andrighi, João Otávio de Noronha, Humberto Martins, Herman Benjamin, Luis Felipe Salomão, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento a Sra. Ministra Maria Thereza de Assis Moura. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. SUFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. CONFORMIDADE COM O TEMA N. 339/STF. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. 1. "O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão" (Tema n. 339 do STF, QO no Ag n. 791.292/PE). 2. Existente a fundamentação, entende o Supremo Tribunal Federal que foi respeitado o art. 93, IX, da CF, mesmo que a parte não a repute adequada ou completa, conforme a conclusão firmada no Tema n. 339 do STF, tese de observância obrigatória (CPC, art. 927, III). 3. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto contra a decisão que negou seguimento ao recurso extraordinário assim ementada: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339/STF. CONFORMIDADE. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. A parte agravante alega que teria havido usurpação de competência do Supremo Tribunal Federal por esta Corte, haja vista que a decisão impugnada teria analisado o mérito do recurso extraordinário, e não apenas os requisitos formais de admissibilidade do recurso. Requer o provimento do agravo para que o recurso extraordinário seja admitido e remetido ao Supremo Tribunal Federal. Não foram oferecidas contrarrazões tempestivas. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. SUFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. CONFORMIDADE COM O TEMA N. 339/STF. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. 1. "O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão" (Tema n. 339 do STF, QO no Ag n. 791.292/PE). 2. Existente a fundamentação, entende o Supremo Tribunal Federal que foi respeitado o art. 93, IX, da CF, mesmo que a parte não a repute adequada ou completa, conforme a conclusão firmada no Tema n. 339 do STF, tese de observância obrigatória (CPC, art. 927, III). 3. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO Quanto à questão da adequada fundamentação das decisões judiciais, o STF, ao apreciar o Tema n. 339 de repercussão geral, firmou a seguinte tese vinculante: "O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas." O respectivo acórdão recebeu a ementa que segue transcrita: Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3º e 4º). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (AI n. 791.292-QO-RG, relator Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 23/6/2010, DJe de 13/8/2010.) Nessa linha, a existência de motivação suficiente para o deslinde da causa afasta a ocorrência de nulidade do provimento questionado, a despeito de a parte recorrente reputar as razões de decidir incorretas, incompletas ou demasiadamente sucintas. No caso, foram declinados, de forma suficiente, os motivos da compreensão adotada no julgado recorrido. A matéria invocada pela parte recorrente foi expressamente examinada pelo acórdão recorrido, consoante se observa na seguinte transcrição: Conforme o foi explicitado no voto, é incabível reclamação para garantir a observância de precedente proferido em julgamento de "casos repetitivos": A decisão há que ser mantida pelos seus próprios fundamentos. O julgado no Recurso Especial Nº 1.704.520/MT não guarda qualquer conexão com o presente caso. É incabível reclamação para garantir a observância de precedente proferido em julgamento de "casos repetitivos". Nessa toada, o presente recurso de agravo interno não merece sucesso. Esclareça-se que o repetitivo Recurso Especial N. 1.704.520/MT enfrentou a natureza jurídica do rol do art. 1.015 do CPC/15 para fins de admitir a interposição de agravo de instrumento. Tema eminentemente processual. Já o presente feito deseja discutir qual a correta aplicação do repetitivo REsp n. 1.221.170/PR (TEMA 779), onde definido o conceito de insumos para as contribuições ao PIS/PASEP e COFINS não cumulativas. Tema de Direito Tributário Material. Não há relação entre eles. De ver que a "mitigação" que pretende a recorrente é a própria alteração da tese do repetitivo REsp nº 1.221.170/PR a ser realizada mediante reclamação inadmissível pela jurisprudência da Corte Especial. Outrossim, o caso não se enquadra no art. 16, IV, do RISTJ tendo em vista ser matéria já decidida pela Corte Especial na Rcl. n. 36.476 / SP (Corte Especial, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05.02.2020), não havendo qualquer excepcionalidade que permita a distinção ou superação da tese ali firmada. Ausentes, portanto, a omissão e a contradição, pois basta a menção ao precedente Rcl. n. 36.476 / SP para fundamentar a extinção do processo sem resolução de mérito, o que foi feito. Com efeito, demonstrada a realização da prestação jurisdicional constitucionalmente adequada, ainda quando não se concorde com a solução dada à causa, afigura-se inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, pois o provimento recorrido encontra-se em sintonia com a tese fixada no Tema n. 339 do STF, de observância obrigatória (Código de Processo Civil, art. 927, III). No que se refere à alegação de usurpação de competência do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil, o Tribunal de origem, em juízo de admissibilidade recursal, exerce competência própria ao negar seguimento aos recursos extraordinários pela sistemática da repercussão geral (arts. 1.030 e seguintes do CPC). Nesse sentido: AGRAVO INTERNO. RECLAMAÇÃO. OBSERVÂNCIA DA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL NA ORIGEM. CABIMENTO DO AGRAVO INTERNO. RE N. 632.853/CE - TEMA N. 485. USURPAÇÃO DE COMPETÊNCIA NÃO CONFIGURADA. ART. 1.030, I, DO CPC. EXERCÍCIO DA COMPETÊNCIA DAS CORTES DE ORIGEM. UTILIZAÇÃO DA RECLAMAÇÃO COMO SUCEDÂNEO DE RECURSO. NÃO CABIMENTO DA RECLAMAÇÃO CONSTITUCIONAL. 1. O Juízo reclamado, ao obstar seguimento ao agravo interno interposto contra a decisão pela não admissão do apelo extremo, utilizou precedentes de repercussão geral que guardam similitude e adequação com a espécie dos autos. Usurpação da competência desta Suprema Corte não demonstrada. 2. Agravo interno a que se nega provimento, com aplicação da penalidade prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015, calculada à razão de 1% (um por cento) sobre o valor atualizado da causa, se unânime a votação. (Rcl n. 38.945-AgR, relatora Ministra Rosa Weber, Primeira Turma, julgado em 15/4/2020, DJe de 13/5/2020.) Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. Advirto que a formalização de embargos de declaração com intuito manifestamente protelatório poderá ser sancionada com a multa prevista no art. 1.026, § 2º, do Código de Processo Civil. É como voto.