AREsp 2417014 - DECISAO
Aplicando a tese do Tema n. 339/STF, concluiu-se que o acórdão recorrido continha fundamentação suficiente ainda que sucinta; verificou-se que a parte agravante não impugnou de forma específica alguns fundamentos, atraindo a Súmula n. 182/STJ; o agravo regimental foi submetido ao colegiado sem retratação monocrática...
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- Parties
- Parte Ex Adversa: Ministério Público Estadual
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 April 2024
- Procedural Posture
- Recurso Extraordinário / Negado Seguimento (decisão De Não Provimento/negação De Seguimento)
- Outcome
- Nego seguimento ao recurso extraordinário
- Legal Topics
- Fundamentação Das Decisões Judiciais, Repercussão Geral (tema 339/stf), Agravo Regimental, Embargos De Declaração, Incidência De Súmulas (182/stj, 284/stf, 83/stj), Negativa De Seguimento
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Parties
Ministério Público Estadual
Parte Ex Adversa
Procedural Posture
Recurso Extraordinário / Negado Seguimento (decisão De Não Provimento/negação De Seguimento)
Legal Issues
- 1 Adequação da fundamentação do acórdão face ao art. 93, IX, da CF
- 2 Aplicação da tese vinculante do Tema n. 339/STF
- 3 Incidência da Súmula n. 182/STJ pela ausência de impugnação específica de fundamentos
Ratio Decidendi
Aplicando a tese do Tema n. 339/STF, concluiu-se que o acórdão recorrido continha fundamentação suficiente ainda que sucinta; verificou-se que a parte agravante não impugnou de forma específica alguns fundamentos, atraindo a Súmula n. 182/STJ; o agravo regimental foi submetido ao colegiado sem retratação monocrática do relator, não havendo omissão ou nulidade; os embargos de declaração não demonstraram omissão, obscuridade ou contradição; portanto, com base no art. 1.030, I, a, do CPC, negou-se seguimento ao recurso extraordinário.
Court Disposition
Nego seguimento ao recurso extraordinário
Orders
- Nego seguimento ao recurso extraordinário, com amparo no art. 1.030, I, a, do CPC.
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso extraordinário interposto contra acórdão do Superior Tribunal de Justiça assim ementado: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NÃO IMPUGNADOS DE FORMA ESPECÍFICA FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A parte Agravante, no agravo em recurso especial, deixou de impugnar de forma específica, alguns dos fundamentos da decisão que não admitiu o recurso especial na origem. Incidência da Súmula n. 182/STJ. 2. Agravo regimental desprovido. Os embargos de declaração opostos na sequência foram rejeitados. A parte recorrente alega a existência de repercussão geral da matéria debatida e de contrariedade, no acórdão impugnado, ao art. 93, IX, da Constituição Federal. Nesse sentido, argumenta ter havido ausência de fundamentação no julgado recorrido, uma vez que este não teria realizado o "devido cotejo analítico dos argumentos levantados pela defesa" (fl. 1.731). Assevera que o agravo regimental teria sido submetido diretamente ao colegiado, sem que houvesse o prévio juízo de retratação do relator. Acrescenta que teriam sido impugnados todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial e que teriam sido demonstrados elementos suficientes capazes de modificar a sua condenação. Requer, ao final, a admissão do recurso, bem como a remessa dos autos ao Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Quanto à questão da adequada fundamentação das decisões judiciais, a Suprema Corte, ao apreciar o Tema n. 339, sob o regime da repercussão geral, firmou a seguinte tese vinculante: O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. Por isso, para que um acórdão ou decisão seja considerado fundamentado, conforme definido pelo STF, não é necessário que tenham sido apreciadas todas as alegações feitas pelas partes, desde que haja motivação considerada suficie nte para a solução da controvérsia. Nesse contexto, a caracterização de ofensa ao art. 93, IX, da CF não está relacionada ao acerto ou desacerto atribuído ao julgado, ainda que a parte recorrente considere sucinta ou incompleta a análise das alegações recursais. No caso dos autos, foram apresentados, de forma suficiente, os fundamentos da conclusão alcançada no acórdão recorrido, como se observa do seguinte trecho do voto proferido por ocasião da apreciação dos embargos de declaração (fls. 1.716-1.718): Conforme previsto no art. 258, § 3.º, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, que rege o processamento do agravo regimental em matéria penal, tal recurso "será submetido ao prolator da decisão, que poderá reconsiderá-la ou submeter o agravo ao julgamento da Corte Especial, da Seção ou da Turma, conforme o caso, computando-se também o seu voto" (grifei). Por óbvio, se o recurso interno foi submetido a julgamento pelo órgão colegiado, não houve retratação do decisum monocrático, tendo o Ministro Relator entendido pela manutenção do provimento judicial agravado, nos termos do voto por ele proferido, sem que se cogite, assim, de qualquer omissão ou nulidade por falta de manifestação expressa sobre o juízo de retratação. Na sequência, ao contrário do que alega a parte Agravante, convém ressaltar que: " q uanto à alegada nulidade do acórdão proferido no agravo regimental, ante a ausência de contrarrazões do Ministério Público Estadual, esta Corte Superior já consolidou posicionamento no sentido de que não há previsão legal ou regimental sobre a necessidade da parte ex adversa para apresentar contrarrazões ao agravo regimental. Precedentes." (EDcl no AgRg no AREsp n. 1.450.537/PR, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 1/10/2019, DJe de 7/10/2019; sem grifos no original). Destaco também que, nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, não tem o condão de gerar nulidade por deficiência de fundamentação o fato de terem sido reproduzidas as razões de decidir provimento judicial monocrático. Outrossim, tal como ocorreu na hipótese dos autos, todas as questões trazidas ao crivo do Poder Judiciário foram adequada e satisfatoriamente examinadas, havendo ratificação do entendimento unipessoal pelo órgão colegiado competente. .. No mais, os embargos de declaração não devem ser acolhidos. Conforme dispõe o art. 619 do Código de Processo Penal, os embargos de declaração destinam-se a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou ambiguidade existentes no julgado, o que não se verifica na hipótese em comento. O acórdão embargado solucionou a quaestio juris de maneira clara e coerente, apresentando todas as questões que firmaram o seu convencimento, em perfeita consonância com a legislação aplicável à espécie e com a jurisprudência desta Corte. A bem da verdade, no aresto embargado foi expressamente consignado que "a parte Agravante, no agravo em recurso especial (fls. 1.413-1.440), deixou de se insurgir, especificamente, contra a fundamentação relativa à impossibilidade de análise de violação a princípios constitucionais na via especial e à incidência das Súmulas n. 284/STF e 83/STJ,sendo esta última referente à suposta ofensa ao art. 386, inciso VII, do Código de Processo Penal" (fl. 1.694; grifei), o que atraiu a incidência da Súmula n. 182/STJ. É oportuno esclarecer que a pretensão de rediscutir matéria devidamente abordada e decidida no acórdão embargado, consubstanciada na mera insatisfação com o resultado da demanda, é incabível na via dos embargos de declaração. Portanto, demonstrado que houve prestação jurisdicional compatível com a tese fixada pelo STF no Tema n. 339 sob o regime da repercussão geral, é inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, que deve ter o seguimento negado. Por fim, registro a existência de publicação produzida pela Secretaria de Comunicação Social do Superior Tribunal de Justiça sobre a análise dos recursos extraordinários interpostos contra julgados do STJ, conteúdo de eventual interesse das partes, disponível para acesso por meio do QR Code a seguir: Ante o exposto, com amparo no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil, nego seguimento ao recurso extraordinário. Observando os princípios da cooperação e da celeridade, registro que contra decisões que negam seguimento a recurso extraordinário não é cabível agravo em recurso extraordinário (previsto no art. 1.042 do CPC), conforme disposto no § 2º do art. 1.030 do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339/STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO.