AREsp 2299294 - ACORDAO
O acórdão recorrido está adequadamente fundamentado nos termos do art. 93, IX, da CF e da tese vinculante do Tema 339 do STF; como a parte recorrente não impugnou de forma específica o fundamento relativo à liberdade de terceiros contratarem transporte (efetivo na modalidade FOB), aplica-se por analogia o...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Extraordinário / Julgamento (negado Provimento)
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno.
- Legal Topics
- Fundamentação Das Decisões Judiciais, Repercussão Geral, Tema 339 Do STF, Embargos De Declaração, Súmulas 283 E 284 Do STF, Art. 93, IX, CF
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Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Extraordinário / Julgamento (negado Provimento)
Legal Issues
- 1 Adequação da fundamentação do acórdão à luz do art. 93, IX, da CF
- 2 Aplicação do Tema 339 do STF sobre fundamentação sucinta
- 3 Incidência, por analogia, das Súmulas 283 e 284 do STF diante da ausência de impugnação específica
Ratio Decidendi
O acórdão recorrido está adequadamente fundamentado nos termos do art. 93, IX, da CF e da tese vinculante do Tema 339 do STF; como a parte recorrente não impugnou de forma específica o fundamento relativo à liberdade de terceiros contratarem transporte (efetivo na modalidade FOB), aplica-se por analogia o entendimento das Súmulas 283 e 284 do STF e, assim, nega-se provimento ao agravo interno, não se admitindo o recurso extraordinário.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Advirto que a formalização de embargos de declaração com intuito manifestamente protelatório poderá ser sancionada com a multa prevista no art. 1.026, § 2º, do Código de Processo Civil.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da CORTE ESPECIAL do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 15/05/2024 a 21/05/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Nancy Andrighi, João Otávio de Noronha, Humberto Martins, Herman Benjamin, Luis Felipe Salomão, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Ricardo Villas Bôas Cueva votaram com o Sr. Ministro Relator. Impedido o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior. Presidiu o julgamento a Sra. Ministra Maria Thereza de Assis Moura. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ACÓRDÃO RECORRIDO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. TEMA N. 339 DO STF. 1. "O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão" (Tema n. 339 do STF, QO no Ag n. 791.292/PE). 2. Existente a fundamentação, entende o Supremo Tribunal Federal que foi respeitado o art. 93, IX, da CF, mesmo que a parte não a repute adequada ou completa, conforme a conclusão firmada no Tema n. 339 do STF. 3. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto contra a decisão que negou seguimento ao recurso extraordinário assim ementada: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339/STF. CONFORMIDADE. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. A parte agravante alega reitera que "o Superior Tribunal de Justiça não enfrentou, mesmo após a oposição de Embargos de Declaração, os argumentos que demonstravam que o Tribunal de origem violou os artigos 1.022 e 489 do CPC e que as Súmulas n. 283 e 284 do STF eram inaplicáveis ao Recurso Especial". Requer o provimento do agravo para que o recurso extraordinário seja admitido e os autos sejam remetidos ao Supremo Tribunal Federal. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ACÓRDÃO RECORRIDO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. TEMA N. 339 DO STF. 1. "O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão" (Tema n. 339 do STF, QO no Ag n. 791.292/PE). 2. Existente a fundamentação, entende o Supremo Tribunal Federal que foi respeitado o art. 93, IX, da CF, mesmo que a parte não a repute adequada ou completa, conforme a conclusão firmada no Tema n. 339 do STF. 3. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO Quanto à questão da adequada fundamentação das decisões judiciais, o STF, ao apreciar o Tema n. 339 da repercussão geral, firmou a seguinte tese vinculante: "O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas." O respectivo acórdão recebeu a ementa que segue transcrita: Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3º e 4º). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (AI n. 791.292-QO-RG, relator Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 23/6/2010, DJe de 13/8/2010.) Por isso, para que um acórdão ou decisão seja considerado fundamentado, conforme definido pelo STF, não é necessário que tenham sido apreciadas todas as alegações feitas pelas partes, desde que haja motivação considerada suficiente para a solução da controvérsia. Nesse contexto, a caracterização de ofensa ao art. 93, IX, da Constituição Federal não está relacionada ao acerto ou desacerto atribuído ao julgado, ainda que a parte recorrente considere sucinta ou incompleta a análise das alegações recursais. A matéria invocada pela parte recorrente foi expressamente examinada no acórdão recorrido, consoante se observa na seguinte transcrição (fls. 500-501): Nota-se que o v. acórdão recorrido está amparado na liberdade de terceiros para contratarem o serviço autônomo de transporte com o recorrido para fazer o carregamento de combustível, na modalidade FOB, na qual o transportador é contratado por terceiros e a responsabilidade do vendedor se encerra imediatamente após o carregamento, passando a ser a partir daí exclusivamente do próprio comprador. Ocorre que a parte recorrente - nas razões do recurso especial - não rebateu de forma específica e suficiente referida fundamentação, o que atrai, na hipótese, a incidência, por analogia, das Súmulas 283 e 284 do Supremo Tribunal Federal. É que a recorrente invoca normas genéricas, que não dispõem especificamente sobre sua responsabilidade pelo transporte dos materiais comercializados na modalidade FOB. Além disso, defende a violação aos direitos de autonomia privada e liberdade de contratar da recorrente, mas não infirma o fundamento relativo à esfera de liberdade de terceiros para contratarem o serviço de transporte. Ainda, argumenta de forma genérica que sua responsabilidade não cessa após o carregamento dos combustíveis no caminhão do transportador, de modo que ela se estende até o descarregamento no posto de gasolina, sem apresentar especificamente justificativa legal para tanto. Com efeito, demonstrada a realização da prestação jurisdicional constitucionalmente adequada, ainda quando não se concorde com a solução dada à causa, afigura-se inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, pois o provimento recorrido encontra-se em sintonia com a tese fixada no Tema n. 339 do STF. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. Advirto que a formalização de embargos de declaração com intuito manifestamente protelatório poderá ser sancionada com a multa prevista no art. 1.026, § 2º, do Código de Processo Civil. É como voto.