Pet 15193 - ACORDAO
Havendo fundamentação suficiente no acórdão recorrido nos termos fixados pelo STF no Tema 339, não se configura violação do art. 93, IX, da CF; além disso, a via eleita para pleitear a mediação mostrou-se inadequada ao caso, não sendo competência originária do STJ processar a medida nos termos pretendidos, razão...
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- Parties
- Agravante/requerente: FEDERAÇÃO NACIONAL DOS POLICIAIS RODOVIÁRIOS FEDERAIS - FENAPRF; Agravada/requerida: UNIÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Extraordinário / Decisão Colegiada Negado Provimento Ao Agravo Interno
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Fundamentação Das Decisões Judiciais, Repercussão Geral, Mediação Judicial (art. 165 Cpc), Direito De Greve, Competência Originária
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Parties
FEDERAÇÃO NACIONAL DOS POLICIAIS RODOVIÁRIOS FEDERAIS - FENAPRF
Agravante/requerente
UNIÃO
Agravada/requerida
Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Extraordinário / Decisão Colegiada Negado Provimento Ao Agravo Interno
Legal Issues
- 1 suficiência da fundamentação do acórdão conforme art. 93, IX, da CF (Tema 339 do STF)
- 2 admissibilidade de pedido de mediação judicial perante o STJ nos moldes pleiteados
- 3 alcance do Tema 541 do STF sobre direito de greve e participação estatal em mediação
Ratio Decidendi
Havendo fundamentação suficiente no acórdão recorrido nos termos fixados pelo STF no Tema 339, não se configura violação do art. 93, IX, da CF; além disso, a via eleita para pleitear a mediação mostrou-se inadequada ao caso, não sendo competência originária do STJ processar a medida nos termos pretendidos, razão pela qual o agravo interno foi negado provimento.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Advertir que embargos de declaração manifestamente protelatórios poderão ser sancionados com a multa prevista no art. 1.026, § 2º, do Código de Processo Civil.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da CORTE ESPECIAL do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 05/06/2024 a 11/06/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Nancy Andrighi, João Otávio de Noronha, Humberto Martins, Herman Benjamin, Luis Felipe Salomão, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento a Sra. Ministra Maria Thereza de Assis Moura. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ACÓRDÃO RECORRIDO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. TEMA N. 339 DO STF. 1. "O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão" (Tema n. 339 do STF, QO no Ag n. 791.292/PE). 2. Existente a fundamentação, entende o Supremo Tribunal Federal que foi respeitado o art. 93, IX, da CF, mesmo que a parte não a repute adequada ou completa, conforme a conclusão firmada no Tema n. 339 do STF. 3. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto contra decisão que, em parte, negou seguimento ao recurso extraordinário, assim ementada: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. OFENSA REFLEXA À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. RECURSO NÃO ADMITIDO. A parte agravante alega a inaplicabilidade do Tema n. 339 do STF ao caso, por entender que a temática dos autos não foi examinada de forma eficiente, carecendo o julgado de fundamentação. Aduz que " .. faltou à decisão recorrida a observação do teor da Lei 7.701, que atribui privativamente aos tribunais não apenas a função julgadora, mas também a função conciliatória, tal como a requerida neste caso" (fl. 1.294). Diz ainda que (fl. 1.295): .. é admissível o pedido de mediação diante do competente Superior Tribunal de Justiça, nos moldes que foi efetuado. Contudo, tais razões não foram levadas em consideração, sendo nítido, no caso em exame, a ocorrência de omissão quanto à análise da pretensão. Aponta também afronta aos arts. 5º, XXXV e LV, e 93, IX, da CF, porquanto o acórdão recorrido teria desconsiderado os argumentos apresentados, relacionados à violação do Tema n. 541 do STF, bem como aos arts. 9º e 37, VII, da CF, invocando o direito de greve. Requer o provimento do agravo para que o recurso extraordinário seja admitido e os autos sejam remetidos ao Supremo Tribunal Federal. As contrarrazões foram apresentadas. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ACÓRDÃO RECORRIDO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. TEMA N. 339 DO STF. 1. "O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão" (Tema n. 339 do STF, QO no Ag n. 791.292/PE). 2. Existente a fundamentação, entende o Supremo Tribunal Federal que foi respeitado o art. 93, IX, da CF, mesmo que a parte não a repute adequada ou completa, conforme a conclusão firmada no Tema n. 339 do STF. 3. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO Quanto à questão da adequada fundamentação das decisões judiciais, o STF, ao apreciar o Tema n. 339 da repercussão geral, firmou a seguinte tese vinculante: "O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas." O respectivo acórdão recebeu a ementa que segue transcrita: Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3º e 4º). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (AI n. 791.292-QO-RG, relator Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 23/6/2010, DJe de 13/8/2010.) Por isso, para que um acórdão ou decisão seja considerado fundamentado, conforme definido pelo STF, não é necessário que tenham sido apreciadas todas as alegações feitas pelas partes, desde que haja motivação considerada suficiente para a solução da controvérsia. Nesse contexto, a caracterização de ofensa ao art. 93, IX, da Constituição Federal não está relacionada ao acerto ou desacerto atribuído ao julgado, ainda que a parte recorrente considere sucinta ou incompleta a análise das alegações recursais. No caso, foram declinados, de forma satisfatória, os motivos da compreensão adotada no julgado recorrido. A matéria invocada pela parte recorrente foi suficientemente examinada no acórdão recorrido, consoante se observa na seguinte transcrição (fls. 1.177-1.179): Especificamente quanto à questão trazida pelos requerentes, o STF, em julgamento realizado sob a sistemática da repercussão geral - Tema 541, estabeleceu a tese de que: "I - O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos policiais civis e a todos os servidores públicos que atuem diretamente na área de segurança pública; II - É obrigatória a participação do Poder Público em mediação instaurada pelos órgãos classistas das carreiras de segurança pública, nos termos do art. 165 do CPC, para vocalização dos interesses da categoria". A ementa sintetizou o julgado com o seguinte teor: .. Da simples leitura do trecho acima destacado, exsurge certo que o STF, ao estabelecer a obrigatória participação do Poder Público em mediação, o fez exatamente como forma de solução e prevenção de litígios, em fase pré-processual, de forma a evitar a judicialização dos conflitos, justamente por tratar-se de questão essencialmente política. Nesse contexto, mostra-se inviável a formulação da presente pretensão na via eleita pelos requerentes: apresentação do pedido como se ação judicial fosse, inclusive com distribuição a um relator, cujas competências são aquelas expressamente estabelecidas no art. 34 do RISTJ. Registre-se, ademais, que é despicienda a alegação dos requerentes de que a matéria, diante da sua importância constitucional "é de reserva da jurisdição mesmo nas etapas em que admitida a autocomposição dos conflitos oriundos do ambiente de trabalho, bem como considerando a possibilidade de surgirem questões incidentais que necessitem do poder geral de cautela, a mediação deve ser feita exclusivamente pelo ministro designado conforme a distribuição" (e-STJ fl. 13). .. Note-se, ademais, que eventuais questões incidentais que necessitem do poder geral de cautela poderão ser dirigidas ao Judiciário, cabendo lembrar que, diante das competências constitucionalmente estabelecidas, não compete ao STJ o processamento e julgamento das ações originárias em que os requerentes e a requerida são partes. Registre-se, por fim, que é despicienda a alegação da parte agravante de que "por força de decisão do Supremo Tribunal Federal no mandado de injunção 708, é sim de competência originária do Superior Tribunal de Justiça" a análise da mediação (e-STJ fl. 1.123). Isso porque no referido julgado (MI 708, rel. Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, DJe 30/10/2008) restou estabelecida apenas a competência do STJ para decidir acerca do dissídio de greve, situação que não corresponde ao caso dos autos. Dessa forma, a presente via mostra-se inadequada para a mediação colimada. E ainda, em julgamento dos aclaratórios (fl. 1.219): d) o STF, em julgamento realizado sob a sistemática da repercussão geral - Tema 541, estabeleceu a tese de que: "I - O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos policiais civis e a todos os servidores públicos que atuem diretamente na área de segurança pública; II - É obrigatória a participação do Poder Público em mediação instaurada pelos órgãos classistas das carreiras de segurança pública, nos termos do art. 165 do CPC, para vocalização dos interesses da categoria"; e) ao estabelecer a obrigatória participação do Poder Público em mediação, a Suprema Corte assim procedeu como forma de solução e prevenção de litígios, em fase pré-processual, de modo a evitar a judicialização dos conflitos, justamente por tratar-se de questão essencialmente política; f) na hipótese dos autos a FEDERAÇÃO NACIONAL DOS POLICIAIS RODOVIÁRIOS FEDERAIS - FENAPRF e outros formularam pedido de mediação judicial, com fundamento no art. 165 do CPC/2015, em face da UNIÃO, afirmando que, não obstante as tratativas entre a categoria dos Policiais Rodoviários Federais e o Governo Federal, as negociações quanto às reivindicações de reestruturação da carreira findaram frustradas; g) é inviável a formulação de pedido de mediação judicial, com fundamento no art. 165 do CPC/2015, nos moldes como pleiteado: apresentação do pleito como se ação judicial fosse, inclusive com distribuição a um relator, cujas competências são aquelas expressamente estabelecidas no art. 34 do RISTJ. Com efeito, demonstrada a realização da prestação jurisdicional constitucionalmente adequada, ainda quando não se concorde com a solução dada à causa, afigura-se inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, pois o provimento recorrido encontra-se em sintonia com a tese fixada no Tema n. 339 do STF. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. Advirto que a formalização de embargos de declaração com intuito manifestamente protelatório poderá ser sancionada com a multa prevista no art. 1.026, § 2º, do Código de Processo Civil. É como voto.