AREsp 2216223 - DECISAO
Havendo prestação jurisdicional considerada compatível com o requisito de fundamentação do art. 93, IX, da CF (Tema 339 STF), e tratando-se de matéria relativa ao não conhecimento de recurso de competência do STJ cuja discussão envolve pressupostos de admissibilidade de outro tribunal (situação prevista no Tema 181...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: Parte recorrente; Recorrido: Superior Tribunal de Justiça
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 July 2024
- Procedural Posture
- Recurso Extraordinário / Negado Seguimento
- Outcome
- Negou seguimento ao recurso extraordinário.
- Legal Topics
- Fundamentação Das Decisões Judiciais, Repercussão Geral, Admissibilidade De Recursos, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj, Tema 339 STF, Tema 181 STF
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Parte recorrente
Recorrente
Superior Tribunal de Justiça
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Extraordinário / Negado Seguimento
Legal Issues
- 1 ofensa ao art. 93, IX, da Constituição Federal (fundamentação das decisões)
- 2 repercussão geral como requisito de admissibilidade do recurso extraordinário
- 3 não conhecimento do recurso especial pelo STJ por aplicação, por analogia, da Súmula 182/STJ e art. 932, III, do CPC
Ratio Decidendi
Havendo prestação jurisdicional considerada compatível com o requisito de fundamentação do art. 93, IX, da CF (Tema 339 STF), e tratando-se de matéria relativa ao não conhecimento de recurso de competência do STJ cuja discussão envolve pressupostos de admissibilidade de outro tribunal (situação prevista no Tema 181 STF), o recurso extraordinário não demonstra repercussão geral e deve ter o seguimento negado com fundamento no art. 1.030, I, a, do CPC; ademais, aplicou-se, por analogia ao art. 932, III, do CPC, o entendimento da Súmula 182/STJ quanto ao não conhecimento do agravo em recurso especial.
Court Disposition
Negou seguimento ao recurso extraordinário.
Orders
- Nego seguimento ao recurso extraordinário com fundamento no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso extraordinário interposto contra acórdão do Superior Tribunal de Justiça que negou provimento ao agravo interno, mantendo a decisão da Presidente do STJ de não conhecimento do agravo em recurso especial, em face do óbice da Súmula n. 182 do STJ. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO POSSESSÓRIA. PROMESSA DE DOAÇÃO NÃO CONCRETIZADA. ATOS PRATICADOS PELO DOADOR EM SENTIDO CONTRÁRIO À LIBERALIDADE. PRETENSÃO DE REEXAMINAR A CONTROVÉRSIA. SÚMULA 7/STJ. FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA NÃO INFIRMADOS. NÃO CONHECIMENTO. ART. 932, III, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. SÚMULA 182/STJ. APLICAÇÃO POR ANALOGIA. NÃO PROVIMENTO. 1. Nos termos do art. 932, III, do Código de Processo Civil, não se conhece de agravo cujas razões não impugnam especificamente todos os fundamentos da decisão agravada. Aplicação, por analogia, do enunciado n. 182 da Súmula do STJ. 2. Agravo interno a que se nega provimento. Os embargos de declaração opostos na sequência foram rejeitados. A parte recorrente alega a existência de repercussão geral da matéria debatida e de contrariedade, no acórdão impugnado, aos arts. 5º, XXXV e LV, e 93, IX, da Constituição Federal. Nesse sentido, argumenta ter havido ofensa aos princípios constitucionais, por entender que (fls. 1.443-1.444): .. houve sim a impugnação do restritivo agravado e que aqui não se trata de REEXAME de prova mas de IMPEDIMENTO INDEVIDO dela quando o magistrado que julgou a ação no estado dos autos, impedindo a ampla defesa, o contraditório e o regular desenvolvimento do devido processo legal, em afronta direta à regra constitucional inaceitavelmente vulnerada, pois, não sendo daí o caso de incidência da Súmula 7 dessa Egrégia Corte, enfim, que os Tribunais, de São Paulo e STJ, se omitiram na prestação jurisdicional reclamada quando se recusam apreciar a mais do que perceptível matéria de ORDEM PÚBLICA configurada no inconstitucional CERCEAMENTO PROBATÓRIO, a viabilizar assim o acolhimento deste recurso extremo para que, ao fim e ao cabo, se declare NULA a sentença de origem, também no ponto em que sem a comprovação de tenha havido o efetivo pagamento do preço, de 250 mil reais, da suposta e simulada aquisição, engendrada pelos tios da recorrente com a finalidade de prejudicarem seu irrevogável e irretratável direito a receber o imóvel lhe prometido (fls.63/64) pela tia Gessy, irmã de ACL (Antônio Cavalheiro Lacerda),esposa, falecida, de Benedito Mendes, dela viúvo, todos tios da recorrente, de resto. 26. A decisão do colegiado, publicada dia no dia 13 de maio último, relativa a esses segundos embargos fora, data vênia, inócua porquanto a ausência da prestação jurisdicional e a omissão do pertinente exame das questões de Ordem Pública expostas à saciedade, disso implica lamentavelmente resultar na negativa de vigência de disposições legais incansavelmente apontadas pela recorrente bem como na inusitada desatenção às regras expressas da Carta Republicana, restando à recorrente, assim, a via deste Recurso Extraordinário, cujo acolhimento se espera na distribuição adequada da JUSTIÇA e na aplicação do DIREITO, ao que parece longe da visão judicante da Corte Infraconstitucional ao menos neste caso. Requer, ao final, a admissão do recurso, bem como a remessa dos autos ao Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Quanto à questão da adequada fundamentação das decisões judiciais, a Suprema Corte, ao apreciar o Tema n. 339, sob o regime da repercussão geral, firmou a seguinte tese vinculante: O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. Por isso, para que um acórdão ou decisão seja considerado fundamentado, conforme definido pelo STF, não é necessário que tenham sido apreciadas todas as alegações feitas pelas partes, desde que haja motivação considerada suficiente para a solução da controvérsia. Nesse contexto, a caracterização de ofensa ao art. 93, IX, da Constituição Federal não está relacionada ao acerto ou desacerto atribuído ao julgado, ainda que a parte recorrente considere sucinta ou incompleta a análise das alegações recursais. No caso dos autos, foram apresentados, de forma satisfatória, os fundamentos da conclusão alcançada no julgado recorrido, q ue não conheceu do recurso dirigido a esta Corte Superior, o que inviabiliza o exame pretendido pela parte recorrente, relacionado às questões de mérito submetidas ao STJ. Portanto, demonstrado que houve prestação jurisdicional compatível com a tese fixada pelo STF no Tema n. 339 sob o regime da repercussão geral, é inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, que deve ter o seguimento negado. Quanto às demais alegações, nos termos do art. 102, § 3º, da Constituição Federal, o recurso extraordinário deve ser dotado de repercussão geral, requisito indispensável à sua admissão. Por sua vez, o Supremo Tribunal Federal já definiu que a discussão relativa ao preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recurso anterior, de competência de outro tribunal, não possui repercussão geral. Dito de outra forma, quando o Superior Tribunal de Justiça não conhecer do recurso de sua competência, tal como verificado nestes autos, qualquer alegação do recurso extraordinário demandaria a rediscussão dos requisitos de admissibilidade do referido recurso, exigindo a apreciação dos dispositivos legais que dispõem sobre tais requisitos. Isso é o que ficou definido no Tema n. 181 do STF, no qual a Suprema Corte afirmou que "a questão do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recursos da competência de outros Tribunais tem natureza infraconstitucional" (RE n. 598.365-RG, relator Ministro Ayres Britto, Tribunal Pleno, julgado em 14/8/2009, DJe de 26/3/2010). Vale esclarecer que o entendimento em questão incide tanto em situações nas quais as razões do recurso extraordinário se referem ao não conhecimento do recurso anterior quanto naquelas em que as alegações se relacionam à matéria de fundo da causa. Essa conclusão foi adotada sob o regime da repercussão geral e é de aplicação obrigatória, devendo os tribunais que analisam a viabilidade prévia dos recursos extraordinários negar seguimento aos recursos que discutam questão à qual o Supremo Tribunal Federal não tenha reconhecido a existência de repercussão geral, nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC. Como exemplos da aplicação do Tema n. 181 do STF em casos semelhantes, confiram-se: ARE n. 1.256.720-AgR, relator Ministro Dias Toffoli (Presidente), Tribunal Pleno, julgado em 4/5/2020, DJe de 26/5/2020; ARE n. 1.317.340-AgR, relatora Ministra Cármen Lúcia, Segunda Turma, julgado em 12/5/2021, DJe de 14/5/2021; ARE n. 822.158-AgR, relator Ministro Edson Fachin, Primeira Turma, julgado em 20/10/2015, DJe de 24/11/2015. Da mesma forma, o recurso extraordinário deve ter o seguimento negado por aplicação do Tema n. 181 do STF também nos casos em que for alegada ofensa ao art. 105, III, da Constituição da República (RE n. 1.081.829-AgR, relator Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe de 1º/10/2018). Ante o exposto, com fundamento no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil, nego seguimento ao recurso extraordinário. Anoto que contra decisões que negam seguimento a recurso extraordinário não é cabível agravo em recurso extraordinário (previsto no art. 1.042 do CPC e adequado para impugnação das decisões de inadmissão), conforme previsão do § 2º do art. 1.030 do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO ANTERIOR, DE COMPE TÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO. DEBATE OU SUPERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. TEMA N. 181 DO STF, SOB A SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO.