REsp 2055607 - ACORDAO
Tendo sido considerado suficientemente fundamentado o acórdão recorrido nos termos do art. 93, IX, da CF (Tema 339 do STF) e por se tratar a alegada ofensa ao princípio da inafastabilidade de jurisdição de matéria de natureza infraconstitucional sem repercussão geral (Tema 895 do STF), impõe-se negar seguimento ao...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Extraordinário / Decisão Que Negou Seguimento Ao Recurso Extraordinário; Julgamento Do Agravo Interno Com Negativa De Provimento
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Fundamentação Das Decisões Judiciais, Princípio Da Inafastabilidade De Jurisdição, Repercussão Geral, Admissibilidade De Recurso Extraordinário, Citação Processual (cpc/2015)
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Extraordinário / Decisão Que Negou Seguimento Ao Recurso Extraordinário; Julgamento Do Agravo Interno Com Negativa De Provimento
Legal Issues
- 1 Suficiência da fundamentação do acórdão em face do art. 93, IX, da CF (Tema 339 do STF)
- 2 Natureza da alegada violação do princípio da inafastabilidade de jurisdição e sua repercussão geral (Tema 895 do STF)
- 3 Aplicabilidade dos temas vinculantes do STF para fins de admissibilidade do recurso extraordinário
Ratio Decidendi
Tendo sido considerado suficientemente fundamentado o acórdão recorrido nos termos do art. 93, IX, da CF (Tema 339 do STF) e por se tratar a alegada ofensa ao princípio da inafastabilidade de jurisdição de matéria de natureza infraconstitucional sem repercussão geral (Tema 895 do STF), impõe-se negar seguimento ao recurso extraordinário e negar provimento ao agravo interno.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Negativa de seguimento ao recurso extraordinário
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da CORTE ESPECIAL do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 07/08/2024 a 13/08/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Nancy Andrighi, João Otávio de Noronha, Humberto Martins, Herman Benjamin, Luis Felipe Salomão, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento a Sra. Ministra Maria Thereza de Assis Moura. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ACÓRDÃO RECORRIDO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. TEMA N. 339 DO STF. PRINCÍPIO DA INAFASTABILIDADE DE JURISDIÇÃO. EXISTÊNCIA DE ÓBICE AO EXAME DE MÉRITO, DEBATE FÁTICO OU OFENSA CONSTITUCIONAL INDIRETA. NATUREZA INFRACONSTITUCIONAL. TEMA N. 895 DO STF. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. 1. "O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão" (Tema n. 339 do STF, QO no Ag n. 791.292/PE). 2. Existente a fundamentação, entende o Supremo Tribunal Federal que foi respeitado o art. 93, IX, da CF, mesmo que a parte não a repute adequada ou completa, conforme a conclusão firmada no Tema n. 339 do STF. 3. A alegada violação do princípio da inafastabilidade de jurisdição, por implicar ofensa indireta à Constituição Federal ou análise de matéria fática, tem natureza infraconstitucional e não possui repercussão geral (Tema n. 895 do STF). 4. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto contra a decisão que negou seguimento ao recurso extraordinário assim ementada: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. PRINCÍPIO DA INAFASTABILIDADE DE JURISDIÇÃO. EXISTÊNCIA DE ÓBICE AO EXAME DE MÉRITO, DEBATE FÁTICO OU OFENSA CONSTITUCIONAL INDIRETA. NATUREZA INFRACONSTITUCIONAL. TEMA N. 895 DO STF. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. A parte agravante alega a inaplicabilidade dos Temas n. 339 e 895 do STF, argumentando que a discussão não trataria de ofensa reflexa à Constituição Federal devido ao preenchimento dos pressupostos de admissibilidade, mas sim de omissões que configurariam violação direta do texto constitucional. Assevera que o Superior Tribunal de Justiça não teria analisado a assertiva que se refere à "prerrogativa legal do art. 16, III, da Lei n. 11.440/2006, pela falta de intermédio do Ministério das Relações Exteriores" (fl. 1.682). Requer o provimento do agravo para que o recurso extraordinário seja admitido e os autos sejam remetidos ao Supremo Tribunal Federal. As contrarrazões foram apresentadas. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ACÓRDÃO RECORRIDO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. TEMA N. 339 DO STF. PRINCÍPIO DA INAFASTABILIDADE DE JURISDIÇÃO. EXISTÊNCIA DE ÓBICE AO EXAME DE MÉRITO, DEBATE FÁTICO OU OFENSA CONSTITUCIONAL INDIRETA. NATUREZA INFRACONSTITUCIONAL. TEMA N. 895 DO STF. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. 1. "O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão" (Tema n. 339 do STF, QO no Ag n. 791.292/PE). 2. Existente a fundamentação, entende o Supremo Tribunal Federal que foi respeitado o art. 93, IX, da CF, mesmo que a parte não a repute adequada ou completa, conforme a conclusão firmada no Tema n. 339 do STF. 3. A alegada violação do princípio da inafastabilidade de jurisdição, por implicar ofensa indireta à Constituição Federal ou análise de matéria fática, tem natureza infraconstitucional e não possui repercussão geral (Tema n. 895 do STF). 4. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO Quanto à questão da adequada fundamentação das decisões judiciais, o STF, ao apreciar o Tema n. 339 da repercussão geral, firmou a seguinte tese vinculante: "O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas." O respectivo acórdão recebeu a ementa que segue transcrita: Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3º e 4º). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (AI n. 791.292-QO-RG, relator Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 23/6/2010, DJe de 13/8/2010.) Por isso, para que um acórdão ou decisão seja considerado fundamentado, conforme definido pelo STF, não é necessário que tenham sido apreciadas todas as alegações feitas pelas partes, desde que haja motivação considerada suficiente para a solução da controvérsia. Nesse contexto, a caracterização de ofensa ao art. 93, IX, da Constituição Federal não está relacionada ao acerto ou desacerto atribuído ao julgado, ainda que a parte recorrente considere sucinta ou incompleta a análise das alegações recursais. No caso, foram declinados, de forma satisfatória, os motivos da compreensão adotada no julgado recorrido. A matéria invocada pela parte insurgente foi expressamente examinada no acórdão recorrido, consoante se observa na seguinte transcrição (fls. 1.568-1.571): Ora, a controvérsia refere-se, em síntese, à nulidade da citação do ora agravante, uma vez que aquela deveria ter sido realizada por intermédio do Ministério das Relações Exteriores, em razão de ser servidor do Serviço Exterior Brasileiro e exercer os cargos de Vice-Cônsul e Chefe do Setor Consular em Nicósia, capital do Chipre. .. Da leitura do referido dispositivo legal, vislumbra-se que a citação de pessoa física pelo correio, em regra, se dá com a entrega da carta diretamente ao citando, cuja assinatura deverá constar no aviso de recebimento, sob pena de nulidade do ato, nos termos do que dispõe o art. 280 do CPC/2015 ("As citações e as intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais"). .. Importa repisar, contudo, a possibilidade de a carta de citação ser recebida por terceira pessoa, quando se tratar de condomínios edilícios ou de loteamentos com controle de acesso, onde será válida a entrega do mandado a funcionário da portaria responsável pelo recebimento de correspondência (§ 4º do art. 248 do CPC/2015). Na hipótese dos autos, portanto, percebe-se que a citação foi dirigida ao endereço Rua Brigadeiro Silva Paes, n. 111, 901 - CEP: 88015-050 - Centro - Florianópolis - SC, tendo sido recebida por porteiro do prédio, isto é, por pessoa estranha ao feito, em clara violação aos referidos dispositivos legais. Nessa esteira, verifica-se que o acórdão, ao concluir pela efetiva entrega da mensagem ao autor, em virtude de que "a boa-fé se presume na hipótese em que o autor dos autos de origem indicou como endereço do réu, ora apelado, aquele reiteradamente declinado pelo mesmo, mormente porque a correspondência citatória, endereçada diretamente a "Paulo Renato Dallagnol", restou regularmente recebida na portaria do condomínio edilício, o que permite a conclusão de que este seria pessoa conhecida no local" (e-STJ, fl. 1231), deveras, está de acordo com a exceção do § 4º do art. 248 do CPC/2015. Com efeito, demonstrada a realização da prestação jurisdicional constitucionalmente adequada, ainda quando não se concorde com a solução dada à causa, afigura-se inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, pois o provimento recorrido encontra-se em sintonia com a tese fixada no Tema n. 339 do STF. Outrossim, o Supremo Tribunal Federal definiu que a questão relativa à possível violação do princípio da inafastabilidade de jurisdição possui natureza infraconstitucional nas hipóteses em que houver óbice processual ao exame de mérito, ofensa indireta à Constituição Federal ou necessidade de análise de matéria fática. Essa é a conclusão consolidada no Tema n. 895 do STF, no qual a Suprema Corte fixou a seguinte tese: Tema n. 895 do STF: A questão da ofensa ao princípio da inafastabilidade de jurisdição, quando há óbice processual intransponível ao exame de mérito, ofensa indireta à Constituição ou análise de matéria fática, tem natureza infraconstitucional, e a ela se atribuem os efeitos da ausência de repercussão geral. (RE n. 956.302-RG, relator Ministro Edson Fachin, Tribunal Pleno, julgado em 19/5/2016, DJe de 16/6/2016.) Esse entendimento foi adotado sob o regime da repercussão geral e é de aplicação obrigatória, devendo os tribunais que analisam a viabilidade prévia dos recursos extraordinários negar seguimento aos recursos que discutam questão à qual o Supremo Tribunal Federal não tenha reconhecido a existência de repercussão geral, nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC. Esse entendimento foi adotado sob o regime da repercussão geral e é de aplicação obrigatória, devendo os tribunais que analisam a viabilidade prévia dos recursos extraordinários negar seguimento aos recursos que discutam questão à qual o Supremo Tribunal Federal não tenha reconhecido a existência de repercussão geral, nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC. No caso, a violação do art. 5º, XXXV, da Constituição Federal dependeria, para ser examinada, da análise de normas infraconstitucionais, motivo pelo qual se aplica a conclusão do STF no mencionado Tema n. 895. É o que se observa do seguinte trecho do acórdão recorrido: Da leitura do referido dispositivo legal, vislumbra-se que a citação de pessoa física pelo correio, em regra, se dá com a entrega da carta diretamente ao citando, cuja assinatura deverá constar no aviso de recebimento, sob pena de nulidade do ato, nos termos do que dispõe o art. 280 do CPC/2015 ("As citações e as intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais"). .. Nessa esteira, verifica-se que o acórdão, ao concluir pela efetiva entrega da mensagem ao autor, em virtude de que "a boa-fé se presume na hipótese em que o autor dos autos de origem indicou como endereço do réu, ora apelado, aquele reiteradamente declinado pelo mesmo, mormente porque a correspondência citatória, endereçada diretamente a "Paulo Renato Dallagnol", restou regularmente recebida na portaria do condomínio edilício, o que permite a conclusão de que este seria pessoa conhecida no local" (e-STJ, fl. 1.231), deveras, está de acordo com a exceção do § 4º do art. 248 do CPC/2015. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. Advirto que a formalização de embargos de declaração com intuito manifestamente protelatório poderá ser sancionada com a multa prevista no art. 1.026, § 2º, do Código de Processo Civil. É como voto.