REsp 2110176 - ACORDAO
O acórdão recorrido apresentou fundamentação suficiente nos termos do Tema 339 do STF, e, por se tratar de questão sobre o preenchimento de pressupostos de admissibilidade de recurso de competência de outro Tribunal, incide o Tema 181 do STF, que afasta a repercussão geral; assim, está justificada a negativa de...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Agravo Interno Contra Decisão Que Negou Seguimento Ao Recurso Extraordinário
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Fundamentação Das Decisões Judiciais, Repercussão Geral, Pressupostos De Admissibilidade De Recursos, Recurso Extraordinário, Tema 339 Do STF, Tema 181 Do STF, Súmula 7/stj, Súmula 54/stj
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Procedural Posture
Agravo Interno / Agravo Interno Contra Decisão Que Negou Seguimento Ao Recurso Extraordinário
Legal Issues
- 1 Suficiência da fundamentação do acórdão recorrido à luz do Tema 339 do STF
- 2 Aplicabilidade do Tema 181 do STF quanto à ausência de repercussão geral nas questões sobre preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recursos de competência de outros Tribunais
Ratio Decidendi
O acórdão recorrido apresentou fundamentação suficiente nos termos do Tema 339 do STF, e, por se tratar de questão sobre o preenchimento de pressupostos de admissibilidade de recurso de competência de outro Tribunal, incide o Tema 181 do STF, que afasta a repercussão geral; assim, está justificada a negativa de seguimento do recurso extraordinário nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC, não cabendo reexame do mérito ou de matéria fático-probatória no STJ.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno
Orders
- Nega-se provimento ao agravo interno.
- Adverte-se que embargos de declaração manifestamente protelatórios poderão ser sancionados com a multa prevista no art. 1.026, §2º, do Código de Processo Civil.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da CORTE ESPECIAL do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 21/11/2024 a 27/11/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, João Otávio de Noronha, Humberto Martins, Maria Thereza de Assis Moura, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento a Sra. Ministra Nancy Andrighi. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Herman Benjamin. EMENTA AGRAVO INTERNO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. SUFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. TEMA N. 339 DO STF. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO DE COMPETÊNCIA DO STJ. TEMA N. 181 DO STF. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. ART. 1.030, I, A, DO CPC. I. CASO EM EXAME 1.1. Agravo interno interposto contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário, sob a fundamentação de que a decisão recorrida está em conformidade com o Tema n. 339 do STF e diante da ausência de repercussão geral do Tema n. 181 do STF. 1.2. A parte agravante argumentou a ausência de fundamentação jurisdicional adequada, em contrariedade ao Tema n. 339 do STF, alegando ainda que o Tema n. 181 do STF não deveria ser aplicado ao caso, em razão de existir ofensa direta à Constituição Federal. II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO 2.1. A conformidade do acórdão recorrido com o Tema n. 339 do STF, que trata da suficiência da fundamentação das decisões judiciais. 2.2. A aplicabilidade do Tema n. 181 do STF quando se discute a admissibilidade de recurso anterior de competência do STJ. III. RAZÕES DE DECIDIR 3.1. O STF, ao tratar do Tema n. 339 da repercussão geral, firmou a tese de que a Constituição Federal exige que acórdãos e decisões sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem vinculação à correção ou abrangência detalhada de todas as alegações das partes, mas sim à existência de motivação que permita a compreensão da solução dada à controvérsia. 3.2. O acórdão recorrido foi considerado fundamentado de forma suficiente para a solução da controvérsia, em conformidade com o Tema n. 339 do STF, sendo imperativa a negativa de seguimento do recurso extraordinário. 3.3. A decisão agravada fundamentou-se na aplicação do Tema n. 181 do STF, que estabelece ausência de repercussão geral da questão relativa ao preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recursos de competência de outros Tribunais. 3.4. As razões do recurso extraordinário, voltadas ao óbice aplicado ou à matéria de fundo, demandam a reanálise ou superação do entendimento acerca do não conhecimento de recurso anterior. 3.5. Nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC, é justificada a negativa de seguimento ao recurso extraordinário quando a questão controvertida não possui repercussão geral. IV. DISPOSITIVO 4.1. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO 1. Trata-se de agravo interno interposto contra a decisão que negou seguimento ao recurso extraordinário, assim ementada (fl. 528): RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO ANTERIOR, DE COMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO. DEBATE OU SUPERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. TEMA N. 181 DO STF, SOB A SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. A parte agravante alega, em relação ao Tema n. 339 do STF, que não requereu o exame pormenorizado, mas a fundamentação necessária para a prolação da decisão e julgamento do recurso especial interposto. Afirma que o Tema n. 181/STF não pode incidir no caso, diante da natureza da discussão contida no recurso extraordinário. Reitera a violação dos arts. 5º, II, XXXV, LXXVII, LIV e LV, e 93, IX, da CF, aduzindo que não haveria nexo causal entre os fatos narrados e a sua conduta. Requer o provimento do agravo para que o recurso extraordinário seja admitido, com a remessa dos autos ao Supremo Tribunal Federal. Não foram apresentadas contrarrazões (fl. 550). É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. SUFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. TEMA N. 339 DO STF. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO DE COMPETÊNCIA DO STJ. TEMA N. 181 DO STF. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. ART. 1.030, I, A, DO CPC. I. CASO EM EXAME 1.1. Agravo interno interposto contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário, sob a fundamentação de que a decisão recorrida está em conformidade com o Tema n. 339 do STF e diante da ausência de repercussão geral do Tema n. 181 do STF. 1.2. A parte agravante argumentou a ausência de fundamentação jurisdicional adequada, em contrariedade ao Tema n. 339 do STF, alegando ainda que o Tema n. 181 do STF não deveria ser aplicado ao caso, em razão de existir ofensa direta à Constituição Federal. II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO 2.1. A conformidade do acórdão recorrido com o Tema n. 339 do STF, que trata da suficiência da fundamentação das decisões judiciais. 2.2. A aplicabilidade do Tema n. 181 do STF quando se discute a admissibilidade de recurso anterior de competência do STJ. III. RAZÕES DE DECIDIR 3.1. O STF, ao tratar do Tema n. 339 da repercussão geral, firmou a tese de que a Constituição Federal exige que acórdãos e decisões sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem vinculação à correção ou abrangência detalhada de todas as alegações das partes, mas sim à existência de motivação que permita a compreensão da solução dada à controvérsia. 3.2. O acórdão recorrido foi considerado fundamentado de forma suficiente para a solução da controvérsia, em conformidade com o Tema n. 339 do STF, sendo imperativa a negativa de seguimento do recurso extraordinário. 3.3. A decisão agravada fundamentou-se na aplicação do Tema n. 181 do STF, que estabelece ausência de repercussão geral da questão relativa ao preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recursos de competência de outros Tribunais. 3.4. As razões do recurso extraordinário, voltadas ao óbice aplicado ou à matéria de fundo, demandam a reanálise ou superação do entendimento acerca do não conhecimento de recurso anterior. 3.5. Nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC, é justificada a negativa de seguimento ao recurso extraordinário quando a questão controvertida não possui repercussão geral. IV. DISPOSITIVO 4.1. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO 2. Quanto à questão da adequada fundamentação das decisões judiciais, o STF, ao apreciar o Tema n. 339 da repercussão geral, firmou a seguinte tese vinculante: "O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas." O respectivo acórdão recebeu a seguinte ementa: Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3º e 4º). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (AI n. 791.292-QO-RG, relator Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 23/6/2010, DJe de 13/8/2010.) Por isso, para que um acórdão ou decisão seja considerado fundamentado, conforme definido pelo STF, não é necessária a apreciação de todas as alegações feitas pelas partes, desde que haja motivação considerada suficiente para a solução da controvérsia. Nesse contexto, a caracterização de ofensa ao art. 93, IX, da Constituição Federal não está relacionada ao acerto atribuído ao julgado, ainda que a parte recorrente considere sucinta ou incompleta a análise das alegações recursais. No caso, conforme consignado na decisão agravada, foram declinados, de forma satisfatória, os motivos da compreensão adotada no acórdão objeto do recurso extraordinário, como se observa do seguinte trecho do referido julgado (fls. 443-447): Inexiste a alegada violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC uma vez que o Tribunal de origem se manifestou, de forma clara e fundamentada, quanto aos pontos alegados como omissos (fls. 292-293): Quanto à alegação de obscuridades, não assiste razão à Embargante/ré, uma vez que a decisão recorrida foi clara ao reconhecer a sua culpa pelo evento danoso, não havendo que falar em imputar a obrigação ao órgão responsável e tampouco culpa concorrente da vítima. Veja-se: "Ou seja, não obstante a obrigação daquele que presta serviço ferroviário de vedação física das faixas de domínio da ferrovia, mediante muros e cercas, e disponibilização de passarelas ou passagens de nível destinada à travessia segura dos trilhos, com sinalização e fiscalização das medidas garantidoras da segurança da circulação da população, sobretudo em locais de adensamento populacional, para a configuração do dever de indenizar devem ser comprovados o fato administrativo, o dano, o nexo de causalidade e a culpa. Logo, como prestadora de serviço ferroviário, é inafastável a obrigação da Apelante quanto à segurança da ferrovia em relação aos transeuntes, motivo pelo qual não subsiste a sua tese recursal de imputação dessa obrigação ao No entanto, faz-se "órgão responsável pela via pública que cruza a ferrovia". mister perquirir se resultou de conduta omissiva da Ré o dano sofrido diretamente pelo Autor, ao ser atropelado pela composição férrea, e ainda se é caso de afastamento ou mitigação da responsabilidade da concessionária em razão de culpa exclusiva ou concorrente da vítima. .. Ao contestar, a Ré enunciou que "A existência de passarelas ou passagens de nível destinada à travessia segura ao longo da extensão da malha ferroviária, bem como a sinalização estabelecida por meio de placas e recursos sonoros é suficiente para impedir a presença da população no leito férreo e a ocorrência de acidentes, exceto quando estes são ocasionados pela negligência do próprio indivíduo" (mov. 13.1, f.18). Apesar da falta de documento a respaldar essa alegação e do ônus probatório disposto no art. 373, II, do CPC, a Ré não requereu a produção de qualquer prova ,não comprovando a (movs. 25.1 e 34.1) existência tanto de passagem segura para travessia da linha férrea próxima do local do atropelamento, como de sinalização para alertar o perigo existente ali; daí a demonstração de sua culpa pelo evento danoso. Com efeito, é de se reconhecer a omissão da parte ré porque não tomou as medidas de segurança necessárias ante o risco inerente à convivência com a ferrovia pelos moradores da área densamente habitada, mediante a instalação no local de barreira se sinalização para obstar a travessia dos trilhos que não fosse em local seguro disponibilizado aos transeuntes - passarela e passagem de nível. Por ser exigível da parte ré a adoção de cautelas visando a prevenção de acidentes, tem-se que também foi negligente ao não realizar campanhas para conscientização dos pedestres do perigo de travessia dos trilhos em local diverso de passarela e passagem de nível. Considerando essa conduta omissiva e a não demonstração de que no perímetro do local do atropelamento havia passagem apropriada e segura para travessia da ferrovia pelos pedestres, vê- se que também não há prova hábil deque o Autor, ao transpor os trilhos próximo ao "carreador de terra", concorreu culposamente para o evento danoso, o qual resultou do não cumprimento, pela Ré, da obrigação de oferecer segurança aos moradores e transeuntes entorno da via férrea, com a disponibilização de um caminho ausente de perigo para que pudessem atravessar a linha de trem. Assim, impõe-se o desprovimento da apelação principal, interposta pela Ré, neste ponto, a fim de manter a sentença que reconheceu a sua responsabilidade civil frente aos danos ocasionados ao Autor, em consonância aos arts. 186 e 927 do Código Civil". Por fim, restou amplamente fundamentado o parcial provimento do apelo adesivo a fim de que os juros de mora incidam desde o evento danoso, conforme dispõe a Súmula nº 54 do STJ: "Na apelação principal, a Ré aduz que a atualização deve ser com base na taxa SELIC e, no recurso adesivo, a parte autora sustenta que as verbas a título de dano moral e estético devem ser acrescidas de juros moratórios a contar da data do evento danoso, de acordo com a súmula 54 do STJ. Pois bem. Somente tem êxito o pedido da parte autora relacionado ao termo inicial dos juros moratórios. Isso porque, em se tratando de responsabilidade extracontratual, os juros de mora devem incidir a partir da data do evento danoso, nos termos da Súmula nº 54 do STJ. Como se vê, depreende-se do acórdão recorrido que o Tribunal de origem, de modo fundamentado, tratou da questão suscitada, resolvendo, portanto, de forma integral, a controvérsia posta. Ademais, nos termos da jurisprudência do STJ, "não se pode confundir decisão contrária ao interesse da parte com ausência de fundamentação ou negativa de prestação jurisdicional" (AgInt no AREsp n. 1.907.401/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 22/8/2022, DJe de 29/8/2022). Quanto a alegação de excludente de responsabilidade, mantenho a incidência da Súmula n. 7/STJ. Conforme demonstrado na decisão agravada, a Segunda Seção desta Corte, no julgamento dos recursos especiais n. 1.210.064/SP e 1.172.421/SP, sob o rito dos recursos repetitivos, Temas n. 517 e 518, consolidou entendimento segundo o qual "a responsabilização da concessionária é uma constante, passível de ser elidida tão somente quando cabalmente comprovada a culpa exclusiva da vítima". .. No caso dos autos, o Tribunal de origem afastou a tese de culpa exclusiva da vítima e reconheceu a responsabilidade subjetiva por omissão da concessionária sob os seguintes argumentos (fl. 262): Apesar da falta de documento a respaldar essa alegação e do ônus probatório disposto no art. 373,II, do CPC, a Ré não requereu a produção de qualquer prova , não comprovando a (movs. 25.1 e 34.1)existência tanto de passagem segura para travessia da linha férrea próxima do local do atropelamento, como de sinalização para alertar o perigo existente ali; daí a demonstração de sua culpa pelo evento danoso. Com efeito, é de se reconhecer a omissão da parte ré porque não tomou as medidas de segurança necessárias ante o risco inerente à convivência com a ferrovia pelos moradores da área densa mente habitada, mediante a instalação no local de barreiras e sinalização para obstar a travessia dos trilhos que não fosse em local seguro disponibilizado aos transeuntes - passarela e passagem de nível. Por ser exigível da parte ré a adoção de cautelas visando a prevenção de acidentes, tem-se que também foi negligente ao não realizar campanhas para conscientização dos pedestres do perigo de travessia dos trilhos em local diverso de passarela e passagem de nível. Considerando essa conduta omissiva e a não demonstração de que no perímetro do local do atropelamento havia passagem apropriada e segura para travessia da ferrovia pelos pedestres, vê-se que também não há prova hábil de que o Autor, ao transpor os trilhos próximo ao , concorreu "carreador de terra "culposamente para o evento danoso, o qual resultou do não cumprimento, pela Ré, da obrigação de oferecer segurança aos moradores e transeuntes entorno da via férrea, com a disponibilização de um caminho ausente de perigo para que pudessem atravessar a linha de trem. Assim, impõe-se o desprovimento da apelação principal, interposta pela Ré, neste ponto, a fim de manter a sentença que reconheceu a sua responsabilidade civil frente aos danos ocasionados ao Autor, em consonância aos arts. 186 e 927 do Código Civil. Desse modo, considerando a fundamentação do acórdão objeto do recurso especial, os argumentos utilizados pela parte recorrente somente poderiam ter sua procedência verificada mediante o necessário reexame de matéria fática-probatória, o que é vedado ao STJ, em recurso especial, por esbarrar no óbice da Súmula n. 7/STJ. Verifica-se, portanto, que foram suficientemente apresentadas as razões pelas quais não foram preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso dirigido ao STJ, não tendo sido examinada a matéria de fundo, razão pela qual é inviável o exame das questões relacionadas ao mérito recursal. Com efeito, demonstrada a realização da prestação jurisdicional constitucionalmente adequada, ainda quando não se concorde com a solução dada à causa, afigura-se inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, pois o provimento recorrido encontra-se em sintonia com a tese fixada no Tema n. 339 do STF. 3. Quanto ao mais, como asseverado na decisão agravada, não se conheceu de recurso anterior, de competência do STJ, porque não preenchidos todos os pressupostos de admissibilidade. Por isso, qualquer alegação do recurso extraordinário demandaria, inicialmente, a reapreciação dos fundamentos do não conhecimento de recurso que não é da competência do STF. Contudo, a Corte Suprema definiu que a discussão veiculada em recurso extraordinário a envolver o conhecimento de recurso anterior não possui repercussão geral, fixando a seguinte tese: Tema n. 181 do STF: A questão do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recursos da competência de outros Tribunais tem natureza infraconstitucional e a ela são atribuídos os efeitos da ausência de repercussão geral, nos termos do precedente fixado no RE n. 584.608, rel. a Ministra Ellen Gracie, DJe 13/03/2009. (RE n. 598.365-RG, relator Ministro Ayres Britto, Tribunal Pleno, julgado em 14/8/2009, DJe de 26/3/2010.) Essa conclusão, adotada sob o regime da repercussão geral e de aplicação obrigatória, nos termos do disposto no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil, impõe a negativa de seguimento ao recurso extraordinário. Assim, se as razões do recurso extraordinário se direcionam contra o não conhecimento do recurso anterior, é inviável a remessa do extraordinário ao STF, como exemplifica o julgado a seguir: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. PROCESSUAL PENAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONTRA ACÓRDÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA .. . PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO DE COMPETÊNCIA DE TRIBUNAL DIVERSO: INEXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 181. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. (ARE n. 1.317.340-AgR, relatora Ministra Cármen Lúcia, Segunda Turma, julgado em 12/5/2021, DJe de 14/5/2021.) Tal desfecho não se modifica quando as razões do extraordinário se relacionam à matéria de fundo do recurso do qual não se conheceu. Confira-se: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DO MÉRITO DO RECURSO NÃO ANALISADO NO TSE. RECURSO ESPECIAL ELEITORAL NÃO ADMITIDO POR AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO DE CORTE DIVERSA. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. ALEGAÇÃO DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, AMPLA DEFESA E DEVIDO PROCESSO LEGAL POR ALEGADA INOBSERVÂNCIA LEGAL. OFENSA REFLEXA. DESCABIMENTO DO EXTRAORDINÁRIO. 1. Carece de repercussão geral a discussão acerca dos pressupostos de admissibilidade de recursos da competência de cortes diversas (Tema 181 - RE 598.365). .. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. (ARE n. 822.158-AgR, relator Ministro Edson Fachin, Primeira Turma, julgado em 20/10/2015, DJe de 24/11/2015.) Também nos casos em que se aponta ofensa ao art. 105, III, da Constituição da República, o recurso não comporta seguimento (RE n. 1.081.829-AgR, relator Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe de 1º/10/2018). A decisão agravada, portanto, não merece reforma. 4. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. Advirto que a oposição de embargos de declaração com intuito manifestamente protelatório poderá ser sancionada com a multa prevista no art. 1.026, § 2º, do Código de Processo Civil. É como voto.