AREsp 2535218 - ACORDAO
O tribunal concluiu que o acórdão recorrido apresentou motivação suficiente segundo a tese do Tema n. 339 do STF (art. 93, IX, CF), de modo que a negativa de seguimento ao recurso extraordinário foi correta nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC, além de incidir a Súmula 83/STJ, motivo pelo qual se negou provimento...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Sessão Virtual Decisão Que Negou Provimento Ao Agravo Interno E Manteve a Negativa De Seguimento Ao Recurso Extraordinário
- Outcome
- Negou provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Fundamentação Das Decisões Judiciais, Repercussão Geral (tema N. 339 Do Stf), Art. 93, IX, CF, Art. 1.030, I, A, CPC, Fiança Locatícia, Súmulas Do STJ
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Procedural Posture
Agravo Interno / Sessão Virtual Decisão Que Negou Provimento Ao Agravo Interno E Manteve a Negativa De Seguimento Ao Recurso Extraordinário
Legal Issues
- 1 suficiência da fundamentação do acórdão recorrida à luz do art. 93, IX, da CF
- 2 aplicabilidade do Tema n. 339 do STF ao caso concreto
- 3 se o acórdão enfrentou a matéria relativa aos arts. 835 e 838 do Código Civil
Ratio Decidendi
O tribunal concluiu que o acórdão recorrido apresentou motivação suficiente segundo a tese do Tema n. 339 do STF (art. 93, IX, CF), de modo que a negativa de seguimento ao recurso extraordinário foi correta nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC, além de incidir a Súmula 83/STJ, motivo pelo qual se negou provimento ao agravo interno.
Court Disposition
Negou provimento ao agravo interno
Orders
- Agravo interno a que se nega provimento.
- Mantida a negativa de seguimento ao recurso extraordinário nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da CORTE ESPECIAL do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 20/03/2025 a 26/03/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Nancy Andrighi, João Otávio de Noronha, Humberto Martins, Maria Thereza de Assis Moura, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Presidente do STJ. EMENTA AGRAVO INTERNO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. I. CASO EM EXAME 1.1. Agravo interno interposto contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário, sob o fundamento de que o acórdão recorrido estaria em conformidade com a tese fixada pelo STF no Tema n. 339 da repercussão geral. 1.2. A parte agravante alegou a inaplicabilidade do Tema n. 339 ao caso, argumentando que não houve fundamentação adequada no acórdão recorrido quanto às matérias suscitadas, o que configuraria ofensa ao texto constitucional. II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO 2.1. A existência de afronta ao art. 93, IX, da Constituição Federal quando se discute a suficiência da fundamentação das decisões judiciais, com aplicabilidade do Tema n. 339 do STF. III. RAZÕES DE DECIDIR 3.1. O STF, ao tratar do Tema n. 339 da repercussão geral, firmou a tese de que a Constituição Federal exige que acórdãos e decisões sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem vinculação à correção ou abrangência detalhada de todas as alegações das partes, mas sim à existência de motivação que permita a compreensão da solução dada à controvérsia. 3.2. No caso concreto, o acórdão recorrido apresentou motivação adequada para a solução da controvérsia, em conformidade com o Tema n. 339, razão pela qual é justificada a negativa de seguimento ao recurso extraordinário nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC. IV. DISPOSITIVO 4.1. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO 1. Trata-se de agravo interno interposto contra a decisão que negou seguimento ao recurso extraordinário, assim ementada (fl. 528): RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. Os agravantes alegam que poderiam se exonerar da fiança, uma vez que tal direito está previsto nos arts. 835 e 838 do Código Civil. Afirmam que o acórdão recorrido não se manifestou sobre o art. 838 do Código Civil , violando o art. 93, IX, da Constituição Federal. Sustentam que a decisão agravada negou seguimento ao recurso extraordinário indevidamente, com esteio no Tema n. 339 do STF, deixando de reconhecer o vício de motivação apontado nas razões recursais. Requerem o provimento do agravo para que o recurso extraordinário seja admitido, com a remessa dos autos ao Supremo Tribunal Federal. Não foram apresentadas contrarrazões (fl. 546). É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. I. CASO EM EXAME 1.1. Agravo interno interposto contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário, sob o fundamento de que o acórdão recorrido estaria em conformidade com a tese fixada pelo STF no Tema n. 339 da repercussão geral. 1.2. A parte agravante alegou a inaplicabilidade do Tema n. 339 ao caso, argumentando que não houve fundamentação adequada no acórdão recorrido quanto às matérias suscitadas, o que configuraria ofensa ao texto constitucional. II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO 2.1. A existência de afronta ao art. 93, IX, da Constituição Federal quando se discute a suficiência da fundamentação das decisões judiciais, com aplicabilidade do Tema n. 339 do STF. III. RAZÕES DE DECIDIR 3.1. O STF, ao tratar do Tema n. 339 da repercussão geral, firmou a tese de que a Constituição Federal exige que acórdãos e decisões sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem vinculação à correção ou abrangência detalhada de todas as alegações das partes, mas sim à existência de motivação que permita a compreensão da solução dada à controvérsia. 3.2. No caso concreto, o acórdão recorrido apresentou motivação adequada para a solução da controvérsia, em conformidade com o Tema n. 339, razão pela qual é justificada a negativa de seguimento ao recurso extraordinário nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC. IV. DISPOSITIVO 4.1. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO 2. No julgamento do paradigma vinculado ao Tema n. 339, o Supremo Tribunal Federal apreciou a seguinte questão: .. se decisão que transcreve os fundamentos da decisão recorrida, sem enfrentar pormenorizadamente as questões suscitadas nos embargos declaratórios, afronta o princípio da obrigatoriedade de fundamentação das decisões judiciais, nos termos do art. 93, IX, da Constituição Federal. Na ocasião, firmou-se a seguinte tese vinculante: "O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas." O respectivo acórdão recebeu a seguinte ementa: Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3º e 4º). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (AI n. 791.292-QO-RG, relator Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 23/6/2010, DJe de 13/8/2010.) Por isso, para que um acórdão ou decisão seja considerado fundamentado, conforme definido pelo STF, não é necessária a apreciação de todas as alegações feitas pelas partes, desde que haja motivação considerada suficiente para a solução da controvérsia. Nesse contexto, a caracterização de ofensa ao art. 93, IX, da Constituição Federal não está relacionada ao acerto atribuído ao julgado, ainda que a parte recorrente considere sucinta ou incompleta a análise das alegações recursais. No caso, conforme consignado na decisão agravada, foram declinados, de forma satisfatória, os motivos da compreensão adotada no acórdão objeto do recurso extraordinário, como se observa do seguinte trecho do referido julgado (fls. 501-504): 1. Não merece reparos a decisão agravada que aplicou o óbice da Súmula 83/STJ à pretensão recursal relativa artigos 835 e 838 do Código Civil. Conforme restou consignado, a jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de que, prorrogado o contrato de locação, e havendo cláusula expressa de responsabilidade do fiador até a entrega das chaves, responderá o garantidor pelas obrigações posteriores, nos termos do art. 39 da Lei 8.245/91, salvo se exonerar-se da fiança na forma do art. 835 do CC/2002. .. Todavia, o Tribunal de origem, ao apreciar a controvérsia, consignou o seguinte (e-STJ, fl. 359-360): Isso porque, conforme bem pontuado pelo magistrado a quo, a ausência de comunicação à locadora acerca da cessão das quotas da sociedade, cumulada à não entrega das chaves, gerou a automática prorrogação do contrato de locação, a teor do art. 56, parágrafo único, da Lei n. 8.245/1991, que assim preceitua: "findo o prazo estipulado, se o locatário permanecer no imóvel por mais de trinta dias sem oposição do locador, presumir-se-á prorrogada a locação nas condições ajustadas, mas sem prazo determinado". Assim, tendo em vista que o último aditamento venceu em 24/05/2010, constata-se que em 24/06/2010 o contrato já havia sido tacitamente prorrogado por prazo indeterminado, antes mesmo da saída dos embargantes da sociedade empresária, ocorrida dois meses depois, em 23/08/2010. In casu, extrai-se do acordo celebrado entre os postulantes (evento 6, inf. 5, p. 2, AO): Cláusula décima oitava - DA GARANTIA LOCATÍCIA: Assinam também o presente contrato como FIADORES e PRINCIPAIS PAGADORES, solidariamente responsáveis com a LOCATÁRIA, pelo fiel cumprimento de todas as cláusulas e condições decorrentes desde contrato, os FIADORES supra qualificados, os quais têm sua responsabilidade prorrogada até a entrega do imóvel e devolução das chaves, com a referida quitação por escrito dos encargos devidos, independentemente da vigência ou não do presente contrato. .. Cláusula vigésima - Os FIADORES renunciam expressamente ao benefício de ordem previsto no artigo 827, bem como aos que lhe facultam os artigos 835 e 838, todos do novo Código Civil Brasileiro (grifou-se). Veja-se que, perante à locadora, o contrato subsistia em todos os seus termos - incluindo as garantias - , até 25/03/2013, data em que os apelantes enviaram notificação extrajudicial informando a cessão das suas quotas (evento 6, inf. 10, AO). Em casos tais, é sabido que mesmo após a prorrogação da locação por prazo indeterminado, a fiança permanece vigente até a devolução do imóvel ou até que o fiador busque desobrigar-se, a não ser que as partes convencionem de forma expressa outro período de duração da garantia, o que não ocorreu no presente caso (evento 6, inf. 4, pp. 10-11, AO). É que "salvo disposição contratual em contrário, qualquer das garantias da locação se estende até a efetiva devolução do imóvel, ainda que prorrogada a locação por prazo indeterminado, por força desta Lei" (art. 39 da Lei do Inquilinato). No ponto, de acordo com o art. 835 do CC, é ônus do fiador a providência para exonerar-se da fiança em contrato sem limitação de tempo, como é o caso dos autos, em que há previsão expressa de prorrogação do contrato por prazo indeterminado na hipótese de permanência do locatário sem oposição do locador, com que os fiadores/devedores solidários se comprometeram quando da assinatura. Ainda, é inaplicável a Súmula n. 214 do STJ, tendo em vista que a prorrogação do contrato não se deu por meio de aditivo contratual, mas sim pela permanência da locatária no imóvel. Em outras palavras: "as obrigações decorrentes da fiança locatícia, em caso de prorrogação automática do contrato de locação, permanecem hígidas até a efetiva entrega do imóvel se houver cláusula contratual expressa nesse sentido, não se aplicando a Súmula 214 do Superior Tribunal de Justiça" (TJSC, Apelação Cível n. 2006.007914-4, de São José, rel. Des. Luiz Carlos Freyesleben, Segunda Câmara de Direito Civil, j. 18-12-2008). Nesse contexto, verifica-se que o Tribunal a quo decidiu de acordo com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o que atrai a incidência do enunciado da Súmula n. 83 do STJ, aplicável aos recursos especiais interpostos tanto pela alínea "a" quanto pela alínea "c" do permissivo constitucional. Verifica-se, portanto, que a matéria invocada pela parte ora agravante foi expressamente examinada no acórdão impugnado. Com efeito, demonstrada a realização da prestação jurisdicional constitucionalmente adequ ada, ainda quando não se concorde com a solução dada à causa, afigura-se inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, pois o provimento recorrido encontra-se em sintonia com a tese fixada no Tema n. 339 do STF. 3. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. Advirto que a oposição de embargos de declaração com intuito manifestamente protelatório poderá ser sancionada com a multa prevista no art. 1.026, § 2º, do Código de Processo Civil. É como voto.