Rcl 41561 - ACORDAO
O acórdão recorrido apresentou motivação suficiente nos termos do entendimento vinculante do STF no Tema 339 (fundamentação sucinta é suficiente), de modo que se justifica a negativa de seguimento ao recurso extraordinário com base no art. 1.030, I, a, do CPC; por conseguinte, nega-se provimento ao agravo interno.
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno Contra Negativa De Seguimento a Recurso Extraordinário / Decisão Colegiada Agravo Interno Negado Provimento
- Outcome
- Agravo interno a que se nega provimento.
- Legal Topics
- Fundamentação Das Decisões Judiciais, Repercussão Geral (tema 339 Stf), Negativa De Seguimento De Recurso Extraordinário, Art. 93, IX, CF
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Procedural Posture
Agravo Interno Contra Negativa De Seguimento a Recurso Extraordinário / Decisão Colegiada Agravo Interno Negado Provimento
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do Tema 339 do STF à suficiência da fundamentação do acórdão
- 2 Alegação de violação do art. 93, IX, da Constituição Federal
- 3 Negativa de seguimento ao recurso extraordinário com fundamento no art. 1.030, I, a, do CPC
Ratio Decidendi
O acórdão recorrido apresentou motivação suficiente nos termos do entendimento vinculante do STF no Tema 339 (fundamentação sucinta é suficiente), de modo que se justifica a negativa de seguimento ao recurso extraordinário com base no art. 1.030, I, a, do CPC; por conseguinte, nega-se provimento ao agravo interno.
Court Disposition
Agravo interno a que se nega provimento.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Manter a negativa de seguimento ao recurso extraordinário por conformidade com o Tema n. 339 do STF, nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da CORTE ESPECIAL do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 21/05/2025 a 27/05/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Nancy Andrighi, João Otávio de Noronha, Humberto Martins, Maria Thereza de Assis Moura, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Presidente do STJ. EMENTA AGRAVO INTERNO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. I. CASO EM EXAME 1.1. Agravo interno interposto contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário, sob o fundamento de que o acórdão recorrido estaria em conformidade com a tese fixada pelo STF no Tema n. 339 da repercussão geral. 1.2. A parte agravante alegou a inaplicabilidade do Tema n. 339 ao caso, argumentando que não houve fundamentação adequada no acórdão recorrido quanto às matérias suscitadas, o que configuraria ofensa ao texto constitucional. II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO 2.1. A existência de afronta ao art. 93, IX, da Constituição Federal quando se discute a suficiência da fundamentação das decisões judiciais, com aplicabilidade do Tema n. 339 do STF. III. RAZÕES DE DECIDIR 3.1. O STF, ao tratar do Tema n. 339 da repercussão geral, firmou a tese de que a Constituição Federal exige que acórdãos e decisões sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem vinculação à correção ou abrangência detalhada de todas as alegações das partes, mas sim à existência de motivação que permita a compreensão da solução dada à controvérsia. 3.2. No caso concreto, o acórdão recorrido apresentou motivação adequada para a solução da controvérsia, em conformidade com o Tema n. 339, razão pela qual é justificada a negativa de seguimento ao recurso extraordinário nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC. IV. DISPOSITIVO 4.1. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO 1. Trata-se de agravo interno interposto contra a decisão que negou seguimento ao recurso extraordinário, assim ementada (fl. 1.020): RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. A parte agravante alega que a decisão hostilizada não enfrentou satisfatoriamente as teses devolvidas à apreciação do Superior Tribunal de Justiça, resultando em nulidade do julgado. Argumenta que a decisão é padronizada e genérica, não se amoldando às circunstâncias do caso concreto, e que houve clara violação ao artigo 93, inciso IX, da Constituição Federal. Aponta a transgressão de diversos dispositivos do Código Civil, como os artigos 416, 417, 418, e 884, e do Código de Processo Civil, como os artigos 7, 10, 139, inciso I, 141, 320, 434, e 493. Alega ainda a violação dos Temas 970 e 971 do Superior Tribunal de Justiça e do Tema 1. 002 do Supremo Tribunal Federal Requer a concessão de efeito suspensivo e o provimento do agravo para que o recurso extraordinário seja admitido, com a remessa dos autos ao Supremo Tribunal Federal. Solicita que o STF determine a devolução do feito ao Superior Tribunal de Justiça para nova análise do agravo interno, com posterior conhecimento dos embargos de declaração interpostos anteriormente, e a correção das omissões e contradições ventiladas, admitindo-se excepcionais efeitos modificativos. Por fim, pleiteia a anulação do julgado e, já no STJ, o não conhecimento do recurso de apelação por deserção, restabelecendo-se integralmente a sentença, ou, subsidiariamente, a declaração de que na data da sentença o loteamento encontrava-se pronto e acabado, afastando-se a multa fixada em desfavor da empresa e todas as indevidas condenações da loteadora. Não foram apresentadas contrarrazões (fl. 1.049). É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. I. CASO EM EXAME 1.1. Agravo interno interposto contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário, sob o fundamento de que o acórdão recorrido estaria em conformidade com a tese fixada pelo STF no Tema n. 339 da repercussão geral. 1.2. A parte agravante alegou a inaplicabilidade do Tema n. 339 ao caso, argumentando que não houve fundamentação adequada no acórdão recorrido quanto às matérias suscitadas, o que configuraria ofensa ao texto constitucional. II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO 2.1. A existência de afronta ao art. 93, IX, da Constituição Federal quando se discute a suficiência da fundamentação das decisões judiciais, com aplicabilidade do Tema n. 339 do STF. III. RAZÕES DE DECIDIR 3.1. O STF, ao tratar do Tema n. 339 da repercussão geral, firmou a tese de que a Constituição Federal exige que acórdãos e decisões sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem vinculação à correção ou abrangência detalhada de todas as alegações das partes, mas sim à existência de motivação que permita a compreensão da solução dada à controvérsia. 3.2. No caso concreto, o acórdão recorrido apresentou motivação adequada para a solução da controvérsia, em conformidade com o Tema n. 339, razão pela qual é justificada a negativa de seguimento ao recurso extraordinário nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC. IV. DISPOSITIVO 4.1. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO 2. No julgamento do paradigma vinculado ao Tema n. 339, o Supremo Tribunal Federal apreciou a seguinte questão: .. se decisão que transcreve os fundamentos da decisão recorrida, sem enfrentar pormenorizadamente as questões suscitadas nos embargos declaratórios, afronta o princípio da obrigatoriedade de fundamentação das decisões judiciais, nos termos do art. 93, IX, da Constituição Federal. Na ocasião, firmou-se a seguinte tese vinculante: "O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas." O respectivo acórdão recebeu a seguinte ementa: Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3º e 4º). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (AI n. 791.292-QO-RG, relator Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 23/6/2010, DJe de 13/8/2010.) Por isso, para que um acórdão ou decisão seja considerado fundamentado, conforme definido pelo STF, não é necessária a apreciação de todas as alegações feitas pelas partes, desde que haja motivação considerada suficiente para a solução da controvérsia. Nesse contexto, a caracterização de ofensa ao art. 93, IX, da Constituição Federal não está relacionada ao acerto atribuído ao julgado, ainda que a parte recorrente considere sucinta ou incompleta a análise das alegações recursais. No caso, conforme consignado na decisão agravada, foram declinados, de forma satisfatória, os motivos da compreensão adotada no acórdão objeto do recurso extraordinário, como se observa do seguinte trecho do referido julgado (fls. 935-936): Com efeito, a parte reclamante, sustenta que o eg. Tribunal Reclamado determinou a inversão em favor do consumidor de valor de multa compensatória, negando autoridade ao entendimento vinculante consolidado no julgamento do REsp nº 1.631.485/DF, que prevê a inversão de multa moratória. Todavia, a assinalada tese vinculante não se restringiu à uma única espécie de cláusula penal, moratória ou compensatória, aplicando-se, igualmente a ambas. A propósito, confira-se os seguintes excertos do voto condutor do precedente qualificado: "Desse modo, consoante iterativa jurisprudência do STJ, na mesma linha do precedente paradigma da Terceira Turma, em caso de inadimplemento (absoluto ou relativo), se houver omissão do contrato, cabe, por imperativo de equidade, inverter a cláusula contratual penal (moratória ou compensatória), que prevê multa exclusivamente em benefício da promitente vendedora do imóvel. (..) À vista disso, seja por princípios gerais do direito, seja pela principiologia adotada no CDC, ou, ainda, por comezinho imperativo de equidade, mostra-se abusiva a prática de estipular cláusula penal exclusivamente ao adquirente, para a hipótese de mora ou de inadimplemento contratual absoluto, ficando isento de tal reprimenda o fornecedor em situações de análogo descumprimento da avença. Destarte, prevendo o contrato a incidência de multa para o caso de inadimplemento por parte do consumidor, ela também deverá ser considerada para o arbitramento da indenização devida pelo fornecedor, caso seja deste a mora ou o inadimplemento absoluto" (grifou-se, REsp 1631485/DF). Quanto às demais questões (omissões e contradições do acórdão recorrido, debate amplo sobre as regras que devem ser aplicadas na hipótese de rescisão contratual, violações a dispositivos da Legislação Federal), destaque-se que não podem ser conhecidas nesta sede porquanto já foram impugnadas e rejeitadas pela oposição de Agravo em Recurso Especial (AR Esp nº 1.880.527/SP). Outrossim, tratando a presente reclamação de meio restrito de análise da consonância de acórdãos dos Tribunais com entendimentos vinculantes, exclusivamente, não cabe dar coro à pretensão do reclamante de promover "debate amplo sobre as regras que devem ser aplicadas na hipótese de rescisão contratual" (na fl. 908) Constou ainda, do acórdão que apreciou os embargos de declaração, a seguinte fundamentação (fl. 1.006): A embargante em síntese, repristina as razões da inicial da reclamação, bem como do agravo interno desprovido. Assim, na verdade, procura a embargante novo julgamento do incidente processual cuja competência deste Superior Tribunal de Justiça já foi devidamente afastada, porquanto, nos casos em que não admitido recurso especial cujas razões não se relacionam a teses verticalmente vinculantes, é cabível o manejo do agravo em recurso especial e não da reclamação. Verifica-se, portanto, que a matéria invocada pela parte ora agravante foi expressamente examinada no acórdão impugnado. Com efeito, demonstrada a realização da prestação jurisdicional constitucionalmente adequada, ainda quando não se concorde com a solução dada à causa, afigura-se inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, pois o provimento recorrido encontra-se em sintonia com a tese fixada no Tema n. 339 do STF. 3. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. Por fim, diante da negativa de provimento o agravo interno, o pleito de atribuição de efeito suspensivo fica prejudicado. Advirto que a oposição de embargos de declaração com intuito manifestamente protelatório poderá ser sancionada com a multa prevista no art. 1.026, § 2º, do Código de Processo Civil. É como voto.