AREsp 2678327 - DECISAO
O recurso extraordinário foi negado seguimento porque o acórdão recorrido prestou fundamentação suficiente nos termos do Tema 339 do STF, as alegações demandam reexame de matéria fático-probatória vedado em recurso especial (Súmula 7/STJ) e a discussão sobre admissibilidade do recurso anterior não tem repercussão...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 September 2025
- Procedural Posture
- Recurso Extraordinário / Seguimento Negado (decisão De Admissibilidade)
- Outcome
- Negado seguimento ao recurso extraordinário.
- Legal Topics
- Fundamentação Das Decisões Judiciais, Repercussão Geral, Súmula 7/stj, Reexame De Prova, Admissibilidade De Recurso Extraordinário, Tema 339 STF, Tema 181 STF
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Procedural Posture
Recurso Extraordinário / Seguimento Negado (decisão De Admissibilidade)
Legal Issues
- 1 Se o acórdão recorrido é suficientemente fundamentado nos termos do art. 93, IX, CF e do Tema 339 do STF
- 2 Se há ofensa ao art. 93, IX da CF por omissão no enfrentamento das alegações
- 3 Se é cabível o reexame de matéria fático-probatória em recurso especial (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
O recurso extraordinário foi negado seguimento porque o acórdão recorrido prestou fundamentação suficiente nos termos do Tema 339 do STF, as alegações demandam reexame de matéria fático-probatória vedado em recurso especial (Súmula 7/STJ) e a discussão sobre admissibilidade do recurso anterior não tem repercussão geral (Tema 181 do STF), de modo que, com fundamento no art. 1.030, I, a, do CPC, nega-se seguimento ao recurso.
Court Disposition
Negado seguimento ao recurso extraordinário.
Orders
- Nego seguimento ao recurso extraordinário com fundamento no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO 1. Trata-se de recurso extraordinário interposto contra acórdão do Superior Tribunal de Justiça que negou provimento ao agravo interno, confirmando decisão singular pela qual foi improvido recurso especial, com aplicação da Súmula n. 7/STJ. O julgado recorrido recebeu a seguinte ementa (fl. 2.930): AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INSTABILIDADE NO SISTEMA DISPONIBILIZADO PARA A REALIZAÇÃO DE LEILÃO ELETRÔNICO. DESCUMPRIMENTO DO EDITAL. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA N. 7/STJ. 1. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fático-probatória (Súmula n. 7 /STJ). 2. Agravo interno a que se nega provimento. A parte recorrente alega a existência de repercussão geral da matéria debatida e de contrariedade, no acórdão impugnado, aos arts. 5º, caput, LIV e LV, e 93, IX, da Constituição Federal. Nesse sentido, argumenta que o acórdão recorrido padece de falta de fundamentação, havendo deficiência na prestação jurisdicional, porque não examinadas adequadamente as teses defendidas no recurso especial, restando inobservado o princípio constitucional da motivação das decisões judiciais. Alega ser indevida a aplicação da Súmula n. 7/STJ, porque o caso dos autos envolve a valoração de provas relativas à instabilidade do sistema eletrônico oficial e à ausência de publicidade nos lances do leilão judicial, com descumprimento do edital. Requer, assim, a admissão e o provimento do recurso. É o relatório. 2. No julgamento do paradigma vinculado ao Tema n. 339, o Supremo Tribunal Federal apreciou a seguinte questão: .. se decisão que transcreve os fundamentos da decisão recorrida, sem enfrentar pormenorizadamente as questões suscitadas nos embargos declaratórios, afronta o princípio da obrigatoriedade de fundamentação das decisões judiciais, nos termos do art. 93, IX, da Constituição Federal. Na ocasião, firmou-se a seguinte tese vinculante: O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. Por isso, para que um acórdão ou decisão seja considerado fundamentado, conforme definido pelo STF, não é necessária a apreciação de todas as alegações feitas pelas partes, desde que haja motivação considerada suficiente para a solução da controvérsia. Nesse contexto, a caracterização de ofensa ao art. 93, IX, da Constituição Federal não está relacionada ao acerto atribuído ao julgado, ainda que a parte recorrente considere sucinta ou incompleta a análise das alegações recursais. No caso dos autos, foram apresentados, de forma satisfatória, os fundamentos da conclusão do acórdão recorrido, como se observa do seguinte trecho do referido julgado (fl. 2.932): Quanto ao mais, verifico que o recurso especial não dispensa o reexame de prova. O agravante afirma a ocorrência de instabilidade no sistema disponibilizado para a realização de leilão eletrônico, o que caracteriza descumprimento do edital e prejudica a validade do ato. A respeito dessa premissa fática, porém, confira-se o seguinte trecho do acórdão recorrido (fl. 2745): Verifico que a escritura pública de ata notarial foi lavrada a pedido do agravante e o "escrevente autorizado" certificou "imagens da Galeria existentes em seu smartphone". Em nenhuma dessas imagens há reconhecimento de "intercorrências sobre o sistema utilizado para a realização do leilão". Inexiste prova da alegação de que "o descumprimento ao edital do leilão, decorrente da omissão do leiloeiro, proibiu que o Agravante concorresse em igualdade de condições". (..) O agravante pleiteia que "na eventualidade de Vossas Excelências coadunarem com o entendimento, data venia, equivocado do juízo da instância primeva, considerando-se válido o lance apresentado pelo então arrematante, - mesmo que não o tenha constado publicamente no sistema do leilão eletrônico -, deve ser reconhecida, então, como igualmente válidas as propostas feitas pelo aqui Agravante". Ocorre que o agravante não apresentou a proposta no prazo estabelecido no edital. Não há como afastar essas conclusões em recurso especial, consoante dispõe a Súmula 7 do STJ. Com efeito, demonstrado que houve prestação jurisdicional compatível com a tese fixada pelo STF no Tema n. 339 sob o regime da repercussão geral, é inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, que deve ter o seguimento negado. 3. No tocante às demais alegações, nos termos do art. 102, § 3º, da Constituição Federal, o recurso extraordinário deve ser dotado de repercussão geral, requisito indispensável à sua admissão. Por sua vez, o STF já definiu que a discussão relativa ao preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recurso anterior, de competência de outro tribunal, não tem repercussão geral. Quando o STJ não analisar o mérito do recurso de sua competência, tal como verificado nestes autos, qualquer alegação do recurso extraordinário demandaria a rediscussão dos requisitos de admissibilidade do referido recurso, exigindo a apreciação dos dispositivos legais que versam sobre tais pressupostos. No Tema n. 181 do STF, a Suprema Corte afirmou que "a questão do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recursos da competência de outros Tribunais tem natureza infraconstitucional" (RE n. 598.365-RG, relator Ministro Ayres Britto, Tribunal Pleno, julgado em 14/8/2009, DJe de 26/3/2010). O entendimento em questão incide tanto em situações nas quais as razões do recurso extraordinário se referem ao não conhecimento do recurso anterior quanto naquelas em que as alegações se relacionam à matéria de fundo da causa. Essa conclusão foi adotada sob o regime da repercussão geral e é de aplicação obrigatória, devendo os tribunais, ao analisar a viabilidade prévia dos recursos extraordinários, negar seguimento àqueles que discutam questão à qual o Supremo Tribunal Federal não tenha reconhecido a existência de repercussão geral, nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC. Como exemplos da aplicação do Tema n. 181 do STF em casos semelhantes, confiram-se: ARE n. 1.256.720-AgR, relator Ministro Dias Toffoli (Presidente), Tribunal Pleno, julgado em 4/5/2020, DJe de 26/5/2020; ARE n. 1.317.340-AgR, relatora Ministra Cármen Lúcia, Segunda Turma, julgado em 12/5/2021, DJe de 14/5/2021; ARE n. 822.158-AgR, relator Ministro Edson Fachin, Primeira Turma, julgado em 20/10/2015, DJe de 24/11/2015. Da mesma forma, o recurso extraordinário deve ter o seguimento negado por aplicação do Tema n. 181 do STF também nas hipóteses em que for alegada ofensa ao art. 105, III, da Constituição da República (RE n. 1.081.829-AgR, relator Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe de 1º/10/2018). 4. Ante o exposto, com fundamento no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil, nego seguimento ao recurso extraordinário. Vale registrar não ser cabível agravo em recurso extraordinário (previsto no art. 1.042 do CPC) contra decisões que negam seguimento a recurso extraordinário, conforme o § 2º do art. 1.030 do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO ANTERIOR, DE COMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DEBATE OU SUPERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. TEMA N. 181 DO STF, SOB A SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO.