AREsp 1742917 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental porque a decisão atacada atende ao requisito constitucional de fundamentação nos termos do Tema 339/STF (fundamentação sucinta é suficiente) e porque o agravante não impugnou de forma específica e adequada os fundamentos apontados pelo Tribunal de origem para a...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: JORGE RIBEIRO DOS SANTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 May 2021
- Procedural Posture
- Agravo Regimental / Julgamento Do Agravo Regimental Quanto À Negativa De Seguimento Ao Recurso Extraordinário
- Outcome
- agravo regimental negado provimento por unanimidade
- Legal Topics
- Fundamentação Das Decisões Judiciais, Tema 339/stf (motivação Sucinta), Negativa De Seguimento Ao Recurso Extraordinário, Impugnação Específica De Fundamentos (art. 932, III, Cpc)
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
JORGE RIBEIRO DOS SANTOS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental / Julgamento Do Agravo Regimental Quanto À Negativa De Seguimento Ao Recurso Extraordinário
Legal Issues
- 1 falta de fundamentação do acórdão recorrido (art. 93, IX, CF)
- 2 aplicação do Tema 339/STF sobre exigência de fundamentação sucinta
- 3 ausência de impugnação específica e suficiente dos fundamentos que justificaram a inadmissibilidade do recurso especial
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental porque a decisão atacada atende ao requisito constitucional de fundamentação nos termos do Tema 339/STF (fundamentação sucinta é suficiente) e porque o agravante não impugnou de forma específica e adequada os fundamentos apontados pelo Tribunal de origem para a inadmissibilidade do recurso, autorizando o não conhecimento do agravo com base no art. 932, III, do CPC e no art. 253, I, do Regimento Interno do STJ.
Court Disposition
agravo regimental negado provimento por unanimidade
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental
- Manter a decisão que negou seguimento ao recurso extraordinário
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da CORTE ESPECIAL do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Felix Fischer, Francisco Falcão, Nancy Andrighi, Laurita Vaz, João Otávio de Noronha, Maria Thereza de Assis Moura, Herman Benjamin, Og Fernandes, Luis Felipe Salomão, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Raul Araújo e Paulo de Tarso Sanseverino votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. NÃO OCORRÊNCIA. TEMA 339/STF. DESPROVIMENTO DO RECLAMO. 1. As decisões judiciais devem ser fundamentadas, ainda que de forma sucinta, não se exigindo análise pormenorizada de cada prova ou alegação das partes, nem que sejam corretos os seus fundamentos (Tema 339/STF). 2. Agravo regimentalnão provido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por JORGE RIBEIRO DOS SANTOS contra decisão que negou seguimento ao recurso extraordinário, assim ementada (e-STJ fl. 790): RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. NÃO OCORRÊNCIA. TEMA 339/STF. SEGUIMENTO NEGADO. Sustenta o agravante que a decisão combatida não enfrentou nenhum dos seus argumentos recursais. Defende que não se pretende aanálise de todos os fundamentos da defesa, mas que ao menos um sejaapreciado. Portanto, tal omissão faz com que a decisão, sem qualquer fundamentação específica, ocasionenulidade por violaro art. 93, IX, daConstituição Federal. Requer, ao final, a admissão do recurso extraordinárioe a remessa dos autos ao Supremo Tribunal Federal. As contrarrazões não foram apresentadas (e-STJ fl. 819). É o relatório. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. NÃO OCORRÊNCIA. TEMA 339/STF. DESPROVIMENTO DO RECLAMO. 1. As decisões judiciais devem ser fundamentadas, ainda que de forma sucinta, não se exigindo análise pormenorizada de cada prova ou alegação das partes, nem que sejam corretos os seus fundamentos (Tema 339/STF). 2. Agravo regimentalnão provido. VOTO Inicialmente, tendo em vista que a decisão impugnada foi publicada em 30/3/2021 (e-STJ fl. 795), cumpre atestar a tempestividade da insurgência, pois interposta no dia 11/4/2021 (e-STJ fl. 798), ou seja, dentro do prazo recursal. Não obstante as razões declinadas pelo agravante, a decisão monocrática deve ser mantida. Isso porque, ao interpretar o art. 93, IX, da Constituição Federal, o Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento de que, para que uma decisão judicial seja considerada motivada, não se exige o exame pormenorizado de cada alegação ou prova trazida pelas partes, tampouco que sejam corretos os seus fundamentos. Nesse sentido é o Tema n. 339/STF, segundo o qual "o artigo 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão" (QO no Ag n. 791.292/PE). Confira-se, por oportuno, a ementa do acórdão: Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3º e 4º). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (AI 791.292 QO-RG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-149 DIVULG 12-08-2010 PUBLIC 13-08-2010 EMENT VOL-02410-06 PP-01289 RDECTRAB v. 18, n. 203, 2011, pp. 113-118) Na espécie, da leitura do julgado questionado, constata-se que foram declinadas as razões pelas quais foi negado provimento ao agravo regimental, valendo destacar o seguinte excerto (e-STJ fls. 736-738): Consta dos autos que o apelo nobre foi inadmitido na origem pelos seguintes fundamentos: "Súmula 83/STJ (consumação - crime de apropriação indébita), Súmula 7/STJ (absolvição por atipicidade da conduta), Súmula 7/STJ (art. 158 do CPP), Súmula 83/STJ (delito de apropriação indébita - realização de perícia) e Súmula 7/STJ (valor da prestação pecuniária)" (fl. 705). No entanto, o ora recorrente, quando da interposição do respectivo agravo, deixou de infirmar, de maneira adequada e suficiente, todas as razões apresentadas pelo Tribunal a quo para negar trânsito ao recursoespecial, especificamente não enfrentou de maneira adequada os seguintes óbices: "Súmula 83/STJ (consumação - crime de apropriação indébita), Súmula 7/STJ (absolvição por atipicidade da conduta), Súmula 83/STJ (delito de apropriação indébita - realização de perícia) e Súmula 7/STJ (valor da prestação pecuniária)" (fl. 705). De fato, em percuciente análise dos autos, constata-se que o recorrente limitou-se a tecer considerações genéricas a respeito da não aplicação, in casu, dos referidos óbices sumulares, sem, contudo, demonstrar, de forma específica e fundamentada, a sua não incidência, no caso dos autos. Como bem mencionou o ilustre representante do Ministério Público estadual, em sua contraminuta: "o agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão agravada. Isso porque, não demonstrou como as questões, sobre consumação e realização de perícia no crime de apropriação indébita, não encontram óbice no enunciado da Súmula 83 do STJ, mesmo tendo o Tribunal a quo citado, na decisão de inadmissibilidade, precedentes jurisprudenciais em que se aplicou o mesmo entendimento adotado pelo acórdão recorrido" (fl. 727). Desse modo, a ausência de impugnação dos fundamentos empregados pela Corte de origem para impedir o trânsito do apelo nobre impede o conhecimento do agravo, cujo único propósito é demonstrar a inaplicabilidade dos motivos indicados na decisão de inadmissibilidade do recurso por meio de impugnação específica de cada um deles. Este é o teor do art. 932, inciso III, do Código de Processo Civil/2015, que autoriza o relator a não conhecer de recurso que tenha deixado de impugnar os fundamentos da decisão recorrida. No mesmo sentido, o art. 253, inciso I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, com redação dada pela Emenda Regimental n. 22/2016, autoriza o relator a não conhecer do agravo que descumpra a tarefa de infirmar as razões de decidir que levaram ao trancamento do recurso especial. Nesse sentido, e em reforço: .. Conforme entendimento assentado nesta Corte, "deve a parte recorrente impugnar, de maneira específica e pormenorizada, todos os fundamentos da decisão contra a qual se insurge, não bastando a formulação de alegações genéricas em sentido contrário às afirmações do julgado impugnado ou mesmo a insistência no mérito da controvérsia" (AgRg no AREsp n. 705.564/MG, Sexta Turma, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, DJe de 25/8/2015). Portanto, em respeito ao princípio da dialeticidade, a impugnação à decisão deve ser clara e suficiente a demonstrar o equívoco na sua negativa em todos os pontos indicados pela decisão que negou trânsito ao recurso. Assim, deve ser mantida a decisão ora agravada. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. Conclui-se, portanto, que o acórdão encontra-se em consonância com a jurisprudência fixada pela Suprema Corte em repercussão geral, no Tema n. 339/STF. Nesse sentido: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO INTERNO. (..) FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. QUESTÃO DE ORDEM NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 791.292 - TEMA n. 339. AGRAVO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. (..) 5. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é pacífica no sentido de que cumpre a regra do art. 93, IX, da CF a decisão judicial que seja fundamentada, ainda que de modo sucinto, sendo desnecessário o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas dos autos (AI 791.292 - Tema n. 339 da sistemática da repercussão geral). (..) 7. Agravo a que se nega provimento. (Rcl 41510 ED, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 18/08/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-218 DIVULG 31-08-2020 PUBLIC 01- 09-2020.) No mesmo diapasão: AGRAVO INTERNO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INOCORRÊNCIA. TEMA n. 339 DA REPERCUSSÃO GERAL. DECISÃO RECORRIDA EM CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DO STF. 1.No julgamento do AI 791.292-QO-RG/PE (Rel. Min. GILMAR MENDES, Tema n. 339), o Supremo Tribunal Federal assentou que o inciso IX do art. 93 da CF/1988 exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente. 2. Decisão recorrida em conformidade com a jurisprudência do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 3. Agravo interno a que se nega provimento. Na forma do art. 1.021, §§ 4º e 5º, do Código de Processo Civil de 2015, em caso de votação unânime, fica condenado o agravante a pagar ao agravado multa de um por cento do valor atualizado da causa, cujo depósito prévio passa a ser condição para a interposição de qualquer outro recurso (à exceção da Fazenda Pública e do beneficiário de gratuidade da justiça, que farão o pagamento ao final). (ARE 1266033 AgR, Relator(a): Min. ALEXANDRE DE MORAES, Primeira Turma, julgado em 05/08/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-204 DIVULG 14-08-2020 PUBLIC 17-08-2020.) Ante o exposto, nega-se provimento ao agravo regimental. É o voto.