AREsp 2373724 - ACORDAO
Havendo fundamentação suficiente do acórdão recorrido conforme a tese do Tema n. 339 do STF, e não tendo o agravante demonstrado erro nos fundamentos (especialmente não impugnando adequadamente a incidência da Súmula n.º 83 do STJ nem juntando precedentes que a afastem), impõe-se a manutenção do não conhecimento do...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Extraordinário / Julgamento Em Sessão Virtual (decisão Colegiada)
- Outcome
- Agravo interno negado provimento; recurso extraordinário não admitido (negativa de seguimento).
- Legal Topics
- Fundamentação Das Decisões Judiciais, Tema 339 Do STF, Repercussão Geral, Admissibilidade De Recurso Extraordinário, Súmula N.º 83 Do STJ
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Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Extraordinário / Julgamento Em Sessão Virtual (decisão Colegiada)
Legal Issues
- 1 adequação da fundamentação do acórdão ao art. 93, IX, da Constituição Federal
- 2 incidência do Tema n. 339 do STF como óbice ao seguimento do recurso extraordinário
- 3 preclusão quanto à impugnação dos fundamentos no agravo interno
Ratio Decidendi
Havendo fundamentação suficiente do acórdão recorrido conforme a tese do Tema n. 339 do STF, e não tendo o agravante demonstrado erro nos fundamentos (especialmente não impugnando adequadamente a incidência da Súmula n.º 83 do STJ nem juntando precedentes que a afastem), impõe-se a manutenção do não conhecimento do agravo em recurso especial e a negativa de seguimento do recurso extraordinário; por consequência, nega-se provimento ao agravo interno.
Court Disposition
Agravo interno negado provimento; recurso extraordinário não admitido (negativa de seguimento).
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Manter o não conhecimento do agravo em recurso especial e a negativa de seguimento do recurso extraordinário.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da CORTE ESPECIAL do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 05/06/2024 a 11/06/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Nancy Andrighi, João Otávio de Noronha, Humberto Martins, Herman Benjamin, Luis Felipe Salomão, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento a Sra. Ministra Maria Thereza de Assis Moura. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ACÓRDÃO RECORRIDO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. TEMA N. 339 DO STF. 1. "O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão" (Tema n. 339 do STF, QO no Ag n. 791.292/PE). 2. Existente a fundamentação, entende o Supremo Tribunal Federal que foi respeitado o art. 93, IX, da CF, mesmo que a parte não a repute adequada ou completa, conforme a conclusão firmada no Tema n. 339 do STF. 3. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto contra a decisão que negou seguimento ao recurso extraordinário assim ementada: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. Em suas razões, a parte agravante insurge-se contra a incidência do Tema n. 339 do STF como óbice ao seguimento do recurso extraordinário, porquanto afirma que o acórdão recorrido carece de fundamentação, uma vez que teria silenciado acerca das teses de mérito suscitadas no agravo em recurso especial. Ademais, salienta não competir a esta Corte Superior a análise da violação ou não do texto constitucional, o que desbordaria do juízo de admissibilidade do recurso extraordinário. Requer o provimento do agravo para que o recurso extraordinário seja admitido e os autos sejam remetidos ao Supremo Tribunal Federal. Não foram oferecidas contrarrazões tempestivas. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ACÓRDÃO RECORRIDO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. TEMA N. 339 DO STF. 1. "O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão" (Tema n. 339 do STF, QO no Ag n. 791.292/PE). 2. Existente a fundamentação, entende o Supremo Tribunal Federal que foi respeitado o art. 93, IX, da CF, mesmo que a parte não a repute adequada ou completa, conforme a conclusão firmada no Tema n. 339 do STF. 3. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO Quanto à questão da adequada fundamentação das decisões judiciais, o STF, ao apreciar o Tema n. 339 da repercussão geral, firmou a seguinte tese vinculante: "O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas." O respectivo acórdão recebeu a ementa que segue transcrita: Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3º e 4º). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (AI n. 791.292-QO-RG, relator Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 23/6/2010, DJe de 13/8/2010.) Por isso, para que um acórdão ou decisão seja considerado fundamentado, conforme definido pelo STF, não é necessário que tenham sido apreciadas todas as alegações feitas pelas partes, desde que haja motivação considerada suficiente para a solução da controvérsia. Nesse contexto, a caracterização de ofensa ao art. 93, IX, da Constituição Federal não está relacionada ao acerto ou desacerto atribuído ao julgado, ainda que a parte recorrente considere sucinta ou incompleta a análise das alegações recursais. No caso, foram declinadas pelo acórdão recorrido, de forma satisfatória, as razões pelas quais não foram preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso dirigido ao STJ, razão pela qual não há falar em suposta omissão quanto à análise das questões relacionadas ao mérito recursal. Destacam-se, por oportuno, os seguintes excertos do voto condutor (fls. 665-667, grifo no original): Da análise do presente inconformismo se verifica que, conforme consignado na decisão atacada, o agravo em recurso especial não se dirigiu especificamente contra os fundamentos da decisão que negou seguimento ao apelo nobre, pois FFE, na ocasião, não refutou, de forma arrazoada, a incidência da Súmula n,º 83 do STJ, no que se refere ao termo inicial dos juros de mora na cobrança de indenização decorrente do descumprimento de obrigação contratual. E isso não fez porque apenas sustentou, nas razões de seu agravo em recurso especial, (1) nulidade da decisão que negou seguimento ao apelo nobre, por ausência de fundamentação; (2) o descabimento da análise do mérito no juízo de admissibilidade do recurso especial; (3) negativa da prestação jurisdicional; (4) que a matéria controvertida foi devidamente prequestionada, com expressa indicação dos dispositivos violados; (5) a existência de caso fortuito externo, o que afasta a sua responsabilização pelo atraso na entrega do empreendimento; (6) a desnecessidade do reexame de provas; e (7) a não incidência do óbice da Súmula n.º 83 do STJ. Assim, não houve a demonstração do adequado confronto do fundamento da decisão agravada no que tange à incidência da Súmula n.º 83 desta Corte. .. Cumpre registrar, ademais, que, na hipótese em que se pretende impugnar, no agravo em recurso especial, a incidência da Súmula nº 83 do STJ, cabe ao agravante demonstrar que o posicionamento adotado pela Corte local não se encontra alinhado com o entendimento do STJ sobre o tema em debate, indicando precedentes contemporâneos ou supervenientes aos referidos na decisão de inadmissibilidade do apelo nobre, de modo a demonstrar que a matéria não seria pacífica naquele momento ou que estaria superada, o que não ocorreu na espécie, tendo em vista que FFE não trouxe à colação um único precedente sequer. A esse fim, também não basta a simples menção de não incidência da aludida súmula, tampouco a mera transcrição de ementa. .. Desse modo, o agravo em recurso especial não impugnou adequadamente o óbice anteriormente mencionado, e nada trazido neste agravo interno é capaz de contrariar tal entendimento. .. Assim, como FFE não demonstrou o equívoco nos fundamentos da decisão agravada, deve ser mantido o não conhecimento do agravo em recurso especial, visto que não é admissível a impugnação de seus fundamentos somente no âmbito do agravo interno, em virtude da preclusão. Com efeito, demonstrada a realização da prestação jurisdicional constitucionalmente adequada, ainda quando não se concorde com a solução dada à causa, afigura-se inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, pois o provimento recorrido se encontra em sintonia com a tese fixada no Tema n. 339 do STF. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. Advirto que a formalização de embargos de declaração com intuito manifestamente protelatório poderá ser sancionada com a multa prevista no art. 1.026, § 2º, do Código de Processo Civil. É como voto.