AREsp 2588062 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque o acórdão recorrido apresentou motivação adequada e suficiente, em conformidade com a tese vinculante do Tema n. 339 do STF, o que autorizou a negativa de seguimento ao recurso extraordinário nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC; verificou-se também ausência de...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Decisão De Negativa De Seguimento De Recurso Extraordinário Proferida Em Julgamento Da Corte Especial (sessão Virtual)
- Outcome
- Agravo interno negado provimento.
- Legal Topics
- Fundamentação Das Decisões Judiciais, Tema N. 339 Do STF, Negativa De Seguimento, Prequestionamento, Embargos De Declaração, Súmulas E Óbices Processuais
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Procedural Posture
Agravo Interno / Decisão De Negativa De Seguimento De Recurso Extraordinário Proferida Em Julgamento Da Corte Especial (sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 Suficiência da fundamentação do acórdão à luz do art. 93, IX, da Constituição Federal
- 2 Aplicabilidade do Tema n. 339 do STF ao caso concreto
- 3 Cabimento da negativa de seguimento nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC e verificação de prequestionamento
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque o acórdão recorrido apresentou motivação adequada e suficiente, em conformidade com a tese vinculante do Tema n. 339 do STF, o que autorizou a negativa de seguimento ao recurso extraordinário nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC; verificou-se também ausência de prequestionamento expresso sobre dispositivos indicados, afastando-se o prosseguimento do recurso.
Court Disposition
Agravo interno negado provimento.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Manter a negativa de seguimento ao recurso extraordinário nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da CORTE ESPECIAL do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 23/04/2025 a 29/04/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Nancy Andrighi, João Otávio de Noronha, Humberto Martins, Maria Thereza de Assis Moura, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Presidente do STJ. EMENTA AGRAVO INTERNO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. I. CASO EM EXAME 1.1. Agravo interno interposto contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário, sob o fundamento de que o acórdão recorrido estaria em conformidade com a tese fixada pelo STF no Tema n. 339 da repercussão geral. 1.2. A parte agravante alegou a inaplicabilidade do Tema n. 339 ao caso, argumentando que não houve fundamentação adequada no acórdão recorrido quanto às matérias suscitadas, o que configuraria ofensa ao texto constitucional. II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO 2.1. A existência de afronta ao art. 93, IX, da Constituição Federal quando se discute a suficiência da fundamentação das decisões judiciais, com aplicabilidade do Tema n. 339 do STF. III. RAZÕES DE DECIDIR 3.1. O STF, ao tratar do Tema n. 339 da repercussão geral, firmou a tese de que a Constituição Federal exige que acórdãos e decisões sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem vinculação à correção ou abrangência detalhada de todas as alegações das partes, mas sim à existência de motivação que permita a compreensão da solução dada à controvérsia. 3.2. No caso concreto, o acórdão recorrido apresentou motivação adequada para a solução da controvérsia, em conformidade com o Tema n. 339, razão pela qual é justificada a negativa de seguimento ao recurso extraordinário nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC. IV. DISPOSITIVO 4.1. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO 1. Trata-se de agravo interno interposto contra a decisão que negou seguimento ao recurso extraordinário, assim ementada (fl. 1.570): RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. A parte agravante alega a inaplicabilidade do Tema n. 339 do STF e a necessidade ser feita a distinção a o caso dos autos. Nesse sentido, afirma que o julgado desta Corte Superior não teria analisado as teses defensivas suficientes para a modificação da solução adotada, inclusi ve no julgamento dos embargos de declaração. Destaca que os acórdãos recorridos estariam embasados em elementos genéricos. Requer o provimento do agravo para que o recurso extraordinário seja admitido, com a remessa dos autos ao Supremo Tribunal Federal. As contrarrazões foram apresentadas às fls. 1.590-1.592. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. I. CASO EM EXAME 1.1. Agravo interno interposto contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário, sob o fundamento de que o acórdão recorrido estaria em conformidade com a tese fixada pelo STF no Tema n. 339 da repercussão geral. 1.2. A parte agravante alegou a inaplicabilidade do Tema n. 339 ao caso, argumentando que não houve fundamentação adequada no acórdão recorrido quanto às matérias suscitadas, o que configuraria ofensa ao texto constitucional. II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO 2.1. A existência de afronta ao art. 93, IX, da Constituição Federal quando se discute a suficiência da fundamentação das decisões judiciais, com aplicabilidade do Tema n. 339 do STF. III. RAZÕES DE DECIDIR 3.1. O STF, ao tratar do Tema n. 339 da repercussão geral, firmou a tese de que a Constituição Federal exige que acórdãos e decisões sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem vinculação à correção ou abrangência detalhada de todas as alegações das partes, mas sim à existência de motivação que permita a compreensão da solução dada à controvérsia. 3.2. No caso concreto, o acórdão recorrido apresentou motivação adequada para a solução da controvérsia, em conformidade com o Tema n. 339, razão pela qual é justificada a negativa de seguimento ao recurso extraordinário nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC. IV. DISPOSITIVO 4.1. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO 2. No julgamento do paradigma vinculado ao Tema n. 339, o Supremo Tribunal Federal apreciou a seguinte questão: .. se decisão que transcreve os fundamentos da decisão recorrida, sem enfrentar pormenorizadamente as questões suscitadas nos embargos declaratórios, afronta o princípio da obrigatoriedade de fundamentação das decisões judiciais, nos termos do art. 93, IX, da Constituição Federal. Na ocasião, firmou-se a seguinte tese vinculante: "O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas." O respectivo acórdão recebeu a seguinte ementa: Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3º e 4º). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (AI n. 791.292-QO-RG, relator Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 23/6/2010, DJe de 13/8/2010.) Por isso, para que um acórdão ou decisão seja considerado fundamentado, conforme definido pelo STF, não é necessária a apreciação de todas as alegações feitas pelas partes, desde que haja motivação considerada suficiente para a solução da controvérsia. Nesse contexto, a caracterização de ofensa ao art. 93, IX, da Constituição Federal não está relacionada ao acerto atribuído ao julgado, ainda que a parte recorrente considere sucinta ou incompleta a análise das alegações recursais. No caso, conforme consignado na decisão agravada, foram declinados, de forma satisfatória, os motivos da compreensão adotada no acórdão objeto do recurso extraordinário, como se observa do seguinte trecho do referido julgado (fls. 1.493-1.495): 1. Da violação de dispositivo constitucional ou de súmula De fato, a interposição de recurso especial não é cabível quando ocorre violação de súmula, de dispositivo constitucional ou de qualquer ato normativo que não se enquadre no conceito de lei federal, conforme disposto no art. 105, III, "a" da CF/88. 2. Da violação do art. 1.022 do CPC Consoante consignado na decisão impugnada, é firme a jurisprudência do STJ no sentido de que não há ofensa ao art. 1.022 do CPC quando o Tribunal de origem, aplicando o direito que entende cabível à hipótese soluciona integralmente a controvérsia submetida à sua apreciação, ainda que de forma diversa daquela pretendida pela parte. A propósito, confira-se: REsp n. 2.095.460/SP, Terceira Turma, DJe de 15/2/2024 e AgInt no AREsp n. 2.325.175/SP, Quarta Turma, DJe de 21/12/2023. No particular, verifica-se que o acórdão recorrido decidiu, fundamentada e expressamente acerca da inocorrência de prescrição da pretensão do agravado, da ausência de comprovação da quitação, bem como das demais matérias alegadas pela agravante, de maneira que os embargos de declaração opostos pela parte agravante, de fato, não comportavam acolhimento. Confira-se: .. "Na hipótese, sustenta a autora o exercício da posse do imóvel desde 18 de fevereiro de 1978, em decorrência do instrumento de compra e venda representado pelo "Recibo de Sinal e Princípio de pagamento de Compra de Imóvel Habitacional"(fls. 29/37). Os documentos apresentados nos autos evidenciam o ajuizamento da ação de imissão de posse no ano de 1999, em razão da arrematação do imóvel pelo banco em 20 de abril 1995, conforme carta de arrematação (fls.107) expedida na ação de execução. Conforme destacado pela Juíza de Direito: "Depreende-se dos autos que a decisão de homologação da arrematação e a determinação da carta, na ação de execução que antecedeu a ação de imissão na posse, data de 24/02/1995 (fl. 347). Verifica-se, ainda, que a carta de arrematação foi averbada na matrícula do imóvel em 09/07/1996./ No caso, a parte autora diz que ocupa unidade do imóvel desde 1978, e que vem ocupando o bem ininterruptamente desde então. Embora tenha a embargante afirmado que adquiriu regularmente o imóvel, sequer demonstrou a devida quitação do preço do imóvel e a consequente aquisição da propriedade, eis que os documentos de fls. 29/37 não são suficientes para tanto. De fato, o documento de fls. 29/30 apenas contém informação de "recibo de sinal e princípio de pagamento", não sendo capaz de demonstrar a efetiva quitação e consequente transferência de propriedade." (fls. 1213). (..) Neste sentido, não demonstrada quitação do contrato de compra e venda, mostra- se descabida a discussão a respeito da ineficácia da hipoteca perante o adquirente do imóvel, em aplicação da súmula 308 do Superior Tribunal de Justiça. Por outro lado, nota-se inexistir posse ad usucapionem no caso concreto, ainda que, a recorrente afirme ter decorrido prazo para prescrição aquisitiva do imóvel, vez que exerce sobre ele a posse desde 1979 e a arrematação do bem ocorreu apenas em 1995. (..) Por fim, afasta-se a prescrição suscitada pela embargante. Ajuizada a ação para a satisfação da pretensão do embargado, a prescrição no caso concreto dependeria da constatação de eventual inércia para promover o andamento do processo, o que não ocorreu. Como destacado pela magistrada a quo, "da leitura dos autos verifica-se que a parte autora, ora embargada, atuou de forma diligente, não tendo contribuído para as reiteradas suspensões do feito principal, que decorreram de ordem judicial em razão da tramitação de embargos de terceiro" (fls. 1213). No mais, eventuais defeitos no mandado de imissão na posse, como a alegada ausência de descrição de detalhes essenciais do imóvel a impedir o cumprimento da ordem, serão objeto de análise e correção, se o caso, nos autos da ação de imissão de posse." (e-STJ Fls. 1.303/1.305) .. Assim, observado o entendimento dominante desta Corte acerca do tema, não há que se falar em violação do art. 1.022 do CPC. De rigor, portanto, a incidência da Súmula 568/STJ quanto ao ponto. 3. Da violação do art. 489 do CPC De outra parte, conforme consignado na decisão agravada, não há que se falar em ofensa ao art. 489 do CPC. Com efeito, as questões de inocorrência de prescrição da pretensão do agravado, da ausência de comprovação da quitação, bem como das demais matérias alegadas pela agravante foram devidamente fundamentadas, de sorte que restaram afastados os argumentos expostos pela parte agravante mediante a análise das circunstâncias delineadas nos autos. 4. Da ausência de prequestionamento Ademais, os arts. 482, 1.204 e 1.207 do CC; 22 e 23 da Lei nº 4.864/65, não foram objeto de expresso prequestionamento pelo Tribunal de origem, apesar da interposição de embargos de declaração, o que importa na incidência do óbice da Súmula 211/STJ. Ressalto ainda que, nos termos da reiterada jurisprudência do STJ, para que se tenha por prequestionada determinada matéria, é necessário que a questão tenha sido objeto de debate à luz da legislação federal indicada, com a imprescindível manifestação pelo Tribunal de origem, que deverá emitir juízo de valor acerca dos dispositivos legais, ao decidir por sua aplicação ou afastamento em relação a cada caso concreto, o que não se deu na espécie. Ademais, a alegação da agravante de que a oposição de embargos de declaração perante o Tribunal de origem, por si só, haveria de ser suficiente para se considerar prequestionado o tema em análise só encontra guarida se o Tribunal superior considerar existentes erro, omissão, contradição ou obscuridade, o que, a toda evidência, não retrata a hipótese dos autos. Do mesmo modo, foi devidamente motivada a rejeição dos embargos de declaração (fls. 1.528-1.530): É notória a busca de efeitos infringenciais, não havendo a alegada omissão, porquanto a decisão embargada trata expressamente da matéria novamente vertida nestes embargos de declaração. No ponto em que questionado pela parte embargante, consta expressamente do acórdão embargado que: .. Desse modo, importa salientar que os embargos de declaração são instrumento processual excepcional e destinam-se ao aprimoramento do julgado que contenha obscuridade, erro material, contradição ou omissão sobre tema cujo pronunciamento se impunha manifestar o julgador, não se prestando à simples reexame da causa, nem a modificar o entendimento do órgão julgador. Verifica-se que a embargante pretende, à toda evidência, valer-se dos embargos de declaração para rediscutir matéria já decidida, fazendo com que prevaleça o seu entendimento sobre o tema. Os fundamentos de seus aclaratórios revelam tal inconformidade e o claro desejo de atribuir a eles efeitos infringentes, de abrangência incompatível com a natureza desse recurso. Dissociado, o pleito, de qualquer um dos pressupostos de interposição dos embargos de declaração, desautorizada está a pretensão ora declinada, impondo-se, então, a rejeição dos embargos de declaração. Verifica-se, portanto, que foram suficientemente apresentadas as razões pelas quais não foram preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso dirigido ao STJ, não tendo sido examinada a matéria de fundo, motivo pelo qual é inviável o exame das questões relacionadas ao mérito recursal e ao acerto da aplicação de óbices processuais por esta Corte. Com efeito, demonstrada a realização da prestação jurisdicional constitucionalmente adequada, ainda quando não se concorde com a solução dada à causa, afigura-se inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, pois o provimento recorrido encontra-se em sintonia com a tese fixada no Tema n. 339 do STF. 3. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. Advirto que a oposição de embargos de declaração com intuito manifestamente protelatório poderá ser sancionada com a multa prevista no art. 1.026, § 2º, do Código de Processo Civil. É como voto.