REsp 2107424 - ACORDAO
O agravo interno foi rejeitado porque o acórdão recorrido apresentou motivação adequada e suficiente à luz do Tema 339 do STF (art. 93, IX, CF), não se verificando omissão ou afronta constitucional; assim, a negativa de seguimento ao recurso extraordinário foi correta nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC, sendo...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno Interposto Contra Decisão Que Negou Seguimento a Recurso Extraordinário / Decisão Colegiada Julgamento Na Corte Especial (negado Provimento)
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno.
- Legal Topics
- Fundamentação Das Decisões Judiciais, Tema 339 Do STF, Repercussão Geral, Art. 93, IX, CF, Súmula 568/stj, Art. 1.030, I, A, Do CPC, Art. 1.022 Do CPC, Alteração Do Regime De Bens, Concorrência Do Cônjuge Com Descendentes, Negativa De Seguimento De Recurso Extraordinário
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Procedural Posture
Agravo Interno Interposto Contra Decisão Que Negou Seguimento a Recurso Extraordinário / Decisão Colegiada Julgamento Na Corte Especial (negado Provimento)
Legal Issues
- 1 suficiência da fundamentação das decisões judiciais nos termos do art. 93, IX, CF
- 2 aplicabilidade do Tema 339 do STF ao caso concreto
- 3 possibilidade de reexame do acervo fático-probatório
Ratio Decidendi
O agravo interno foi rejeitado porque o acórdão recorrido apresentou motivação adequada e suficiente à luz do Tema 339 do STF (art. 93, IX, CF), não se verificando omissão ou afronta constitucional; assim, a negativa de seguimento ao recurso extraordinário foi correta nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC, sendo aplicáveis a Súmula 568/STJ e os precedentes indicados, sem espaço para reexame do fato-prova.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno.
Orders
- Agravo interno a que se nega provimento.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da CORTE ESPECIAL do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 12/06/2025 a 18/06/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Nancy Andrighi, João Otávio de Noronha, Humberto Martins, Maria Thereza de Assis Moura, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Presidente do STJ. EMENTA AGRAVO INTERNO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. I. CASO EM EXAME 1.1. Agravo interno interposto contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário, sob o fundamento de que o acórdão recorrido estaria em conformidade com a tese fixada pelo STF no Tema n. 339 da repercussão geral. 1.2. A parte agravante alegou a inaplicabilidade do Tema n. 339 ao caso, argumentando que não houve fundamentação adequada no acórdão recorrido quanto às matérias suscitadas, o que configuraria ofensa ao texto constitucional. II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO 2.1. A existência de afronta ao art. 93, IX, da Constituição Federal quando se discute a suficiência da fundamentação das decisões judiciais, com aplicabilidade do Tema n. 339 do STF. III. RAZÕES DE DECIDIR 3.1. O STF, ao tratar do Tema n. 339 da repercussão geral, firmou a tese de que a Constituição Federal exige que acórdãos e decisões sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem vinculação à correção ou abrangência detalhada de todas as alegações das partes, mas sim à existência de motivação que permita a compreensão da solução dada à controvérsia. 3.2. No caso concreto, o acórdão recorrido apresentou motivação adequada para a solução da controvérsia, em conformidade com o Tema n. 339, razão pela qual é justificada a negativa de seguimento ao recurso extraordinário nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC. IV. DISPOSITIVO 4.1. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO 1. Trata-se de agravo interno interposto contra a decisão que negou seguimento ao recurso extraordinário, assim ementada (fl. 445): RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. DIREITO CIVIL. SUCESSÃO. INVENTÁRIO. CÔNJUGE SOBREVIVENTE. CONCORRÊNCIA COM OS HERDEIROS DESCENDENTES. COMUNHÃO PARCIAL DE BENS. HERANÇA. BENS PARTICULARES DO FALECIDO. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. OFENSA REFLEXA À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. REEXAME DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 279 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RECURSO NÃO ADMITIDO. As partes agravantes alegam que o entendimento do Tema 339 não incide na situação em relação à violação ao artigo 93, IX, da Constituição Federal. Sustentam que a decisão judicial deve enfrentar todas as teses defensivas passíveis de influenciar o resultado do julgamento, conforme destacado no julgamento do Agravo de Instrumento n. 791.292 QO-RG/PE pelo Supremo Tribunal Federal. Alegam que não houve enfrentamento adequado da questão da concorrência da recorrida na sucessão dos bens particulares, o que caracteriza insuficiência de fundamentação. Sustentam que, ao permitir que a recorrida, casada com o falecido Marcelo Puppi em regime de comunhão parcial de bens, concorra com os herdeiros na sucessão dos bens particulares do de cujus, recebidos por sucessão antes do casamento, houve a subversão do regime de comunhão parcial de bens e afronta a segurança jurídica, uma vez que o falecido pretendia manter seus bens particulares a salvo do cônjuge sobrevivente. Requer o provimento do agravo para que o recurso extraordinário seja admitido, com a remessa dos autos ao Supremo Tribunal Federal. Não foram apresentadas contrarrazões (fl. 495). É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. I. CASO EM EXAME 1.1. Agravo interno interposto contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário, sob o fundamento de que o acórdão recorrido estaria em conformidade com a tese fixada pelo STF no Tema n. 339 da repercussão geral. 1.2. A parte agravante alegou a inaplicabilidade do Tema n. 339 ao caso, argumentando que não houve fundamentação adequada no acórdão recorrido quanto às matérias suscitadas, o que configuraria ofensa ao texto constitucional. II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO 2.1. A existência de afronta ao art. 93, IX, da Constituição Federal quando se discute a suficiência da fundamentação das decisões judiciais, com aplicabilidade do Tema n. 339 do STF. III. RAZÕES DE DECIDIR 3.1. O STF, ao tratar do Tema n. 339 da repercussão geral, firmou a tese de que a Constituição Federal exige que acórdãos e decisões sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem vinculação à correção ou abrangência detalhada de todas as alegações das partes, mas sim à existência de motivação que permita a compreensão da solução dada à controvérsia. 3.2. No caso concreto, o acórdão recorrido apresentou motivação adequada para a solução da controvérsia, em conformidade com o Tema n. 339, razão pela qual é justificada a negativa de seguimento ao recurso extraordinário nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC. IV. DISPOSITIVO 4.1. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO 2. No julgamento do paradigma vinculado ao Tema n. 339, o Supremo Tribunal Federal apreciou a seguinte questão: .. se decisão que transcreve os fundamentos da decisão recorrida, sem enfrentar pormenorizadamente as questões suscitadas nos embargos declaratórios, afronta o princípio da obrigatoriedade de fundamentação das decisões judiciais, nos termos do art. 93, IX, da Constituição Federal. Na ocasião, firmou-se a seguinte tese vinculante: "O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas." O respectivo acórdão recebeu a seguinte ementa: Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3º e 4º). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (AI n. 791.292-QO-RG, relator Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 23/6/2010, DJe de 13/8/2010.) Por isso, para que um acórdão ou decisão seja considerado fundamentado, conforme definido pelo STF, não é necessária a apreciação de todas as alegações feitas pelas partes, desde que haja motivação considerada suficiente para a solução da controvérsia. Nesse contexto, a caracterização de ofensa ao art. 93, IX, da Constituição Federal não está relacionada ao acerto atribuído ao julgado, ainda que a parte recorrente considere sucinta ou incompleta a análise das alegações recursais. No caso, conforme consignado na decisão agravada, foram declinados, de forma satisfatória, os motivos da compreensão adotada no acórdão objeto do recurso extraordinário, como se observa do seguinte trecho do referido julgado (fls. 378-380, grifos originais ): - Da violação do art. 1.022 do CPC Inicialmente, constata-se que o artigo 1.022 do CPC realmente não foi violado, porquanto o acórdão recorrido não contém omissão, contradição ou obscuridade. Nota-se, nesse passo, que o Tribunal de origem tratou de todos os temas oportunamente colocados pelas partes, proferindo, a partir da conjuntura então cristalizada, a decisão que lhe pareceu mais coerente. É firme a jurisprudência do STJ no sentido de que não há ofensa ao art. 1.022 do CPC quando o Tribunal de origem, aplicando o direito que entende cabível à hipótese, soluciona integralmente a controvérsia submetida à sua apreciação, ainda que de forma diversa daquela pretendida pela parte. A propósito, confira-se: AgInt no AREsp 2.164.998/RJ, 3ª Turma, DJe 16/02/2023; AgInt no REsp 1.850.632/MT, 4ª Turma, DJe 08/09/2023; e AgInt no REsp 1.655.141/MT, 1ª Turma, DJe de 06/03/2024. Assim, o Tribunal de origem, embora tenha apreciado toda a matéria posta a desate, tratou das questões apontadas como omissas sob viés diverso daquele pretendido pela parte agravante, fato que não dá ensejo à interposição de embargos de declaração. - Da Súmula 568 do STJ A decisão agravada consignou que o decidido pelo Tribunal local está de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido da alteração do regime de bens ter eficácia prospectiva e o seu termo inicial ser a data do trânsito em julgado da decisão judicial que o modificou. Para isso trouxe os seguintes precedentes: REsp n. 1.300.036/MT, Terceira Turma, DJe de 20/5/2014; AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.415.841/SP, Terceira Turma, DJe de 16/10/2019 e AgInt no REsp n. 2.060.167/SP, Quarta Turma, DJe de 16/10/2023. E que, ademais, com relação à qualidade de herdeira da ora agravada, o Tribunal de origem também decidiu na linha da jurisprudência desta Corte Superior que entende: "Nos termos do art. 1.829, I, do Código Civil de 2002, o cônjuge sobrevivente, casado no regime de comunhão parcial de bens, concorrerá com os descendentes do cônjuge falecido somente quando este tiver deixado bens particulares. A referida concorrência dar-se-á exclusivamente quanto aos bens particulares constantes do acervo hereditário do de cujus." (REsp 1.368.123/SP, Segunda Seção, DJe de 08/06/2015). No entanto, nas razões do agravo interno, os agravantes defendem que o precedente REsp 1.368.123/SP não seria aplicável ao presente processo, pois no referido recurso especial, o cônjuge supérstite havia contribuído para a construção do patrimônio da falecida, inclusive com o acréscimo de valor a bens que eram particulares e que, neste processo, "o patrimônio em discussão não é um terreno em que se construiu com patrimônio da cônjuge supérstite; ao contrário, o patrimônio particular do falecido cônjuge da recorrida consiste na herança de seu pai - um acervo que foi construído pelo sogro da recorrida, muito antes de ela sequer entrar na vida da família" (e- STJ fl. 357). Colaciona os seguintes julgados: REsp 1.377.084/MG, Terceira Turma, DJe de 15/10/2013; e REsp 1.117.563/SP, Terceira Turma, DJe de 06/04/2010. A aplicação da Súmula 568/STJ somente é devidamente impugnada quando a parte agravante demonstra, de forma fundamentada, que o entendimento esposado na decisão agravada não se aplica à hipótese em concreto ou, ainda, que é ultrapassado, o que se dá mediante a colação de arestos mais recentes do que aqueles mencionados na decisão hostilizada. Isso, contudo, não ocorreu na espécie, tendo em vista que os agravantes trouxeram precedentes mais antigos, bem como que, ademais, o precedente utilizado para aplicação da Súmula 568/STJ, que os ora agravantes afirmam que não se assemelharia à hipótese em análise (qual seja: REsp 1.368.123/SP, Segunda Seção, D e de 08/06/2015), é expresso ao asseverar que "A referida concorrência dar-se-á exclusivamente quanto aos bens particulares constantes do acervo hereditário do de cujus", circunstância que deverá ser verificada pela Corte de origem quando da divisão dos bens. Assim, deve ser mantida a aplicação da Súmula 568/STJ. Do mesmo modo, foi devidamente motivada a rejeição dos embargos de declaração (fl. 410): Com efeito, não exsurge qualquer omissão na decisão objurgada, sendo esta clara ao asseverar que não houve ofensa ao art. 1.022 do CPC, tendo em vista que a Corte de origem se manifestou acerca do termo inicial de validade da alteração do regime de bens do casamento, bem como sobre a qualidade de herdeira da recorrida. Ademais, consta expressamente que "o decidido pelo Tribunal local está de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido da alteração do regime de bens ter eficácia prospectiva e o seu termo inicial ser a data do trânsito em julgado da decisão judicial que o modificou" (e-STJ fl. 379) e que "o precedente utilizado para aplicação da Súmula 568/STJ, que os ora agravantes afirmam que não se assemelharia à hipótese em análise (qual seja: REsp 1.368.123/SP, Segunda Seção, DJe de 08/06/2015), é expresso ao asseverar que "A referida concorrência dar-se-á exclusivamente quanto aos bens particulares constantes do acervo hereditário do de cujus", circunstância que deverá ser verificada pela Corte de origem quando da divisão dos bens" (e-STJ fl. 380, grifou- se). Verifica-se, portanto, que a matéria invocada pela parte ora agravante foi expressamente examinada no acórdão impugnado. Com efeito, demonstrada a realização da prestação jurisdicional constitucionalmente adequada, ainda quando não se concorde com a solução dada à causa, afigura-se inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, pois o provimento recorrido encontra-se em sintonia com a tese fixada no Tema n. 339 do STF. 3. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. Advirto que a oposição de embargos de declaração com intuito manifestamente protelatório poderá ser sancionada com a multa prevista no art. 1.026, § 2º, do Código de Processo Civil. É como voto.