REsp 2192164 - DECISAO
Não conheço do recurso especial porque a recorrente não demonstrou de forma precisa e pormenorizada a ofensa a dispositivo de lei federal capaz de infirmar o acórdão recorrido; a matéria controvertida refere-se a situação fática diversa (penhora em outra execução) e, por analogia à Súmula 284 do STF, a alegação...
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- Parties
- Recorrente: FAZENDA NACIONAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 February 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Monocrática De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço do Recurso Especial
- Legal Topics
- Fundamentação Do Acórdão (art. 489 Cpc), Penhora No Rosto Dos Autos, Execução Fiscal, Habilitação Em Falência, Honorários Recursais, Inadmissibilidade Por Falta De Indicação Precisa De Dispositivo Legal
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Parties
FAZENDA NACIONAL
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Monocrática De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 alegada ofensa ao art. 489, §1º, II e IV do CPC/2015
- 2 compatibilidade entre execução fiscal e procedimento falencial (penhora no rosto dos autos)
- 3 aplicação das Leis n. 6.830/1980 e n. 11.101/2005
Ratio Decidendi
Não conheço do recurso especial porque a recorrente não demonstrou de forma precisa e pormenorizada a ofensa a dispositivo de lei federal capaz de infirmar o acórdão recorrido; a matéria controvertida refere-se a situação fática diversa (penhora em outra execução) e, por analogia à Súmula 284 do STF, a alegação genérica de violação legal impede o conhecimento do recurso. Ademais, as regras processuais autorizam decisão monocrática e a fixação de honorários recursais só se dará nas hipóteses legalmente previstas e quando houver verba honorária imposta nas instâncias ordinárias.
Court Disposition
Não conheço do Recurso Especial
Orders
- Não conheço do Recurso Especial
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto pela FAZENDA NACIONAL contra acórdão prolatado, por unanimidade, pela 7ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região no julgamento de agravo regimental, assim ementado (fl. 176e): TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. MANUTENÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. 1. O agravo regimental não traz argumentos capazes de alterar o entendimento anteriormente firmado, veiculando mero inconformismo com o que se decidiu, razão por que deve ser mantida a decisão monocrática proferida. 2. Decisão agravada em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e deste Regional sob orientação do Superior Tribunal de Justiça 3. Agravo regimental a que se nega provimento. Opostos embargos de declaração (fls. 198/201e), foram rejeitados (fls. 206/209e). Com amparo no art. 105, III, a, da Constituição da República, aponta-se ofensa aos dispositivos a seguir relacionados, alegando-se, em síntese, que: i) Art. 489, § 1º, II e IV, do Código de Processo Civil de 2015 - "o acórdão recorrido não restou devidamente fundamentado, incorrendo o Tribunal em situação de nulidade apta a ser suprida por este Superior Tribunal de Justiça, conforme os incisos II e IV da norma acima transcrita. Por oportuno, registra a União que a nulidade por deficiência de fundamentação é questão de ordem pública passível de ser conhecida a qualquer tempo e grau de jurisdição, tornando-se necessário, assim, o seu reconhecimento e provimento pelo STJ" (fl. 225e); e ii) Arts. 4º, 5º e 30 da Lei n. 6.830/1980 e 6º, 7º, e 76 da Lei n. 11.101/2005 - "A r. decisão de piso indeferiu o pedido de penhora no rosto dos autos da ação falimentar por entender que em falência há a consolidação de todos os débitos da empresa falida, com o procedimento de habilitação, e a realização de pagamento rateado, seguindo a ordem de preferência legal. De acordo com o art. 5º da LEF, a competência para processar e julgar a execução da Dívida Ativa da Fazenda Pública exclui a de qualquer outro Juízo, inclusive o da falência , importando o despacho que deferir a inicial em ordem para a penhora no rosto dos autos da ação falimentar, e não para a expedição de certidão com vista à habilitação de crédito junto ao Juízo falencial (Art. 7º, Inciso II ,), eis que a cobrança da Dívida Ativa da Fazenda Pública não é sujeita a concurso de credores ou habilitação em falência (Art. 29 ). Ou seja, a execução fiscal não se sujeita a concurso de credores ou habilitação, mantendo, pois, a sua autonomia e o seu curso independente" (fl. 226e) e "o meio adequado de obter a satisfação de tais débitos é o ajuizamento de execução fiscal lastreada em Certidão de Dívida Ativa, com expedição de mandado de penhora para cumprimento no rosto dos autos do feito falencial, a fim de que numerários suficientes obtidos com a alienação do ativo da Massa Falida tenham tal destinação, por ocasião da fase de pagamento do passivo. Não há, nesse caso, espaço para a expedição de certidão com vista à habilitação de crédito fiscal junto ao Juízo universal da falência" (fls. 226/227e). Sem contrarrazões (fl. 231e), o recurso foi admitido (fls. 237/239e). Feito breve relato, decido. Nos termos do art. 932, III e V, do Código de Processo Civil de 2015, combinados com os arts. 34, XVIII, a e c, e 255, I e III, do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, respectivamente, a não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida, bem como a dar provimento a recurso se o acórdão recorrido for contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ: O Relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema. Em relação à afronta ao art. 489, § 1º, II e IV, do CPC/2015, verifica-se a ausência de demonstração precisa de como tal violação teria ocorrido, limitando-se a parte recorrente em apontá-la de forma vaga, o que impede o conhecimento do recurso especial. Quanto aos arts. 4º, 5º e 30 da Lei n. 6.830/1980 e 6º, 7º, e 76 da Lei n. 11.101/2005, a Recorrente defende que o meio adequado de obter a satisfação dos débitos é o ajuizamento de execução fiscal lastreada em Certidão de Dívida Ativa, com expedição de mandado de penhora para cumprimento no rosto dos autos do feito falencial, a fim de que numerários suficientes obtidos com a alienação do ativo da Massa Falida tenham tal destinação, por ocasião da fase de pagamento do passivo. Entretanto, a controvérsia dos autos não está relacionada com a penhora no rosto dos autos de feito falencial, e sim no rosto dos autos de outra execução, movida por outra exequente, contra o mesmo devedor da Fazenda Pública, com o objetivo de aproveitar de saldo remanescente de bem arrematado - execução n. 002404372527-4, em trâmite na 25 Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte, movida por Texaco Brasil LTDA contra o executado José Álvaro Cobra, em que arrematado o imóvel de matrícula 4.154 do CRI de Borda da Mata, de propriedade do executado.(fl. 6e). O recurso especial possui natureza vinculada e por objetivo a aplicação ou interpretação adequada de comando de lei federal, de modo que compete à parte a indicação de forma clara e pormenorizada do dispositivo legal que entende ofendido, não sendo suficiente a mera citação no corpo das razões recursais. (1ª T., AgInt no REsp n. 1.930.411/RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, j. 4.9.2023, DJe de 6.9.2023) Em consonância com o entendimento desta Corte, nos casos em que a arguição de ofensa ao dispositivo de lei federal é genérica, sem demonstração efetiva da contrariedade, aplica-se ao recurso especial, por analogia, o entendimento da Súmula 284, do Colendo Supremo Tribunal Federal, in verbis: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia. Ressalte-se, não basta indicar como violado qualquer dispositivo legal, mas aquele cujo comando normativo é capaz de sustentar a tese recursal. É firme o posicionamento desta Corte segundo o qual se revela incabível conhecer do recurso especial quando o dispositivo de lei federal tido por violado não possui comando normativo capaz de impugnar os fundamentos do acórdão recorrido, incidindo, por analogia, a orientação contida na Súmula n. 284, do Supremo Tribunal Federal, segundo a qual "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PESSOA JURÍDICA. QUALIFICAÇÃO COMO AGROINDÚSTRIA. ART. 489 DO CPC/2015. VIOLAÇÃO. INEXISTÊNCIA. REENQUADRAMENTO DA EMPRESA. EXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. CONSULTA. FISCALIZAÇÃO IN LOCO. SITUAÇÃO FÁTICA DIVERSA. SÚMULA 284 DO STF. INCIDÊNCIA. LANÇAMENTO FISCAL. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. SÚMULA 283 DO STF. CARÁTER CONFISCATÓRIO. DIVERGÊNCIA NÃO DEMONSTRADA. SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS JULGADOS CONFRONTADOS. AUSÊNCIA. HONORÁRIOS RECURSAIS. CABIMENTO. .. 4. O art. 100 do CTN não possui comando normativo suficiente para infirmar o entendimento da Corte Regional de que as soluções de consulta não vinculam o Fisco na hipótese da ocorrência de fiscalização tributária in loco, na qual se verifica situação fática diversa daquela apresentada pelo consulente, incidindo no ponto o óbice da Súmula 284 do STF. .. (AgInt nos EDcl no AREsp 1.343.527/RS, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/11/2019, DJe 03/12/2019). TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA VISANDO A EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SEGURANÇA CONCEDIDA, COM LIMITAÇÃO TEMPORAL DOS EFEITOS DO JULGADO A 31/12/2014, EM FACE DA LEI 12.973/2014. ALEGADA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 1.039, CAPUT, E 1.040, III, DO CPC/2015. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. ART. 1.025 DO CPC/2015. INAPLICABILIDADE, NO CASO. DISPOSITIVOS PROCESSUAIS APONTADOS QUE, ADEMAIS, NÃO POSSUEM COMANDO NORMATIVO APTO A SUSTENTAR A TESE DA RECORRENTE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF, POR ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE, AINDA, DE ANÁLISE, EM RECURSO ESPECIAL, DA ADEQUAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM, EM JUÍZO DE RETRATAÇÃO, COM A TESE FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA, SOB PENA DE ANÁLISE, POR VIA REFLEXA, DE QUESTÃO CONSTITUCIONAL. PRECEDENTES. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. .. VII. De todo modo, em relação à alegada violação aos arts. 1.039, caput, e 1.040, III, do CPC/2015, os referidos dispositivos legais não possuem comando normativo apto a infirmar a conclusão, tal como posta no acórdão recorrido, em relação à limitação temporal dos efeitos do julgado a 31/12/2014, de forma a atrair, no ponto, a aplicação analógica da Súmula 284/STF ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia"). .. (AgInt no AREsp 1.510.210/SC, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/11/2019, DJe 29/11/2019). Por fim, no que tange aos honorários advocatícios, da conjugação dos enunciados administrativos ns. 3 e 7, editados em 09.03.2016 pelo Plenário desta Corte, depreende-se que as novas regras relativas ao tema, previstas no art. 85 do Código de Processo Civil de 2015, serão aplicadas apenas aos recursos sujeitos à novel legislação, tanto nas hipóteses em que o novo julgamento da lide gerar a necessidade de fixação ou modificação dos ônus da sucumbência anteriormente distribuídos, quanto em relação aos honorários recursais (§ 11). Ademais, vislumbrando o nítido propósito de desestimular a interposição de recurso infundado pela parte vencida, entendo que a fixação de honorários recursais, em favor do patrono da parte recorrida, está adstrita às hipóteses de não conhecimento ou improvimento do recurso. Quanto ao momento em que deva ocorrer o arbitramento dos honorários recursais (art. 85, § 11, do CPC/15), afigura-se-me acertado o entendimento segundo o qual incidem apenas quando esta Corte julga, pela vez primeira, o recurso, sujeito ao Código de Processo Civil de 2015, que inaugure o grau recursal, revelando-se indevida sua fixação em agravo interno e embargos de declaração. Registre-se que a possibilidade de fixação de honorários recursais está condicionada à existência de imposição de verba honorária pelas instâncias ordinárias, revelando-se vedada aquela quando esta não houver sido imposta. Posto isso, com fundamento no art. 932, III, IV, do Código de Processo Civil e art. 34, XVIII, a e b, do Regimento Interno desta Corte, NÃO CONHEÇO DO RECURSO ESPECIAL. Publique-se e intimem-se. EMENTA