AREsp 2318537 - DECISAO
O recurso extraordinário teve o seguimento negado porque o acórdão recorrido apresentou fundamentação suficiente conforme o entendimento do Tema n. 339 do STF; as pretensões recursais demandariam reexame de fatos e provas vedado pela Súmula n.º 7 do STJ; e a discussão sobre admissibilidade de recurso de competência...
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- Parties
- Recorrente: RUMO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 August 2024
- Procedural Posture
- Recurso Extraordinário / Seguimento Negado
- Outcome
- recurso extraordinário não conhecido; seguimento negado
- Legal Topics
- Fundamentação Do Julgado, Repercussão Geral, Admissibilidade De Recurso Extraordinário, Súmula N.º 7 Do STJ, Ônus Sucumbenciais, Princípio Da Causalidade, Tema N. 339 STF, Tema N. 181 STF
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Parties
RUMO
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Extraordinário / Seguimento Negado
Legal Issues
- 1 exigência de fundamentação conforme art. 93, IX, CF
- 2 repercussão geral como requisito de admissibilidade do recurso extraordinário
- 3 impossibilidade de reexame de fatos e provas em recurso especial (Súmula n.º 7 do STJ)
Ratio Decidendi
O recurso extraordinário teve o seguimento negado porque o acórdão recorrido apresentou fundamentação suficiente conforme o entendimento do Tema n. 339 do STF; as pretensões recursais demandariam reexame de fatos e provas vedado pela Súmula n.º 7 do STJ; e a discussão sobre admissibilidade de recurso de competência do Superior Tribunal de Justiça configura matéria infraconstitucional, não passível de repercussão geral a ser reexaminada no recurso extraordinário, nos termos do Tema n. 181 do STF e do art. 1.030, I, a, do CPC.
Court Disposition
recurso extraordinário não conhecido; seguimento negado
Orders
- Nego seguimento ao recurso extraordinário, com fundamento no art. 1.030, I, a, do CPC.
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso extraordinário interposto contra acórdão do Superior Tribunal de Justiça que recebeu a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.AÇÃO MONITÓRIA. EMBARGOS À MONITÓRIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO NCPC. INOCORRÊNCIA. PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INVIABILIDADE. SÚMULA N.º 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Inexistem omissão, contradição ou obscuridade, vícios elencados nos arts. 489 e 1.022 do NCPC, sendo forçoso reconhecer que a pretensão recursal ostentava caráter nitidamente infringente, visando a rediscutir matéria que já havia sido analisada pelo acórdão vergastado. 2. O acórdão vergastado assentou que a agravante deveria arcar com parcela das verbas sucumbenciais por ter dado causa à necessidade de liquidação de sentença ao não ter juntado os documentos que viabilizariam aferir seu direito a compensação. Alterar as conclusões do acórdão impugnado exigiria incursão fático-probatória, em afronta à Súmula n.º 7 do STJ. 3. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a inadequação dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser integralmente mantido em seus próprios termos. 4. Agravo interno não provido. Os embargos de declaração opostos na sequência foram rejeitados. As partes recorrentes alegam a ocorrência de contrariedade aos arts. 5º, caput, II, XXXV, LIV, LV e LXXVIII, e 93, IX, da Constituição Federal e aduzem haver repercussão geral da matéria. Nesse sentido, argumentam ter havido afronta aos princípios inscritos nos referidos dispositivos constitucionais, porque, apesar da oposição dos aclaratórios, o acórdão impugnado teria resistido a apreciar as razões do recurso especial que tratam da violação dos arts. 11, 82, § 2º, 85, caput, 86 e 489, § 1º, II, III e IV, do Código de Processo Civil, a fim de reconhecer que os ônus sucumbenciais devem ficar a cargo somente da parte recorrida. Requerem, ao final, a admissão do recurso e a remessa dos autos ao Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Quanto à questão da adequada fundamentação das decisões judiciais, a Suprema Corte, ao apreciar o Tema n. 339, sob o regime da repercussão geral, firmou a seguinte tese vinculante: O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. Por isso, para que um acórdão ou decisão seja considerado fundamentado, conforme definido pelo STF, não é necessário que tenham sido apreciadas todas as alegações feitas pelas partes, desde que haja motivação considerada suficiente para a solução da controvérsia. Nesse contexto, a caracterização de ofensa ao art. 93, IX, da Constituição Federal não está relacionada ao acerto ou desacerto atribuído ao julgado, ainda que a parte recorrente considere sucinta ou incompleta a análise das alegações recursais. No caso dos autos, foram apresentados, de forma satisfatória, os fundamentos da conclusão alcançada no acórdão recorrido, como se observa do seguinte trecho do referido julgado: (1) Da violação do art. 1.022 do NCPC (2) Dos ônus sucumbenciais Nas razões do presente recurso, RUMO alegou que (1) houve omissão no acórdão recorrido quanto à inviabilidade de se impor ônus sucumbenciais ao vencedor; e (2) o vencedor não pode ser condenado ao pagamento dos honorários de sucumbência. Contudo, o acórdão recorrido manifestou-se acerca do tema, considerando que RUMO deu causa à necessidade de liquidação de sentença ao não ter juntado os comprovantes de pagamento que lhe confeririam direito a compensação de créditos, o que justificaria sua condenação a parcela dos ônus sucumbenciais. Confira-se o excerto: .. Nesse contexto, não se vê omissão, contradição ou obscuridade no acórdão vergastado, constituindo a pretensão mero inconformismo com o resultado do julgamento. .. Assim, não merece reforma a decisão agravada quanto ao ponto. Ademais, a modificação do entendimento firmado no acórdão objurgado, a fim de afastar o princípio da causalidade no caso concreto, ensejaria reexame de fatos e provas, inviável em recurso especial, nos termos da Súmula n.º 7 do STJ. Portanto, demonstrado que houve prestação jurisdicional compatível com a tese fixada pelo STF no Tema n. 339 sob o regime da repercussão geral, é inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, que deve ter o seguimento negado. Quanto às demais alegações, nos termos do art. 102, § 3º, da Constituição Federal, o recurso extraordinário deve ser dotado de repercussão geral, requisito indispensável à sua admissão. Por sua vez, o Supremo Tribunal Federal já definiu que a discussão relativa ao preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recurso anterior, de competência de outro tribunal, não possui repercussão geral. Dito de outra forma, quando o Superior Tribunal de Justiça não conhecer do recurso de sua competência, tal como verificado nestes autos, qualquer alegação do recurso extraordinário demandaria a rediscussão dos requisitos de admissibilidade do referido recurso, exigindo a apreciação dos dispositivos legais que dispõem sobre tais requisitos. Isso é o que ficou definido no Tema n. 181 do STF, no qual a Suprema Corte afirmou que "a questão do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recursos da competência de outros Tribunais tem natureza infraconstitucional" (RE n. 598.365-RG, relator Ministro Ayres Britto, Tribunal Pleno, julgado em 14/8/2009, DJe de 26/3/2010). Vale esclarecer que o entendimento em questão incide tanto em situações nas quais as razões do recurso extraordinário se referem ao não conhecimento do recurso anterior quanto naquelas em que as alegações se relacionam à matéria de fundo da causa. Essa conclusão foi adotada sob o regime da repercussão geral e é de aplicação obrigatória, devendo os tribunais que analisam a viabilidade prévia dos recursos extraordinários negar seguimento aos recursos que discutam questão à qual o Supremo Tribunal Federal não tenha reconhecido a existência de repercussão geral, nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC. Como exemplos da aplicação do Tema n. 181 do STF em casos semelhantes, confiram-se: ARE n. 1.256.720-AgR, relator Ministro Dias Toffoli (Presidente), Tribunal Pleno, julgado em 4/5/2020, DJe de 26/5/2020; ARE n. 1.317.340-AgR, relatora Ministra Cármen Lúcia, Segunda Turma, julgado em 12/5/2021, DJe de 14/5/2021; ARE n. 822.158-AgR, relator Ministro Edson Fachin, Primeira Turma, julgado em 20/10/2015, DJe de 24/11/2015. Da mesma forma, o recurso extraordinário deve ter o seguimento negado por aplicação do Tema n. 181 do STF também nos casos em que for alegada ofensa ao art. 105, III, da Constituição da República (RE n. 1.081.829-AgR, relator Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe de 1º/10/2018). Ante o exposto, com fundamento no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil, nego seguimento ao recurso extraordinário. Anoto que contra decisões que negam seguimento a recurso extraordinário não é cabível agravo em recurso extraordinário (previsto no art. 1.042 do CPC e adequado para impugnação das decisões de inadmissão), conforme previsão do § 2º do art. 1.030 do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO ANTERIOR, DE COMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO. DEBATE OU SUPERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. TEMA N. 181 DO STF, SOB A SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO.