AREsp 2671348 - ACORDAO
As razões do recurso especial estavam dissociadas dos fundamentos do acórdão recorrido, não enfrentando de modo específico os fundamentos utilizados pelo tribunal de origem, configurando deficiência de fundamentação que atrai a aplicação, por analogia, da Súmula n. 284 do STF; por isso conheceu-se do agravo para não...
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- Parties
- Recorrente: FAZENDA NACIONAL; Autor: sindicato autor
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual)
- Outcome
- Agravo interno desprovido (negado provimento)
- Legal Topics
- Fundamentação Recursal, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 284 Do STF, Prequestionamento, Honorários Advocatícios, Salário Educação
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Parties
FAZENDA NACIONAL
Recorrente
sindicato autor
Autor
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 incidência da Súmula n. 284 do STF por deficiência na fundamentação do recurso
- 2 inadmissibilidade do recurso especial quando as razões estão dissociadas do acórdão recorrido
- 3 maioração de honorários conforme art. 85, § 11, do CPC
Ratio Decidendi
As razões do recurso especial estavam dissociadas dos fundamentos do acórdão recorrido, não enfrentando de modo específico os fundamentos utilizados pelo tribunal de origem, configurando deficiência de fundamentação que atrai a aplicação, por analogia, da Súmula n. 284 do STF; por isso conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial e negou-se provimento ao agravo interno, mantendo-se a decisão agravada e majorando-se os honorários na forma prevista em lei.
Court Disposition
Agravo interno desprovido (negado provimento)
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Conhecer do agravo para não conhecer do recurso especial, nos termos do art. 21-E, V, do Regimento Interno do STJ
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 22/10/2024 a 28/10/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Maria Thereza de Assis Moura e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RAZÕES DISSOCIADAS DO QUE FOI DECIDIDO PELO ACÓRDÃO RECORRIDO. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA N. 284 DO STF. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. O recorrente não enfrentou especificamente os fundamentos da decisão agravada, limitando-se a apresentar argumentação genérica sobre a suposta violação legal, o que atrai a incidência da Súmula n. 284 do Supremo Tribunal Federal, por analogia, em razão da deficiência na fundamentação do Recurso. 2. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto pela FAZENDA NACIONAL contra decisão da Presidência do Superior Tribunal de Justiça que, com base no art. 21-E, inciso V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial (fls. 322-324). Neste agravo interno, a parte recorrente se insurge contra a incidência da Súmula n. 284 do STF, ao argumento de que, nas razões do apelo especial, impugnou de forma específica o acórdão recorrido (fls. 332-337). Contrarrazões ao agravo interno apresentadas às fls. 341-384. É o relatório. EMENTA PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RAZÕES DISSOCIADAS DO QUE FOI DECIDIDO PELO ACÓRDÃO RECORRIDO. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA N. 284 DO STF. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. O recorrente não enfrentou especificamente os fundamentos da decisão agravada, limitando-se a apresentar argumentação genérica sobre a suposta violação legal, o que atrai a incidência da Súmula n. 284 do Supremo Tribunal Federal, por analogia, em razão da deficiência na fundamentação do Recurso. 2. Agravo interno desprovido. VOTO A irresignação não prospera. A decisão recorrida não conheceu do recurso especial nestes termos (fls. 322-324; grifos diversos do original): Aplicável, portanto, a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que as razões delineadas no Recurso Especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, pois a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AR Esp n. 1.200.796/PE, Rel. Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, D Je de 24.8.2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.811.491/SP, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19.11.2019; AgInt no AREsp n. 1.637.445/SP, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.647.046/PR, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27.8.2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2.5.2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. A decisão impugnada deve ser mantida, pois as razões do recurso especial, de fato, estão dissociadas dos fundamentos utilizados no acórdão impugnado, o que caracteriza a ausência de delimitação da controvérsia, atraindo a incidência da Súmula n. 284 do STF. Isso porque, o acórdão recorrido trouxe a seguinte fundamentação quanto ao mérito (fl. 181; grifos diversos do original) O salário-educação é contribuição devida por empresa e não por pessoa física, consoante o art. 15 da Lei nº 9424/96: .. . Da leitura do dispositivo citado, infere-se que o sujeito passivo da obrigação é a empresa, que segundo o decreto consiste em "qualquer firma individual ou sociedade que assuma o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não". Assim, conclui-se que o produtor empregador rural pessoa física, desde que não esteja constituído como pessoa jurídica, com registro no CNPJ, não pode ser enquadrado no conceito de empresa, não sendo, portanto, sujeito passivo da contribuição ao salário-educação. Contudo, a jurisprudência desta Corte já decidiu que o produtor rural pode fazer a opção por organizar-se sob a forma civil ou sob a forma empresarial, mas não poderia, sob pena de incorrer em planejamento fiscal abusivo, usar concomitantemente das duas formas jurídicas, a civil e a empresarial, apenas com a finalidade de recolher menos tributos. Tenho o entendimento que eventual ocorrência de planejamento fiscal abusivo, como matéria de defesa, não pode levar à conclusão de que o salário-educação é devido pela pessoa física, pois, se existente, teria ocasionado recolhimento a menor de tributos devidos pela pessoa jurídica, e não pela pessoa física. Deste modo, eventual comprovação de planejamento fiscal abusivo não conduz à conclusão de que deverá a pessoa física recolher salário-educação sobre a sua folha de salários, pois ela não é empresa para fins de incidência da contribuição ora tratada, mas sim à conclusão de que a pessoa jurídica está se valendo, de forma indevida, de empregados contratados pela pessoa física, a fim de pagar menos tributo. Ressalvo que não se está afirmando a legalidade ou ilegalidade de tal planejamento fiscal, mas apenas que tal análise deve ocorrer em relação à pessoa jurídica. Equivocada, portanto, a sentença no que declarou devido o salário-educação sobre os produtores rurais pessoa física não inscritos em CNPJ. Resta, pois reformada, em parte, a sentença, para reconhecer a inexigibilidade da contribuição do salário-educação dos substituídos do sindicato autor que sejam produtores rurais pessoas físicas, abrangendo também os que possuam cadastro no CNPJ, filiados ou não, que exploram atividade rural no território do Município de Jacarezinho/PR, sem a necessidade de autorização expressa ou lista nominal dos filiados. Do outro lado, as razões do recurso especial estão dissociadas do acórdão recorrido e não impugnam os seus fundamentos, limitando-se a afirmar que o entendimento da inexigibilidade do salário educação devido pelo produtor rural não se aplica nos casos em que o produtor rural estiver inscrito no CNPJ, o que caracteriza a falta de delimitação da controvérsia, atraindo a incidência da Súmula n. 284 do STF Assim, a desconexão entre as razões do recurso especial e os fundamentos da decisão recorrida compromete a admissibilidade do recurso. Para sanar tal vício, é imperativo que o recorrente reformule suas razões recursais, abordando de forma precisa e fundamentada os argumentos da Corte de origem. Falhar em fazê-lo resulta na inadmissibilidade do Recurso, com base na aplicação analógica da citada súmula. (AgInt no AREsp n. 2.409.038/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 14/3/2024, DJe de 7/5/2024.) A decisão agravada encontra-se em plena harmonia com diversos precedentes de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte e, na ausência de fundamentos jurídicos que infirmem as razões declinadas no julgado ora agravado, deve ser mantida a decisão recorrida. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTAÇÃO. DEFICIÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. ANÁLISE. PREJUÍZO. "DECISÃO SURPRESA". INEXISTÊNCIA. MATÉRIAS DE ORDEM PÚBLICA. PREQUESTIONAMENTO. EXIGÊNCIA. 1. Quando o apelo nobre apresenta razões dissociadas do que foi decidido pelo acórdão recorrido, há deficiência na fundamentação recursal, circunstância atrativa do óbice contido na Súmula 284 do STF. 2. Há manifesta ausência de prequestionamento, a atrair a aplicação da Súmula 211 do STJ, quando o conteúdo dos preceitos legais tidos por violados não é examinado na origem, mesmo após a oposição de embargos de declaração. 3. Esta Corte Superior tem entendido que o acolhimento do prequestionamento ficto de que trata o art. 1.025 do CPC/2015, na via do especial, exige a indicação e o reconhecimento pelo STJ de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015, especificamente quanto à questão que se pretende ver analisada, o que não se constata no caso presente. 4. A inadmissão do recurso especial interposto com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, em razão da incidência de enunciado sumular, prejudica o exame do recurso no ponto em que suscita divergência jurisprudencial quando o dissídio alegado diz respeito ao mesmo dispositivo legal ou tese jurídica, o que ocorreu na hipótese. 5. De acordo com o entendimento desta Corte Superior, "descabe alegar surpresa se o resultado da lide encontra-se previsto objetivamente no ordenamento disciplinador do instrumento processual utilizado e insere-se no âmbito do desdobramento causal, possível e natural, da controvérsia. Cuida-se de exercício da prerrogativa jurisdicional admitida nos brocados iura novit curia e da mihi factum, dabo tibi ius" (AgInt no AREsp 2.466.391/MS, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 8/4/2024, DJe de 12/4/2024). 6. O requisito do prequestionamento é exigido por esta Corte Superior, inclusive nas matérias de ordem pública. 7. Agravo desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.535.300/AP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 2/9/2024, DJe de 6/9/2024.) PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. PEDIDO DE OBSERVÂNCIA DA ORDEM CRONOLÓGICA DE PAGAMENTOS PELOS SERVIÇOS PRESTADOS À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. VIOLAÇÃO AOS DISPOSITIVOS INDICADOS. TESE RECURSAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. COMANDOS NORMATIVOS QUE NÃO INFIRMAM AS RAZÕES DE DECIDIR DO ACÓRDÃO. SÚMULA 284 DO STF. RECONHECIMENTO DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO. REVISÃO. ACÓRDÃO BASEADO NO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Ocorrendo omissão no julgamento dos embargos de declaração pelo Tribunal local sob ponto relevante da demanda, cabe ao recorrente, nas razões do recurso especial, suscitar preliminar de violação do artigo 1.022 do CPC/2015, e não insistir no mérito, sob pena de ausência de prequestionamento das teses recursais. 2. Somente se poderá entender pelo prequestionamento implícito quando a matéria tratada no dispositivo legal for apreciada e solucionada pelo Tribunal de origem, de forma que se possa reconhecer qual norma direcionou o decisum objurgado. 3. Estando as razões do recurso dissociadas e cujos dispositivos contêm comando normativo incapaz de infirmar o que decidido no acórdão recorrido, é inadmissível o inconformismo por deficiência na sua fundamentação. Aplicação da Súmula nº 284 do Supremo Tribunal Federal. 4. A revisão quanto ao reconhecimento por parte do Tribunal de origem no tocante ao direito líquido e certo de acesso à informação bem como ao direito à observância da ordem cronológica de pagamentos garantida aos licitantes demandaria o revolvimento fático-probatório dos autos, o que é vedado pela Súmula 7 desta Corte. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.524.167/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 15/8/2024.) No mesmo sentido: AgInt no AREsp n. 2.299.240/RN, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 16/10/2023, DJe de 18/10/2023; AgInt no AREsp n. 2.174.200/MG, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 24/4/2023, DJe de 26/4/2023. Assim, na ausência de argumentos relevantes que infirmem as razões consideradas no julgado ora agravado, deve ser mantida a decisão por seus próprios fundamentos. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É o voto.