REsp 1941574 - DECISAO
O recurso especial não merece provimento porque o dispositivo infraconstitucional indicado pelo recorrente não contém comando normativo capaz de sustentar a tese deduzida (impedindo o conhecimento por aplicação da Súmula 284/STF) e porque o Estado não demonstrou o dissídio jurisprudencial nos termos exigidos pelo...
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- Parties
- Recorrente: ESTADO DO MARANHÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 31 August 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento Negado Provimento
- Legal Topics
- Fungibilidade Recursal, Admissibilidade Recursal, Demonstração De Divergência Jurisprudencial, Decisão Interlocutória, Súmula 284/stf
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
ESTADO DO MARANHÃO
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento Negado Provimento
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do princípio da fungibilidade recursal em face de apelação interposta contra decisão que homologa cálculos/declara improcedente impugnação à execução
- 2 Natureza da decisão que homologa cálculos/decisão sobre impugnação à execução (interlocutória ou sentença)
- 3 Incidência da Súmula 284/STF quando o dispositivo indicado não contém comando normativo apto a sustentar a tese
Ratio Decidendi
O recurso especial não merece provimento porque o dispositivo infraconstitucional indicado pelo recorrente não contém comando normativo capaz de sustentar a tese deduzida (impedindo o conhecimento por aplicação da Súmula 284/STF) e porque o Estado não demonstrou o dissídio jurisprudencial nos termos exigidos pelo art. 1.029, §1º, do CPC/2015, de modo que não se concede a aplicação da fungibilidade recursal nem o conhecimento do recurso.
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1 paragraphs
DECISÃO PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. DISPOSITIVO TIDO POR VIOLADO QUE NÃO CONTÉM COMANDO NORMATIVO CAPAZ DE SUSTENTAR A TESE DEDUZIDA NO ACÓRDÃO. SÚMULA 284/STF. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADA. RECURSO ESPECIAL DOESTADO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. Trata-se de recurso especial interposto pelo ESTADO DO MARANHÃO, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a, da CF/1988, no qual se insurge contra acórdão proferido pelo TJMA, assim ementado: AÇÃO DE EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA. PRONUNCIAMENTO JUDICIAL QUE JULGA PROCEDENTE A EXECUÇÃO E HOMOLOGA OS CÁLCULOS. NATUREZA DE DECISÃO INTERLOCUTÓRIA. RECURSO CABÍVEL AGRAVO DE INSTRUMENTO. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE RECURSAL. APELAÇÃO NÃO CONHECIDA. DECISÃO MONOCRÁTICA. POSSIBILIDADE. ART. 932, III, DO CPC. I. O pronunciamento do juiz que julga procedente a execução e homologa os cálculos possui natureza de decisão interlocutória, a qual desafia o recurso de agravo de instrumento. II. Não se aplica o princípio da fungibilidade dos recursos, pois o recorrente incidiu em erro grosseiro caracterizado pela interposição de recurso impertinente em lugar daquele expressamente previsto em norma jurídica própria. III. Apelação Cível não conhecida, na forma do art. 932, III, do CPC, por ser manifestamente inadmissível (fls. 95/104). 2. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 157/165). 3. Nas razões do seu recurso especial (fls. 191/202), a parte recorrente sustenta, além de divergência jurisprudencial, violação do artigo 203, § 1º, do Código de Processo Civil. Argumenta, para tanto que: (a) a decisão de improcedência de impugnação à execução tem natureza de sentença; e (b)"quando o equívoco na interposição do recurso cabível decorrer da prática de ato do próprio órgão julgador", que nomeia e registra a decisão com o nome incorreto, o conceito de "dúvida objetiva" é relativizado, a fim de que se admita a incidência da fungibilidade recursal. 4. Devidamente intimada, a parte recorrida apresentou as contrarrazões (fls. 205/211). O recurso especial foi admitido na origem (fls. 213/220). 5. É o relatório. 6. A irresignação não merece prosperar. 7. Inicialmente, é importante ressaltar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo 3 do STJ, segundo o qual, aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016), serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo Código. 8. Constata-se, inicialmente, que o dispositivo infraconstitucional apontado como violado não possui comando normativo apto a sustentar a tese defendida no recurso especial, qual seja, a possibilidade de aplicar-se o princípio da fungibilidade no caso em que a parte apresenta Apelação contra decisão que julgou improcedente a impugnação ao cumprimento de sentença. Note-se que o artigo citadosomente traz o conceito de sentença e não trata de hipóteses em que a fungibilidade poderia ser aplicada. Incide a Súmula 284/STF quando os dispositivos indicados como violados não contém comando normativo capaz de sustentar a tese deduzida e infirmar a validade dos fundamentos do acórdão recorrido (AgInt no REsp 1.895.284/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/6/2021, DJe 23.06.2021). 9. Em reforço, confira-se o seguinte julgado: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FIXAÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. ANOTAÇÃO IRREGULAR EM CADASTRO DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO. DEFICIÊNCIA RECURSAL. SÚMULA 284/STF. REPARAÇÃO FIXADA EM PATAMAR ADEQUADO, DENTRO DOS PADRÕES DE RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Consoante orientação do STJ, "é deficiente a fundamentação do recurso especial quando há incompatibilidade entre a tese sustentada e o comando normativo contido no dispositivo legal apontado como descumprido. Incidência da Súmula nº 284 do STF" (AgInt no REsp n. 1.846.655/PR, Terceira Turma, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 23/4/2020). 2. A indenização por danos morais foi fixada dentro dos padrões de razoabilidade e proporcionalidade para a situação retratada nos autos - R$ 3.000,00 (três mil reais). Destarte, não se configurando a estipulação de quantia irrisória, é inviável o conhecimento do recurso especial em virtude da incidência da Súmula 7/STJ, que incide sobre ambas as alíneas do permissivo constitucional. 3. Agravo interno desprovido(AgInt no AREsp 1.796.891/RS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 3/5/2021, DJe 5/5/2021). 10.O Estado, embora fundamente seu recurso na alínea a do permissivo Constitucional, alega divergência jurisprudencial. Ocorre que, não indica o dispositivo violado, tampouco cumpre os requisitos para a demonstração da divergência. Consoante entendimento firmado por este Superior Tribunal de Justiça, a parte recorrente deve proceder ao cotejo analítico entre os arestos comparados e transcrever os trechos dos acórdãos que configurem o dissídio jurisprudencial, sendo insuficiente, para tanto, a mera transcrição de ementa, pois a análise da demonstração da dissídio jurisprudencial deve ser manifestada de forma escorreita, com a necessária demonstração de similitude fática entre os acórdãos confrontados, e a inobservância do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 impede o conhecimento do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional. Nesse sentido, cito os seguintes julgados desta Corte Superior, no que interessa: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. RECURSO PARA IMPUGNAR DECISÃO QUE DEFERIU LIMINAR EM PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVA. NÃO CABIMENTO. ART. 382, § 4º, DO CPC/2015. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO. (..). 3. Não se conhece do recurso especial interposto com base na alínea "c" do permissivo constitucional quando a divergência não é demonstrada nos termos em que exigido pela legislação processual de regência (1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ). Na espécie, o dissídio não foi comprovado, tendo em vista que não foi realizado o devido cotejo analítico, com a demonstração clara do dissídio entre os casos confrontados, identificando os trechos que os assemelhem, não se oferecendo, como bastante, a simples transcrição de ementas ou votos. 4. Agravo interno não provido(AgInt no REsp 1.893.155/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 26/4/2021, DJe 28/4/2021). ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. ABONO PERMANÊNCIA. PRESCRIÇÃO. ALEGAÇÃO DE RELAÇÃO DE TRATO SUCESSIVO. INCABÍVEL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. ACÓRDÃO EM CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 83. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. (..). VII - Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. VIII - Agravo interno improvido(AgInt no AREsp 1.656.796/PR, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/4/2021, DJe 29/4/2021). 11. Além do que, cumpre salientar que: Os mesmos óbices impostos à admissão do recurso pela alínea a do permissivo constitucional impedem a análise recursal pela alínea c, ficando prejudicada a análise do dissídio jurisprudencial (AgInt no REsp 1.503.880/PE, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 27/2/2018, DJe 8/3/2018). 12. Diante do exposto, nega-seprovimento ao recurso especial do Estado do Maranhão. 13. Publique-se. Intimações necessárias.