AREsp 2306454 - DECISAO
O relator entendeu ser necessária a suspensão do processamento do recurso especial e a devolução dos autos ao Tribunal de origem, em observância à economia processual e em razão de matéria idêntica ter sido afetada ao rito dos recursos repetitivos no Superior Tribunal de Justiça; assim, tornou sem efeito a decisão...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Decisão Monocrática (sobrestamento)
- Outcome
- Torno sem efeito a decisão de fls. 848/851, julgo prejudicado o recurso e determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem
- Legal Topics
- Fungibilidade Recursal, Agravo De Instrumento (art. 1.015 Cpc), Sobrestamento, Recursos Repetitivos, Juízo De Conformação/retratação
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Procedural Posture
Agravo Interno / Decisão Monocrática (sobrestamento)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de aplicação do princípio da fungibilidade recursal quando deveria ter sido interposto agravo de instrumento (art. 1.015 do CPC)
- 2 Necessidade de sobrestamento de recurso especial em razão de recurso representativo da controvérsia e devolução dos autos ao tribunal de origem nos termos dos arts. 543-B/543-C do CPC
Ratio Decidendi
O relator entendeu ser necessária a suspensão do processamento do recurso especial e a devolução dos autos ao Tribunal de origem, em observância à economia processual e em razão de matéria idêntica ter sido afetada ao rito dos recursos repetitivos no Superior Tribunal de Justiça; assim, tornou sem efeito a decisão anterior, julgou o recurso prejudicado e determinou a devolução dos autos para sobrestamento e juízo de conformação conforme arts. 1.040 e 1.041 do CPC.
Court Disposition
Torno sem efeito a decisão de fls. 848/851, julgo prejudicado o recurso e determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem
Orders
- Determinar a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com a respectiva baixa
- Manter os autos sobrestados no Tribunal de origem até a publicação do acórdão a ser proferido nos autos dos recursos representativos da controvérsia
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interno interposto contra decisão que conheceu do agravo e deu provimento ao recurso especial da parte agravada, sob o fundamento de que "atendidos os requisitos da tempestividade e da dúvida objetiva, deve incidir o princípio da fungibilidade recursal, corolário da instrumentalidade das formas, com assento no art. 277 do diploma processual civil, motivo pelo qual a decisão de primeiro grau que reteve a apelação da parte ora recorrente deve ser reavaliada pelo Tribunal de apelação, mediante o processamento da irresignação aviada às fls. 4/12." (fls. 848/851) Opostos embargos declaratórios, foram rejeitados (fls. 870/872). Em suas razões, a parte agravante, sustenta, preliminarmente, que o presente feito deve permanecer sobrestado, até que esta Corte avalie a conveniência de afetação da matéria ao rito dos recursos repetitivos. Alega que o recurso especial não poderia ter sido conhecido, tendo em vista a ausência de requisitos próprios de admissibilidade. Aduz, ainda, que "o Código de Processo Civil é claro ao disciplinar, no parágrafo único do art. 1.015, o cabimento do recurso de Agravo de Instrumento contra decisões interlocutórias proferidas, dentre outras hipóteses, na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, ou seja, verifica-se a existência de recurso próprio para atacar a decisão ora recorrida." É o relatório. Segue a fundamentação. Assiste razão à parte agravante quanto à necessidade de sobrestamento do presente feito. De fato, verifica-se que o presente apelo especial contém discussão sobre "Possibilidade de aplicação do princípio da fungibilidade recursal, na hipótese de apresentação de correição parcial, ao invés da interposição de agravo de instrumento (art. 1.015 do CPC), contra decisão de magistrado de primeiro grau que, exercendo juízo de admissibilidade, não admite apelação e, assim, não faz a remessa dos autos ao respectivo Tribunal, na forma prevista pelo § 3º do art. 1.010 do CPC de 2015", matéria afetada ao rito dos repetitivos por deliberação da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (Recursos Especiais nºs 2.072.870/MA, 2.072.867/MA e 2.072.868/MA, relator Ministro Raul de Araújo, julgados em 21/05/2024). Assim, mostra-se conveniente, em observância ao princípio da economia processual e à própria finalidade do CPC, determinar o retorno dos autos à origem, onde ficarão sobrestados até a publicação do acórdão a ser proferido nos autos dos recursos representativos da controvérsia. Confira-se, a propósito, esclarecedor precedente desta Corte: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL INTERPOSTO EM FACE DE DECISÃO QUE DETERMINOU A DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO TRIBUNAL DE ORIGEM. PENDÊNCIA DE JULGAMENTO DE RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA, NO QUAL SE DISCUTE QUESTÃO IDÊNTICA. PROVIDÊNCIA QUE NÃO ENSEJA PREJUÍZO A NENHUMA DAS PARTES. NECESSIDADE DE SE OBSERVAR OS OBJETIVOS DA LEI 11.672/2008. 1. O Código de Processo Civil admite a interposição de agravo regimental apenas quando o Relator trata sobre a viabilidade ou não do recurso (nega seguimento ou dá provimento ao recurso), conforme se depreende do art. 557 do CPC. No caso concreto, considerando que a decisão ora agravada não tratou sobre a viabilidade ou não do recurso especial, é manifestamente inadmissível a interposição de agravo regimental em face do julgado, sobretudo porque a determinação em comento não enseja prejuízo para as partes. 2. Em relação ao alegado prejuízo, é manifesta a sua não ocorrência, não obstante os esforços da agravante. Isso porque a decisão que determina a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que, após publicado o acórdão relativo ao recurso representativo da controvérsia (atualmente pendente de julgamento), o recurso especial (objeto do agravo) seja apreciado na forma do art. 543-C, § 7º, do CPC 1) tenha seguimento denegado na hipótese de o acórdão recorrido coincidir com a orientação do Superior Tribunal de Justiça; (ou) 2) seja novamente examinado pelo Tribunal de origem, na hipótese de o acórdão recorrido divergir da orientação do Superior Tribunal de Justiça não tem aptidão para gerar nenhum prejuízo ao recorrente. Ressalte-se que "tem a parte interesse e legitimidade de recorrer somente quando a decisão agravada lhe causar prejuízo ou lhe propiciar situação menos favorável, pois só recorre quem sucumbe" (AgRg na Rcl 1.568/RR, Corte Especial, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJ de 1º.7.2005). 3. Ademais, se o Ministro Relator admite o recurso especial como representativo da controvérsia e determina a suspensão dos demais recursos (como ocorre no caso dos autos), comunicando a decisão aos Tribunais de segundo grau, não se revela adequado que seja admitido ou inadmitido recurso especial no qual se discuta questão idêntica, antes do pronunciamento definitivo do Superior Tribunal de Justiça (art. 543-C, §§ 1º e 2º, c/c o art. 2º da Resolução 8/2008 do STJ). 4. Além disso, em razão das modificações inseridas no Código de Processo Civil pelas Leis 11.418/2006 e 11.672/2008 (que incluíram os arts. 543-B e 543-C, respectivamente), não há óbice para que o Relator, levando em consideração razões de economia processual, aprecie o recurso especial apenas quando exaurida a competência das instâncias ordinárias. Nesse contexto, se há nos autos recurso extraordinário sobrestado em razão do reconhecimento de repercussão geral no âmbito do STF e/ou recurso especial cuja questão central esteja pendente de julgamento em recurso representativo da controvérsia no âmbito desta Corte (caso dos autos), é possível ao Relator determinar que o recurso especial seja apreciado apenas após exercido o juízo de retratação ou declarado prejudicado o recurso extraordinário, na forma do art. 543-B, § 3º, do CPC, e/ou após cumprido o disposto no art. 543-C, § 7º, do CPC. É oportuno registrar que providência similar é adotada no âmbito do Supremo Tribunal Federal. 5. Entendimento em sentido contrário, para que a suspensão ocorra sempre no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, implica esvaziar um dos objetivos da Lei 11.672/2008, qual seja, "criar mecanismo que amenize o problema representado pelo excesso de demanda" deste Tribunal. Assim, deve ser "dada oportunidade de retratação aos Tribunais de origem, devendo ser retomado o trâmite do recurso, caso a decisão recorrida seja mantida", sendo que tal solução "inspira-se no procedimento previsto na Lei nº 11.418/06 que criou mecanismo simplificando o julgamento de recursos múltiplos, fundados em idêntica matéria, no Supremo Tribunal Federal", conforme constou expressamente das justificativas do respectivo Projeto de Lei (PL 1.213/2007). 6. Agravo regimental não conhecido. (AgRg no AREsp 153.829/PI, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/05/2012, DJe 23/05/2012) Ressalte-se que, em 20/8/2008, o Supremo Tribunal Federal, ao apreciar a Questão de Ordem no RE 540.410, Rel. Ministro Cezar Peluso, concluiu pela possibilidade de devolução aos órgãos julgadores de origem, para os fins previstos no art. 543-B do CPC, dos recursos extraordinários e agravos cujo tema apresente repercussão geral reconhecida pelo Plenário daquela Corte, ainda que interpostos contra acórdãos publicados em momento anterior à regulamentação do instituto, que se deu em 3/5/2007. ANTE O EXPOSTO, torno sem efeito a decisão de fls. 848/851 , julgo prejudicado o recurso e determino a devolução dos autos, com a respectiva baixa, ao Tribunal de origem, onde, nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC, deverá ser realizado o juízo de conformação ou a manutenção do acórdão local frente ao que vier a ser decidido por este Superior Tribunal de Justiça sobre o tema recursal, na sistemática dos recursos repetitivos. Publique-se. EMENTA