AREsp 2649851 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas o pedido de absolvição por insuficiência de provas não pode prosperar em recurso especial por exigir reexame do acervo fático-probatório, nos termos da Súmula 7/STJ; ademais, a fixação do regime inicial semiaberto foi mantida por estar fundamentada na reincidência do réu e na legislação...
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- Parties
- Agravante: JACSON BORGES DE OLIVEIRA; Recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Decisão Sobre Seguimento Do Recurso Especial (negado Provimento Na Extensão)
- Outcome
- Conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
- Legal Topics
- Furto (art. 155, Caput, Do Código Penal), Reconhecimento Pessoal (art. 226 Do Cpp), Regime Inicial De Cumprimento Da Pena (art. 33, §§ 2º E 3º Do Cp), Reincidência, Súmula 7/stj, Súmula 269/stj, Súmula 83/stj
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Parties
JACSON BORGES DE OLIVEIRA
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Decisão Sobre Seguimento Do Recurso Especial (negado Provimento Na Extensão)
Legal Issues
- 1 insuficiência probatória para absolvição
- 2 regularidade do reconhecimento pessoal e prequestionamento
- 3 possibilidade de regime inicial aberto diante de pena inferior a quatro anos e reincidência
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas o pedido de absolvição por insuficiência de provas não pode prosperar em recurso especial por exigir reexame do acervo fático-probatório, nos termos da Súmula 7/STJ; ademais, a fixação do regime inicial semiaberto foi mantida por estar fundamentada na reincidência do réu e na legislação aplicável (art.33, §§2º e 3º, CP) e em súmulas desta Corte, e a questão relativa ao art.226 do CPP não foi prequestionada no acórdão recorrido, impedindo sua análise.
Court Disposition
Conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
Orders
- Conhecer do agravo em parte e negar provimento ao recurso especial
- Publique-se
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por JACSON BORGES DE OLIVEIRA contra a decisão proferida no âmbito do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS que não admitiu seu recurso especial fundado no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal (Apelação n. 709124-10.2022.8.07.0006). Depreende-se dos autos que o agravante foi condenado à pena de 1 ano e 2 meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, e ao pagamento de 11 dias-multa, pela prática do crime do art. 155, caput, do Código Penal. O Tribunal de origem negou provimento ao apelo da defesa, nos termos da ementa de e-STJ fl. 282: APELAÇÃO CRIMINAL. DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. RECURSO DA DEFESA. FURTO SIMPLES (ART. 155, CAPUT, DO CÓDIGO PENAL). TESE DE INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. REJEIÇÃO. DEPOIMENTO POLICIAL. FORÇA PROBATÓRIA. AUTORIA E MATERILIDADE DEMONSTRADAS. ALTERAÇÃO DE REGIME DE CUMPRIMENTO DA PENA. REINCIDÊNCIA. REGIME SEMIABERTO. SENTENÇA MANTIDA. 1. Incabível a alegação de insuficiência probatória, a ensejar a absolvição, se os elementos acostados aos autos comprovam, de forma harmônica e convergente, a materialidade e a autoria delitiva. 2. Os depoimentos de policiais, especialmente quando colhidos em juízo respeitando o contraditório e que não foram contraditados, são válidos, eis que seguros e uniformes, em ambas as fases em que prestados, bem como por inexistirem indícios de seu interesse em prejudicar o acusado. 3. Considera-se consumado o delito do furto se o agente detém a posse do aparelho celular subtraído, ainda que por breve espaço de tempo, sendo abordado por policiais logo em seguida. 4. Na fixação do regime inicial para o cumprimento da pena, o juiz deve atentar para três fatores: quantidade de pena, reincidência e circunstâncias judiciais favoráveis. 5. Deve ser fixado o regime prisional semiaberto se a pena fixada for inferior a quatro anos e o réu for reincidente. 6. Apelação conhecida e não provida. Nas razões do recurso especial, o recorrente sustenta violação ao art. 386, inciso VII, do Código de Processo Penal, ao argumento de que não há provas suficientes da autoria delitiva. Aduz que, embora a vítima tenha afirmado aos policiais que reconheceu o acusado, não foi observado o procedimento do art. 226 do CPP, o que torna inválida o reconhecimento pessoal. Assere afronta ao art. 33, § 2º, alínea c, do CP, alegando a possibilidade de fixação do regime inicial aberto. Inadmitido o apelo extremo, o recurso subiu a esta Corte por meio do presente agravo. O Ministério Público Federal manifestou-se conforme o parecer assim ementado (e-STJ fl. 379): AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FURTO SIMPLES. PRETENSÃO ABSOLUTÓRIA POR SUPOSTA INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. NÃO CONHECIMENTO. NECESSIDADE DE INCURSÃO NO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DO ÓBICE PREVISTO NA SUMULA 7/STJ. REGIME INICIAL MENOS GRAVOSO. IMPOSSIBILIDADE. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. REINCIDÊNCIA. SÚMULA 83/STJ. CONHECIMENTO DO AGRAVO PARA NEGAR SEGUIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. - A pretensão aviada no recurso especial, pela qual se busca a absolvição por insuficiência de provas remete à reapreciação dos fatos e do poder de convicção das provas do caso em apreço, atraindo, assim, o óbice estampado na Súmula nº 7 do STJ. - O acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, porquanto, embora a sanção corporal imposta ao agravante não ultrapasse 4 anos de reclusão, no caso dos autos, está justificada a fixação no regime semiaberto, tendo em vista o reconhecimento da reincidência. - Parecer pelo conhecimento do agravo para negar seguimento do recurso especial. É o relatório. Decido. Assim decidiu a Corte distrital ao confirmar o édito condenatório (e-STJ fls. 285/288): A vítima também não ouvida em juízo, porquanto não localizada, tendo as partes dispensado sua oitiva, como se extrai da mencionada ata de audiência. Na fase inquisitorial, ela relatou que: RESPONDEU QUE: por volta das l0h00min, a declarante estava na praça na Quadra Central defronte a feira modelo, em Sobradinho: que estava distribuindo caldos aos moradores de rua; que estava com uma equipe da Legião da Boa Vontade; que deixou seu aparelho celular em cima de um banco, enquanto fazia a distribuição; que o aparelho foi subtraído; que a declarante entrou em pânico e começou a chorar; que compareceu ao local uma guarnição da Policia Militar; que testemunhas contaram aos policiais que o autor do furto teria sido um morador de rua conhecido como "Madruga" que a declarante foi colocada na viatura; que "Madruga" foi localizado nas proximidades; que ele foi abordado; que o telefone da declarante estava com ele; que já estava sem a capinha: que se trata de um Motorola, 620, azul.. E nada mais disse e nem lhe foi perguntado. (id 51444950, P. 3) (e-STJ Fl.285) Em juízo, foram colhidos os depoimentos das testemunhas policiais Erika Cristina Freitas Rosa e Umberto Vinícius de Oliveira Rocha. .. Fixadas as premissas necessárias, saliente-se que, na hipótese em exame, o réu foi preso em flagrante e com ele foi encontrado o aparelho celular subtraído da vítima, o que afasta a versão de insuficiência probatória. Como se denota dos depoimentos policiais, eles estavam em patrulhamento à pé na área da feira onde ocorreu o furto, sendo de pronto informados acerca do crime, sendo as características do réu repassadas por populares. Logo em seguida, os policiais lograram apreendê-lo na posse do objeto subtraído. Os depoimentos são uníssonos e coerentes com o restante do caderno processual, e conduzem à certeza quanto à autoria e materialidade do delito. Nesse contexto, verifico que o acórdão está fundamentado, de forma que o pleito absolutório demandaria imprescindível reexame dos elementos fático-probatórios constantes dos autos, o que é defeso em recurso especial, em virtude do que preceitua a Súmula n. 7 desta Corte. Com efeito, a irresignação defensiva não provoca nenhum debate sobre interpretação da legislação infraconstitucional, mas sim a necessidade de reexame da persuasão racional dos julgadores sobre o conjunto probatório dos autos. Prossigo para destacar, acerca do pedido de absolvição, que a tese referente ao art. 226 do CPP não foi objeto de análise pelo acórdão recorrido, inexistindo o requisito do prequestionamento, motivo pelo qual não pode ser analisada, ante o que preceituam as Súmulas n. 282 e 356/STF. Por fim, embora a pena tenha sido fixada abaixo de 4 anos de reclusão, está correta a fixação do regime semiaberto para o início do cumprimento da sanção. Isso, porque a condição de reincidente impede a aplicação do regime mais brando, nos termos do disposto no art. 33, §§ 2º, alínea c, e 3º, do CP, e na Súmula n. 269/STJ. A propósito: DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. FURTO E AMEAÇA. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. NÃO INCIDÊNCIA. RÉU REINCIDENTE ESPECÍFICO. REGIME SEMIABERTO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. I. Caso em exame 1. Habeas corpus impetrado em favor de condenado por furto e ameaça, visando à aplicação do princípio da insignificância e à fixação de regime inicial aberto para cumprimento da pena. 2. O Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina manteve a condenação e o regime inicial semiaberto, considerando a reincidência específica e a não aplicação do princípio da insignificância. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em saber se é cabível a aplicação do princípio da insignificância em caso de reincidência específica e se o regime inicial de cumprimento de pena pode ser alterado para aberto. III. Razões de decidir 4. O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio, salvo em casos de flagrante ilegalidade. 5. A jurisprudência não admite a aplicação do princípio da insignificância em casos de reincidência específica. 6. A fixação do regime inicial semiaberto é justificada pela reincidência e pela Súmula 269 do STJ. 7. A reanálise do acervo fático-probatório é inviável em sede de agravo regimental. IV. Agravo regimental não provido. (AgRg no HC n. 879.520/SC, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 4/11/2024, DJe de 6/11/2024.) PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRIME DE FURTO SIMPLES. REGIME MAIS GRAVOSO QUE O IMPOSTO PARA A PENA. POSSIBILIDADE. REINCIDÊNCIA E PRESENÇA DE CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS NEGATIVAS. SÚMULA N. 269/STJ. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 83/STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. AGRAVO DESPROVIDO. 1. O acórdão recorrido não diverge do posicionamento desta Corte, conforme o enunciado da Súmula n. 269 deste Sodalício:" é admissível a adoção do regime prisional semiaberto aos reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos se favoráveis as circunstâncias judiciais". 2. No caso dos autos, o regime mais gravoso foi imposto em razão da reincidência da recorrente, ainda que a pena aplicada tenha sido inferior a quatro anos. Assevera-se, ainda, a presença de circunstâncias judiciais negativas, o que reforça o regime intermediário. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 2.593.190/RS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 27/8/2024, DJe de 2/9/2024.) Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento . Publique-se. Intimem-se. EMENTA