AREsp 2523926 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e decidiu-se negar provimento ao recurso especial porque a exasperação da pena-base mediante a aplicação da fração de 1/8 do intervalo previsto no preceito secundário foi devidamente fundamentada e proporcional; não há imposição de critério aritmético (como a aplicação obrigatória de 1/6 por...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: IVONALDO BATISTA DA SILVA; Recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ALAGOAS; Interveniente: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Do Agravo No Superior Tribunal De Justiça (decisão De Mérito)
- Outcome
- Agravo conhecido para negar provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Furto Qualificado, Furto Privilegiado, Dosimetria, Pena Base, Emendatio Libelli, Qualificadora Por Fraude, Chave Falsa, Agravo Em Recurso Especial
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
IVONALDO BATISTA DA SILVA
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ALAGOAS
Recorrido
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Interveniente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Do Agravo No Superior Tribunal De Justiça (decisão De Mérito)
Legal Issues
- 1 Aplicação do furto privilegiado (art.155, §2º, CP) diante do valor da res furtiva
- 2 Incidência da qualificadora por emprego de chave falsa versus fraude (art.155, §4º, II e IV, CP)
- 3 Possibilidade de emendatio libelli em segundo grau sem prejuízo ao réu
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e decidiu-se negar provimento ao recurso especial porque a exasperação da pena-base mediante a aplicação da fração de 1/8 do intervalo previsto no preceito secundário foi devidamente fundamentada e proporcional; não há imposição de critério aritmético (como a aplicação obrigatória de 1/6 por circunstância) na primeira fase da dosimetria, cabendo ao magistrado, dentro da discricionariedade vinculada, escolher e justificar a fração aplicável. Ademais, reconheceu-se que não é aplicável o furto privilegiado porquanto o valor da res furtiva ultrapassava um salário mínimo à época (R$ 300,00) e que a qualificadora adequada é a de fraude ao se extrair e copiar a chave...
Court Disposition
Agravo conhecido para negar provimento ao recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por IVONALDO BATISTA DA SILVA contra a decisão proferida pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ALAGOAS, que inadmitiu o recurso especial por ele interposto, contra o acórdão prolatado nos autos da Apelação Criminal n. 0001588-95.2013.8.02.0053 (fls. 351/361), com a seguinte ementa: PENAL. PROCESSO PENAL. APELAÇÃO CRIMINAL. FURTO QUALIFICADO PELO EMPREGO DE CHAVE FALSA E CONCURSO DE PESSOAS. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DO FURTO PRIVILEGIADO. IMPOSSIBILIDADE. RES FURTIVA QUE ULTRAPASSA O VALOR DO SALÁRIO MÍNIMO VIGENTE À ÉPOCA DOS FATOS. PEDIDO DE AFASTAMENTO DA QUALIFICADORA PELO EMPREGO DE CHAVE FALSA. FURTO PRATICADO COM A CÓPIA DA CHAVE ORIGINAL. FRAUDE CONFIGURADA. CHAVE EXTRAÍDA DO LOCAL DE FORMA SORRATEIRA. EMENDATIO LIBELLI NO SEGUNDO GRAU. POSSIBILIDADE. MANUTENÇÃO DA PENA. PENA- BASE. CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME. FRAÇÃO DE 1/8 UTILIZADA SOBRE A DIFERENÇA ENTRE A PENA MÍNIMA E MÁXIMA. APELAÇÃO CONHECIDA E NÃO PROVIDA. I - Para reconhecimento do furto privilegiado (art. 155, §2º, CP) o criminoso deve ser primário e ser de pequeno valor a coisa furtada. Apesar da primariedade do acusado, a res furtiva não era de pequeno valor. Neste ponto, é pacífico o entendimento de que considera-se de pequeno valor o objetivo/quantia de até um salário mínimo vigente à época. O valor do salário mínimo no dia dos fatos era de R$ 300,00 (trezentos reais), desta forma, impossível o reconhecimento da causa de diminuição suscitada. II - A qualificadora do emprego de chave falsa deve ser afastada, verifica-se, na verdade, a ocorrência da qualificadora prevista no art. 155, §4º, II, CP, ou seja, fraude. No caso, o acusado, com auxílio do corréu, sorrateiramente, pegou a chave do cofre, que não estava à sua disposição, e tirou cópia, colocando no local novamente logo após. Portanto, a qualificadora que deve incidir é a da fraude, pois a cópia de chave verdadeira não é considerado instrumento falso. III - A emendatio libelli pode ser aplicada em segundo grau, ainda que em recurso exclusivo da defesa, desde que não acarrete prejuízo ao réu. Reconhecida a alteração da tipificação para o art. 155, §4º, II e IV, CP. IV - Para elevação da pena-base verifica-se que o magistrado a quo utilizou a fração de 1/8 sobre a diferença entre a pena mínima (2 anos) e máxima (8 anos), resultando em 9 (nove) meses. Referido critério é adotado por esta Câmara Criminal e aceito pelo STF, portanto, não houve desproporcionalidade. V - Apelação conhecida e não provida. No recurso especial, a defesa requereu, em síntese, o redimensionamento da pena, para aplicar-se a fração de 1/6 sobre a pena mínima para cada circunstância judicial valorada negativamente (fls. 367/378). Inadmitido o recurso na origem (fls. 387/389), subiram os autos ao Superior Tribunal de Justiça por meio do presente agravo (fls. 395/402). O Ministério Público Federal opinou pelo conhecimento do agravo e desprovimento do especial (fls. 429/430): AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FURTO DUPLAMENTE QUALIFICADO. CONDENAÇÃO. EXASPERAÇÃO DA PENA-BASE ACIMA DO MÍNIMO LEGAL. CIRCUNSTÂNCIAS DO DELITO DESFAVORÁVEIS. UTILIZAÇÃO DA FRAÇÃO DE 1/8 SOBRE O INTERVALO ENTRE AS PENAS MÍNIMA E MÁXIMA. FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA. PROPORCIONALIDADE DO AUMENTO. PRECEDENTES. Pelo conhecimento do agravo para negar provimento ao apelo especial. É o relatório. Conheço do agravo, porquanto presentes os pressupostos de sua admissibilidade. O agravante pretende o redimensionamento da pena imposta, considerando o critério de aumento à razão de 1/6 para cada circunstância judicial desfavorável, quando da fixação da pena-base. Todavia, no caso presente a exasperação da pena-base à razão de 1/8 do intervalo previsto no preceito secundário do tipo foi devidamente justificado, em razão das circunstâncias do delito. A escolha de uma razão superior à ordinariamente aplicada exige do magistrado um juízo de proporcionalidade entre os patamares mínimo e máximo da pena, bem como concreta fundamentação, o que se verificou no caso presente. Esta Corte tem o entendimento de que não existe critério matemático impositivo para fixação da pena na primeira fase, só sendo viável um controle de legalidade do critério eleito pelo Juízo a quo, de modo a averiguar se a pena-base foi estabelecida mediante o uso de fundamentação idônea e concreta (discricionariedade vinculada). Nesse sentido, confiram-se: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ANULAÇÃO DO JULGAMENTO PELO JÚRI. SEMI- IMPUTABILIDADE DO RÉU. AUSÊNCIA DE PROVAS. REVISÃO. NCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. PENA-BASE. ALTERAÇÃO DA FRAÇÃO DE AUMENTO. NÃO CABIMENTO. INCREMENTO PROPORCIONAL E RAZOÁVEL. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. A decisão tomada pelos jurados, ainda que não seja a mais justa ou a mais harmônica com a jurisprudência dominante, é soberana, conforme disposto no art. 5º, XXXVIII, "c", da CF/1988. Tal princípio, todavia, é mitigado quando os jurados proferem decisum teratológico, em manifesta contrariedade às provas colacionadas nos autos, casos em que o veredito deve ser anulado pela instância revisora e o réu, submetido a novo julgamento perante o Tribunal do Júri. Precedentes. 2. Na hipótese, conforme destacado pela Corte local, além de não haver provas nos autos a indicar que o acusado não tivesse plena consciência da conduta ilícita praticada, o insurgente confessou a prática do delito e, mesmo não se lembrando de detalhes, narrou a motivação e a forma como se deu o crime, tudo a evidenciar que a conclusão dos jurados de não reconhecer a semi-imputabilidade do réu não é manifestamente contrária às provas dos autos. 3. Rever o entendimento da Corte de origem, a fim de reconhecer ser a decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos autos e de submeter o réu a novo julgamento, encontra óbice na Súmula n. 7 do STJ. 4. Este Superior Tribunal é firme em garantir a discricionariedade do julgador, sem a fixação de critério aritmético, na escolha da sanção a ser estabelecida na primeira etapa da dosimetria. Assim, o magistrado, dentro do seu livre convencimento motivado e de acordo com as peculiaridades do caso concreto, decidirá a fração de aumento da pena-base, em observância aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp n. 2.566.123/DF, Sexta Turma, Ministro Rogerio Schietti Curz, DJe 20/8/2024). PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. LESÃO CORPORAL. DOSIMETRIA. PENA-BASE. QUANTUM DE EXASPERAÇÃO. PROPORCIONALIDADE. NÃO ADOÇÃO DE CRITÉRIO ARITMÉTICOS PUROS PELO JULGADOR. PRECEDENTES. SÚMULA N. 568/STJ. INCIDÊNCIA MANTIDA. I - Conforme consignado no decisum reprochado, a jurisprudência desta eg. Corte Superior de Justiça entende que, " n a fixação da pena-base de crimes previstos na Lei n. 1.343/2006, como ocorre na espécie, deve-se considerar, com preponderância sobre o previsto no artigo 59 do Código Penal, a natureza e a quantidade da substância entorpecente, a personalidade e a conduta social do agente, consoante o disposto no artigo 42 da Lei de Drogas" (AgRg no AREsp n. 585.375/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe de 27/03/2017). II - Não se há falar em desproporcionalidade no quantum de exasperação da pena-base, pois, conforme jurisprudência pacífica desta eg. Corte Superior, "A aplicação da pena, na primeira fase, não se submete a critério matemático, devendo ser fixada à luz do princípio da discricionariedade motivada do juiz. Precedentes" (AgRg no REsp n. 1.785.739/PA, Sexta Turma, Rel. Min. Nefi Cordeiro, DJe de 28/06/2019). Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 1.925.801/MS, Quinta Turma, Ministro Messod Azulay, Dje 28/3/2023). Neste contexto, a fixação da pena-base não necessita seguir um critério matemático rígido, não havendo direito subjetivo do réu a adoção de fração específica para cada circunstância judicial, seja de 1/6 sobre a pena-base, 1/8 do intervalo entre as penas mínima e máxima ou mesmo outro valor, exigindo-se apenas que seja proporcional e devidamente justificado o critério utilizado pelas instâncias ordinárias (AgRg no AREsp n. 2.383.603/PR, MINISTRO RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, j. em 17/10/2023, DJe 23/12/2023), fato ocorrido à espécie. Pelo exposto, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Publique-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PENAL VIOLAÇÃO DO ART. 59, CAPUT, DO CP. DOSIMETRIA. FIXAÇÃO DA PENA-BASE. VALORAÇÃO DAS CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS. DESPROPORCIONALIDADE NÃO EVIDENCIADA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. DOSIMETRIA QUE NÃO SEGUE CRITÉRIO MATEMÁTICO. DISCRICIONARIEDADE VINCULADA. PRECEDENTES DESTA CORTE. Agravo conhecido para negar provimento ao recurso especial.