AREsp 2989726 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a admissão da alegada interpretação divergente e da concessão da gratuidade implicaria reexame do conjunto fático-probatório (Súmula 7/STJ), além de não haver demonstração adequada do dissídio jurisprudencial por meio de cotejo analítico, e por...
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- Parties
- Recorrente/agravante: FOR MEDICAL VENDAS E ASSISTENCIA TECNICA LTDA; Órgão Julgador a Quo: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo (para Impugnar Não Admissão De Recurso Especial) / Conhecido Do Agravo; Não Conhecido Do Recurso Especial (decisão Com Fundamento No Art. 21 E, V, Do Ristj)
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Gratuidade De Justiça, Pessoa Jurídica, Dissídio Jurisprudencial, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Intimação Para Juntada De Documentos
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Parties
FOR MEDICAL VENDAS E ASSISTENCIA TECNICA LTDA
Recorrente/agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Órgão Julgador a Quo
Procedural Posture
Agravo (para Impugnar Não Admissão De Recurso Especial) / Conhecido Do Agravo; Não Conhecido Do Recurso Especial (decisão Com Fundamento No Art. 21 E, V, Do Ristj)
Legal Issues
- 1 possibilidade de concessão de gratuidade de justiça a pessoa jurídica
- 2 necessidade de intimação para comprovação de pressupostos da gratuidade antes de indeferir
- 3 comprovação do dissídio jurisprudencial mediante cotejo analítico
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a admissão da alegada interpretação divergente e da concessão da gratuidade implicaria reexame do conjunto fático-probatório (Súmula 7/STJ), além de não haver demonstração adequada do dissídio jurisprudencial por meio de cotejo analítico, e por não restar comprovada incapacidade atual da empresa de arcar com despesas processuais nem regular complementação documental após intimação.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado pela FOR MEDICAL VENDAS E ASSISTENCIA TECNICA LTDA à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, assim resumido: AGRAVO DE INSTRUMENTO. INDEFERIMENTO DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA. PESSOA JURÍDICA. CARÁTER EXCEPCIONAL. HIPOSSUFICIÊNCIA NÃO DEMONSTRADA. SÚMULA 121 DO TJ/RJ E SÚMULA 481 DO STJ. NEGATIVA DE PROVIMENTO AO RECURSO. Quanto à primeira controvérsia, pelas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, a parte recorrente aduz ofensa e interpretação divergente do art. 98 do CPC, no que concerne à possibilidade de concessão da gratuidade de justiça à pessoa jurídica, tendo em vista que os balanços contábeis apresentados, demonstrando prejuízos nos anos de 2021 a 2023, são suficientes para comprovar a hipossuficiência financeira, trazendo a seguinte argumentação: Assim, o ataque ao art. 98 do CPC é evidente, tendo em vista que a parte Recorrente juntou aos autos a documentação requerida pelo juízo de primeiro grau para que houvesse a concessão do benefício, demonstrando que no resultado dos exercícios financeiros restaram negativos, ou seja, apresentando os seguintes resultados financeiros: 1. Prejuízo de R$ 2.134.304,05 em 2021; 2. Prejuízo de R$ 2.773.375,20 em 2022; e 3. Prejuízo de R$ 16.642.891,07 em 2023 (fls. 7273). Neste sentido, nas ações de n.º 1021603- 40.2022.8.26.0100 e 1008939-37.2019.8.26.0114, em que a Recorrente é parte, os julgadores se utilizaram justamente dos balancetes empresariais para deferir o pedido de justiça gratuita, conforme decisões anexas (Doc. 02). .. Isto posto, em atendimento ao que estabelece o art. 105, "c" da Constituição Federal, verifica-se clara divergência entre a interpretação dada ao art. 98 do CPC nas decisões proferidas nestes autos e em outras proferidas nas demandas em que o Recorrente configura como parte, razão está que motiva a interposição o presente Recurso Especial (fls. 7475). Quanto à segunda controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente aduz ofensa ao art. 99, § 2º, do CPC, no que concerne à necessidade de intimação da parte para comprovação dos pressupostos da gratuidade antes do respectivo indeferimento, especialmente quando foi exigido documentos adicionais não solicitados previamente, trazendo a seguinte argumentação: Ocorre que, na fundamentação do acórdão do Agravo de Instrumento, o tribunal a quo determinou a juntada, além da dos balanços anuais, os livros comerciais, documentos fiscais, declarações de renda e declarações do contador .. (fls. 73). Não obstante a isto, em nenhum momento foi concedido prazo próprio para que a parte Recorrente providenciasse referida documentação. Sabe-se que, para a concessão dos benefícios da gratuidade de justiça no caso em que verificado pelo Magistrado a insuficiência da documentação comprobatória, deverá este promover, antes de indeferir o pedido, a intimação da parte para a comprovação do preenchimento dos pressupostos, conforme se verifica pela leitura do art. 99, § 2º do CPC, a seguir (fls. 74). É o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, o Tribunal a quo se manifestou nos seguintes termos: A recorrente se limitou a anexar balanços contábeis referentes aos anos de 2021 a 2023, documentos que não se mostram suficientes para demonstrar situação financeira excepcional que a impossibilite de arcar com o ônus do pagamento das despesas processuais no ano de 2024. .. Não há nos autos quaisquer documentos comprobatórios da incapacidade atual de a empresa suportar despesas processuais sem o comprometimento de suas atividades (fls. 35-36). Assim, incide a Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), porquanto o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: AgInt no REsp n. 2.113.579/MG, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJEN de 27/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.691.829/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 28/3/2025; AREsp n. 2.839.474/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJEN de 26/3/2025; AgInt no REsp n. 2.167.518/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJEN de 27/3/2025; AgRg no AREsp n. 2.786.049/SP, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJEN de 26/3/2025; AgRg no AREsp n. 2.753.116/RN, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJEN de 25/3/2025; AgInt no REsp n. 2.185.361/CE, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 28/3/2025; AgRg no REsp n. 2.088.266/MG, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJEN de 25/3/2025; AREsp n. 1.758.201/AM, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, DJEN de 27/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.643.894/DF, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 31/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.636.023/RS, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 28/3/2025; AgInt no REsp n. 1.875.129/PE, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025. Ademais, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, tendo em vista que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e o(s) paradigma(s) indicado(s), não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Nos termos dos arts. 1.029, § 1º, do CPC; e 255, § 1º, do RISTJ, a divergência jurisprudencial, com fundamento na alínea c do permissivo constitucional, exige comprovação e demonstração, em qualquer caso, por meio de transcrição dos trechos dos acórdãos que configurem o dissídio. Devem ser mencionadas as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados, a evidenciar a similitude fática entre os casos apontados e a divergência de interpretações, providência não realizada nos autos deste recurso especial" ;(AgInt no AREsp n. 2.275.996/BA, relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, DJEN de 20/3/2025). Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16.3.2021.) Confiram-se também os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 2.168.140/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.452.246/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 20/3/2025; REsp n. 2.105.162/RJ, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJEN de 19/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.243.277/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Turma, DJEN de 19/3/2025; AgInt no REsp n. 2.155.276/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJEN de 18/3/2025; AgRg no REsp n. 2.103.480/PR, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJEN de 7/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.702.402/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJEN de 28/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.735.498/MT, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 28/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.169.326/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 27/2/2025; AREsp n. 2.732.296/GO, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJEN de 25/2/2025; EDcl no AgInt no AREsp n. 2.256.359/MS, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJEN de 21/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.620.468/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 20/12/2024. Além disso, verifica-se que a pretensão da parte agravante é de ver reconhecida a existência de dissídio jurisprudencial, que tem por objeto a mesma questão aventada sob os auspícios da alínea "a" do permissivo constitucional, que, por sua vez, foi obstaculizada pelo enunciado da Súmula n. 7/STJ. Quando isso acontece, impõe-se o reconhecimento da inexistência de similitude fática entre os arestos confrontados, requisito indispensável ao conhecimento do Recurso Especial pela alínea "c". Nesse sentido: "O recurso especial não pode ser conhecido com fundamento na alínea c do permissivo constitucional, porquanto o óbice da Súmula n. 7/STJ impede o exame do dissídio jurisprudencial quando, para a comprovação da similitude fática entre os julgados confrontados, é necessário o reexame de fatos e provas" ;(AgInt no REsp n. 2.175.976/DF, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 20/2/2025). Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 2.037.832/RO, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJEN de 25/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.365.913/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJEN de 21/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.701.662/GO, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 20/12/2024; AgInt no AREsp n. 2.698.838/SC, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJEN de 19/12/2024; AgInt no REsp n. 2.139.773/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 2/12/2024; AgInt no REsp n. 2.159.019/MG, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 16/10/2024. Quanto à segunda controvérsia, o Tribunal a quo se manifestou nos seguintes termos: Devidamente intimado a apresentar documentos comprobatórios da alegada hipossuficiência, a agravante quedou-se inerte (fl. 36). Assim, novamente incide a Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), porquanto o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA