AREsp 3223907 - DECISAO
O agravo não é conhecido porque traz questionamento constitucional indevido em recurso especial, não impugnou de forma específica e suficiente os fundamentos do acórdão recorrido (incidindo a Súmula nº 182/STJ) e busca reexame de matéria fático-probatória decidida pela origem, hipótese vedada pela Súmula nº 7/STJ;...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 May 2026
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conhecido do agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Gratuidade Judiciária, Hipossuficiência, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj, Omissão E Fundamentação Judicial, Reexame De Provas, Tema 1178/stj
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Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 impossibilidade de exame de matéria constitucional em recurso especial
- 2 alegação de omissão e insuficiente fundamentação (art. 1.022 CPC)
- 3 reexame de matéria fático-probatória vedado pela Súmula nº 7/STJ
Ratio Decidendi
O agravo não é conhecido porque traz questionamento constitucional indevido em recurso especial, não impugnou de forma específica e suficiente os fundamentos do acórdão recorrido (incidindo a Súmula nº 182/STJ) e busca reexame de matéria fático-probatória decidida pela origem, hipótese vedada pela Súmula nº 7/STJ; além disso, o acórdão atacado encontra-se suficientemente fundamentado, não havendo omissão ou ausência de prestação jurisdicional a ser sanada.
Court Disposition
Não conhecido do agravo em recurso especial
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Caso exista prévia fixação de honorários nas instâncias de origem, majoro-os em 2% sobre o valor já arbitrado, em desfavor da parte agravante, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados os limites legalmente previstos.
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de Agravo em Recurso Especial interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial ante a impossibilidade de exame de matéria constitucional em recurso especial, inexistência de violação do art. 1.022 do CPC e Súmula n. 7 do STJ. Segundo a parte agravante, o recurso preenche os requisitos necessários ao conhecimento e provimento. Intimada nos termos do art. 1.042, § 3º, do Código de Processo Civil, a parte agravada afirmou a inexistência de requisitos ou elementos aptos a promover a alteração do julgado impugnado. É o relatório. DECIDO. O agravo é tempestivo, nos termos do art. 1.003, § 5º, do Código de Processo Civil. A análise dos argumentos recursais não indica, contudo, a existência de fundamentos que sustentem a reforma da decisão recorrida, cujos fundamentos transcrevo para que passem a fazer parte da presente decisão: Trata-se de recurso especial interposto contra acórdão proferido por este Tribunal. As razões interpositivas apontam, além de divergência jurisprudencial, negativa de vigência à legislação federal, bem como ao artigo 93, inciso IX, da constituição da República, asseverando a parte recorrente, em síntese, que houve omissão e insuficiente fundamentação no julgado; que a benesse da gratuidade judiciária é garantida constitucionalmente; que a veracidade da declaração de hipossuficiência firmada só pode ser afastada em face de robusta prova da capacidade financeira do declarante, o que não ocorreu no caso; que foi carreada aos autos documentação suficiente para comprovar a vulnerabilidade exigida para a concessão do benefício; que, ademais, o acórdão recorrido destoa do entendimento esposado pelo STJ no julgamento do Tema nº 1178. Pretende a reforma do acórdão. I Inviável o seguimento do apelo. Inicialmente, ressalta-se a impropriedade de se invocar suposta ofensa a dispositivos constitucionais em sede de recurso especial, pois a função do Superior Tribunal de Justiça é tutelar, exclusivamente, a autoridade e a unidade da lei federal, sendo o julgamento de matéria de índole constitucional competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal. .. Lado outro, não se reveste de razoabilidade a alegação de ofensa aos artigos 489 e 1.022, do Código de Processo Civil, visto que o douto Colegiado deliberou acerca das questões necessárias ao deslinde da causa, encontrando-se o acórdão fundamentado de forma a não ensejar dúvidas sobre as razões de ordem jurídica que lhe deram sustentação. Não se pode confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional. Acerca da alegada subsunção da matéria versada, nestes autos, àquela tratada no Tema nº 1178, do STJ, tem-se que a controvérsia lá instalada diz respeito a definir se é legítima a adoção de critérios objetivos para aferição da hipossuficiência na apreciação do pedido de gratuidade de justiça formulado por pessoa natural. Dessa forma, insta esclarecer que não é cabível o seu enquadramento, pois o acórdão não discutiu a questão sob a ótica tratada no referido tema, tendo indeferido a gratuidade judiciária com fundamentos diversos aos tangenciados no paradigma repetitivo. Quanto ao mais, da atenta leitura dos autos, verifica-se que inexiste questão federal a ser submetida ao colendo Superior Tribunal de Justiça. É que o acórdão hostilizado decorreu da convicção inspirada à Turma Julgadora pelas provas existentes no processo. As razões justificativas do recurso, por seu turno, atêm-se a uma perspectiva de reexame dessas provas para se aferir a alegada contrariedade ao texto legal invocado. Pretende-se, assim, ter novamente apreciada matéria que diz diretamente com questões de fato, advindas do conjunto probatório. Desse modo, a inversão do julgado não está adstrita à interpretação da legislação federal, mas ao exame de matéria fático-probatória a fim de que fossem infirmadas as conclusões colegiadas acerca da ausência de comprovação da necessidade da assistência judiciária, o que faz incidir, na espécie, a vedação inscrita na Súmula nº 7, do Superior Tribunal de Justiça. No presente processo, a parte agravante afirma, em suma, que estão presentes os requisitos para o conhecimento e provimento de seu recurso. Em atenção ao princípio da dialeticidade recursal, a impugnação da decisão agravada deve ser realizada de forma efetiva, concreta e pormenorizada, não sendo suficientes alegações genéricas ou relativas ao mérito da controvérsia, sob pena de incidência, por analogia, da Súmula n. 182/STJ. Observa-se que, no presente caso, não houve combate à impossibilidade de recurso especial com alegação de malferimento a dispositivo da Constituição da República. Ademais, a parte agravante não confrontou sua tese recursal com as premissas fáticas utilizadas na origem com objetivo de afastamento do óbice referido na Súmula n. 7/STJ, mormente quando a Corte de origem traz diversos fundamentos para concluir pela razoabilidade de sua conclusão, pontos que não foram objeto de confronto específico com a tese recursal apresentada. Dito mais claramente, a defesa não impugnou de maneira específica e suficiente os argumentos que sustentam a decisão agravada, do mesmo modo que não foram apresentados fatos novos ou elementos aptos a desconstituir a decisão impugnada, bem como não se demonstrou a inaplicabilidade dos julgados indicados pela decisão que inadmitiu o recurso especial ao presente caso, o que inviabiliza o conhecimento das insurgências. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INOBSERVÂNCIA AO ART. 1.021, § 1º, DO NCPC E INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 182 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO CONHECIDO. 1. O agravo interno não impugnou as razões da decisão agravada, na medida em que não infirmou a alegada intempestividade do agravo em recurso especial e a aplicação da Súmula nº 115 desta Corte. 2. Agravo interno não conhecido. (AgInt no AREsp n. 2.634.826/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 21/10/2024, DJe de 25/10/2024.) A propósito: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. ART. 535 DO CPC/1973. NÃO OCORRÊNCIA. FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. SÚMULA Nº 182 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 1973 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. Não há falar em negativa de prestação jurisdicional se o tribunal de origem motiva adequadamente sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entende cabível à hipótese, apenas não no sentido pretendido pela parte. 3. Não pode ser conhecido o recurso que não infirma especificamente os fundamentos da decisão agravada, por óbice da Súmula nº 182/STJ. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp n. 726.599/DF, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 20/3/2018, DJe de 3/4/2018.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO CPC/73. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC/73. INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 182 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL PARCIALMENTE CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. Inaplicáveis as disposições do NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo nº 2 aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas até então pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. 2. A possibilidade de interposição de agravo regimental contra decisão monocrática proferida com esteio no art. 557 do CPC/73, afasta qualquer alegação de ofensa ao princípio da colegialidade. 3. O agravo regimental não impugnou as razões da decisão agravada, pois não refutou a aplicação das Súmulas nºs 282 e 356 do STF, em razão da ausência de prequestionamento dos arts. 113, § 2º, 128, 165, 183, § 1º, 267, § 3º, 301, 319, 322, parágrafo único, 458, II, III, 460 do CPC/73. Incide, no ponto, a Súmula nº 182 do STJ: É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada. 4. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (AgRg no REsp n. 1.464.098/GO, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 10/10/2017, DJe de 20/10/2017.) Ante o exposto, não conheço do agravo em recurso especial. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino sua majoração em desfavor da parte agravante, no importe de 2% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA