RHC 171095 - DECISAO
A gravação ambiental de 24/11/2017 realizada por um potencial colaborador com ciência/anuência institucional do Ministério Público constitui, na prática, captação de conversa de terceiros por meio de um 'instrumento humano' do parquet, o que atrai a exigência de reserva de lei e de prévia autorização judicial; portanto, a prova e suas derivadas são ilícitas e devem ser desentranhadas dos autos. Além disso, os arts. 8‑A e 10‑A da Lei nº 9.296/96 (alterados pela Lei nº 13.964/2019) não se aplicam retroativamente à gravação produzida em 2017.
- Parties
- Agravante: Marcelo Luís Silva Relvas; Agravante: Rafael Gomes Benez; Potencial Colaborador / Colaborador: Rogério Vieira dos Santos; Colaborador: Manoel Conde Neto; Parquet: Ministério Público do Estado de São Paulo; Tribunal De Origem: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental Em Recurso Em Habeas Corpus / Reconsideração De Decisão Monocrática / Provimento Do Recurso Em Habeas Corpus
- Outcome
- Decisão reconsiderada; provimento ao agravo regimental para dar provimento ao recurso em habeas corpus; declaração de ilicitude da gravação ambiental de 24/11/2017 e de suas provas derivadas
- Legal Topics
- Gravação Ambiental, Colaboração Premiada, Prova Ilícita, Reserva De Lei, Reserva De Jurisdição, Desentranhamento De Provas
Case Brief
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Parties
Marcelo Luís Silva Relvas
Agravante
Rafael Gomes Benez
Agravante
Rogério Vieira dos Santos
Potencial Colaborador / Colaborador
Manoel Conde Neto
Colaborador
Ministério Público do Estado de São Paulo
Parquet
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Tribunal De Origem
Procedural Posture
Agravo Regimental Em Recurso Em Habeas Corpus / Reconsideração De Decisão Monocrática / Provimento Do Recurso Em Habeas Corpus
Legal Issues
- 1 Incidência temporal dos arts. 8-A e 10-A da Lei nº 9.296/96 (Lei nº 13.964/2019) sobre gravações produzidas antes de sua vigência
- 2 Licitude da gravação ambiental realizada por interlocutor que é potencial colaborador com ciência/anuência do Ministério Público
- 3 Se a atuação do Ministério Público transformaria a gravação em captação de conversa de terceiros exigindo prévia autorização judicial
Ratio Decidendi
A gravação ambiental de 24/11/2017 realizada por um potencial colaborador com ciência/anuência institucional do Ministério Público constitui, na prática, captação de conversa de terceiros por meio de um 'instrumento humano' do parquet, o que atrai a exigência de reserva de lei e de prévia autorização judicial; portanto, a prova e suas derivadas são ilícitas e devem ser desentranhadas dos autos. Além disso, os arts. 8‑A e 10‑A da Lei nº 9.296/96 (alterados pela Lei nº 13.964/2019) não se aplicam retroativamente à gravação produzida em 2017.
Court Disposition
Decisão reconsiderada; provimento ao agravo regimental para dar provimento ao recurso em habeas corpus; declaração de ilicitude da gravação ambiental de 24/11/2017 e de suas provas derivadas
Orders
- Declarar ilícita a prova produzida pela gravação ambiental realizada em 24/11/2017 e suas derivadas
- Determinar o desentranhamento das referidas provas dos autos (art. 157 e §1º do CPP)
Full Case Text
Judgment text and source record
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