HC 592092 - DECISAO

HC 592092 - DECISAO

Houve ilegalidade na imposição genérica de proibição de contato com qualquer pessoa, por violar os princípios da proporcionalidade e razoabilidade e inviabilizar o monitoramento eletrônico; assim, a restrição deve ser limitada aos investigados e envolvidos com o fato criminoso sub judice, preservando o direito do paciente de possuir telefone e dele fazer uso, desde que não contacte tais indivíduos. Ademais, não se exige comunicação prévia de todas as saídas do domicílio para tratamento médico, bastando a documentação das saídas; em razão dessas ilegalidades flagrantes, o relator, de ofício, alterou os termos das medidas cautelares (itens III e IV) até o julgamento do mérito.

Parties
Paciente: LUIZ FERREIRA LEITE NETO; Órgão Prolator Da Decisão Impugnada: Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe
Court
Superior Tribunal de Justiça
Jurisdiction
Brazil
Judgment Date
02 February 2021
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Interlocutória (não Conhecimento Do Habeas Corpus Por Via Inadequada E Concessão De Ordem De Ofício/ratificação De Liminar)
Outcome
habeas corpus não conhecido por inadequação da via; concedida ordem de ofício para alterar medidas cautelares e ratificada liminar anteriormente deferida
Legal Topics
Habeas Corpus, Prisão Preventiva, Medidas Cautelares, Prisão Domiciliar, Monitoramento Eletrônico, Proibição De Contato

Case Brief

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Parties

LUIZ FERREIRA LEITE NETO

Paciente

Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe

Órgão Prolator Da Decisão Impugnada

Procedural Posture

Habeas Corpus / Decisão Interlocutória (não Conhecimento Do Habeas Corpus Por Via Inadequada E Concessão De Ordem De Ofício/ratificação De Liminar)

  1. 1 Cabimento do habeas corpus como via adequada diante de decisão que impôs medidas cautelares
  2. 2 Legalidade e proporcionalidade da proibição genérica de contato com qualquer pessoa
  3. 3 Compatibilidade entre monitoramento eletrônico e exigência de contato telefônico contínuo

Ratio Decidendi

Houve ilegalidade na imposição genérica de proibição de contato com qualquer pessoa, por violar os princípios da proporcionalidade e razoabilidade e inviabilizar o monitoramento eletrônico; assim, a restrição deve ser limitada aos investigados e envolvidos com o fato criminoso sub judice, preservando o direito do paciente de possuir telefone e dele fazer uso, desde que não contacte tais indivíduos. Ademais, não se exige comunicação prévia de todas as saídas do domicílio para tratamento médico, bastando a documentação das saídas; em razão dessas ilegalidades flagrantes, o relator, de ofício, alterou os termos das medidas cautelares (itens III e IV) até o julgamento do mérito.

Court Disposition

habeas corpus não conhecido por inadequação da via; concedida ordem de ofício para alterar medidas cautelares e ratificada liminar anteriormente deferida

Orders

  • Ratificar a liminar anteriormente deferida
  • Alterar o item III: concessão de prisão domiciliar por motivo de doença, autorizando a saída do lar para realização de tratamento médico devidamente comprovada, sem necessidade de comunicação prévia, devendo as saídas ser documentadas