HC 579874 - DECISAO
O habeas corpus tornou-se prejudicado em razão da superveniência do julgamento da apelação defensiva pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que modificou o cenário fático-processual e deferiu parte dos pedidos, e porque o acórdão da apelação transitou em julgado, transformando a prisão cautelar em execução...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: ALYND REZENDE DE OLIVEIRA; Órgão Julgador: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 October 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Habeas Corpus Prejudicado
- Outcome
- Habeas corpus julgado prejudicado.
- Legal Topics
- Habeas Corpus, Prisão Preventiva, Trânsito Em Julgado, Execução Da Pena, Regime Inicial De Cumprimento Da Pena, Redução De Pena Art.33 §4º Da Lei 11.343/2006
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ALYND REZENDE DE OLIVEIRA
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Órgão Julgador
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Habeas Corpus Prejudicado
Legal Issues
- 1 prejudicialidade do habeas corpus pela superveniência do julgamento da apelação
- 2 efeito do trânsito em julgado transformando prisão preventiva em execução definitiva da pena
- 3 improcedência do pedido de revogação da prisão preventiva após trânsito em julgado
Ratio Decidendi
O habeas corpus tornou-se prejudicado em razão da superveniência do julgamento da apelação defensiva pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que modificou o cenário fático-processual e deferiu parte dos pedidos, e porque o acórdão da apelação transitou em julgado, transformando a prisão cautelar em execução definitiva da pena, tornando inadequada a via do writ para as pretensões deduzidas.
Court Disposition
Habeas corpus julgado prejudicado.
Orders
- JULGO PREJUDICADO o habeas corpus.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em favor de ALYND REZENDE DE OLIVEIRA contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (HC n.2022630-21.2020.8.26.0000). A Paciente foi condenada à pena de 7 (sete) anos de reclusão, em regime inicial fechado, mais pagamento de 510 (quinhentos e dez) dias-multa, por infração ao art. 33, caput, da Lei n.11.343/2006, e ao art. 297, c.c. o art. 29, na forma do art. 69, do Código Penal, porque tinha em depósito e guardava "um invólucro contendo maconha, no formato de tijolo, com peso líquido de 560,2g (quinhentos e sessenta gramas e dois decigramas)" (fl. 34), além de ter falsificado documento público. Na sentença, foi mantida a prisão preventiva anteriormente decretada. Impetrado prévio writ na origem, o Tribunal a quo conheceu parcialmente da ordem e, nessa extensão, a denegou (fls. 16-20). Nesta ação mandamental, a Defesa pleiteia que seja: a) aplicada a causa especial de diminuição de pena prevista no art. 33, § 4.º, da Lei n.11.343/2006, em sua fração máxima; b) fixado o regime inicial aberto para o cumprimento de pena; e c) substituída a reprimenda privativa de liberdade por penas restritivas de direitos. Requer, em liminar, seja garantido à Paciente o direito de aguardar o julgamento definitivo do habeas corpus em liberdade. No mérito, postula "a possibilidade de recorrer em liberdade, em face da presunção de inocência, a redução da pena pelo patamar máximo da redutora do § 4.º, com a redução da pena em 2/3, bem como a alteração do regime prisional para o aberto e a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos" (fl. 14). O pedido liminar foi indeferido às fls. 45-46. As informações foram prestadas às fls. 53-83. O Ministério Público Federal opinou pela denegação da ordem (fls. 87-89). É o relatório. Decido. Consoante consulta realizada no sítio eletrônico do Tribunal de origem, verifica-se que a Defesa interpôs recurso de apelação contra a sentença condenatória, que foi julgado pelo Tribunal local em 13/10/2020. Na ocasião, a Cortea quodeu parcial provimento ao recurso, "absolvendo-se a apelante quanto ao crime previsto no artigo 297, do Código Penal, nos termos do artigo 386, inciso III, do CPP, reduzindo-se a pena do crime de tráfico a dois (2) anos e seis (6) meses de reclusão, no regime aberto, além do pagamento de duzentos e cinquenta dias-multa (250), mantendo-se, no mais, a respeitável sentença apelada" (Apelação n. 0031619-36.2016.8.26.0050). Como se vê, fica alterado o cenário fático-processual com o julgamento da apelação defensiva pelo Tribunal a quo, que possui um juízo de cognição muito mais amplo que o do habeas corpus.Além disso, parte dos pedidos formulados nestewritforam deferidos pela Corte local. Desse modo, " a superveniência do julgamento da apelação da defesa, por constituir novo título judicial a embasar a condenação do ora agravado, torna prejudicado o writ impetrado de acórdão que julgou o habeas corpus originário. Precedentes" (AgRg no HC 388.416/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 02/05/2017, DJe 08/05/2017). Nesse sentido: "AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. JULGAMENTO DA APELAÇÃO CRIMINAL POSTERIOR À IMPETRAÇÃO. NOVO TÍTULO. WRIT PREJUDICADO. NOVA REALIDADE FÁTICO-PROCESSUAL. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. 1. A superveniência de novo título, consubstanciado em julgamento da apelação, torna prejudicado o habeas corpus que visa a suspensão da ação penal e do curso da prescrição da pretensão punitiva.Precedentes. 2. Com a superveniência do julgamento da apelação, prejudicado o writ anteriormente impetrado, uma vez que a medida, a partir de então, tem novo título judicial que alterou o cenário fático-processual. Precedentes(AgRg no RHC 79.778/GO, Rel.Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 03/08/2017, DJe 14/08/2017). 3. Agravo regimental improvido."(AgRg no HC 622.044/PI, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 23/02/2021, DJe 26/02/2021; sem grifos no original.) Ademais, cumpre registrar que o acórdão que julgou a apelação defensiva transitou em julgado em 26/11/2020. Assim, não há mais interesse na apreciação do pleito de revogação da prisão preventiva, porque a prisão, antes cautelar, agora é definitiva. Com igual conclusão: "HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO ESPECIAL. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. TRÁFICO DE DROGAS. DESCLASSIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO DE FATOS E PROVAS. NULIDADE. INTIMAÇÃO PESSOAL DA DEFENSORIA PÚBLICA. INTIMAÇÃO ELETRÔNICA. OBSERVÂNCIA DO DISPOSTO NA LEI N. 11.419/2006. PRISÃO PREVENTIVA. SUPERVENIÊNCIA DE CERTIDÃO DE TRÂNSITO EM JULGADO. PEDIDO PREJUDICADO. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. .. 4. Com o exaurimento da jurisdição das instâncias ordinárias e a certidão de trânsito em julgado, a segregação a que o paciente está submetido configura execução da pena, não havendo espaço para a análise dos requisitos da custódia cautelar, tal como se pretende nesta impetração. 5. Habeas corpus não conhecido." (HC 618.205/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 03/11/2020, DJe 16/11/2020; sem grifos no original.) Ante o exposto, JULGO PREJUDICADO o habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. TRÁFICO DE DROGAS E FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PÚBLICO.SUPERVENIÊNCIA DO JULGAMENTO DA APELAÇÃO DEFENSIVA. COGNIÇÃO PROFUNDA E EXAURIENTE DAS MATÉRIAS. PERDA DE OBJETO.PRISÃO PREVENTIVA. PEDIDO DE REVOGAÇÃO. TRÂNSITO EM JULGADO. EXECUÇÃO DEFINITIVA DE PENA.WRIT PREJUDICADO.