HC 944579 - DECISAO
O writ não foi conhecido e a liminar foi indeferida porque a condenação do paciente transitou em julgado em 7/6/2023, impedindo o uso do habeas corpus como substitutivo de revisão criminal, não havendo ilegalidade flagrante demonstrada, e parte das questões arguidas não foi debatida pelo tribunal a quo de modo a...
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- Parties
- Paciente: LUCAS DOS SANTOS COELHO; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 September 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento E Indeferimento Liminar
- Outcome
- Writ não conhecido; indefiro liminarmente a impetração.
- Legal Topics
- Habeas Corpus Como Substitutivo De Revisão Criminal, Trânsito Em Julgado, Nulidade De Reconhecimento, Corrupção De Menores (art. 244‑b Do Eca), Aumento De Pena Por Uso De Arma De Fogo, Dosimetria Penal, Supressão De Instância
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Parties
LUCAS DOS SANTOS COELHO
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento E Indeferimento Liminar
Legal Issues
- 1 nulidade do reconhecimento fotográfico/reconhecimento
- 2 absolvição por insuficiência de provas quanto ao crime previsto no art. 244‑B do ECA
- 3 afastamento da causa de aumento por uso de arma de fogo (art. 157, §2º, I, CP)
Ratio Decidendi
O writ não foi conhecido e a liminar foi indeferida porque a condenação do paciente transitou em julgado em 7/6/2023, impedindo o uso do habeas corpus como substitutivo de revisão criminal, não havendo ilegalidade flagrante demonstrada, e parte das questões arguidas não foi debatida pelo tribunal a quo de modo a permitir revisão nesta Corte sem supressão de instância.
Court Disposition
Writ não conhecido; indefiro liminarmente a impetração.
Orders
- Indefiro liminarmente a impetração.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido liminar impetrado em favor de LUCAS DOS SANTOS COELHO no qual se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (Apelação Criminal n. 1503042-95.2021.8.26.0535). Depreende-se dos autos que o paciente foi condenado, pela prática do crime previsto nos arts. 157, §§ 2º, inciso II, e 2º-A, inciso I; 157, §§ 2º, inciso II, e 2º-A, inciso I, c/c o art. 14, inciso II, na forma do art. 71, todos do Código Penal; e 244-B da Lei n. 8.069/1990, c/c o art. 69 do CP, ao cumprimento das penas de 11 anos, 8 meses e 13 dias de reclusão, em regime fechado (e-STJ fls. 41/47). Irresignada, a defesa interpôs recurso de apelação, o qual foi parcialmente provido para reduzir a pena para 9 anos e 26 dias de reclusão (e-STJ fls. 19/32). No presente writ, a defesa postula (e-STJ fls. 17/18): a) Que seja reconhecida a nulidade do reconhecimento, com a consequente absolvição do paciente. b) Seja concedida a absolvição do apelante quanto à imputação do crime de corrupção de menores (art. 244-B, do ECA), diante da ausência de provas concretas e seguras de que o réu tenha induzido, instigado ou facilitado a participação do menor no delito, nos termos do art. 386, inciso III, do Código de Processo Penal; c) Seja afastada a causa de aumento de pena relativa ao uso de arma de fogo, prevista no artigo 157, §2º, inciso I, do Código Penal, mantendo apenas a fração de aumento de 1/6 quanto ao concurso de agentes; d) Subsidiariamente, seja observado o princípio da proporcionalidade, com a fixação de regime semiaberto, em atenção às circunstâncias favoráveis do réu. É o relatório. Decido. O writ não merece conhecimento. O Superior Tribunal de Justiça, de longa data, vem buscando fixar balizas para a racionalização do uso do habeas corpus, visando a garantia não apenas do curso natural das ações ou revisões criminais mas também da efetiva priorização do objeto ínsito ao remédio heroico, qual seja, o de prevenir ou remediar lesão ou ameaça de lesão ao direito de locomoção. Nessa linha, esta Corte, em diversas ocasiões, já assentou a impossibilidade de impetração de habeas corpus em substituição à revisão criminal, quando já transitada em julgado a condenação do réu, posicionando-se no sentido de que " n ão deve ser conhecido o writ que se volta contra acórdão condenatório já transitado em julgado, manejado como substitutivo de revisão criminal, em hipótese na qual não houve inauguração da competência desta Corte" (HC n. 730.555/SC, relator Ministro Olindo Menezes, Desembargador Convocado do TRF 1ª Região, Sexta Turma, julgado em 9/8/2022, DJe de 15/8/2022). Nesse mesmo sentido, os seguintes precedentes: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ROUBO DUPLAMENTE MAJORADO TENTADO. INSURGÊNCIA CONTRA ACÓRDÃO TRANSITADO EM JULGADO. MANEJO DO WRIT COMO REVISÃO CRIMINAL. DESCABIMENTO. ILEGALIDADE FLAGRANTE NÃO DEMONSTRADA. REPRIMENDA INFERIOR A QUATRO ANOS. PENA-BASE FIXADA NO MÍNIMO LEGAL. REGIME MAIS GRAVOSO. POSSIBILIDADE. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA EVIDENCIADA. REFORMATIO IN PEJUS. NÃO OCORRÊNCIA. EFEITO DEVOLUTIVO AMPLO DO RECURSO DE APELAÇÃO. BIS IN IDEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. PETIÇÃO INICIAL LIMINARMENTE INDEFERIDA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Não deve ser conhecido o writ que se volta contra acórdão já transitada em julgado, manejado como substitutivo de revisão criminal, em hipótese na qual não houve inauguração da competência desta Corte. Precedentes da Quinta e Sexta Turmas do Superior Tribunal de Justiça. .. 6. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 751.156/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 9/8/2022, DJe de 18/8/2022, grifei.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS INDEFERIDO LIMINARMENTE. TRÁFICO DE DROGAS. ACÓRDÃO TRANSITADO EM JULGADO. DOSIMETRIA. SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. NÃO INAUGURADA A COMPETÊNCIA DO STJ. INADMISSIBILIDADE. AUMENTO DA PENA-BASE. ELEVADA QUANTIDADE DE DROGAS. PROPORCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 182/STJ. Agravo regimental não conhecido. (AgRg no HC n. 751.137/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 2/8/2022, DJe de 4/8/2022, grifei.) No caso, a condenação do paciente transitou em julgado em 7/6/2023 (conforme consulta ao sítio eletrônico do Tribunal de origem), de maneira que não se deve conhecer do writ que pretende a desconstituição do acórdão proferido pela Corte local, olvidando-se a parte de ajuizar a necessária revisão criminal antes de inaugurar a competência deste Tribunal Superior acerca da controvérsia. De toda forma, não se vislumbra ilegalidade flagrante apta a ser sanada na presente via, ainda que mediante a eventual concessão de habeas corpus de ofício. Ademais, depreende-se dos autos que o presente writ é mera reiteração dos pedidos feitos no HC n. 845.808/SP, também de minha relatoria, no qual já proferi decisão. Por fim, quanto ao pedido de nulidade do reconhecimento, tem-se que a tese não foi debatida de forma específica pelo Tribunal de origem, o que impede a análise por esta Corte, sob pena de indevida supressão de instância. Nesse sentido: PENAL E PROCESSO PENAL. RECURSO EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. SENTENÇA CONDENATÓRIA. NEGATIVA DO DIREITO DE RECORRER EM LIBERDADE. FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA. REITERAÇÃO DELITIVA, E NATUREZA E QUANTIDADE DA DROGA APREENDIDA. ILEGALIDADE. NÃO CONFIGURADA. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA PARTE, IMPROVIDO. 1. Matéria não apreciada pelo Tribunal a quo, também não pode ser objeto de análise nesta Superior Corte, sob pena de indevida supressão de instância. .. 3. Recurso em habeas corpus parcialmente conhecido, e, nesta parte, improvido. (RHC n. 68.025/MG, relator Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 17/5/2016, DJe 25/5/2016.) Ante o exposto, indefiro liminarmente a impetração. Publique-se. Intimem-se. EMENTA