HC 768983 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque a via eleita é inadequada para impugnar acórdão condenatório/transitado em julgado ou substituí-lo por revisão criminal e, na análise de ofício, não se constatou, a partir dos elementos juntados, flagrante ilegalidade que autorizasse a concessão da ordem.
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 May 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecimento
- Outcome
- habeas corpus não conhecido
- Legal Topics
- Habeas Corpus Como Sucedâneo De Recurso Ou Revisão Criminal, Nulidade Por Falta De Intimação Pessoal, Prescrição, Apropriação/desvio De Proventos De Pessoa Idosa, Flagrante Ilegalidade
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 nulidade por falta de intimação pessoal da data de julgamento e do inteiro teor do julgado
- 2 prescrição do crime por fundamento utilizado para exasperar a pena ser inerente ao tipo penal
- 3 cabimento do habeas corpus como substituto de recurso próprio ou de revisão criminal
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque a via eleita é inadequada para impugnar acórdão condenatório/transitado em julgado ou substituí-lo por revisão criminal e, na análise de ofício, não se constatou, a partir dos elementos juntados, flagrante ilegalidade que autorizasse a concessão da ordem.
Court Disposition
habeas corpus não conhecido
Orders
- Não conheço do habeas corpus substitutivo.
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado contra acórdão assim ementado: PRESCRIÇÃO - não ocorrência - prazo que não transcorreu. APROPRIAÇÃO E DESVIO DE PROVENTOS DE IDOSO - materialidade - extratos de conta bancária da vítima, demais documentos e prova oral confirmam que houve apropriação de rendimento de idoso dando-lhes aplicação diversa de sua finalidade. APROPRIAÇÃO E DESVIO DE PROVENTOS DE IDOSO - autoria - prova oral a confirmar a prática delitiva. PENA - reprimenda mantida circunstâncias judiciais desfavoráveis regime semiaberto mantido substituição incabível - multa e perda da chácara mantidas. O paciente foi condenado às penas de 2 anos, 2 meses e 20 dias de reclusão, em regime inicial semiaberto, e pagamento de 21 dias-multa pela prática do crime de apropriação ou desvio de bens, proventos, pensão ou qualquer outro rendimento da pessoa idosa, dando-lhes aplicação diversa da de sua finalidade (artigo 102, caput, do Estatuto do Idoso (Lei 10.741/03), por 128 vezes, em continuidade delitiva), além da reparação de danos fixada com valor mínimo de R$ 500.000,00. A defesa alega, em síntese: a) nulidade absoluta do acórdão condenatório, devido à falta de intimação pessoal da data de julgamento da apelação e do inteiro teor do julgado; e b) crime prescrito, haja vista que o fundamento utilizado para exasperar a pena (a idade avançada da vítima) seria inerente ao tipo penal violado. Ao final, requer a concessão da ordem para que sejam sanadas as nulidades apontadas . Petições supervenientes (e-STJ fls. 122-123 e 127-137). É o relatório. Decido. A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sedimentou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso próprio ou a revisão criminal, situação que impede o conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que se verifica flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal. Veja-se: "O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio, a fim de que não se desvirtue a finalidade dessa garantia constitucional, com a exceção de quando a ilegalidade apontada é flagrante, hipótese em que se concede a ordem de ofício" (AgRg no HC n. 895.777/PR, Relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 2/4/2024, DJe de 8/4/2024). "De acordo com a jurisprudência do STJ, não é cabível o uso de habeas corpus como sucedâneo de revisão criminal, notadamente quando não há indicação de incidência de alguma das hipóteses previstas no art. 621 do CPP. Precedentes" (AgRg no HC n. 864.465/SC, Relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 18/3/2024, DJe de 20/3/2024). A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no mesmo sentido: "Do ponto de vista processual, o caso é de habeas corpus substitutivo de agravo regimental (cabível na origem). Nessas condições, tendo em vista a jurisprudência da Primeira Turma desta Corte, entendo que o processo deve ser extinto sem resolução de mérito, por inadequação da via eleita (HC 115.659, Rel. Min. Luiz Fux) (..) A orientação jurisprudencial deste Tribunal é no sentido de que o "habeas corpus não se revela instrumento idôneo para impugnar decreto condenatório transitado em julgado" (HC 118.292-AgR, Rel. Min. Luiz Fux). 4. O caso atrai o entendimento desta Corte no sentido de que não cabe habeas corpus para reexaminar os pressupostos de admissibilidade de recurso interposto perante outros Tribunais (HC 146.113-AgR, Rel. Min. Luiz Fux; e HC 110.420, Rel. Min. Luiz Fux). (..) (HC 225896 AgR, Relator Ministro Luís Roberto Barroso, Primeira Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 17/5/2023). O entendimento é de elevada importância, devendo ser utilizado para preservar a real utilidade e eficácia da ação constitucional, qual seja, a proteção da liberdade da pessoa, quando ameaçada por ato ilegal ou abuso de poder, garantindo a necessária celeridade no seu julgamento. A concessão de ofício da ordem, nos termos dos arts. 647-A e 654, § 2º, do Código de Processo Penal, depende da existência de flagrante ilegalidade. Analisando-se o conteúdo da documentação colacionada aos autos, não se verifica de plano qualquer violação ao ordenamento jurídico ou flagrante constrangimento ilegal, que implique ameaça de violência ou coação na liberdade de locomoção do paciente, nos termos da Lei nº 14.836, de 8/4/2024, publicada no Diário Oficial da União de 9/4/2024. Pelo exposto, não conheço do habeas corpus substitutivo e, na análise de ofício, não visualizo elementos capazes de caracterizar flagrante ilegalidade. Publique-se. Intimem-se. EMENTA