HC 991020 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque a impetração configura substituição de recurso próprio vedada ao writ e porque o acórdão de origem não revela ilegalidade flagrante passível de revisão de ofício, sendo inviável o reexame de provas no habeas corpus; decisão fundamentada no art. 210 do Regimento Interno do STJ.
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- Parties
- Paciente: RODRIGO COSTA DA LUZ; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS; Manifestante: Ministério Público
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 April 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento (art. 210 Do Regimento Interno Do Stj)
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus.
- Legal Topics
- Habeas Corpus Como Sucedâneo De Recurso Próprio, Participação De Menor Importância (art. 29, § 1º, Cp), Dosimetria Da Pena, Reexame De Provas Em Habeas Corpus
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Parties
RODRIGO COSTA DA LUZ
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS
Autoridade Coatora
Ministério Público
Manifestante
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento (art. 210 Do Regimento Interno Do Stj)
Legal Issues
- 1 cabimento do habeas corpus como substituto de recurso próprio
- 2 aplicação da causa de diminuição de pena por participação de menor importância (art. 29, § 1º, CP)
- 3 existência de ilegalidade flagrante no acórdão impugnado (art. 647-A do CPP)
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque a impetração configura substituição de recurso próprio vedada ao writ e porque o acórdão de origem não revela ilegalidade flagrante passível de revisão de ofício, sendo inviável o reexame de provas no habeas corpus; decisão fundamentada no art. 210 do Regimento Interno do STJ.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus.
Orders
- Indeferida a liminar.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido de liminar impetrado em favor de RODRIGO COSTA DA LUZ em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS. Na peça, a defesa informa que o paciente foi condenado à pena de 5 anos e 4 meses de reclusão em regime inicial semiaberto, como incurso nas sanções do art. 157, § 2º, II, do Código Penal. Alega que houve ilegalidade na não aplicação da causa de diminuição de pena relativa à participação de menor importância, prevista no art. 29, § 1º, do Código Penal, o que caracteriza violação da liberdade de locomoção do paciente. Sustenta que o paciente teria somente auxiliado na prática delitiva e não praticou o núcleo do tipo penal, tendo sido surpreendido apenas após os fatos com o simulacro de arma de fogo, de modo que sua participação foi de menor importância. Afirma que a pena imposta vulnera os princípios da individualização da pena e da isonomia, não sendo valorada a efetiva culpabilidade do paciente. Requer, liminarmente, o deferimento do pedido para obstar o trânsito em julgado e o início do cumprimento da pena até julgamento final do writ (fl. 8). No mérito, pugna pela concessão da ordem para aplicar a causa de diminuição de pena da participação de menor importância, reduzindo a reprimenda na fração máxima de 1/3 (fl. 7). Indeferida a liminar, o Ministério Público manifestou-se pelo não conhecimento, bem como a não concessão da ordem. É o relatório. O Superior Tribunal de Justiça entende ser inviável a utilização do habeas corpus como sucedâneo de recurso próprio, previsto na legislação, impondo-se o não conhecimento da impetração. Sobre a questão, confiram-se os seguintes julgados desta Corte Superior: PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. NULIDADE. ABSOLVIÇÃO IMPETRAÇÃO DE HABEAS CORPUS NA FLUÊNCIA DO PRAZO PARA A INTERPOSIÇÃO DE RECURSOS NA ORIGEM. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O writ foi manejado antes do dies ad quem para a interposição da via de impugnação própria na causa principal, o recurso especial. Dessa forma, a impetração consubstancia inadequada substituição do recurso cabível ao Superior Tribunal de Justiça, não se podendo excluir a possibilidade de a matéria ser julgada por esta Corte na via de impugnação própria, a ser eventualmente interposta na causa principal" (AgRg no HC n. 895.954/DF, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo - Desembargador Convocado do TJSP, Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 20/8/2024.) 2. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 939.599/SE, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 23/10/2024, DJe de 28/10/2024 - grifo próprio.) DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. CONDENAÇÃO TRANSITADA EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DO HABEAS CORPUS COMO SUCEDÂNEO DE REVISÃO CRIMINAL. AGRAVO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto por Pablo da Silva contra decisão monocrática que não conheceu de habeas corpus, com base no entendimento de que o habeas corpus foi utilizado em substituição a revisão criminal. O agravante foi condenado a 1 ano de reclusão, com substituição da pena por restritiva de direitos, pela prática de furto (art. 155, caput, CP). A defesa pleiteou a conversão da pena restritiva de direitos em multa, alegando discriminação com base na condição financeira do paciente. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há duas questões em discussão: (i) definir se é cabível o conhecimento do habeas corpus utilizado em substituição à revisão criminal; e (ii) estabelecer se a escolha da pena restritiva de direitos, em vez de multa, configura discriminação por condição financeira. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O habeas corpus não é admitido como substituto de revisão criminal, conforme a jurisprudência consolidada do STJ e do STF, ressalvados casos de flagrante ilegalidade. 4. Não houve demonstração de ilegalidade evidente na escolha da pena restritiva de direitos, sendo esta compatível com a natureza do crime e as condições pessoais do condenado. IV. DISPOSITIVO E TESE 5. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: 1. O habeas corpus não pode ser utilizado como substituto de revisão criminal, salvo em casos de flagrante ilegalidade. 2. A escolha de pena restritiva de direitos, em substituição à privativa de liberdade, não configura discriminação por condição financeira, desde que adequadamente fundamentada. Dispositivos relevantes citados: Código Penal, art. 155; STJ, AgRg no HC 861.867/SC; STF, HC 921.445/MS. (AgRg no HC n. 943.522/SC, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 22/10/2024, DJe de 4/11/2024 - grifo próprio.) Portanto, não se pode conhecer da impetração. A propósito do disposto no art. 647-A do CPP, verifico que o acórdão impugnado não possui ilegalidade flagrante que permita a concessão da ordem de ofício. Analisados os fundamentos adotados no ato judicial impugnado, observa-se adequada aplicação do direito ao caso concreto, nada havendo a ser reparado na dosimetria da pena. Dessa forma, inviável o afastamento d a conclusão adotada na origem, segundo a qual, apesar da versão desabonadora do réu, a prova oral foi no sentido de que teve participação substancial na conduta delitiva, com afirmações da vítima de que conhecia o paciente e ele sabia o nome dela, além de serem 3 indivíduos, sendo o réu aquele com maioridade. Ressaltou-se, ainda, que o ora paciente teria abordado, "acompanhado de Igor e Júnior, a Ofendida, e posteriormente, guardou o simulacro da arma de fogo" (fl. 12). A esse respeito, "o habeas corpus não é a via adequada para apreciar o pedido de absolvição ou de desclassificação de condutas, tendo em vista que, para se desconstituir o decidido pelas instâncias de origem, mostra-se necessário o reexame aprofundado dos fatos e das provas constantes dos autos, procedimento vedado pelos estreitos limites do writ, caracterizado pelo rito célere e por não admitir dilação probatória" (AgRg no RHC n. 198.668/MG, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 1º /7/2024, DJe de 3/7/2024). Ante o exposto, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA