HC 1027365 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque foi impetrado após o trânsito em julgado do acórdão impugnado, configurando substitutivo de revisão criminal, sendo a revisão criminal o meio adequado nos termos do art. 621 do CPP, e por inexistir ilegalidade flagrante ou hipótese autorizadora para que o STJ conheça do writ sem...
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- Parties
- Paciente: JOÃO VITOR SANTOS DE FRANÇA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 October 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Impetrado Após Trânsito Em Julgado; Substitutivo De Revisão Criminal; Não Conhecido
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Habeas Corpus Contra Acórdão Transitado Em Julgado, Competência Do STJ, Art. 621 Do CPP, Supressão De Instância, Perdão Judicial, Preclusão Temporal
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Parties
JOÃO VITOR SANTOS DE FRANÇA
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Impetrado Após Trânsito Em Julgado; Substitutivo De Revisão Criminal; Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Conhecimento de habeas corpus contra acórdão transitado em julgado
- 2 Aplicabilidade do art. 621 do Código de Processo Penal como meio adequado (revisão criminal)
- 3 Supressão de instância e competência do Superior Tribunal de Justiça
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque foi impetrado após o trânsito em julgado do acórdão impugnado, configurando substitutivo de revisão criminal, sendo a revisão criminal o meio adequado nos termos do art. 621 do CPP, e por inexistir ilegalidade flagrante ou hipótese autorizadora para que o STJ conheça do writ sem supressão de instância.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus
Orders
- Liminar indeferida
- Não conheço do habeas corpus
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em favor de JOÃO VITOR SANTOS DE FRANÇA, contra acórdão que negou provimento ao recurso de apelação defensivo, dando parcial provimento ao recurso ministerial. Consta dos autos que o paciente foi condenado às penas de 5 anos de reclusão, em regime inicial aberto "caráter excepcional" e de suspensão ou proibição do direito de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor, pela prática do crime previsto no art. 302, § 3º, do Código de Trânsito Brasileiro (fls. 220-222). Inconformados, a defesa e o Ministério Público interpuseram recursos de apelação. O Tribunal de origem negou provimento à apelação defensiva e deu parcial provimento ao apelo ministerial, "para exasperar a reprimenda de João Vitor Santos de Franca ao patamar de 06 anos e 03 meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, mais suspensão ou proibição de se obter permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor pelo prazo de 02 meses e 15 dias" (fl. 336). Neste writ, o impetrante defende a incidência do perdão judicial na hipótese, porquanto, conforme reconhecido na sentença condenatória, o paciente já teria sofrido, de forma intensa, as consequências físicas e psicológicas do crime, haja vista que teve nove costelas fraturadas, perfuração do pulmão, remoção do baço e quebra da clavícula e da escápula, permanecendo 15 dias hospitalizado e 3 meses sem poder trabalhar, além do severo abalo emocional decorrente da perda de um amigo. Subsidiariamente, pretende a redução da pena imposta ao paciente para o mínimo legal, considerando a natureza culposa do delito e as condições pessoais favoráveis do paciente, como primariedade e bons antecedentes, a fim de que sejam observadas a proporcionalidade e a individualização da sanção penal. Sustenta, ainda, que seria devido o abrandamento do regime inicial de cumprimento de pena e a imposição de medidas alternativas à prisão, tais como a prestação de serviços à comunidade ou a limitação de fim de semana. Requer, liminarmente, a suspensão dos efeitos da condenação, com a expedição de salvo-conduto em favor do paciente. No mérito, pleiteia a aplicação do perdão judicial, extinguindo-se a punibilidade do acusado. Subsidiariamente, pretende a redução da pena ao mínimo legal e a fixação do regime inicial aberto. Indeferida a liminar, prestadas as informações, manifestou-se o MPF pelo não conhecimento do writ. É o relatório. DECIDO. Examinando as informações, verifica-se que, após proferida a sentença condenatória e julgado o recurso de apelação, foram opostos embargos de declaração, os quais foram rejeitados, sendo ainda interpostos recurso especial, inadmitido, e agravo em recurso especial, não conhecido, em decisão datada de 22/5/2025 (fl. 703), sobrevindo, em seguida, o trânsito em julgado da condenação (fl. 703), tendo o presente writ sido impetrado posteriormente, sendo, pois, substitutivo de revisão criminal. Com efeito, nos termos da jurisprudência desta Corte, não deve ser conhecido o writ que se volta contra acórdão proferido por Tribunal estadual já transitado em julgado, manejado, assim, como substitutivo de revisão criminal, sendo cabível, apenas, em tais casos, o ajuizamento de revisão criminal no Tribunal de origem, nos termos do art. 621 do CPP. A propósito: AgRg no HC n. 751.156/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 9/8/2022, DJe de 18/8/2022; AgRg no HC n. 883.060/SP, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 22/4/2024, DJe de 25/4/2024. Nesse sentido, cito, ainda, os seguintes precedentes: DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. NÃO CONHECIMENTO. TRÂNSITO EM JULGADO DA CONDENAÇÃO. SUPRESSÃO INSTÂNCIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu do habeas corpus, impetrado contra acórdão do Tribunal de origem já transitado em julgado. 2. O agravante pleiteia a extinção da punibilidade pela decadência do crime-fim tributário, com base no princípio da consunção, ou, subsidiariamente, a aplicação do princípio da insignificância, reconhecendo a atipicidade material do comportamento. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em saber se é possível a impetração de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça contra acórdão transitado em julgado, como substitutivo de revisão criminal. 4. Outra questão é saber se há possibilidade de concessão de habeas corpus para declarar a extinção da punibilidade ou aplicar o princípio da insignificância, diante do trânsito em julgado da decisão condenatória. III. Razões de decidir 5. O Superior Tribunal de Justiça não possui competência para processar e julgar habeas corpus contra acórdão transitado em julgado, uma vez que a competência se restringe à revisão criminal de seus próprios julgados. 6. A decisão agravada não apresenta teratologia ou coação ilegal que justifique a concessão da ordem de habeas corpus. 7. A jurisprudência do STJ estabelece que nulidades absolutas ou falhas no acórdão impugnado devem ser arguidas em momento oportuno, sujeitando-se à preclusão temporal. 8. A Corte de origem não se pronunciou sobre os temas expostos na impetração, impedindo o STJ de se debruçar sobre as matérias, sob pena de supressão de instância. IV. Dispositivo e tese 9. Agravo regimental não provido. Tese de julgamento: "1. O STJ não possui competência para processar e julgar habeas corpus contra acórdão transitado em julgado, sendo a revisão criminal o meio adequado. 2. Nulidades absolutas ou falhas devem ser arguidas em momento oportuno, sujeitando-se à preclusão temporal. 3. O STJ não pode se debruçar sobre matérias não apreciadas pela Corte de origem, sob pena de supressão de instância." Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 105, I, "e"; CPP, art. 654, § 2º. Jurisprudência relevante citada: STJ, HC 288.978/SP, Sexta Turma, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. para acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz, DJe 21/5/2018; STJ, AgRg no HC 486.185/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe 07/05/2019; STF, AgRg no HC 134.691/RJ, Primeira Turma, Rel. Min. Alexandre de Moraes, DJe 1º/8/2018. (AgRg no HC n. 916.691/MG, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 12/3/2025, DJEN de 19/3/2025; grifos acrescidos.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ATO APONTADO COMO COATOR TRANSITADO EM JULGADO. MATÉRIA NÃO EXAMINADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. REVISÃO CRIMINAL. AÇÃO AUTÔNOMA CABÍVEL. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. "A impetração de habeas corpus, após o trânsito em julgado da condenação e com a finalidade de reconhecimento de eventual ilegalidade na colheita de provas, é indevida e tem feições de revisão criminal" (AgRg nos EDcl no HC n. 633.625/AC, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, 5ª T., DJe de 8/8/2022). 2. É vedada a inauguração, em habeas corpus, de tese defensiva não alegada e não debatida na via ordinária. 3. A competência do STJ para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados. A defesa busca, diretamente perante esta Corte Superior, a desconstituição do trânsito em julgado da apelação, a fim de que seja reconhecida a nulidade das buscas veicular e pessoal ou que a pena do réu seja readequada. Não há como conhecer da impetração, por não ser o STJ o órgão competente para examinar o pleito. Ademais, a tese de ilicitude das buscas não foi previamente examinada pelas instâncias ordinárias, outra razão para obstar sua apreciação por este Tribunal Superior, a fim de não incidir em supressão de instância. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no HC n. 939.672/SC, relator Ministro Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 16/10/2024, DJe de 23/10/2024; grifos acrescidos.) No caso, como o habeas corpus foi impetrado nesta Corte após o trânsito em julgado do acórdão impugnado, tem-se por inviável o seu conhecimento, inexistindo ilegalidade flagrante a ser sanada, especialmente quando não há indicação de incidência de alguma das hipóteses previstas no art. 621 do Código de Processo Penal. Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA