HC 1082644 - DECISAO
Não conheceu-se do habeas corpus por tratar-se de substituto de recurso próprio e por ausência de flagrante ilegalidade; ademais, a decisão do Tribunal de origem, que indeferiu a progressão de regime e o livramento condicional por falta do requisito subjetivo diante do histórico prisional com faltas graves...
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- Parties
- Paciente: GEORGE DE ALMEIDA; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO; Agravante: MINISTÉRIO PÚBLICO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 31 March 2026
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecido (inadmissível)
- Outcome
- não conhecido do habeas corpus (inadmissível)
- Legal Topics
- Habeas Corpus Inadmissibilidade, Livramento Condicional, Progressão De Regime, Requisito Subjetivo, Falta Grave, Tema 1.161 Do STJ
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Parties
GEORGE DE ALMEIDA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Autoridade Coatora
MINISTÉRIO PÚBLICO
Agravante
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecido (inadmissível)
Legal Issues
- 1 admissibilidade do habeas corpus como sucedâneo de recurso próprio
- 2 existência de ilegalidade flagrante apta a autorizar concessão da ordem de ofício
- 3 valoração do requisito subjetivo para livramento condicional e progressão de regime considerando todo o histórico prisional
Ratio Decidendi
Não conheceu-se do habeas corpus por tratar-se de substituto de recurso próprio e por ausência de flagrante ilegalidade; ademais, a decisão do Tribunal de origem, que indeferiu a progressão de regime e o livramento condicional por falta do requisito subjetivo diante do histórico prisional com faltas graves (cometimento de novo delito e fuga), está em consonância com a jurisprudência do STJ (Tema 1.161) e não admite reexame de provas na via estreita do habeas corpus.
Court Disposition
não conhecido do habeas corpus (inadmissível)
Orders
- Não conheço do habeas corpus.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido de liminar impetrado em favor de GEORGE DE ALMEIDA em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (Agravo em Execução Penal n. 5017446-07.2025.8.19.0500). Consta dos autos que o Juízo da execução penal deferiu o pedido de progressão ao regime aberto e concedeu o livramento condicional ao paciente (fls. 32-33). O Ministério Público, então, interpôs agravo em execução perante o Tribunal de origem, o qual deu provimento ao recurso "para indeferir os benefícios da progressão de regime e livramento condicional" (fl. 31). No presente writ, a Defensoria Pública alega que a negativa da progressão ao regime aberto e do livramento condicional carece de fundamentação concreta e individualizada, baseada em prognóstico abstrato de inadaptação, em desconformidade com o Tema n. 1.161 do STJ. Aduz que a exigência de comprovação prévia de aptidão para o trabalho como condição impeditiva automática constitui criação judicial de requisito não previsto em lei, violando a legalidade. Assevera que o histórico prisional remoto foi utilizado de forma genérica, dissociada da conduta atual, não servindo para infirmar o requisito subjetivo. Afirma que houve desconsideração de circunstâncias favoráveis: cumprimento de parcela significativa da pena, ausência de faltas graves recentes e participação em atividades laborativas e educacionais. Defende que se inverteu a lógica do sistema progressivo ao exigir prova de inserção laboral antes da concessão do regime aberto, criando obstáculo de difícil ou impossível cumprimento no cárcere. Por isso, requer, inclusive liminarmente, a concessão da ordem a fim de que seja restabelecida a decisão da Vara de Execuções Penais que concedeu a progressão ao regime aberto e o livramento condicional; subsidiariamente, a determinação de nova análise pelo Juízo da execução, com fundamentação concreta e sem prognósticos abstratos. É o relatório. O Superior Tribunal de Justiça entende ser inadmissível a utilização do habeas corpus como sucedâneo de recurso próprio, previsto na legislação, impondo-se o não conhecimento da impetração. Sobre a questão, confiram-se os seguintes julgados desta Corte Superior: DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. CONDENAÇÃO TRANSITADA EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DO HABEAS CORPUS COMO SUCEDÂNEO DE REVISÃO CRIMINAL. AGRAVO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto por Pablo da Silva contra decisão monocrática que não conheceu de habeas corpus, com base no entendimento de que o habeas corpus foi utilizado em substituição a revisão criminal. O agravante foi condenado a 1 ano de reclusão, com substituição da pena por restritiva de direitos, pela prática de furto (art. 155, caput, CP). A defesa pleiteou a conversão da pena restritiva de direitos em multa, alegando discriminação com base na condição financeira do paciente. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há duas questões em discussão: (i) definir se é cabível o conhecimento do habeas corpus utilizado em substituição à revisão criminal; e (ii) estabelecer se a escolha da pena restritiva de direitos, em vez de multa, configura discriminação por condição financeira. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O habeas corpus não é admitido como substituto de revisão criminal, conforme a jurisprudência consolidada do STJ e do STF, ressalvados casos de flagrante ilegalidade. 4. Não houve demonstração de ilegalidade evidente na escolha da pena restritiva de direitos, sendo esta compatível com a natureza do crime e as condições pessoais do condenado. IV. DISPOSITIVO E TESE 5. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: 1. O habeas corpus não pode ser utilizado como substituto de revisão criminal, salvo em casos de flagrante ilegalidade. 2. A escolha de pena restritiva de direitos, em substituição à privativa de liberdade, não configura discriminação por condição financeira, desde que adequadamente fundamentada. Dispositivos relevantes citados: Código Penal, art. 155; STJ, AgRg no HC 861.867/SC; STF, HC 921.445/MS. (AgRg no HC n. 943.522/SC, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 22/10/2024, DJe de 4/11/2024.) PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. NULIDADE. ABSOLVIÇÃO IMPETRAÇÃO DE HABEAS CORPUS NA FLUÊNCIA DO PRAZO PARA A INTERPOSIÇÃO DE RECURSOS NA ORIGEM. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O writ foi manejado antes do dies ad quem para a interposição da via de impugnação própria na causa principal, o recurso especial. Dessa forma, a impetração consubstancia inadequada substituição do recurso cabível ao Superior Tribunal de Justiça, não se podendo excluir a possibilidade de a matéria ser julgada por esta Corte na via de impugnação própria, a ser eventualmente interposta na causa principal" (AgRg no HC n. 895.954/DF, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo - Desembargador Convocado do TJSP, Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 20/8/2024.) 2. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 939.599/SE, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 23/10/2024, DJe de 28/10/2024.) Portanto, não se pode conhecer do presente habeas corpus. Por outro lado, o exame dos autos não indica a existência de ilegalidade flagrante, apta a autorizar a concessão da ordem de ofício. O Tribunal de origem deu provimento ao agravo em execução interposto pelo Ministério Público, consignando, para tanto, que (fls. 25-30): No mérito, assiste razão o Agravante. O livramento condicional é um mecanismo jurídico que permite ao condenado cumprir o restante da pena fora da prisão. Necessário, contudo, que sejam atendidos determinados requisitos, divididos em objetivos e subjetivos, conforme estabelecido pelo Código Penal. Assim, e quanto aos requisitos objetivos, incluem a necessidade de que a pena privativa de liberdade seja igual ou superior a dois anos, além da reparação do dano causado pela infração, salvo impossibilidade de fazê-lo. Também é necessário que o condenado tenha cumprido parte da pena, variando de um terço a dois terços, nos casos de condenação, entre outros crimes, por tráfico ilícito de entorpecentes. Já os requisitos subjetivos envolvem a comprovação de bom comportamento durante a execução da pena, a ausência de faltas graves nos últimos doze meses, o bom desempenho no trabalho realizado dentro da penitenciária e a aptidão para prover a própria subsistência por meio de trabalho honesto. Esses critérios visam garantir que o condenado esteja apto a reintegrar-se à sociedade de forma segura e responsável, promovendo a recuperação e a reintegração social do indivíduo. No entanto, isso não restou demonstrado no caso em tela. Realmente. Trata-se de apenado condenado a 19 (dezenove) anos, 06 (seis) meses e 12 (doze) dias de reclusão por quatro crimes de roubo, em sua forma simples e agravada, pelo crime de tráfico ilícito de drogas e pelo crime de resistência, previsto o término do cumprimento para 09/07/2027, conforme pode-se observar no excerto a seguir: .. Do mesmo modo, da leitura que se faz dos autos do processo de execução (nº 0371516-29.2005.8.19.0001 - SEEU), verifica-se que o apenado cumpriu 92% (noventa e dois por cento) da pena, restando a ser cumprida pena de 01 (um) ano, 05 (cinco) meses e 18 (dezoito) dias. Visto estes pontos, se reproduz os termos em que a origem deferiu o benefício ora pretendido pelo apenado: "(..)1.Trata-se de pedido de progressão de regime para o aberto, tendo em vista estarem preenchidos os requisitos legais previstos no artigo 112 da LEP. O MP requereu diligências que não configuram óbice à apreciação do benefício, pelo que passo a apreciá-lo desde logo, considerando o regime de mutirão instituído pelo CNJ. Trata-se de processo inserido no escopo do mutirão processual penal 2024, promovido pelo CNJ, razão pela qual, passo a apreciar desde logo. Conforme demonstra o cálculo do sistema, o requisito objetivo exigido para progressão de regime foi atingido em 11/02/2025. Assim, tendo em vista o preenchimento dos requisitos previstos no art. 112 da LEP, ABERTO, para fins de registro. REGISTRE-SE a PRA. 2. Trata-se de requerimento de livramento condicional. DEFIRO a progressão do apenado para o regime. O MP requereu diligências que não configuram óbice à apreciação do benefício, pelo que passo a apreciá-lo desde logo, considerando o regime de mutirão instituído pelo CNJ. Trata-se de processo inserido no escopo do mutirão processual penal 2024, promovido pelo CNJ, razão pela qual, passo a apreciar desde logo. A despeito do parecer contrário do parquet, não há qualquer óbice concreto à concessão do livramento condicional ao apenado neste momento, na medida em que o apenado preenche o requisito objetivo necessário, conforme cálculos, não tendo praticado qualquer falta grave nos últimos 12 meses. Vale assinalar que a prática de falta grave não interrompe o prazo para livramento condicional, como é curial, bem como, não pode configurar óbice eterno à fruição de novos benefícios, uma vez ultrapassado o prazo legal de 1 ano e possuindo o apenado mérito carcerário, conforme se verifica pela TFD acostada aos autos. Assim, presentes os requisitos legais autorizadores, CONCEDO o livramento condicional ao apenado, na forma do art. 83, do CP. Ficam estabelecidas as seguintes condições ao liberado condicionalmente, nos termos do artigo 132, §1º da LEP. (..)" Desta sorte, embora se tenha como preenchido o requisito objetivo, sobre o qual não resta qualquer controvérsia, deve-se examinar, por outro lado, a presença dos requisitos de ordem subjetiva. Nesse sentido, é certo que, segundo Transcrição da Ficha Disciplinar (id. 02 - fls. 19/21), o Penitente não possui anotação de falta disciplinar nos últimos doze meses e ostenta comportamento Neutro. Contudo, para o livramento condicional, dispõe a Lei de Execuções Penais que o apenado deverá preencher os requisitos legais previstos no art. 83, III, do CP, em que destaca: Art. 83 - O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa de liberdade igual ou superior a 2 (dois) anos, desde que: (..) III - comprovado: a) bom comportamento durante a execução da pena; b) não cometimento de falta grave nos últimos 12 (doze) meses; c) bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído; e d) aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto; Isto posto, conforme apontado pelo d. Ministério Público, tem-se que, em 2020, fora oportunizado ao apenado o regime aberto, na modalidade PAD, porém este voltou a delinquir, conforme se extrai: .. E .. Neste tanto, reitera-se o intelecto do e. STJ firmado no Tema Repetitivo nº 1161 1 , em consonância com o entendimento jurisprudencial, inclusive do STF: "EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO DA PENA. PROGRESSÃO DE REGIME. AUSÊNCIA DO REQUISITO SUBJETIVO (ARTS. 83, INC. III, AL. "A", DO CP, E 112, § 1º, DA LEI Nº 7.210, DE 1984). HISTÓRICO DE FALTAS GRAVES. REVOLVIMENTO DE FATOS E PROVAS: INVIABILIDADE. 1. O fato de o reeducando não ter cometido falta grave nos últimos 12 meses (requisito objetivo, CP, art. 83, inc. III, al. "b") não é suficiente para o reconhecimento do livramento condicional, exigindo-se, ainda, como requisito subjetivo e autônomo, o bom comportamento carcerário (CP, art. 83, inc. III, al. "a"), o qual deve ser avaliado com vistas a toda a execução da pena. 2. Observada a má conduta carcerária, a progressão também se mostra incabível, presente o disposto no art. 112, § 1º, da LEP. 3. Eventual superação do entendimento veiculado pelas instâncias anteriores reclamaria o revolvimento de fatos e provas, inviável na via estreita do habeas corpus. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (RHC 214815 AgR, Relator(a): ANDRÉ MENDONÇA, Segunda Turma, julgado em 22-02-2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 06-03-2023 PUBLIC 07-03-2023)" Dizendo de outra maneira: no caso, estão ausentes as condições subjetivas para a obtenção do livramento condicional. Mais e além: Observa-se que no presente caso não foram trazidos aos autos provas de que o Agravado esteja trabalhando ou que tenha comprovado a impossibilidade de fazê-lo, situação não se adequa ao disposto na alínea "d" do inciso III do art. 83, Código Penal. Do mesmo modo, de se dizer que, para o cumprimento da pena em regime aberto, o apenado também deverá preencher os requisitos legais previstos nos arts. 112 e 114, em que destaca: Art. 112. A pena privativa de liberdade será executada em forma progressiva com a transferência para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos: .. § 1º Em todos os casos, o apenado somente terá direito à progressão de regime se ostentar boa conduta carcerária, comprovada pelo diretor do estabelecimento, e pelos resultados do exame criminológico, respeitadas as normas que vedam a progressão. Art. 114. Somente poderá ingressar no regime aberto o condenado que: I - estiver trabalhando ou comprovar a possibilidade de fazê-lo imediatamente; II - apresentar, pelos seus antecedentes e pelos resultados do exame criminológico, fundados indícios de que irá ajustar-se, com autodisciplina, baixa periculosidade e senso de responsabilidade, ao novo regime. (Grifos nossos) Logo, não há elementos objetivos aptos a demonstrar que irá o apenado se ajustar ao novo regime, no que tange à análise do seu histórico carcerário, além da ausência do preenchimento dos requisitos exigidos no art. 114, da LEP, em específico, o disposto em seu inciso I, cf. visto linhas acima. Dos trechos do acórdão acima colacionados, verifica-se que a conclusão a que chegou o Tribunal de origem está em consonância com a jurisprudência desta Corte Superior de Justiça, pois o indeferimento dos pedidos de livramento condicional e de progressão ao regime aberto foi fundamentado no não preenchimento do requisito subjetivo, devido ao comportamento do paciente durante a execução da pena, considerado desfavorável em razão da prática de duas faltas graves, consistentes na ocorrência de novo delito enquanto cumpria pena em regime aberto e na fuga ocorrida em 1º/12/2022, com recaptura em 20/8/2024. Nesse sentido: DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. EXECUÇÃO PENAL. LIVRAMENTO CONDICIONAL. REQUISITO SUBJETIVO. PRÁTICA DE FALTA GRAVE DURANTE A EXECUÇÃO DA PENA. INDEFERIMENTO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME Agravo regimental interposto contra decisão que conheceu do agravo para dar provimento ao recurso especial e conceder livramento condicional ao agravado. O Ministério Público Federal sustenta a ausência do requisito subjetivo para a concessão do benefício, em razão da prática de falta grave e evasão do estabelecimento prisional. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO A questão em discussão consiste em determinar se a prática de falta grave durante a execução da pena impede a concessão do livramento condicional, ainda que transcorrido o período de 12 meses previsto no art. 83, III, "b", do Código Penal. III. RAZÕES DE DECIDIR A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça estabelece que a prática de falta grave durante a execução da pena justifica o indeferimento do livramento condicional por ausência do requisito subjetivo, ainda que não interrompa o prazo para sua obtenção. O requisito subjetivo do livramento condicional deve ser aferido com base no histórico prisional do apenado, não se limitando ao período de 12 meses anterior ao pedido, conforme entendimento firmado no Tema 1.161 dos recursos repetitivos do STJ. O cometimento de faltas graves, como a evasão do sistema prisional, revela comportamento incompatível com a concessão do benefício e fundamenta sua cassação. A revisão do entendimento do Tribunal de origem demandaria reexame do acervo fático-probatório, o que é inviável na via eleita, nos termos da Súmula 7 do STJ. IV. DISPOSITIVO E TESE Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: A prática de falta grave durante a execução da pena impede a concessão do livramento condicional por ausência do requisito subjetivo. A análise do requisito subjetivo para o livramento condicional deve considerar todo o histórico prisional, não se restringindo ao período de 12 meses previsto no art. 83, III, "b", do Código Penal. Dispositivos relevantes citados: Código Penal, art. 83, III, "a" e "b"; Lei de Execução Penal, arts. 112 e 131. Jurisprudência relevante citada: STJ, REsp 1.970.217/MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Terceira Seção, j. 24/5/2023; STJ, AgRg no HC n. 938.047/SC, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, j. 3/12/2024; STJ, AgRg no HC n. 898.604/SP, Rel. Min. Otávio de Almeida Toledo, Sexta Turma, j. 4/12/2024. (AgRg no AgRg no AREsp n. 2.603.252/SP, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 18/2/2025, DJEN de 25/2/2025, grifei.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. IMPUGNAÇÃO DEFENSIVA. REGRESSÃO CAUTELAR AO REGIME FECHADO. DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS DA PRISÃO DOMICILIAR. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE. LIVRAMENTO CONDICIONAL INDEFERIDO. COMETIMENTO DE NOVO DELITO EM 2022. AUSÊNCIA DE BOM COMPORTAMENTO GLOBAL NA EXECUÇÃO PENAL, AINDA QUE NÃO TENHA SIDO PRESO PREVENTIVAMENTE PELO NOVO CRIME. RECURSO IMPROVIDO. 1- "A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de ser possível a regressão cautelar, inclusive ao regime prisional mais gravoso, diante da prática de infração disciplinar no curso do resgate da reprimenda, sendo desnecessária até mesmo a realização de audiência de justificação para oitiva do apenado, exigência que se torna imprescindível somente para a regressão definitiva .. " (AgRg no HC n. 743.857/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 7/6/2022, DJe de 13/6/2022.) 2- No caso, quanto ao pedido de retorno à prisão domiciliar, o Tribunal de origem já determinou que o Juiz executório profira nova decisão sobre o descumprimento do executado das regras do regime domiciliar, quando então decidirá sobre o retorno do executado ou não ao regime semiaberto harmonizado. Mas até lá, deve o recorrente aguardar no regime fechado, uma vez que, como, em tese, descumpriu regra da prisão domiciliar, no regime semiaberto, a lei autoriza a regressão cautelar de regime, ainda que mais severo que o imposto na condenação, não implicando em violação do princípio da individualização da pena, a teor do art. 118, I, da LEP. 3- Em recente julgamento do Recurso Especial n. 1.970.217/MG (Relator Ministro RIBEIRO DANTAS, Terceira Seção, julgado em 24/5/2023, DJe de 1º/6/2023), na sistemática dos recursos representativos de controvérsia (Tema 1161), em sessão de 24/5/2023, a Terceira Seção desta Corte firmou tese no sentido de que "A valoração do requisito subjetivo para concessão do livramento condicional - bom comportamento durante da execução da pena (art. 83, inciso III, alínea "a", do Código Penal) - deve considerar todo o histórico prisional, não se limitando ao período de 12 meses referido na alínea "b" do mesmo inciso III do art. 83 do Código Penal." 4- Firmou-se, nesta Corte Superior, entendimento no sentido de que, "conquanto não interrompa a contagem do prazo para fins de livramento condicional (enunciado n. 441 da Súmula do STJ), a prática de falta grave impede a concessão do aludido benefício, por evidenciar a ausência do requisito subjetivo exigido durante o resgate da pena, nos termos do art. 83, III, do Código Penal .. " (AgRg no RHC n. 158.190/PA, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 8/2/2022, DJe de 15/2/2022.) 5- No caso, no que se refere ao pedido do livramento condicional, não está preenchido o requisito subjetivo previsto no art. 83, III, "a", para a concessão do benefício, porque o agravante cometeu falta grave em 28/9/2022. Ainda que o recorrente não tenha sido preso preventivamente em razão do novo crime, o cometimento do novo crime, em si, já configura uma falta grave, a qual, então, justifica o indeferimento do livramento condicional, já que, de acordo com a súmula 526, do STJ, "o reconhecimento de falta grave decorrente do cometimento de fato definido como crime doloso no cumprimento da pena prescinde do trânsito em julgado de sentença penal condenatória no processo penal instaurado para apuração do fato." Do mesmo modo, o reconhecimento de falta grave, decorrente do cometimento de novo delito, também prescinde da prisão provisória no novo processo; afinal o comportamento do executado na atual execução em andamento nada tem a ver com o novo processo em que cometido o novo delito. 6-Agravo Regimental não provido. (AgRg no HC n. 913.930/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 24/6/2024, DJe de 3/7/2024, grifei.) AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE. LIVRAMENTO CONDICIONAL DA PENA. REQUISITO SUBJETIVO. FALTA GRAVE RECENTE. PRÁTICA DE NOVO CRIME. AFERIÇÃO DURANTE TODO O HISTÓRICO PRISIONAL. 1. Não há ilegalidade no indeferimento do pedido de livramento condicional da pena, quando a última falta grave ocorreu em 2021 (prática de novo crime quando cumpria o regime aberto), não sendo tão antiga a ponto de ser desconsiderada. Nesse sentido os precedentes do STJ: AgRg no HC n. 763.755/SP, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador convocado do TJDFT), Sexta Turma, julgado em 7/3/2023, DJe de 10/3/2023; AgRg no HC n. 730.327/RS, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 2/12/2022. 2. Conforme a jurisprudência desta Corte, "a circunstância de o paciente já haver se reabilitado, pela passagem do tempo, desde o cometimento das sobreditas faltas, não impede que se invoque o histórico de infrações praticadas no curso da execução penal, como indicativo de mau comportamento carcerário" (HC n. 347.194/SP, relator Ministro Felix Fischer, julgado em 28/6/2016). 3. No Tema repetitivo n. 1.161, a Terceira Seção desta Corte Superior, por maioria, fixou a seguinte tese: "a valoração do requisito subjetivo para concessão do livramento condicional - bom comportamento durante da execução da pena (art. 83, inciso III, alínea "a", do Código Penal) - deve considerar todo o histórico prisional, não se limitando ao período de 12 meses referido na alínea "b" do mesmo inciso III do art. 83 do Código Penal" (REsp n. 1.970.217/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Terceira Seção, julgado em 24/5/2023, DJe de 1º/6/2023.) 4. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp n. 2.043.886/TO, relator Ministro Jesuíno Rissato - Desembargador convocado do TJDFT, Sexta Turma, julgado em 11/12/2023, DJe de 15/12/2023, grifei.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. PLEITO DE PROGRESSÃO DE REGIME. REQUISITO SUBJETIVO NÃO PREENCHIDO. HISTÓRICO PRISIONAL DESFAVORÁVEL. MOTIVAÇÃO IDÔNEA. BOM COMPORTAMENTO DURANTE A EXECUÇÃO DA PENA. ART. 112, § 1.º, DA LEI DE EXECUÇÃO PENAL. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Como é sabido, a execução progressiva da pena, com a transferência para regime menos gravoso, somente será concedida ao condenado que preencher, cumulativamente, os requisitos objetivo e subjetivo, conforme o disposto no art. 112 da Lei de Execução Penal. 2. Na hipótese, as instâncias ordinárias apresentaram fundamentação concreta referente a fatos ocorridos no curso da execução penal para justificar o indeferimento do benefício. Isso porque o Agravante praticou três novos crimes, por ocasião do cumprimento de pena em regime menos rigoroso, ainda que não transitados em julgados. 3. Considerando que o Apenado ostenta histórico prisional desfavorável, o indeferimento da progressão de regime foi devidamente fundamentado na ausência do requisito subjetivo, por quanto o Agravante não ostenta bom comportamento durante a execução da pena, conforme estabelece o art. 112, § 1.º, da Lei de Execução Penal, assim como a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 828.247/RN, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 21/8/2023, DJe de 25/8/2023, grifei.) Além disso , desconstituir a conclusão a que chegou o Tribunal de origem quanto à ausência do requisito subjetivo demandaria amplo revolvimento de matéria fático-probatória, providência incompatível com o rito do habeas corpus. Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA