HC 645314 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque a apelação criminal transitou em julgado, não tendo sido interposto recurso especial nem requerida revisão criminal junto ao Tribunal de Justiça, de modo que se trata de writ substitutivo de revisão criminal cuja apreciação não compete ao STJ, com amparo no art. 34, XX, do RISTJ...
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- Parties
- Paciente: IAPONAN PEREZ FERNANDES; Órgão Prolator Do Acórdão: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 May 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo, Reconhecimento Pessoal (art. 226 Do Cpp), Revisão Criminal, Trânsito Em Julgado, Competência Do STJ
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Parties
IAPONAN PEREZ FERNANDES
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Órgão Prolator Do Acórdão
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Possibilidade de conhecimento de habeas corpus substitutivo de revisão criminal após trânsito em julgado
- 2 Validade de condenação baseada em reconhecimento pessoal sem observância do art. 226 do CPP
- 3 Competência desta Corte para reexaminar matéria fático-probatória após trânsito em julgado
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque a apelação criminal transitou em julgado, não tendo sido interposto recurso especial nem requerida revisão criminal junto ao Tribunal de Justiça, de modo que se trata de writ substitutivo de revisão criminal cuja apreciação não compete ao STJ, com amparo no art. 34, XX, do RISTJ e na jurisprudência citada.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- Com fundamento no art. 34, XX, do RISTJ, não conheço do habeas corpus.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO IAPONAN PEREZ FERNANDES alega ser vítima de coação ilegal em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Apelação Criminal n. 1500572-20.2019.8.26.0549). Consta dos autos que o paciente foi condenado pela prática dos crimes de furto e de roubo majorado, os quais foram cometidos no dia 11/9/2019. A defesa aduz, como tese principal, que o réu foi condenado com base, tão somente, em reconhecimento pessoal realizado em desacordo com as disposições contidas no art. 226 do CPP, motivo pelo qual requer a concessão da ordem, para que ele seja absolvido. Não houve pedido de liminar. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo não conhecimento do habeas corpus. Decido. Este habeas corpus se insurge contra acórdão de apelação proferido em 25/11/2020. A decisão transitou em julgado, com a baixa definitiva dos autos em 16/12/2020; e, em consulta processual realizada na página eletrônica do TJSP, não se verifica o ajuizamento de revisão criminal. Esta Corte, em diversas ocasiões, reconheceu a impossibilidade de uso do habeas corpus concomitante à interposição de recurso especial ou em substituição à revisão criminal, posicionando-se no sentido de que "o trânsito em julgado do acórdão que julga a apelação criminal, sem que haja a inauguração da competência deste Sodalício, torna incognoscível o pedido de habeas corpus" ( AgRg no HC n. 805.183/SP, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, 6ª T., julgado em 12/3/2024, DJe de 15/3/2024). Apesar da ampliação do uso do remédio heroico, e sem esquecer a sua importância na defesa da liberdade de locomoção, a crescente quantidade de impetrações que, antes, deveriam ser examinadas em instâncias diversas, está prejudicando as funções constitucionais desta Corte. É notável o excessivo volume de habeas corpus, que ultrapassaram 905 mil, em detrimento da eficácia do recurso especial, o que prejudica a delimitação de teses para trazer uniformidade e previsibilidade ao sistema jurídico. Os impetrantes devem apresentar os pedidos de habeas corpus de forma adequada, direcionando-os à autoridade que tem atribuição para decidir sobre a questão, em primeiro lugar. No caso em apreço, a defesa, além de não haver interposto recurso especial, deixou de solicitar ao Tribunal de Justiça a revisão de condenação. Sem existir acórdão sobre essa questão, é incabível eventual constatação de manifesta ilegalidade em seu conteúdo. Assim, não está em curso processo que o Superior Tribunal de Justiça possa conhecer (art. 105 da CF), com a possibilidade de, durante o seu julgamento, deparar-se com irregularidade e conceder ordem de ofício (art. 654, § 2º, do CPP). Menciono, por oportuno: .. depois de já transitada em julgado a condenação, revela-se inviável, notadamente diante da incompetência deste Superior Tribunal para analisar habeas corpus substitutivo de revisão criminal, tendente a reapreciar o posicionamento exarado por Colegiado estadual .. (AgRg no HC n. 713.747/SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti, 6ª T., DJe 24/2/2022) Na mesma direção, cito, ainda, as seguintes decisões monocráticas: HC n. 905.628/SP, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), DJe 17/4/2024; HC n. 905.340/SP, Rel. Ministra Daniela Teixeira, DJe 17/4/2024; HC n. 905.232/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, DJe 17/4/2024; HC n. 904.932/PR, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, DJe 16/4/2024. Essa, aliás, também foi a compreensão do Ministério Público Federal, que, em seu parecer, assim se manifestou, no que interessa (fl. 520): Apresenta-se portanto este writ substitutivo ajuizado em 15/02/2021 indevido sucedâneo de eventual revisão criminal, a tornar indelével reconhecer - em respeito à iterativa jurisprudência de ambas as Cortes Constitucionais pátrias e à própria jurisdição - que sequer deve ser conhecido por absoluta incompetência desta Corte Superior haja vista cabível legalmente revisão criminal in casu perante o Tribunal de Justiça local (STJ, 6ªT, AgRg no HC 531.915/SP, rel. Min. Sebastião Reis Júnior, DJe 05/12/2019). Inexistem possibilidade jurídica e condições minimas a que esta Corte em habeas corpus substitutivo (re)faça aprofundado exame de matéria fático-probatória de ação penal pública finda há quase 3 meses com trânsito em julgado da condenação penal em 15/12/2020 (e-STJ, fl. 452), não havendo eiva ou razão alguma a que se albergue eventual concessão - mesmo sem conhecimento (sic) - de ordem substitutiva haja vista não se vislumbrar qualquer ilegalidade, abuso de poder ou teratologia manifesta no veredito serodia e equivocadamente profligado, cabendo lembrar deva existir mínimo respeito à jurisdição competente, que não é, salvo (melhor) juízo, este Superior Tribunal de Justiça, in casu. Ante o exposto, o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL opina que Vossa(s) Excelência(s) sequer conheça(m) deste habeas corpus substitutivo. À vista do exposto, com fundamento no art. 34, XX, do RISTJ, não conheço do habeas corpus. Publique-se e intimem-se. EMENTA