HC 782498 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus por ser substitutivo de recurso próprio/revisão criminal, não cabível na ausência de flagrante ilegalidade; não se verifica, de plano, ilegalidade ou teratologia na dosimetria da pena que justifique revisão em habeas corpus.
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- Parties
- Paciente: BRUNO DE LIMA DOS SANTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 July 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecimento Do Habeas Corpus Substitutivo
- Outcome
- Habeas corpus não conhecido por inadequação da via eleita; não se visualiza flagrante ilegalidade.
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo, Tráfico De Drogas, Dosimetria Da Pena, Tráfico Privilegiado, Flagrante Ilegalidade
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
BRUNO DE LIMA DOS SANTOS
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecimento Do Habeas Corpus Substitutivo
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus como substituto de recurso próprio ou de revisão criminal
- 2 possibilidade de revisão da dosimetria em sede de habeas corpus
- 3 aplicação do § 4º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006 (tráfico privilegiado)
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus por ser substitutivo de recurso próprio/revisão criminal, não cabível na ausência de flagrante ilegalidade; não se verifica, de plano, ilegalidade ou teratologia na dosimetria da pena que justifique revisão em habeas corpus.
Court Disposition
Habeas corpus não conhecido por inadequação da via eleita; não se visualiza flagrante ilegalidade.
Orders
- Liminar indeferida
- Não conheço do habeas corpus substitutivo
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado em benefício de BRUNO DE LIMA DOS SANTOS contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, no julgamento da Apelação Criminal n. 1501347-71.2019.8.26.0537. O paciente foi condenado às penas de 6 anos e 3 meses de reclusão, em regime inicial fechado, e de 625 dias-multa, como incurso no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006, negado o direito de recorrer em liberdade. Inconformada, a defesa apelou perante a Corte de origem, que negou provimento à irresignação. Nesta via, o impetrante sustenta que o paciente é primário, pai de família, tem bons antecedentes e boa conduta carcerária e que não seria possível assegurar que possui a vida voltada ao ilícito, fazendo jus à causa especial de diminuição de pena prevista no § 4º do art. 33 da Lei de Drogas. Requer, no mérito, a concessão da ordem para que seja redimensionada a pena da paciente, aplicando o redutor no patamar máximo. Liminar indeferida e informações prestadas. O Ministério Público Federal opinou pela denegação da ordem. É o relatório. Decido. A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sedimentou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso próprio ou a revisão criminal, situação que impede o conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que se verifica flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal. Veja-se: "O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio, a fim de que não se desvirtue a finalidade dessa garantia constitucional, com a exceção de quando a ilegalidade apontada é flagrante, hipótese em que se concede a ordem de ofício" (AgRg no HC n. 895.777/PR, Relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 2/4/2024, DJe de 8/4/2024). "De acordo com a jurisprudência do STJ, não é cabível o uso de habeas corpus como sucedâneo de revisão criminal, notadamente quando não há indicação de incidência de alguma das hipóteses previstas no art. 621 do CPP. Precedentes" (AgRg no HC n. 864.465/SC, Relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 18/3/2024, DJe de 20/3/2024). A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no mesmo sentido: "Do ponto de vista processual, o caso é de habeas corpus substitutivo de agravo regimental (cabível na origem). Nessas condições, tendo em vista a jurisprudência da Primeira Turma desta Corte, entendo que o processo deve ser extinto sem resolução de mérito, por inadequação da via eleita (HC 115.659, Rel. Min. Luiz Fux) (..) A orientação jurisprudencial deste Tribunal é no sentido de que o "habeas corpus não se revela instrumento idôneo para impugnar decreto condenatório transitado em julgado" (HC 118.292-AgR, Rel. Min. Luiz Fux). 4. O caso atrai o entendimento desta Corte no sentido de que não cabe habeas corpus para reexaminar os pressupostos de admissibilidade de recurso interposto perante outros Tribunais (HC 146.113-AgR, Rel. Min. Luiz Fux; e HC 110.420, Rel. Min. Luiz Fux). (..) (HC 225896 AgR, Relator Ministro Luís Roberto Barroso, Primeira Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 17/5/2023). O entendimento é de elevada importância, devendo ser utilizado para preservar a real utilidade e eficácia da ação constitucional, qual seja, a proteção da liberdade da pessoa, quando ameaçada por ato ilegal ou abuso de poder, garantindo a necessária celeridade no seu julgamento. A concessão de ofício da ordem, nos termos dos arts. 647-A e 654, § 2º, do Código de Processo Penal, depende da existência de flagrante ilegalidade. Analisando-se o conteúdo da documentação colacionada aos autos, não se verifica de plano qualquer violação ao ordenamento jurídico ou flagrante constrangimento ilegal, que implique ameaça de violência ou coação na liberdade de locomoção do paciente, nos termos da Lei n. 14.836, de 8/4/2024, publicada no Diário Oficial da União de 9/4/2024. Efetivamente, é cediça a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça no sentido de que "a individualização da pena, como atividade discricionária do julgador, está sujeita à revisão apenas nas hipóteses de flagrante ilegalidade ou teratologia, quando não observados os parâmetros legais estabelecidos ou o princípio da proporcionalidade" (HC n. 595.958/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 18/8/2020, DJe de 24/8/2020). Ou seja, a revisão da dosimetria em sede de habeas corpus "é possível somente em situações excepcionais, de manifesta ilegalidade ou abuso de poder reconhecíveis de plano, sem maiores incursões em aspectos circunstanciais ou fáticos e probatórios" (HC n. 304.083/PR, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, julgado em 12/2/2015, DJe de 12/3/2015). No presente feito, observa-se que o afastamento da figura do tráfico privilegiado se deu de maneira motivada e inexistem elementos que permitam afirmar flagrante ilegalidade, como decidi no writ impetrado em favor da corré (HC n. 768.398/SP). Pelo exposto, não conheço do habeas corpus substitutivo e, na análise de ofício, não visualizo elementos capazes de caracterizar flagrante ilegalidade. Publique-se. Intimem-se. EMENTA