HC 869756 - DECISAO
Embora não se conheça do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio, verificou-se flagrante ilegalidade na condução e na primeira oitiva da paciente sem garantia do direito ao silêncio e à defesa, bem como na apreensão e acesso a dados telemáticos do celular sem ordem judicial; por isso a Corte, ex officio, declarou nulos o primeiro interrogatório (fls.18/20) e as provas telemáticas (geolocalizações, ERB e extrato de ligações, fls.574/615) e determinou seu desentranhamento, com declaração de nulidade dos atos subsequentes para apreciação pelo juízo de primeiro grau.
- Parties
- Paciente: MARILENE FATIMA OTT BELUSSO; Parte Que Apresentou Parecer: Ministério Público Federal; Órgão Prolator Do Acórdão Impugnado: 11ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo; Autoridade Apontada Como Coatora: MM. Juízo de Direito da 3ª Vara Criminal da Comarca de Atibaia
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 August 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Da Terceira Seção Do STJ
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio, mas concedo a ordem ex officio para declarar a nulidade de atos e provas específicas
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo, Nulidade De Provas, Quebra De Sigilo Telemático, Direito Ao Silêncio, Condução Coercitiva, Apreensão De Aparelho Celular, ERB E Dados De Bilhetagem
Case Brief
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Parties
MARILENE FATIMA OTT BELUSSO
Paciente
Ministério Público Federal
Parte Que Apresentou Parecer
11ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo
Órgão Prolator Do Acórdão Impugnado
MM. Juízo de Direito da 3ª Vara Criminal da Comarca de Atibaia
Autoridade Apontada Como Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Da Terceira Seção Do STJ
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus em substituição a recurso próprio versus concessão ex officio em caso de flagrante ilegalidade
- 2 ilegalidade da oitiva policial da paciente como 'testemunha' sem garantia do direito ao silêncio e à assistência de advogado
- 3 ilegalidade da apreensão do aparelho celular e da quebra de sigilo telemático (ERB, geolocalização e bilhetagem) sem ordem judicial
Ratio Decidendi
Embora não se conheça do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio, verificou-se flagrante ilegalidade na condução e na primeira oitiva da paciente sem garantia do direito ao silêncio e à defesa, bem como na apreensão e acesso a dados telemáticos do celular sem ordem judicial; por isso a Corte, ex officio, declarou nulos o primeiro interrogatório (fls.18/20) e as provas telemáticas (geolocalizações, ERB e extrato de ligações, fls.574/615) e determinou seu desentranhamento, com declaração de nulidade dos atos subsequentes para apreciação pelo juízo de primeiro grau.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio, mas concedo a ordem ex officio para declarar a nulidade de atos e provas específicas
Orders
- Declara-se a nulidade dos interrogatórios/depoimentos da paciente (fls. 18/20)
- Declara-se a nulidade das provas que apontam geolocalizações, Estações Rádio Base e extrato de ligações efetuadas e recebidas (fls. 574/615) e determina-se o seu desentranhamento dos autos
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