HC 936767 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque a via eleita constitui substitutivo de recurso ou de revisão criminal, situação em que só se admite a impetração em presença de flagrante ilegalidade, a qual não restou demonstrada na análise de ofício dos autos.
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: Paciente; Defesa: Defesa
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 August 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Análise De Admissibilidade Não Conhecido
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus por inadequação da via eleita; na análise de ofício não se vislumbrou flagrante ilegalidade.
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo, Flagrante Ilegalidade, Trânsito Em Julgado, Dosimetria Da Pena, Crime Ambiental Dano À Unidade De Conservação
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Parties
Paciente
Paciente
Defesa
Defesa
Procedural Posture
Habeas Corpus / Análise De Admissibilidade Não Conhecido
Legal Issues
- 1 cabimento do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio ou de revisão criminal
- 2 existência de flagrante ilegalidade apta a justificar conhecimento de ofício
- 3 alegações de aumento desproporcional da pena por valoração da culpabilidade
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque a via eleita constitui substitutivo de recurso ou de revisão criminal, situação em que só se admite a impetração em presença de flagrante ilegalidade, a qual não restou demonstrada na análise de ofício dos autos.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus por inadequação da via eleita; na análise de ofício não se vislumbrou flagrante ilegalidade.
Orders
- Não conheço do habeas corpus substitutivo.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado contra acórdão assim ementado: PENAL. APELAÇÃO CRIMINAL. CRIME AMBIENTAL. EXTRAÇÃO DE RECURSOSMINERAIS SEM AUTORIZAÇÃO. ART. 2º, LEI Nº 8.176/91. CRIME DE DANOCONTRA UNIDADE DE CONSERVAÇÃO. ART. 40 DA LEI Nº 9.605/98. ABSOLVIÇÃO. DESCABIMENTO. DANO COMPROVADO. PRELIMINARES DESUSPENSÃO DO PROCESSO, LITISPENDÊNCIA E INCOMPETÊNCIA. MATERIALIDADE E AUTORIA COMPROVADAS. CONDENAÇÃO MANTIDA. DOSIMETRIA REFORMADA. PENAS SUBSTITUTIVAS MANTIDAS. PRESCRIÇÃODO CRIME DO ART. 55, CAPUT, DA LEI Nº 9.605/98. OCORRÊNCIA. Paciente foi condenado, com trânsito em julgado, à pena de 3 anos de reclusão em regime aberto pela prática do crime de causar dano à unidade de conservação (art. 40 da Lei nº 9.605/98). A defesa alega, em síntese, que o paciente está sofrendo constrangimento ilegal, pois houve aumento desproporcional da pena base em razão da valoração negativa da circunstância judicial da culpabilidade, bem como porque houve indevido reconhecimento do crime continuado. Por fim, alega constrangimento ilegal por falta de fundamentação a respeito do aumento da pena. Ao final, requer a concessão da ordem para anular o acórdão ou redimensionar a pena do paciente. É o relatório. Decido. A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sedimentou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso próprio ou a revisão criminal, situação que impede o conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que se verifica flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal. Veja-se: "O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio, a fim de que não se desvirtue a finalidade dessa garantia constitucional, com a exceção de quando a ilegalidade apontada é flagrante, hipótese em que se concede a ordem de ofício" (AgRg no HC n. 895.777/PR, Relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 2/4/2024, DJe de 8/4/2024). "De acordo com a jurisprudência do STJ, não é cabível o uso de habeas corpus como sucedâneo de revisão criminal, notadamente quando não há indicação de incidência de alguma das hipóteses previstas no art. 621 do CPP. Precedentes" (AgRg no HC n. 864.465/SC, Relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 18/3/2024, DJe de 20/3/2024). A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no mesmo sentido: "Do ponto de vista processual, o caso é de habeas corpus substitutivo de agravo regimental (cabível na origem). Nessas condições, tendo em vista a jurisprudência da Primeira Turma desta Corte, entendo que o processo deve ser extinto sem resolução de mérito, por inadequação da via eleita (HC 115.659, Rel. Min. Luiz Fux) (..) A orientação jurisprudencial deste Tribunal é no sentido de que o "habeas corpus não se revela instrumento idôneo para impugnar decreto condenatório transitado em julgado" (HC 118.292-AgR, Rel. Min. Luiz Fux). 4. O caso atrai o entendimento desta Corte no sentido de que não cabe habeas corpus para reexaminar os pressupostos de admissibilidade de recurso interposto perante outros Tribunais (HC 146.113-AgR, Rel. Min. Luiz Fux; e HC 110.420, Rel. Min. Luiz Fux). (..) (HC 225896 AgR, Relator Ministro Luís Roberto Barroso, Primeira Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 17/5/2023). O entendimento é de elevada importância, devendo ser utilizado para preservar a real utilidade e eficácia da ação constitucional, qual seja, a proteção da liberdade da pessoa, quando ameaçada por ato ilegal ou abuso de poder, garantindo a necessária celeridade no seu julgamento. A concessão de ofício da ordem, nos termos dos arts. 647-A e 654, § 2º, do Código de Processo Penal, depende da existência de flagrante ilegalidade. Analisando-se o conteúdo da documentação colacionada aos autos, não se verifica de plano qualquer violação ao ordenamento jurídico ou flagrante constrangimento ilegal, que implique ameaça de violência ou coação na liberdade de locomoção do paciente, nos termos da Lei nº 14.836, de 8/4/2024, publicada no Diário Oficial da União de 9/4/2024. Pelo exposto, não conheço do habeas corpus substitutivo e, na análise de ofício, não visualizo elementos capazes de caracterizar flagrante ilegalidade. Publique-se. Intimem-se. EMENTA