HC 807871 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o habeas corpus não é via adequada para substituir recurso próprio, a alegada nulidade da busca pessoal não foi examinada pela instância de origem (supressão de instância) e não se verificou flagrante ilegalidade que justificasse a concessão de ofício da ordem; além...
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- Parties
- Paciente: MARCELO RODRIGUES CARVALHO; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS; Órgão Interveniente (oposição): MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Habeas Corpus Substitutivo / Decisão Colegiada (quinta Turma)
- Outcome
- negado provimento ao agravo regimental
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo, Tráfico De Drogas, Nulidade Da Busca Pessoal, Supressão De Instância, Flagrante Ilegalidade, Reexame Do Acervo Fático Probatório Vedado
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Parties
MARCELO RODRIGUES CARVALHO
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS
Autoridade Coatora
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Órgão Interveniente (oposição)
Procedural Posture
Agravo Regimental No Habeas Corpus Substitutivo / Decisão Colegiada (quinta Turma)
Legal Issues
- 1 possibilidade de conhecimento do habeas corpus em substituição a recurso próprio
- 2 existência de flagrante ilegalidade apta a ensejar a concessão de ofício da ordem
- 3 nulidade da busca pessoal não suscitada na instância de origem (supressão de instância)
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o habeas corpus não é via adequada para substituir recurso próprio, a alegada nulidade da busca pessoal não foi examinada pela instância de origem (supressão de instância) e não se verificou flagrante ilegalidade que justificasse a concessão de ofício da ordem; além disso, o reexame do acervo fático-probatório é vedado em habeas corpus.
Court Disposition
negado provimento ao agravo regimental
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental
- Publicar-se
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto. EMENTA DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO. TRÁFICO DE DROGAS. NULIDADE DA BUSCA PESSOAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental em habeas corpus impetrado em favor de paciente condenado por tráfico de drogas, com pedido de nulidade da busca pessoal e desclassificação para posse de droga para uso. Liminar indeferida e ordem denegada pelo Ministério Público Federal. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão em discussão consiste na possibilidade de conhecimento do habeas corpus substitutivo de recurso próprio e na análise de flagrante ilegalidade. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio, salvo em casos de flagrante ilegalidade. 4. A alegação de nulidade da busca pessoal não foi debatida na instância de origem, configurando supressão de instância. 5. Não se verifica flagrante ilegalidade que justifique a concessão de ofício da ordem. 6. A reanálise do acervo fático-probatório é vedada em sede de habeas corpus, limitando a atuação desta Corte. IV. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO
RELATÓRIO Tendo em vista as orientações e valores destacados no Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples, o qual está pautado em instrumentos internacionais de direitos humanos e de acesso à Justiça, adoto o último relatório contido nos autos (e-STJ, fls. 532-533). O agravante requer a reconsideração da decisão ou o provimento de seu recurso pelo colegiado. É o relatório. EMENTA DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO. TRÁFICO DE DROGAS. NULIDADE DA BUSCA PESSOAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental em habeas corpus impetrado em favor de paciente condenado por tráfico de drogas, com pedido de nulidade da busca pessoal e desclassificação para posse de droga para uso. Liminar indeferida e ordem denegada pelo Ministério Público Federal. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão em discussão consiste na possibilidade de conhecimento do habeas corpus substitutivo de recurso próprio e na análise de flagrante ilegalidade. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio, salvo em casos de flagrante ilegalidade. 4. A alegação de nulidade da busca pessoal não foi debatida na instância de origem, configurando supressão de instância. 5. Não se verifica flagrante ilegalidade que justifique a concessão de ofício da ordem. 6. A reanálise do acervo fático-probatório é vedada em sede de habeas corpus, limitando a atuação desta Corte. IV. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO VOTO O agravo regimental é tempestivo e indicou os fundamentos da decisão recorrida, razão pela qual deve ser conhecido. No entanto, não verifico elementos suficientes para reconsiderar a decisão proferida, cuja conclusão mantenho pelos seus próprios fundamentos (e-STJ, fls. 533-534): .. Trata-se de habeas corpus com pedido de liminar impetrado em favor de MARCELO RODRIGUES CARVALHO em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS (Apelação Criminal 5232243-74.2022.8.09.0051). O paciente foi condenado à pena de 1 ano e 8 meses de reclusão, além do pagamento de 167 dias-multa, por infração ao art. 33, caput, da Lei 11.343/2006, sendo substituída por duas penas restritivas de direito, quais sejam, prestação de serviço à comunidade e prestação pecuniária. A impetrante sustenta: a) "a ação policial que culminou na apreensão das drogas é nula, já que o paciente sofreu busca pessoal absolutamente imotivada, sem que houvesse qualquer indício do cometimento de crime que pudesse gerar fundada suspeita apta a ensejar a legalidade da abordagem, sendo, pois, ilícitas as provas obtidas, tendo em vista o descumprimento dos artigos 240, § 2º e 244, ambos do Código de Processo Penal" (e-STJ fl. 05); b) "a mera "atitude suspeita" ou o suposto "nervosismo" do acusado, impressões absolutamente subjetivas por parte do policial, por si só, não autorizam a revista pessoal, vez que é necessária a realização de diligências, averiguações prévias que demonstrem indícios mínimos da suspeita de existência de crime" (e-STJ fl. 05); c) "toda a acusação é calcada apenas nas percepções policiais, de que Marcelo estaria traficando no local por possuir registros criminais, mas não existe nenhum lastro probatório que realmente confirme a mercancia ilícita" (e-STJ fl. 06); d) "ainda que se entenda ter sido legal a busca pessoal, cabe ser destacado que o paciente foi abordado na posse de ínfima quantidade de entorpecentes: 225g (duzentos e vinte e cinco gramas) de maconha e 3,533g (três gramas, quinhentos e trinta e três miligramas) de cocaína, o que não justifica a condenação nos termos do artigo 33 da Lei n.º11.343/06" (e-STJ fl. 07); e e) "pelo fato de ninguém jamais ter presenciado o implicado negociando o produto de substâncias ilícitas, tratando-se ele de usuário, a desclassificação da conduta imputada ao processado para a prevista no art. 28 da Lei nº.11.343/06 é medida que se impõe" (e-STJ fl. 08). Requer liminar para obstar o início do cumprimento de sentença até o julgamento final do presente writ e, definitivamente, o deferimento da ordem a fim de que seja declarada a nulidade das provas colhidas posteriormente à busca pessoal, absolvendo o paciente e ainda, subsidiariamente, a desclassificação para o crime de posse de droga para uso. A liminar foi indeferida. As informações foram prestadas. O Ministério Público Federal promoveu a denegação da ordem. É o relatório. Decido. A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sedimentou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso próprio ou a revisão criminal, situação que impede o conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que se verifica flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal. Veja-se: "O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio, a fim de que não se desvirtue a finalidade dessa garantia constitucional, com a exceção de quando a ilegalidade apontada é flagrante, hipótese em que se concede a ordem de ofício" (AgRg no HC n. 895.777/PR, Relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 2/4/2024, DJe de 8/4/2024). "De acordo com a jurisprudência do STJ, não é cabível o uso de habeas corpus como sucedâneo de revisão criminal, notadamente quando não há indicação de incidência de alguma das hipóteses previstas no art. 621 do CPP. Precedentes" (AgRg no HC n. 864.465/SC, Relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 18/3/2024, DJe de 20/3/2024). A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no mesmo sentido: "Do ponto de vista processual, o caso é de habeas corpus substitutivo de agravo regimental (cabível na origem). Nessas condições, tendo em vista a jurisprudência da Primeira Turma desta Corte, entendo que o processo deve ser extinto sem resolução de mérito, por inadequação da via eleita (HC 115.659, Rel. Min. Luiz Fux) (..) A orientação jurisprudencial deste Tribunal é no sentido de que o "habeas corpus não se revela instrumento idôneo para impugnar decreto condenatório transitado em julgado" (HC 118.292-AgR, Rel. Min. Luiz Fux). 4. O caso atrai o entendimento desta Corte no sentido de que não cabe habeas corpus para reexaminar os pressupostos de admissibilidade de recurso interposto perante outros Tribunais (HC 146.113-AgR, Rel. Min. Luiz Fux; e HC 110.420, Rel. Min. Luiz Fux). (..) (HC 225896 AgR, Relator Ministro Luís Roberto Barroso, Primeira Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 17/5/2023). O entendimento é de elevada importância, devendo ser utilizado para preservar a real utilidade e eficácia da ação constitucional, qual seja, a proteção da liberdade da pessoa, quando ameaçada por ato ilegal ou abuso de poder, garantindo a necessária celeridade no seu julgamento. A concessão de ofício da ordem, nos termos dos arts. 647-A e 654, § 2º, do Código de Processo Penal, depende da existência de flagrante ilegalidade. Analisando-se o conteúdo da documentação colacionada aos autos, não se verifica de plano qualquer violação ao ordenamento jurídico ou flagrante constrangimento ilegal, que implique ameaça de violência ou coação na liberdade de locomoção do paciente, nos termos da Lei nº 14.836, de 8/4/2024, publicada no Diário Oficial da União de 9/4/2024. Quanto à alegação de nulidade da busca pessoal, verifica-se que a questão não foi debatida na instância de origem, a evidenciar que seu conhecimento representa indevida supressão de instância. Pelo exposto, não conheço do habeas corpus substitutivo e, na análise de ofício, não visualizo elementos capazes de caracterizar flagrante ilegalidade. Publique-se. Intimem-se. Reforço que a decisão monocrática agravada está de acordo com a jurisprudência da 5ª Turma desta Corte. Veja-se: PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. NULIDADE. BUSCA PESSOAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. AGRAVO DESPROVIDO. 1. A questão relativa à suposta ilegalidade da busca por ausência de fundada suspeita não foi examinada perante o Tribunal de origem, razão pela qual resta afastada a competência desta Corte Superior para conhecimento da matéria, sob pena de incorrer em indevida supressão de instância. 2. De acordo com julgado deste Tribunal Superior: "para se considerar o tema tratado pela instância a quo, faz-se necessária a efetiva manifestação cognitiva sobre a temática suscitada, de modo a cotejar a realidade dos autos com o entendimento jurídico indicado" (AgRg no HC n. 778.674/SP, relator Ministro JESUÍNO RISSATO (Desembargador Convocado do TJDFT), Quinta Turma, DJe de 2/12/2022). 3. Conforme orientação sedimentada do STJ: "até mesmo matéria de ordem pública pressupõe seu prévio exame, na origem, para que possa ser analisada por esta Corte" (AgRg no HC n. 643.018/ES, relatora Ministra LAURITA VAZ, Sexta Turma, DJe de 21/6/2022). 4. Agravo desprovido. (AgRg no HC 868.841/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 2/9/2024, DJe de 5/9/2024 - grifos acrescidos). No mesmo sentido: AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. OPERAÇÃO ALCATRAZ. PLEITO DE RESTITUIÇÃO DE BENS ARRESTADOS OU SEQUESTRADOS. AUSÊNCIA DE RISCO À LIBERDADE DE LOCOMOÇÃO. MANDAMUS. DESCABIMENTO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. "De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, "o pedido de restituição de bens apreendidos refoge do alcance do habeas corpus, cujo escopo é a proteção do direito de locomoção diante de ameaça ou lesão decorrente de ato ilegal ou praticado com abuso de poder, sendo incabível sua impetração visando direito de natureza diversa da liberdade ambulatorial" (AgRg no HC n. 405.543/SC, Rel. Min. JORGE MUSSI, Quinta Turma, julgado em 21/11/2017, DJe de 28/11/2017.)" (AgRg no HC n. 800.468/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 28/2/2023, DJe de 6/3/2023)" (AgRg no HC n. 805.948/PB, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 24/4/2023, DJe de 25/5/2023). 2. Agravo regimental desprovido. (AgRg nos EDcl no RHC 179.537/SC, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 20/5/2024, DJe de 24/5/2024). Por fim, para superar as conclusões alcançadas na origem e chegar às pretensões apresentadas pela parte, é imprescindível a reanálise do acervo fático-probatório dos autos, o que impede a atuação excepcional desta Corte. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É o voto.