HC 863947 - ACORDAO
Não se conheceu do habeas corpus porque não há flagrante ilegalidade a justificar seu uso como substitutivo de recurso e porque o reconhecimento fotográfico, ainda que tenha sido realizado sem observância integral do art. 226 do CPP, foi confirmado em juízo e devidamente corroborado por outras provas robustas...
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- Parties
- Paciente: Cleber Campos Santiago; Paciente: Felipe Matheus Vieira; Paciente: Zidane da Silva dos Santos; Paciente: Byanca Patacho de Souza Santos
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 December 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento (julgado)
- Outcome
- Habeas corpus não conhecido
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo, Reconhecimento Fotográfico, Nulidade, Flagrante Ilegalidade, Prova Corroborada
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Parties
Cleber Campos Santiago
Paciente
Felipe Matheus Vieira
Paciente
Zidane da Silva dos Santos
Paciente
Byanca Patacho de Souza Santos
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento (julgado)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de utilização do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio
- 2 Validade do reconhecimento fotográfico realizado sem observância do art. 226 do CPP quando corroborado por outras provas
- 3 Admissibilidade de reexame do conjunto fático-probatório na via do habeas corpus
Ratio Decidendi
Não se conheceu do habeas corpus porque não há flagrante ilegalidade a justificar seu uso como substitutivo de recurso e porque o reconhecimento fotográfico, ainda que tenha sido realizado sem observância integral do art. 226 do CPP, foi confirmado em juízo e devidamente corroborado por outras provas robustas (depoimentos, apreensão do celular da vítima em posse dos réus), de modo que não se verifica nulidade apta a ensejar a concessão da ordem.
Court Disposition
Habeas corpus não conhecido
Orders
- Habeas corpus não conhecido
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, não conhecer do pedido. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Joel Ilan Paciornik. EMENTA DIREITO PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. ROUBO CIRCUNSTANCIADO E EXTORSÃO. ART. 157, §2º, II E V, E §2º-A, I; ART. 158, §1º E §3º; ART. 69, TODOS DO CÓDIGO PENAL. RECONHECIMENTO FOTOGRÁFICO. INOBSERVÂNCIA DO ART. 226 DO CPP. CORROBORAÇÃO POR OUTRAS PROVAS. AUSÊNCIA DE NULIDADE. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. I. Caso em exame 1. Habeas corpus impetrado contra decisão que manteve a condenação dos pacientes pela prática dos crimes de roubo circunstanciado e extorsão (art. 157, §2º, incisos II e V, §2º-A, inciso I; art. 158, §1º e §3º, combinados com art. 69 do Código Penal). A defesa sustenta a nulidade do reconhecimento fotográfico realizado sem a observância do art. 226 do CPP, pleiteando a absolvição dos réus por ausência de provas. II. Questão em discussão 2. Há duas questões em discussão: (i) a possibilidade de utilização do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio; (ii) a validade do reconhecimento fotográfico realizado sem a observância das formalidades do art. 226 do CPP, e se este reconhecimento, corroborado por outras provas, é suficiente para manter a condenação dos réus. III. Razões de decidir 3. O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio ou revisão criminal, salvo em casos de flagrante ilegalidade, conforme jurisprudência pacificada do STJ e STF. 4. O reconhecimento fotográfico, mesmo que realizado sem observância das formalidades do art. 226 do CPP, pode ser válido quando corroborado por outras provas produzidas em juízo, conforme entendimento consolidado pelo STJ, a partir do HC 598.886/SC. 5. No caso concreto, a condenação dos pacientes está fundamentada não apenas no reconhecimento fotográfico, mas também em outras provas robustas, como depoimentos das vítimas e testemunhas, a apreensão do celular da vítima em posse dos réus, e declarações coerentes confirmadas em juízo. 6. A análise de eventual nulidade demandaria o reexame do conjunto fático-probatório, o que é inadmissível na via do habeas corpus. Não foi identificada qualquer flagrante ilegalidade apta a justificar a concessão de habeas corpus de ofício. IV. Dispositivo 7. Habeas corpus não conhecido.
RELATÓRIO Tendo em vista as orientações e valores destacados no Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples, o qual está pautado em instrumentos internacionais de direitos humanos e de acesso à Justiça, adoto o último relatório contido nos autos (e-STJ fl. ). Imputa-se aos pacientes a prática dos crimes de roubo, em concurso de agentes e com unidade de desígnios, mediante grave ameaça exercida com emprego de arma de fogo e restrição da liberdade da vítima, e com o intuito de obter para si indevida vantagem econômica, a fornecer as senhas dos seus cartões bancários", pelo que foram dados como incursos nas penas do artigo 157, §2º, incisos II e V, e §2º-A, inciso I, e do artigo 158, §1º e §3º, na forma do artigo 69, todos do Código Penal (e-STJ fl. 833). A defesa alega, em síntese, que a inobservância do procedimento descrito no art. 226 do CPP torna inválido o reconhecimento da pessoa suspeita e não pode servir de lastro a eventual condenação. Requer, a concessão da ordem para reconhecer suposta nulidade no reconhecimento fotográfico, absolvendo o paciente por ausência de prova. É o relatório. EMENTA DIREITO PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. ROUBO CIRCUNSTANCIADO E EXTORSÃO. ART. 157, §2º, II E V, E §2º-A, I; ART. 158, §1º E §3º; ART. 69, TODOS DO CÓDIGO PENAL. RECONHECIMENTO FOTOGRÁFICO. INOBSERVÂNCIA DO ART. 226 DO CPP. CORROBORAÇÃO POR OUTRAS PROVAS. AUSÊNCIA DE NULIDADE. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. I. Caso em exame 1. Habeas corpus impetrado contra decisão que manteve a condenação dos pacientes pela prática dos crimes de roubo circunstanciado e extorsão (art. 157, §2º, incisos II e V, §2º-A, inciso I; art. 158, §1º e §3º, combinados com art. 69 do Código Penal). A defesa sustenta a nulidade do reconhecimento fotográfico realizado sem a observância do art. 226 do CPP, pleiteando a absolvição dos réus por ausência de provas. II. Questão em discussão 2. Há duas questões em discussão: (i) a possibilidade de utilização do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio; (ii) a validade do reconhecimento fotográfico realizado sem a observância das formalidades do art. 226 do CPP, e se este reconhecimento, corroborado por outras provas, é suficiente para manter a condenação dos réus. III. Razões de decidir 3. O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio ou revisão criminal, salvo em casos de flagrante ilegalidade, conforme jurisprudência pacificada do STJ e STF. 4. O reconhecimento fotográfico, mesmo que realizado sem observância das formalidades do art. 226 do CPP, pode ser válido quando corroborado por outras provas produzidas em juízo, conforme entendimento consolidado pelo STJ, a partir do HC 598.886/SC. 5. No caso concreto, a condenação dos pacientes está fundamentada não apenas no reconhecimento fotográfico, mas também em outras provas robustas, como depoimentos das vítimas e testemunhas, a apreensão do celular da vítima em posse dos réus, e declarações coerentes confirmadas em juízo. 6. A análise de eventual nulidade demandaria o reexame do conjunto fático-probatório, o que é inadmissível na via do habeas corpus. Não foi identificada qualquer flagrante ilegalidade apta a justificar a concessão de habeas corpus de ofício. IV. Dispositivo 7. Habeas corpus não conhecido. VOTO A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sedimentou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso próprio ou a revisão criminal, situação que impede o conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que se verifica flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal. Veja-se: "O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio, a fim de que não se desvirtue a finalidade dessa garantia constitucional, com a exceção de quando a ilegalidade apontada é flagrante, hipótese em que se concede a ordem de ofício" (AgRg no HC n. 895.777/PR, Relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 2/4/2024, DJe de 8/4/2024). "De acordo com a jurisprudência do STJ, não é cabível o uso de habeas corpus como sucedâneo de revisão criminal, notadamente quando não há indicação de incidência de alguma das hipóteses previstas no art. 621 do CPP. Precedentes" (AgRg no HC n. 864.465/SC, Relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 18/3/2024, DJe de 20/3/2024). A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no mesmo sentido: "Do ponto de vista processual, o caso é de habeas corpus substitutivo de agravo regimental (cabível na origem). Nessas condições, tendo em vista a jurisprudência da Primeira Turma desta Corte, entendo que o processo deve ser extinto sem resolução de mérito, por inadequação da via eleita (HC 115.659, Rel. Min. Luiz Fux) (..) A orientação jurisprudencial deste Tribunal é no sentido de que o "habeas corpus não se revela instrumento idôneo para impugnar decreto condenatório transitado em julgado" (HC 118.292-AgR, Rel. Min. Luiz Fux). 4. O caso atrai o entendimento desta Corte no sentido de que não cabe habeas corpus para reexaminar os pressupostos de admissibilidade de recurso interposto perante outros Tribunais (HC 146.113-AgR, Rel. Min. Luiz Fux; e HC 110.420, Rel. Min. Luiz Fux). (..) (HC 225896 AgR, Relator Ministro Luís Roberto Barroso, Primeira Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 17/5/2023). O entendimento é de elevada importância, devendo ser utilizado para preservar a real utilidade e eficácia da ação constitucional, qual seja, a proteção da liberdade da pessoa, quando ameaçada por ato ilegal ou abuso de poder, garantindo a necessária celeridade no seu julgamento. A concessão de ofício da ordem, nos termos dos arts. 647-A e 654, § 2º, do Código de Processo Penal, depende da existência de flagrante ilegalidade. Não se olvida que esta Corte, a partir do paradigmático julgamento do habeas corpus n.598.886/SC, da relatoria do Ministro Rogério Schietti Cruz, firmou o entendimento no sentido de que "o reconhecimento de pessoa, presencialmente ou por fotografia, realizado na fase do inquérito policial, apenas é apto, para identificar o réu e fixar a autoria delitiva, quando observadas as formalidades previstas no art.226 do Código de Processo Penal e quando corroborado por outras provas colhidas na fase judicial, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa". Em atenção ao referido precedente, ambas as turmas que integram a Terceira Seção desta Corte têm proferido decisões que endossam tal entendimento. Ocorre, todavia, que no caso dos autos, verifica-se, sem muito esforço, que o Tribunal de origem, fundamentou suficientemente a decisão com base no robusto acervo probatório que instrui os autos. Vejamos (e-STJ fls. 955-969): Cleber Campos Santiago, Felipe Matheus Vieira, Zidane da Silva dos Santos e Byanca Patacho de Souza Santos foram denunciados como incursos nas sanções do artigo 157,§2º, incisos II e V, e §2º-A, inciso I, e nas do artigo 158, §1º e §3º, na forma do artigo 69, todos do Código Penal, porque, no dia 06 de julho de 2022, por volta das 20h, na Av. Deputado Cantídio Sampaio, nº 2821, Vila Souza, comarca da Capital, em concurso entre si e com o corréu Riquelme Madeira Antunes, subtraíram, para si, mediante grave ameaça exercida com emprego de arma de fogo e com restrição da liberdade da vítima M. de S., o veículo Toyota/Corolla, placas GDW0G07, avaliado em R$ 112.000,00; três cartões bancários; um aparelho celular Iphone 8; e um aparelho celular Samsung A3,pertencentes ao ofendido, além de, nas mesmas circunstâncias de tempo e local, constrangerem M. de S., mediante grave ameaça exercida com emprego de arma de fogo e restrição da liberdade da vítima, e com o intuito de obter para si indevida vantagem econômica, a fornecer as senhas dos seus cartões bancários. .. Finalmente, houve por bem o d. Sentenciante reconhecer a continuidade delitiva entre as condutas, medida razoável, considerando que os delitos, embora claramente diversos em suas maneiras de execução e objetivos, foram cometidos pelos mesmos agentes, em circunstâncias de tempo e local semelhantes. Muito embora venha se sedimentando a orientação no sentido de pautar-se a fração de aumento pela continuidade delitiva no critério objetivo correspondente ao número de crimes continuados, tenho que, no caso, a adoção de fração superior à mínima foi muito bem justificada. Resta claro que o Tribunal de origem destacou que os pacientes foram presos em flagrante tendo em sua posse o celular da vítima, produto do delito à eles imputado. Ademais, as declarações das vítimas, prestadas em sede inquisitorial e, posteriormente, confirmadas em Juízo, além dos depoimentos testemunhais todos uníssonos, apontando o paciente como autores dos crimes em tela. Nesse sentido, uma vez o reconhecimento confirmado em Juízo e devidamente corroborado pelos demais elementos probatórios acostados aos autos, conclui-se, pela ausência de nulidade. Sobre o tema, outro não é o posicionamento desta Quinta Turma: PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. ROUBO MAJORADO. FALSA IDENTIDADE. PLEITO DE ABSOLVIÇÃO. RECONHECIMENTO FOTOGRÁFICO. PROCEDIMENTO PREVISTO NO ART. 226 DO CPP. INOBSERVÂNCIA. MUDANÇA DE ENTENDIMENTO JURISPRUDENCIAL. INVALIDADE DA PROVA. AUTORIA ESTABELECIDA COM BASE EM OUTROS ELEMENTOS PROBATÓRIOS. ABSOLVIÇÃO INVIÁVEL. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.(..)2. Esta Corte Superior inicialmente entendia que "a validade do reconhecimento do autor de infração não está obrigatoriamente vinculada à regra contida no art. 226 do Código de Processo Penal, porquanto tal dispositivo veicula meras recomendações à realização do procedimento, mormente na hipótese em que a condenação se amparou em outras provas colhidas sob o crivo do contraditório.3. Em julgados recentes, ambas as Turmas que compõe a Terceira Seção deste Superior Tribunal de Justiça alinharam a compreensão de que "o reconhecimento de pessoa, presencialmente ou por fotografia, realizado na fase do inquérito policial, apenas é apto, para identificar o réu e fixar a autoria delitiva, quando observadas as formalidades previstas no art. 226 do Código de Processo Penal e quando corroborado por outras provas colhidas na fase judicial, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa.4. Dos elementos probatórios que instruem o feito, verifica-se que a autoria delitiva do crime de roubo não tem como único elemento de prova o reconhecimento fotográfico, o que gera distinguishing em relação ao acórdão paradigma da alteração jurisprudencial. Na hipótese, além de a vítima ter descrito as características do paciente e o reconhecido, por meio de foto, perante a autoridade policial, o reconhecimento foi confirmado, sem dúvidas, em juízo. Ademais, o paciente foi preso em flagrante, poucas horas depois do crime, ao desembarcar da garupa de uma motocicleta pilotada por outro agente que logrou fugir, e entrar no veículo roubado, com as chaves originais, e tentar liga-lo, quando foi surpreendido pelos policiais que estavam em campana. Outrossim, no momento da prisão em flagrante os policiais encontraram o paciente "munido de diversas ferramentas, além de ter fornecido identidade falsa à polícia para esconder seus antecedentes", tendo o juízo sentenciante ressaltado que "nada há nos autos que sustente a versão do indigitado de que não praticou roubo, mas foi apenas contratado para transportar o veículo, porque, se assim fosse, qual o sentido de utilizar ferramentas para remover peças do automóvel. No mais, não se preocupou em dizer onde estaria no dia e hora da ação criminosa e já estava munido com identidade falsa, e sem o aparelho de monitoramento eletrônico ao que foi submetido, justamente em razão de práticas delituosas anteriores à atual, não havendo que se falar em nsuficiência de provas para a condenação, como almejado pela defesa".5. Agravo regimental não provido.(AgRg no HC n. 746.378/CE, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 9/8/2022, DJe de 16/8/2022).Grifos acrescidos. PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ROUBO QUALIFICADO E EXTORSÃO. APELAÇÃO JULGADA HÁ MAIS DE SETE ANOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. PRECEDENTES DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ E DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF. RECONHECIMENTO FOTOGRÁFICO CORROBORADO POR OUTRAS PROVAS NA FASE JUDICIAL. LEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.(..)3. Ademais, é certo que o reconhecimento de pessoa, presencialmente ou por fotografia, realizado na fase do inquérito policial, apenas é apto, para identificar o réu e fixar a autoria delitiva, quando observadas as formalidades previstas no art. 226 do Código de Processo Penal e quando corroborado por outras provas colhidas na fase judicial, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa. No caso, a autoria delitiva não tem como único elemento de prova o reconhecimento fotográfico, porque, durante a instrução processual, foram ouvidas a vitima e duas testemunhas comuns à acusação e defesa, respeitados o contraditório e a ampla defesa, restando consignado que o réu não compareceu em Juízo para ser interrogado e na Delegacia, havia ficado em silêncio. Foi declarada sua revelia nos termos do art. 367 do Código de Processo Penal.4. Vale ressaltar, ainda, que a Corte de origem destacou que "um talão de cheques subtraído da vítima foi apreendido na residência do réu quando o mesmo era investigado pela prática de outro roubo, tudo a confirmar sua participação nos crimes" (fl. 29). Sendo certo que "a jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que é possível a utilização das provas colhidas durante a fase inquisitiva - reconhecimento fotográfico - para embasar a condenação, desde que corroboradas por outras provas colhidas em Juízo - depoimentos e apreensão de parte do produto do roubo na residência do réu, nos termos do art. 155 do Código de Processo Penal" (AgRg no HC 633.659/SP, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, DJe 5/3/2021).5. Agravo regimental desprovido.(AgRg no HC n. 738.559/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 7/6/2022, DJe de 10/6/2022.). Grifos acrescidos. Por fim, mas não menos importante, importa salientar que a desconstituição acerca da existência de outras provas aptas a comprovar a autoria do crime demandaria o exame aprofundado do acervo fático-probatório, providência, como é sabido, inadmissível na via estreita do habeas corpus. Analisando-se o conteúdo da documentação colacionada aos autos, não se verifica de plano qualquer violação ao ordenamento jurídico ou flagrante constrangimento ilegal, que implique ameaça de violência ou coação na liberdade de locomoção do paciente, nos termos da Lei nº 14.836, de 8/4/2024, publicada no Diário Oficial da União de 9/4/2024. Pelo exposto, não conheço do habeas corpus substitutivo e, na análise de ofício, não visualizo elementos capazes de caracterizar flagrante ilegalidade. É o voto.