HC 913102 - DECISAO
Não se conhece do habeas corpus substitutivo por inadequação da via eleita, nos termos da jurisprudência do STJ e STF, e, em análise de ofício, não se verificou flagrante ilegalidade capaz de autorizar a concessão da ordem.
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- Parties
- Paciente: JANDERSON BARRETO JUNCO; Impetrado: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 December 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento Do Habeas Corpus Substitutivo
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus substitutivo
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo, Incompetência Absoluta, Cerceamento De Defesa, Flagrante Ilegalidade, Tribunal Do Júri
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Parties
JANDERSON BARRETO JUNCO
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Impetrado
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento Do Habeas Corpus Substitutivo
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus como substitutivo de recurso próprio ou revisão criminal
- 2 presença de flagrante ilegalidade apta a justificar habeas corpus de ofício
- 3 competência para julgamento (incompetência absoluta e necessidade de remessa ao Tribunal do Júri)
Ratio Decidendi
Não se conhece do habeas corpus substitutivo por inadequação da via eleita, nos termos da jurisprudência do STJ e STF, e, em análise de ofício, não se verificou flagrante ilegalidade capaz de autorizar a concessão da ordem.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus substitutivo
Orders
- Publique-se
- Intimem-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, substitutivo, com pedido liminar, impetrado em favor de JANDERSON BARRETO JUNCO, contra acórdão do eg. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que negou provimento a recurso em sentido estrito por ele interposto, para manter a decisão que reconheceu a incompetência absoluta do juízo e determinou a remessa dos autos à Vara do Júri daquela Comarca para o prosseguimento do feito. Alega o impetrante que o paciente está sofrendo constrangimento ilegal por ato do TJSP. Alega cerceamento de defesa "em razão da ausência de resposta por parte do Instituto de Criminalística os quesitos formulados". Ao final requer a concessão da ordem para anular a sentença até que sobrevenha resposta por parte do IC. Parecer do Ministério Público Federal pelo não conhecimento do habeas corpus. É o relatório. Decido. A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sedimentou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso próprio ou a revisão criminal, situação que impede o conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que se verifica flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal. Veja-se: "O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio, a fim de que não se desvirtue a finalidade dessa garantia constitucional, com a exceção de quando a ilegalidade apontada é flagrante, hipótese em que se concede a ordem de ofício" (AgRg no HC n. 895.777/PR, Relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 2/4/2024, DJe de 8/4/2024). "De acordo com a jurisprudência do STJ, não é cabível o uso de habeas corpus como sucedâneo de revisão criminal, notadamente quando não há indicação de incidência de alguma das hipóteses previstas no art. 621 do CPP. Precedentes" (AgRg no HC n. 864.465/SC, Relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 18/3/2024, DJe de 20/3/2024). A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no mesmo sentido: "Do ponto de vista processual, o caso é de habeas corpus substitutivo de agravo regimental (cabível na origem). Nessas condições, tendo em vista a jurisprudência da Primeira Turma desta Corte, entendo que o processo deve ser extinto sem resolução de mérito, por inadequação da via eleita (HC 115.659, Rel. Min. Luiz Fux) (..) A orientação jurisprudencial deste Tribunal é no sentido de que o "habeas corpus não se revela instrumento idôneo para impugnar decreto condenatório transitado em julgado" (HC 118.292-AgR, Rel. Min. Luiz Fux). 4. O caso atrai o entendimento desta Corte no sentido de que não cabe habeas corpus para reexaminar os pressupostos de admissibilidade de recurso interposto perante outros Tribunais (HC 146.113-AgR, Rel. Min. Luiz Fux; e HC 110.420, Rel. Min. Luiz Fux). (..) (HC 225896 AgR, Relator Ministro Luís Roberto Barroso, Primeira Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 17/5/2023). O entendimento é de elevada importância, devendo ser utilizado para preservar a real utilidade e eficácia da ação constitucional, qual seja, a proteção da liberdade da pessoa, quando ameaçada por ato ilegal ou abuso de poder, garantindo a necessária celeridade no seu julgamento. A concessão de ofício da ordem, nos termos dos arts. 647-A e 654, § 2º, do Código de Processo Penal, depende da existência de flagrante ilegalidade. Da leitura da sentença e do acórdão atacado, observa-se que o Tribunal a quo reconheceu a incompetência absoluta do juízo por entender que "ao imprimir tão alta velocidade ao seu veículo, o réu admitiu e aceitou a possibilidade de alcançar o resultado de provocar um evento danoso e, nesse passo, mesmo que haja dúvida acerca do animus de sua conduta, se dolosa ou culposa, ele deve ser dirimido pelo Tribunal do Júri, na qualidade de juiz natural da causa". Desse modo, parece prematura a analise da competência, sem a devida instrução e analise das provas que será realizada na primeira fase do júri. Analisando-se o conteúdo da documentação colacionada aos autos, não se verifica de plano qualquer violação ao ordenamento jurídico ou flagrante constrangimento ilegal, que implique ameaça de violência ou coação na liberdade de locomoção do paciente, nos termos da Lei nº 14.836, de 8/4/2024, publicada no Diário Oficial da União de 9/4/2024. Pelo exposto, não conheço do habeas corpus substitutivo e, na análise de ofício, não visualizo elementos capazes de caracterizar flagrante ilegalidade. Publique-se. Intimem-se. EMENTA