HC 967322 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus por inadequação da via (tratando-se de substitutivo de recurso próprio) e, na análise de ofício, não reconhecer flagrante ilegalidade nos autos; além disso, concluiu-se que o Tribunal de origem agiu corretamente ao manter o regime semiaberto em função da reincidência e das...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 December 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecimento (habeas Corpus Substitutivo)
- Outcome
- Ante o exposto, não conheço do habeas corpus substitutivo; não se verifica flagrante ilegalidade; ordem não concedida.
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo, Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Embriaguez Ao Volante (art. 306 Ctb), Dirigir Sem Habilitação (art. 309 Ctb), Dosimetria Da Pena, Reincidência, Prova Testemunhal Policial, Flagrante Ilegalidade
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Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecimento (habeas Corpus Substitutivo)
Legal Issues
- 1 cabimento do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio
- 2 existência de flagrante ilegalidade apta a ensejar concessão de ofício
- 3 fixação do regime inicial de cumprimento de pena diante de reincidência e circunstâncias judiciais desfavoráveis
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus por inadequação da via (tratando-se de substitutivo de recurso próprio) e, na análise de ofício, não reconhecer flagrante ilegalidade nos autos; além disso, concluiu-se que o Tribunal de origem agiu corretamente ao manter o regime semiaberto em função da reincidência e das circunstâncias judiciais desfavoráveis.
Court Disposition
Ante o exposto, não conheço do habeas corpus substitutivo; não se verifica flagrante ilegalidade; ordem não concedida.
Orders
- Ante o exposto, não conheço do habeas corpus substitutivo.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado contra acórdão assim ementado: PENAL. APELAÇÃO CRIMINAL. DELITOS DE TRÂNSITO. EMBRIAGUEZ AO VOLANTE. DIRIGIR VEÍCULO AUTOMOTOR, EM VIA PÚBLICA, SEM A DEVIDA PERMISSÃO PARA DIRIGIR OU HABILITAÇÃO (ARTIGO 309 DA LEI Nº 9.503/1997). ABSOLVIÇÃO POR INSUFICIÊNCIA DE PROVA. INVIABILIDADE. MATERIALIDADE E AUTORIA SUFICIENTEMENTE COMPROVADAS. PALAVRA DOS POLICIAIS. TESTE DO ETILÔMETRO. ATIPICIDADE DA CONDUTA. DANO CONCRETO VERIFICADO. CONDENAÇÃO MANTIDA. REGIME INICIAL. ALTERAÇÃO PARA O ABERTO. IMPOSSIBILIDADE. MAUS ANTECEDENTES E REINCIDÊNCIA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. 1. Conforme remansosa jurisprudência, os depoimentos dos agentes do Estado revestem-se de especial valor probatório, porquanto emanados de servidores públicos no exercício de suas funções, sendo que, no caso em apreço, a narrativa das testemunhas policiais está respaldada nos demais elementos de convicção constantes dos autos, merecendo, portanto, credibilidade. 1.1 Inviável a absolvição do acusado sob a alegação de insuficiência probatória quando o crime de embriaguez ao volante, eis que comprovadas a materialidade e a autoria, sobretudo, pelos testemunhos firmes e coesos dos policiais militares, corroborados pelas declarações do proprietário do veículo abalroado pelo autor, além da prova documental contida nos autos. 2. Comprovado que o réu conduziu veículo sem habilitação e, conquanto não seja necessária a existência de dano concreto para a caracterização do crime previsto no artigo 309, da Lei de Trânsito, mas, sim, da possibilidade de causar dano concreto às vítimas e à coletividade, ante a direção de veículo automotor por condutor não habilitado, deve ser mantida a condenação, sobretudo no caso, em que verificado dano concreto, em face da colisão com outro automóvel. 3. Em pese a pena definitiva do réu tenha sido fixada em montante inferior a quatro anos, situação em que, a princípio, caber-se-ia o regime inicial aberto, verifica-se que a reincidência do apelante impõe a fixação de regime inicial mais gravoso, razão pela qual fica mantido o regime semiaberto estabelecido na sentença, nos termos ao artigo 33, § 2º, alínea "b", e § 3º, do Código Penal. 4. Recurso conhecido e desprovido. Consta dos autos que o paciente foi condenou como incurso no artigo 306, caput, c/c § 1º, inciso I, e no artigo 309, ambos do Código de Trânsito Brasileiro (embriaguez ao volante e dirigir veículo automotor sem a devida permissão ou habilitação, gerando perigo de dano), em concurso material de crimes (art. 69 do CP), à pena total de 1 (um) ano, 6 (seis) meses e 2 (dois) dias de detenção, em regime inicial semiaberto para o cumprimento da pena, além de 18 (dezoito) dias-multa, à razão mínima legal. Ao recorrente também foi imposta a suspensão ou proibição de obter permissão ou habilitação para dirigir veículo automotor pelo prazo de 4 (quatro) meses, nos termos do artigo 292 e artigo 293, ambos do Código de Trânsito Brasileiro. A defesa alega, em síntese, que o regime deve ser o aberto. Ao final, requer a concessão da ordem para substituir o regime de cumprimento de pena. É o relatório. Decido. A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sedimentou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso próprio ou a revisão criminal, situação que impede o conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que se verifica flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal. Veja-se: "O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio, a fim de que não se desvirtue a finalidade dessa garantia constitucional, com a exceção de quando a ilegalidade apontada é flagrante, hipótese em que se concede a ordem de ofício" (AgRg no HC n. 895.777/PR, Relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 2/4/2024, DJe de 8/4/2024). "De acordo com a jurisprudência do STJ, não é cabível o uso de habeas corpus como sucedâneo de revisão criminal, notadamente quando não há indicação de incidência de alguma das hipóteses previstas no art. 621 do CPP. Precedentes" (AgRg no HC n. 864.465/SC, Relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 18/3/2024, DJe de 20/3/2024). A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no mesmo sentido: "Do ponto de vista processual, o caso é de habeas corpus substitutivo de agravo regimental (cabível na origem). Nessas condições, tendo em vista a jurisprudência da Primeira Turma desta Corte, entendo que o processo deve ser extinto sem resolução de mérito, por inadequação da via eleita (HC 115.659, Rel. Min. Luiz Fux) (..) A orientação jurisprudencial deste Tribunal é no sentido de que o "habeas corpus não se revela instrumento idôneo para impugnar decreto condenatório transitado em julgado" (HC 118.292-AgR, Rel. Min. Luiz Fux). 4. O caso atrai o entendimento desta Corte no sentido de que não cabe habeas corpus para reexaminar os pressupostos de admissibilidade de recurso interposto perante outros Tribunais (HC 146.113-AgR, Rel. Min. Luiz Fux; e HC 110.420, Rel. Min. Luiz Fux). (..) (HC 225896 AgR, Relator Ministro Luís Roberto Barroso, Primeira Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 17/5/2023). O entendimento é de elevada importância, devendo ser utilizado para preservar a real utilidade e eficácia da ação constitucional, qual seja, a proteção da liberdade da pessoa, quando ameaçada por ato ilegal ou abuso de poder, garantindo a necessária celeridade no seu julgamento. A concessão de ofício da ordem, nos termos dos arts. 647-A e 654, § 2º, do Código de Processo Penal, depende da existência de flagrante ilegalidade. Analisando-se o conteúdo da documentação colacionada aos autos, não se verifica de plano qualquer violação ao ordenamento jurídico ou flagrante constrangimento ilegal, que implique ameaça de violência ou coação na liberdade de locomoção do paciente, nos termos da Lei nº 14.836, de 8/4/2024, publicada no Diário Oficial da União de 9/4/2024. No que tange às alegações da defesa, assim entendeu o Tribunal de origem (e-STJ fls. 12-15): REGIME INICIAL, SUBSTITUIÇÃO E SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA Considerando a quantidade da pena, a valoração de uma circunstância judicial desabonada na primeira fase e a reincidência específica do acusado, mantém-se o regime semiaberto para início de cumprimento da pena. Todavia, requer a Defesa a adoção do regime aberto para o início do cumprimento da pena. Muito embora a Defesa Técnica tenha requerido o abrandamento do regime prisional imposto, o regime prisional semiaberto foi acertadamente fixado para o início do cumprimento da reprimenda, nos termos do artigo 33, § 2º, alínea "c", e § 3º, do Código Penal. Vale ressaltar que a fixação do regime prisional para o início do cumprimento da reprimenda decorre dos parâmetros insculpidos no artigo 33 do Código Penal, ou seja, a imposição do regimedecorre de aplicação de norma cogente. Nesse sentido, além dos critérios previstos no artigo 59 do Código Penal, também devem ser observados a primariedade e o montante da pena. No caso, além de reincidente, com condenação definitiva utilizada na segunda etapa da dosimetria, o recorrente teve desabonado seus antecedentes penais, na primeira fase da dosimetria, pelo que inviável a fixação do regime prisional aberto para o início do cumprimento da reprimenda. Desse modo, o pedido de modificação do regime inicial para o cumprimento de pena para o aberto não merece acolhida. O tema, aliás, possui entendimento sedimentado nessa Turma Criminal: (..) IX - Ainda que fixada pena inferior a 4 (quatro) anos, sendo o réu reincidente e portador de maus antecedentes, adequada a fixação do regime inicial semiaberto para o cumprimento da pena. X - Inviável substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, diante do óbice estabelecido pelo art. 44, I, CP e em respeito ao teor da Súmula nº 588 do eg. STJ, segundo a qual "a prática de crime ou contravenção penal contra a mulher com violência ou grave ameaça no ambiente doméstico impossibilita a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos". (..). (Acórdão 1930343, 0707599-15.2021.8.07.0010, Relator(a): NILSONI DE FREITAS CUSTODIO, 3ª TURMA CRIMINAL, data de julgamento: 10/10/2024, publicado no P Je: 16/10/2024.); (..) 2. Sendo a pena igual ou inferior a 4 (quatro) anos de reclusão e o apelante reincidente, correta a fixação do regime semiaberto para início do cumprimento de pena, nos termos do art. 33, §2º, "c" e §3º, do CP. 3. Recurso conhecido e não provido. (Acórdão 1883881, 0704616-43.2021.8.07.0010, Relator(a): JANSEN FIALHO DE ALMEIDA, 3ª TURMA CRIMINAL, data de julgamento: 27/06/2024, publicado no P Je: 04/07/2024.). Do excerto acima, verifica-se que o Tribunal de origem conclui que não há possibilidade de se fixar o regime aberto ao paciente, pois trata-se de réu reincidente e com circunstâncias judiciais negativas. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ESTELIONATO. DOSIMETRIA. EXASPERAÇÃO DA PENA-BASE. DESVALOR DA CULPABILIDADE E DA CONDUTA SOCIAL. PREMEDITAÇÃO E COMETIMENTO DE CRIME ENQUANTO CUMPRIA PENA POR OUTRO DELITO. FUNDAMENTOS IDÔNEOS. PENA INFERIOR 4 ANOS. REGIME ABERTO. INVIÁVEL. CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS E PACIENTE REINCIDENTE. INAPLICABILIDADE SUMULA 269/STJ. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. 1. Como é cediço, a dosimetria da pena insere-se dentro de um juízo de discricionariedade do julgador, atrelado às particularidades fáticas do caso concreto e subjetivas do agente, somente passível de revisão por esta Corte no caso de inobservância dos parâmetros legais ou de flagrante desproporcionalidade. 2. Nos termos da orientação jurisprudencial desta Corte de Justiça, a circunstância judicial relativa à culpabilidade pode ser compreendida como a maior ou menor censurabilidade do comportamento do agente, ou ainda a maior ou menor reprovabilidade da conduta perpetrada. 3. No presente caso, veja-se que a pena-base foi exasperadas em razão da valoração negativa da culpabilidade, em razão da premeditação do delito - ela atuou com expressivo grau de culpabilidade, realçado pela premeditação, malícia e estratégia empregadas (..) (e-STJ fl. 98). Não há ilegalidade a ser reparada, uma vez que A premeditação do delito demonstra o maior grau de reprovabilidade do comportamento e, assim, autoriza a majoração da pena-base quanto à culpabilidade (AgRg no HC n. 721.052/ES, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 22/2/2022, DJe de 3/3/2022). 4. Em relação à conduta social da paciente, não há ilegalidade a ser sanada, uma vez que cometer novo delito enquanto cumpria pena por delito anterior é fundamento idôneo para o desvalor dessa circunstância judicial. 5. Quanto ao regime, a despeito de a pena ser inferior a 4 anos, não é o caso de se aplicar o enunciado n. 269 da Súmula desta Corte Superior, tendo em vista a existência de circunstância judicial desfavorável e a reincidência da paciente. Em situações tais, a jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de ser correta a fixação do regime prisional inicial fechado. 6. Agravo regimental não provido. (AgRg no HC n. 927.922/PI, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 13/11/2024, DJe de 18/11/2024.) Ante o exposto, não conheço do habeas corpus substitutivo e, na análise de ofício, não visualizo elementos capazes de caracterizar flagrante ilegalidade. Publique-se. Intimem-se. EMENTA