HC 955273 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque a via eleita é inadequada como substitutivo de recurso próprio na ausência de flagrante ilegalidade; não comprovada deficiência de defesa técnica nem prejuízo ao paciente, conforme decisão do Tribunal de origem, e é inviável em sede de habeas corpus o reexame do acervo...
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- Parties
- Paciente: GUILHERME JESUS DA SILVA; Órgão Julgador: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 February 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- não conheço do presente habeas corpus
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo, Deficiência De Defesa Técnica, Nulidade Processual, Flagrante Ilegalidade, Impossibilidade De Reanálise Fático Probatória Em Habeas Corpus
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Parties
GUILHERME JESUS DA SILVA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Órgão Julgador
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Admissibilidade do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio
- 2 Nulidade por deficiência de defesa técnica e necessidade de demonstração de prejuízo
- 3 Revisão de matéria fático-probatória em habeas corpus
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque a via eleita é inadequada como substitutivo de recurso próprio na ausência de flagrante ilegalidade; não comprovada deficiência de defesa técnica nem prejuízo ao paciente, conforme decisão do Tribunal de origem, e é inviável em sede de habeas corpus o reexame do acervo fático-probatório.
Court Disposition
não conheço do presente habeas corpus
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de GUILHERME JESUS DA SILVA contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Consta dos autos que o paciente foi condenado a 09 (nove) meses de reclusão, em regime aberto, e ao pagamento de 15 (quinze) dias-multa pela prática do crime previsto no art. 147-A, § 1º, inciso II, alínea "a", do Código Penal. A pena foi suspensa pelo prazo de dois anos, sendo certo que no primeiro ano deverá o apenado cumprir as condições estatuídas no artigo 78, §1º, do Código Penal, cuja prestação de serviço se dará a razão de uma hora diária, perfazendo sete horas semanais, em instituição a ser designada pela CPMA desta Comarca. Nesse mesmo primeiro ano do referido período de suspensão da pena, na forma do art. 79 do Código Penal c/c 152, Parágrafo Único da Lei 7.210/84, deverá o apenado se apresentar ao programa de recuperação e reeducação RENASCENDO, promovido pelo CEJUSC - Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania de Vassouras, Setor Cidadania, localizado na sede do Fórum de Vassouras/RJ, a ser conduzido pela ETICRIM - Equipe Técnica Interdisciplinar Criminal, na forma de 01 (um) atendimento individual e 05 (cinco) encontros em grupo, que serão agendados pela referida equipe técnica (index 229) (fl. 14). Interposta apelação, foi negado provimento ao recurso. Neste writ, sustenta que a Defensoria Pública não teria atuado adequadamente. Requer a reforma do acordão impugnado e a anulação a sentença condenatória para que seja reaberta a fase de instrução. Informações prestadas a fl. 99-104 e 105-110, sendo destacado o trânsito em julgado em 04/10/2024. A Procuradoria-Geral da República se manifestou pelo não conhecimento do habeas corpus (fls. 112-114). É o relatório. DECIDO. Verifica-se que o presente writ foi impetrado como substitutivo de recurso próprio/revisão criminal. Pontuo que esta Corte Superior, seguindo o entendimento do Supremo Tribunal Federal (AgRg no HC n. 180.365, Primeira Turma, rel. Min. Rosa Weber, julgado em 27/03/2020, e AgR no HC n. 147.210, Segunda Turma, rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018), pacificou orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do instrumento legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado (HC n. 535.063/SP, Terceira Seção, rel. Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/06/2020). Portanto, não cabe habeas corpus substitutivo do instrumento legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. No caso, não se verifica flagrante ilegalidade. Na hipótese, o Tribunal de origem afastou a aventada nulidade conforme os seguintes fundamentos (fl. 18): No que tange à preliminar de nulidade da condenação em função de deficiência na Defesa Técnica, não se a garantia da ampla defesa, não a acolho. O réu foi representado desde o início do processo pela Defensoria Pública, que apresentou Defesa Prévia (index 70), compareceu à audiência (index 163) e ofereceu alegações finais (indexes 166 e 212), trazendo as teses essenciais para o exercício da defesa do apelante. Ademais, é cediço que deficiência de defesa não se confunde com a divergência do novo causídico quanto à técnica de defesa escolhida pelo patrono anterior. Outrossim, não se vislumbra prejuízo ao acusado causado pela assistência da Defensoria Pública. Assim, não há nulidade. Nesse sentido: Súmula 523 do STF: No Processo Penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu. Preliminar que se rejeita (grifamos). Como consabido, o entendimento jurisprudencial desta Corte é de que apenas a ausência de defesa constitui nulidade absoluta da ação penal, sendo certo que eventual alegação de sua insuficiência, para ser apta a macular a prestação jurisdicional, deve ser acompanhada da demonstração de efetivo prejuízo para o acusado, tratando-se, pois, de nulidade relativa. A propósito, confira-se o enunciado n. 523 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: No processo penal, a falta de defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu. No caso dos autos, da leitura do trecho transcrito, o Tribunal de origem afastou a alegada nulidade. Observa-se, inclusive, que neste writ, o impetrante juntou aos autos apenas as alegações finais da Defensoria Pública (fl. 77), em que se verifica o pedido de absolvição, e não trouxe outros elementos para fundamentar sua pretensão. Além disso, consoante a jurisprudência deste Tribunal, a condenação do paciente não caracteriza, por si só, deficiência de defesa, principalmente porque, conforme ressaltado pela Corte de origem, depende da demonstração do prejuízo p ara o paciente, não verificado no caso dos autos. Nesse sentido: PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO DE DROGAS. NULIDADES. INTERROGATÓRIO POR VIDEOCONFERÊNCIA. MATÉRIA JÁ ANALISADA PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA NO HC N. 509.746/SP. AUSÊNCIA DE ENTREVISTA PRÉVIA E ANTECIPADA COM A DEFESA TÉCNICA. INOCORRÊNCIA. PRECLUSÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DE PREJUÍZO. MINORANTE. IMPOSSIBILIDADE. REINCIDÊNCIA. REGIME INICIAL FECHADO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A alegação de nulidade do interrogatório encontra-se prejudicada, porquanto idêntico pedido já foi analisado nos autos do HC n. 509.746/SP, oportunidade em que a ordem foi denegada. 2. O reconhecimento de eventual nulidade por deficiência de defesa técnica exige a comprovação de prejuízo, consoante o postulado pas de nullité sans grief, consagrado no art. 563 do Código de Processo Penal e na Súmula n. 523 do Supremo Tribunal Federal, segundo a qual, "no processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu", o que não ocorreu na hipótese. 3. Na hipótese, além da preclusão da pretensão, não logrou o réu demonstrar o prejuízo suportado em razão de não lhe ter sido oportunizado, na audiência virtual, entrevista prévia e reservada com a defesa, uma vez que o causídico foi constituído por ele, que se encontrava em liberdade, situação apta a demonstrar que lhe foi assegurado acesso amplo e antecipado com a defesa técnica escolhida, não havendo que se falar em nulidade. 4. De acordo com o disposto no art. 33, § 4º, da Lei de Drogas, o agente poderá ser beneficiado com a redução de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois terços) da pena, desde que seja, cumulativamente, primário e portador de bons antecedentes e não se dedique a atividades criminosas nem integre organização criminosa. 5. No caso, a minorante foi afastada com base na presença de condenações judiciais com trânsito em julgado, que ensejaram o reconhecimento da reincidência. 6. "Não há ilegalidade na fixação do regime inicial fechado quando apontado dado fático suficiente a indicar a maior reprovabilidade da conduta - na espécie, a reincidência do agravante -, ainda que o quantum da pena tenha sido inferior a oito anos (art. 33, § 3º, do CP)" (AgRg no AREsp n. 831.035/SP, relator Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 30/6/2016, DJe 3/8/2016). 7. Agravo regimental desprovido, mantida a decisão agravada. (AgRg no REsp n. 1.835.378/SP, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 18/9/2023, DJe de 20/9/2023; grifamos). DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. NULIDADE. INTEMPESTIVIDADE RECURSAL. DEFICIÊNCIA DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. PRINCÍPIO DA VOLUNTARIEDADE RECURSAL. AGRAVO DESPROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de habeas corpus substitutivo de recurso próprio ou revisão criminal, por ausência de flagrante ilegalidade. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em saber se a interposição de habeas corpus como substitutivo de recurso próprio é admissível na ausência de flagrante ilegalidade. 3. A questão também envolve a análise da alegação de deficiência de defesa técnica por interposição intempestiva de recurso de apelação. III. Razões de decidir 4. O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio, salvo em casos de flagrante ilegalidade. 5. A interposição intempestiva de recurso não caracteriza deficiência de defesa técnica apta a ensejar nulidade processual. 6. A defesa técnica atuou em todas as fases do processo, não havendo demonstração de inércia ou desídia que causasse prejuízo concreto ao réu. 7. A reanálise do acervo fático-probatório é inviável em sede de habeas corpus. IV. AGRAVO DESPROVIDO. (AgRg no HC n. 942.653/GO, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 4/11/2024, DJe de 6/11/2024; grifamos). Nesse contexto, não verifico a aventada nulidade. Ante o exposto, não conheço do presente habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA