HC 956214 - ACORDAO
Não se conhece do habeas corpus substitutivo por inadequação da via escolhida e, na análise de ofício, não há elementos de flagrante ilegalidade aptos a ensejar a concessão da ordem; não se verificou excesso de prazo no julgamento da apelação, pois a sentença foi proferida em 15/11/2023 e o processamento está dentro...
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- Parties
- Agravante (paciente): MAXWEL PINHEIRO DA SILVA; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Habeas Corpus Substitutivo / Julgamento Do Agravo Regimental (decisão Colegiada)
- Outcome
- Agravo regimental não provido; nego provimento ao agravo regimental.
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo, Excesso De Prazo, Prisão Preventiva, Cabimento De Recurso
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Parties
MAXWEL PINHEIRO DA SILVA
Agravante (paciente)
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Agravo Regimental No Habeas Corpus Substitutivo / Julgamento Do Agravo Regimental (decisão Colegiada)
Legal Issues
- 1 se há excesso de prazo no julgamento da apelação que justifique a revogação da prisão preventiva do agravante
- 2 se cabe habeas corpus como substitutivo de recurso próprio ou para reexame de admissibilidade de recurso perante outro Tribunal
Ratio Decidendi
Não se conhece do habeas corpus substitutivo por inadequação da via escolhida e, na análise de ofício, não há elementos de flagrante ilegalidade aptos a ensejar a concessão da ordem; não se verificou excesso de prazo no julgamento da apelação, pois a sentença foi proferida em 15/11/2023 e o processamento está dentro dos parâmetros de razoabilidade; por isso, nega‑se provimento ao agravo regimental.
Court Disposition
Agravo regimental não provido; nego provimento ao agravo regimental.
Orders
- Determino a expedição de ofício ao Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, recomendando celeridade no julgamento da apelação defensiva do ora paciente.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto. EMENTA DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO. ROUBO MAJORADO. EXCESSO DE PRAZO. PRISÃO PREVENTIVA. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de habeas corpus substitutivo de recurso próprio impetrado em favor do ora agravante, acusado de roubo majorado, visando à revogação da prisão preventiva por alegado excesso de prazo no julgamento da apelação. 2. A defesa alega constrangimento ilegal pela manutenção da prisão preventiva, em violação ao princípio da presunção de inocência e ao devido processo legal, requerendo a concessão da ordem para que o agravante aguarde o julgamento do recurso em liberdade, com aplicação de medidas cautelares. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em saber se há excesso de prazo no julgamento da apelação que justifique a revogação da prisão preventiva do agravante, permitindo que aguarde o recurso em liberdade. III. Razões de decidir 4. O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio, salvo em casos de flagrante ilegalidade, o que não se verifica no presente caso. 5. Não há excesso de prazo no julgamento da apelação, pois a sentença condenatória foi proferida recentemente, estando o processamento do recurso dentro dos parâmetros de razoabilidade. 6. A decisão monocrática agravada está em consonância com a jurisprudência da 5ª Turma do STJ, que não admite habeas corpus como substitutivo de recurso próprio. IV. Dispositivo 7. Agravo regimental não provido.
RELATÓRIO Tendo em vista as orientações e valores destacados no Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples, o qual está pautado em instrumentos internacionais de direitos humanos e de acesso à Justiça, adoto o último relatório contido nos autos (e-STJ, fls. 372-373). neg O agravante requer "que seja mantida a liminar e concedida a ordem de habeas corpus de ofício, no sentido de reconhecer o excesso de prazo e reformar a decisão do mm juiz a quo que decretou a prisão preventiva do paciente, devendo ser concedido o direito de o paciente aguardar o julgamento do processo em liberdade provisória" (e-STJ fls.336). Contraminuta apresentada (e-STJ fls. 372-376). É o relatório. EMENTA DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO. ROUBO MAJORADO. EXCESSO DE PRAZO. PRISÃO PREVENTIVA. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de habeas corpus substitutivo de recurso próprio impetrado em favor do ora agravante, acusado de roubo majorado, visando à revogação da prisão preventiva por alegado excesso de prazo no julgamento da apelação. 2. A defesa alega constrangimento ilegal pela manutenção da prisão preventiva, em violação ao princípio da presunção de inocência e ao devido processo legal, requerendo a concessão da ordem para que o agravante aguarde o julgamento do recurso em liberdade, com aplicação de medidas cautelares. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em saber se há excesso de prazo no julgamento da apelação que justifique a revogação da prisão preventiva do agravante, permitindo que aguarde o recurso em liberdade. III. Razões de decidir 4. O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio, salvo em casos de flagrante ilegalidade, o que não se verifica no presente caso. 5. Não há excesso de prazo no julgamento da apelação, pois a sentença condenatória foi proferida recentemente, estando o processamento do recurso dentro dos parâmetros de razoabilidade. 6. A decisão monocrática agravada está em consonância com a jurisprudência da 5ª Turma do STJ, que não admite habeas corpus como substitutivo de recurso próprio. IV. Dispositivo 7. Agravo regimental não provido. VOTO O agravo regimental é tempestivo e indicou os fundamentos da decisão recorrida, razão pela qual deve ser conhecido. No entanto, não verifico elementos suficientes para reconsiderar a decisão proferida, cuja conclusão mantenho pelos seus próprios fundamentos (e-STJ, fls. 306-308): Trata-se de habeas corpus impetrado por MAXWEL PINHEIRO DA SILVA apontando como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁNA. Imputa-se ao paciente a prática do crime de roubo qualificado, previsto no artigo 157, § 2º, do Código Penal. A defesa alega, em síntese, que o paciente sofre constrangimento ilegal pela manutenção da prisão preventiva, uma vez que a apelação interposta permanece sem julgamento pelo Tribunal de Justiça do Paraná, em violação ao princípio da presunção de inocência e ao devido processo legal, configurando excesso de prazo. Ao final, requer a concessão da ordem para reconhecer o excesso de prazo no julgamento da apelação e revogar a prisão preventiva, permitindo ao paciente aguardar o recurso em liberdade, com aplicação de medidas cautelares do artigo 319 do Código de Processo Penal. É o relatório. Decido. A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sedimentou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso próprio ou a revisão criminal, situação que impede o conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que se verifica flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal. Veja-se: "O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio, a fim de que não se desvirtue a finalidade dessa garantia constitucional, com a exceção de quando a ilegalidade apontada é flagrante, hipótese em que se concede a ordem de ofício" (AgRg no HC n. 895.777/PR, Relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 2/4/2024, D Je de 8/4/2024). "De acordo com a jurisprudência do STJ, não é cabível o uso de habeas corpus como sucedâneo de revisão criminal, notadamente quando não há indicação de incidência de alguma das hipóteses previstas no art. 621 do CPP. Precedentes" (AgRg no HC n. 864.465/SC, Relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 18/3/2024, D Je de 20/3/2024).A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no mesmo sentido: "Do ponto de vista processual, o caso é de habeas corpus substitutivo de agravo regimental (cabível na origem). Nessas condições, tendo em vista a jurisprudência da Primeira Turma desta Corte, entendo que o processo deve ser extinto sem resolução de mérito, por inadequação da via eleita (HC 115.659, Rel. Min. Luiz Fux) (..) A orientação jurisprudencial deste Tribunal é no sentido de que o " habeas corpus não se revela instrumento idôneo para impugnar decreto condenatório transitado em julgado" (HC 118.292-AgR, Rel. Min. Luiz Fux). 4. O caso atrai o entendimento desta Corte no sentido de que não cabe habeas corpus para reexaminar os pressupostos de admissibilidade de recurso interposto perante outros Tribunais (HC 146.113-AgR, Rel. Min. Luiz Fux; e HC 110.420, Rel. Min. Luiz Fux). (..) (HC 225896 AgR, Relator Ministro Luís Roberto Barroso, Primeira Turma, julgado em 15/5/2023, D Je de 17/5/2023).O entendimento é de elevada importância, devendo ser utilizado para preservar a real utilidade e eficácia da ação constitucional, qual seja, a proteção da liberdade da pessoa, quando ameaçada por ato ilegal ou abuso de poder, garantindo a necessária celeridade no seu julgamento. A concessão de ofício da ordem, nos termos dos arts. 647-A e 654, § 2º, do Código de Processo Penal, depende da existência de flagrante ilegalidade. Analisando-se o conteúdo da documentação colacionada aos autos, não se verifica de plano qualquer violação ao ordenamento jurídico ou flagrante constrangimento ilegal, que implique ameaça de violência ou coação na liberdade de locomoção do paciente, nos termos da Lei nº 14.836, de 8/4/2024, publicada no Diário Oficial da União de 9/4/2024. Isso porque, dos autos, observa-se que, até o presente momento, não há falar em excesso de prazo no julgamento da apelação, dado que a sentença condenatória foi proferida em 15/11/2023, estando o processamento do recurso dentro dos parâmetros de razoabilidade. Pelo exposto, não conheço do habeas corpus substitutivo e, na análise de ofício, não visualizo elementos capazes de caracterizar flagrante ilegalidade. No entanto, determino a expedição de ofício ao Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, recomendando celeridade no julgamento da apelação defensiva do ora paciente. Publique-se. Intimem-se. Reforço que a decisão monocrática agravada está de acordo com a jurisprudência da 5ª Turma desta Corte. Veja-se: PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ROUBO CIRCUNSTANCIADO. EXCESSO DE PRAZO PARA FORMAÇÃO DA CULPA. INOCORRÊNCIA. TRÂMITE REGULAR. COMPLEXIDADE DA AÇÃO PENAL. DIGITALIZAÇÃO DOS AUTOS COM MIGRAÇÃO AO SISTEMA PJE. RETIFICAÇÃO DE DADOS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 52 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Constitui entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça - STJ que somente configura constrangimento ilegal por excesso de prazo na formação da culpa, apto a ensejar o relaxamento da prisão cautelar, a mora que decorra de ofensa ao princípio da razoabilidade, consubstanciada em desídia do Poder Judiciário ou da acusação, jamais sendo aferível apenas a partir da mera soma aritmética dos prazos processuais. 2. Na hipótese, não restou caracterizada a existência de mora na tramitação do processo a justificar o relaxamento da prisão preventiva, porquanto este tem seguido seu trâmite regular. A insatisfação da defesa com a relativa delonga na conclusão do feito não pode ser atribuída ao Juízo, mas às suas peculiaridades, em que o processo foi digitalizado e, após a migração para o sistema PJe, o processo passou pela fase de retificação de dados, o que naturalmente causou certo atraso na conclusão do feito. 3. Outrossim, consignou-se no aresto impugnado que a audiência de instrução e julgamento foi realizada e que os autos aguardam a apresentação das alegações finais da defesa e do Parquet, a atrair a incidência o enunciado sumular n. 52 desta Corte Superior de Justiça. 4. Assim, não há, pois, falar em desídia do Magistrado condutor, o qual tem diligenciado no sentido de dar andamento ao processo, não podendo ser imputada ao Judiciário a responsabilidade pela demora, como bem fundamentado pelo Tribunal de origem. 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 888.960/PE, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 16/10/2024, DJe de 22/10/2024.) Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É o voto.