HC 923761 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o habeas corpus não pode substituir o recurso próprio salvo em caso de flagrante ilegalidade, não havendo tal flagrante no caso, e porque a utilização da natureza e da quantidade das drogas apreendidas (11 papelotes de cocaína e 20 pedras de crack) para exasperar a...
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- Parties
- Agravante: LUAN DOS SANTOS BARROS; Agravante: KEILA CRISTINA SILVA DOS SANTOS; Agravante: WHEVERTON LUCAS LIMA DA SILVA; Agravante: LUIS EDUARDO DOS SANTOS NETO; Agravante: DAMASIO DOS SANTOS SOUZA; Agravante: JOAO PAULO DA SILVA; Agravante: HENRIQUE SANTOS SOUZA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Julgamento Quinta Turma (sessão Virtual De 06/03/2025 a 12/03/2025)
- Outcome
- Negar provimento ao agravo regimental
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo, Dosimetria Da Pena, Pena Base, Natureza E Quantidade Da Droga, Art. 42 Da Lei N. 11.343/2006
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Parties
LUAN DOS SANTOS BARROS
Agravante
KEILA CRISTINA SILVA DOS SANTOS
Agravante
WHEVERTON LUCAS LIMA DA SILVA
Agravante
LUIS EDUARDO DOS SANTOS NETO
Agravante
DAMASIO DOS SANTOS SOUZA
Agravante
JOAO PAULO DA SILVA
Agravante
HENRIQUE SANTOS SOUZA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Julgamento Quinta Turma (sessão Virtual De 06/03/2025 a 12/03/2025)
Legal Issues
- 1 Cabimento do habeas corpus como substitutivo do recurso próprio
- 2 Possibilidade de utilização da natureza e quantidade da droga para exasperação da pena-base na dosimetria
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o habeas corpus não pode substituir o recurso próprio salvo em caso de flagrante ilegalidade, não havendo tal flagrante no caso, e porque a utilização da natureza e da quantidade das drogas apreendidas (11 papelotes de cocaína e 20 pedras de crack) para exasperar a pena-base é permitida pelo art. 42 da Lei n. 11.343/2006 e amparada pela jurisprudência do STJ.
Court Disposition
Negar provimento ao agravo regimental
Orders
- Agravo regimental desprovido
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 06/03/2025 a 12/03/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto. EMENTA Direito processual penal. Agravo regimental no Habeas corpus substitutivo. Não conhecimento. TRÁFICO DE DROGAS. DOSIMETRIA. EXASPERAÇÃO da PENA-BASE com fundamento na QUANTIDADE E NATUREZA DA DROGA apreendida. POSSIBILIDADE. ARTIGO 42, DA LEI N. 11.343/06. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu do habeas corpus, sob o fundamento de que a impetração funcionava como substitutivo do recurso próprio. 2. Os agravantes pleiteiam a reconsideração da decisão agravada ou a concessão de habeas corpus para afastar a valoração negativa das circunstâncias do crime, especificamente a natureza e quantidade da droga, visando à redução da pena-base. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em saber se é cabível o habeas corpus como substitutivo de recurso próprio e se a natureza e quantidade da droga podem ser utilizadas para exasperar a pena-base. III. Razões de decidir 4. O Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal consolidaram o entendimento de que não cabe habeas corpus substitutivo ao recurso legalmente previsto, salvo em casos de flagrante ilegalidade. 5. A natureza e quantidade da droga são fatores que devem ser considerados na fixação da pena-base, conforme o art. 42 da Lei n. 11.343/2006, sendo circunstâncias preponderantes na dosimetria da pena. 6. No caso, a quantidade e variedade das drogas apreendidas justificam a exasperação da pena-base, não havendo ilegalidade na decisão agravada. IV. Dispositivo e tese 7. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: "1. Não cabe habeas corpus substitutivo de recurso próprio, salvo em casos de flagrante ilegalidade. 2. A natureza e quantidade da droga são fatores preponderantes na fixação da pena-base, conforme o art. 42 da Lei n. 11.343/2006". Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 5º, XLVI; CPP, art. 654, § 2º; Lei n. 11.343/2006, art. 42. Jurisprudência relevante citada: STJ, HC 535.063-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, j. 10.06.2020; STF, AgRg no HC 180.365, Rel. Min. Rosa Weber, j. 27.03.2020.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por LUAN DOS SANTOS BARROS, KEILA CRISTINA SILVA DOS SANTOS, WHEVERTON LUCAS LIMA DA SILVA, LUIS EDUARDO DOS SANTOS NETO, DAMASIO DOS SANTOS SOUZA, JOAO PAULO DA SILVA, HENRIQUE SANTOS SOUZA contra a decisão de fls. 219-221, que não conheceu do habeas corpus. Nas razões recursais, os agravante renovam os pedidos formulados na inicial e pleiteiam a reconsideração da decisão agravada ou para que o Colegiado da Quinta Turma conceda habeas corpus, a fim de afastar a valoração negativa referente às "circunstâncias do crime" (natureza e quantidade da droga), reduzindo-se a pena-base da dosimetria da pena referente a cada um dos agravantes, ao argumento de que foram encontrados com onze papelotes de cocaína e vinte pedras de crack. Por manter a decisão agravada, submeto o agravo regimental à apreciação da Quinta Turma. É o relatório. EMENTA Direito processual penal. Agravo regimental no Habeas corpus substitutivo. Não conhecimento. TRÁFICO DE DROGAS. DOSIMETRIA. EXASPERAÇÃO da PENA-BASE com fundamento na QUANTIDADE E NATUREZA DA DROGA apreendida. POSSIBILIDADE. ARTIGO 42, DA LEI N. 11.343/06. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu do habeas corpus, sob o fundamento de que a impetração funcionava como substitutivo do recurso próprio. 2. Os agravantes pleiteiam a reconsideração da decisão agravada ou a concessão de habeas corpus para afastar a valoração negativa das circunstâncias do crime, especificamente a natureza e quantidade da droga, visando à redução da pena-base. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em saber se é cabível o habeas corpus como substitutivo de recurso próprio e se a natureza e quantidade da droga podem ser utilizadas para exasperar a pena-base. III. Razões de decidir 4. O Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal consolidaram o entendimento de que não cabe habeas corpus substitutivo ao recurso legalmente previsto, salvo em casos de flagrante ilegalidade. 5. A natureza e quantidade da droga são fatores que devem ser considerados na fixação da pena-base, conforme o art. 42 da Lei n. 11.343/2006, sendo circunstâncias preponderantes na dosimetria da pena. 6. No caso, a quantidade e variedade das drogas apreendidas justificam a exasperação da pena-base, não havendo ilegalidade na decisão agravada. IV. Dispositivo e tese 7. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: "1. Não cabe habeas corpus substitutivo de recurso próprio, salvo em casos de flagrante ilegalidade. 2. A natureza e quantidade da droga são fatores preponderantes na fixação da pena-base, conforme o art. 42 da Lei n. 11.343/2006". Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 5º, XLVI; CPP, art. 654, § 2º; Lei n. 11.343/2006, art. 42. Jurisprudência relevante citada: STJ, HC 535.063-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, j. 10.06.2020; STF, AgRg no HC 180.365, Rel. Min. Rosa Weber, j. 27.03.2020. VOTO Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do agravo regimental. É assente nesta Corte Superior de Justiça que o agravo regimental deve trazer novos argumentos capazes de alterar o entendimento anteriormente firmado, sob pena de ser mantida a r. decisão vergastada pelos próprios fundamentos. Conforme abordado na decisão agravada, a presente impetração se insurge contra acórdão, funcionando como substitutivo do recurso próprio, motivo pelo qual não deve ser conhecida (AgRg no HC 936880/ SP, de minha relatoria, Quinta Turma, DJe 19/09/2024). Com efeito, a 3ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, no âmbito do HC 535.063-SP, de Relatoria do Ministro Sebastião Reis Júnior, julgado em 10/06/2020, e o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do AgRg no HC 180.365, de Relatoria da Ministra Rosa Weber, julgado em 27/03/2020, consolidaram a orientação de que não cabe habeas corpus substitutivo ao recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. De mais a mais, não vislumbro a presença de teratologia ou coação ilegal que desafie a concessão da ordem, nos termos do parágrafo 2º do artigo 654 do Código de Processo Penal. Nesse compasso, a Terceira Seção, ao julgar o REsp n. 1.887.511/SP (Relator Ministro João Otávio de Noronha), entendeu, em harmonia com o firmado pelo Supremo Tribunal Federal, que a natureza e quantidade da droga são fatores a serem considerados necessariamente na fixação da pena-base, nos termos do art. 42 da Lei n. 11.343/2006, constituindo-se em circunstância preponderante a ser utilizada na primeira fase da dosimetria da pena. Assim, não há ilegalidade na utilização da natureza e quantidade das drogas apreendidas para ensejar a exasperação da pena-base, como se tem na espécie, em que os pacientes foram encontrados com onze papelotes de cocaína e vinte pedras de crack, a demonstrar a quantidade, variedade e alto poder viciante dos entorpecentes apreendidos, sendo proporcional o incremento realizado na fixação da pena, à luz do princípio constitucional da individualização da reprimenda penal (art. 5º, XLVI, da CF/88). A propósito: (AgRg no HC 782987 / sc, de minha relatoria, Quinta Turma, Dje 13/09/2024). Não remanesce, portanto, qualquer coação ilegal na liberdade dos pacientes decorrente do ato judicial atacado. A toda evidência, o decisum agravado, ao confirmar o acórdão impugnado, rechaçou as pretensões da defesa por meio de judiciosos argumentos, os quais encontram amparo na jurisprudência deste Sodalício. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É como voto.