HC 920579 - DECISAO
Embora não conhecida a impetração por ser habeas corpus substitutivo de recurso, a autoridade julgadora, de ofício, reconheceu a existência de flagrante ilegalidade na expedição de mandado de prisão sem a prévia intimação do condenado em regime semiaberto, nos termos da Resolução do CNJ que alterou o art. 23 da...
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- Parties
- Paciente: HUAN FELIPE PEREIRA GOMES; Autoridade Coatora: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 June 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão Em Sede De Habeas Corpus (relator)
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus; contudo, concedo a ordem, de ofício, para determinar o recolhimento do mandado de prisão não cumprido para observância da Resolução n. 417/2021.
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo, Intimação Prévia Do Condenado, Expedição De Mandado De Prisão, Resolução CNJ 474/2022, Resolução CNJ 417/2021, Regime Semiaberto
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Parties
HUAN FELIPE PEREIRA GOMES
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão Em Sede De Habeas Corpus (relator)
Legal Issues
- 1 admissibilidade do habeas corpus substitutivo de recurso
- 2 possibilidade de expedição de mandado de prisão antes de intimação pessoal do condenado
- 3 obrigatoriedade da intimação prévia prevista em Resolução do CNJ
Ratio Decidendi
Embora não conhecida a impetração por ser habeas corpus substitutivo de recurso, a autoridade julgadora, de ofício, reconheceu a existência de flagrante ilegalidade na expedição de mandado de prisão sem a prévia intimação do condenado em regime semiaberto, nos termos da Resolução do CNJ que alterou o art. 23 da Resolução n. 417/2021, e determinou o recolhimento do mandado de prisão não cumprido e a observância da orientação do CNJ, oficiando-se o Tribunal Estadual e o Juízo da Execução.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus; contudo, concedo a ordem, de ofício, para determinar o recolhimento do mandado de prisão não cumprido para observância da Resolução n. 417/2021.
Orders
- Determinar o recolhimento do mandado de prisão não cumprido para observância da Resolução n. 417/2021
- Oficiar-se, com urgência, ao Tribunal Estadual e ao Juízo da Execução
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, com pedido de liminar, impetrado em favor de HUAN FELIPE PEREIRA GOMES, no qual aponta como autoridade coatora o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Consta dos autos que o paciente foi condenado ao cumprimento de pena de detenção em regime inicial semiaberto. O Juízo de primeira instância determinou a expedição de mandado de prisão, dispensando-se a necessária intimação pessoal da paciente para se apresentar para dar início ao resgate da reprimenda. Inconformada, a defesa impetrou Habeas Corpus a fim de combater tal decisão, contudo o Tribunal de Justiça de São Paulo, denegou a ordem de Habeas Corpus, mantendo a decisão de piso. O impetrante alega que, no presente caso, em manifesta afronta ao CNJ, o magistrado/a de piso determinou a expedição de ordem de prisão antes da intimação da paciente, restando evidente o constrangimento ilegal. Requer seja concedida a liminar e, após, a ordem para determinar, com fulcro na Resolução nº 474 do Conselho Nacional de Justiça, que a autoridade não expeça mandado de prisão sem antes intimar pessoalmente a paciente para iniciar o cumprimento de pena. É o relatório. Decido. Esta Corte - HC 535.063, Terceira Seção, Rel. Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/6/2020 - e o Supremo Tribunal Federal - AgRg no HC 180.365, Primeira Turma, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 27/3/2020; AgRg no HC 147.210, Segunda Turma, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018 -, pacificaram orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. Assim, passo à análise das razões da impetração, de forma a verificar a ocorrência de flagrante ilegalidade a justificar a concessão do habeas corpus, de ofício. A defesa alega que o paciente está sofrendo constrangimento ilegal, em face da determinação de expedição de mandado de prisão em regime semiaberto sem a prévia intimação do sentenciado. Quanto ao tema, o "Conselho Nacional de Justiça editou a Resolução n. 474/2022, que modifica o art. 23 da Resolução n. 417/2021, a fim de possibilitar ao condenado à pena privativa de liberdade, em regime inicial semiaberto ou aberto, que seja intimado para começar seu cumprimento, antes da expedição de mandado de prisão" (AgRg no RHC n. 177.287/MS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 28/8/2023, DJe de 30/8/2023). No mesmo sentido: "AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. CONDENAÇÃO. REGIME SEMIABERTO. RESOLUÇÃO N. 417/2021. INOBSERVÂNCIA. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO. 1. O Conselho Nacional de Justiça estabeleceu que, uma vez transitada em julgado a condenação em regime semiaberto ou aberto, o sentenciado será intimado para recolhimento espontâneo, previamente à expedição de mandado de prisão, sem prejuízo, em caso de falta de vagas, da observância das providências estabelecidas no RE 641.320/RS. 2 Ao interpretar a Res olução n. 417/2021 do CNJ, o julgador precisa ter cuidado para não criar brechas que possibilitem resistência à execução. Em hipótese de apenado em local incerto, será necessária a determinação da prisão (conforme o art. 674 do CPP e o art. 105 da LEP) para evitar a prescrição e garantir a efetividade da sentença. 3. A afirmação de vagas pelo Juiz da VEC não afasta a necessidade de intimação do condenado para dar início à execução, pois a lotação das unidades prisionais é dinâmica e não há registro de mudança de endereço, sem prévia comunicação ao juízo. 4. Agravo regimental provido para determinar o recolhimento do mandado de prisão, não cumprido, para observância do art. 23, da Resolução n. 417/2021, sem prejuízo de: a) nova expedição da ordem na hipótese de inexistência de endereço atualizado nos autos para intimação e b) de manutenção do encarceramento se o condenado já estiver alojado em estabelecimento penal compatível com o regime semiaberto." (AgRg no HC n. 890.182/ES, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 27/5/2024, DJe de 3/6/2024.) "AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. CONDENAÇÃO EM REGIME INICIAL SEMIABERTO. TRÂNSITO EM JULGADO. GUIA DE RECOLHIMENTO DEFINITIVA. EXPEDIÇÃO DE MANDADO DE PRISÃO. DESNECESSIDADE. RESOLUÇÃO N. 474/CNJ. INTIMAÇÃO PRÉVIA. ORDEM CONCEDIDA. 1. Conforme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o início do cumprimento da pena privativa de liberdade ocorre, a teor dos arts. 674 do CPP e 105 da LEP, com o recolhimento do sentenciado à prisão e a expedição da respectiva guia de execução, salvo em situações excepcionais, nas quais fique demonstrado que a prisão do sentenciado possa vir a ser excessivamente gravosa. 2. O Conselho Nacional de Justiça, em 9/9/2022, aprovou a Resolução n. 474, que alterou o art. 23 da Resolução n. 417 do Conselho Nacional de Justiça - CNJ, prevendo a possibilidade da intimação da pessoa condenada, nos casos em que estabelecidos os regimes semiaberto ou aberto, previamente à expedição de mandado de prisão. 3. Tendo sido demonstrado que o paciente foi condenado a 5 anos e 4 meses, em regime inicial semiaberto, e que este cumpriu cerca de 25% da pena aplicada, considerando-se o tempo de custódia cautelar, de 25/7/2020 até 6/10/2021, e a remição de pena em 69 dias, não se revela razoável a imediata expedição de mandado de prisão após o trânsito em julgado, mas sim a intimação prévia do apenado para iniciar o cumprimento da pena, nos termos estabelecidos na Resolução n. 474/CNJ. 4. Agravo regimental provido para conceder o habeas corpus, determinando a expedição de guia de execução definitiva pelo Juízo de Execução, independentemente do prévio recolhimento do paciente à prisão." (AgRg no HC n. 764.065/SP, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, julgado em 26/6/2023, DJe de 28/6/2023.) "AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. REGIME MENOS GRAVOSO. DETRAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. GUIA DE RECOLHIMENTO. EXPEDIÇÃO. MANDADO DE PRISÃO PENDENTE. RESOLUÇÃO N. 474 CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA - CNJ. CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO. 1. O Tribunal de origem não examinou os requisitos legais para a concessão de benefícios prisionais. Tal circunstância impede o pronunciamento desta Corte a respeito, sob pena de indevida supressão de instância. 2. Esta Corte já vinha admitindo a expedição da guia de recolhimento , antes do cumprimento do mandado prisional, todavia em casos específicos e excepcionais, em situações nas quais a prisão do sentenciado possa vir a ser excessivamente gravosa, o que não é a hipótese dos autos. 3. Após a Resolução N. 474, de 9/9/2022, do Conselho Nacional de Justiça, houve modificação do art. 23 da Resolução 417 do CNJ, que passou a ter a seguinte redação: "Art. 23. Transitada em julgado a condenação ao cumprimento de pena em regime semiaberto ou aberto, a pessoa condenada será intimada para dar início ao cumprimento da pena, previamente à expedição de mandado de prisão, sem prejuízo da realização de audiência admonitória e da observância da Súmula Vinculante nº 56". 4. Deve ser recolhido o mandado de prisão, caso ainda esteja em aberto, devendo ser observada a nova orientação do CNJ, com a prévia intimação do apenado condenado em regime semiaberto antes da expedição do mandado de prisão. 5. Agravo regimental provido." (AgRg no HC n. 796.267/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 25/4/2023.) Desse modo, tenho que deve ser concedia a ordem para determinar o recolhimento do mandado de prisão, caso ainda esteja em aberto, devendo ser observada a nova orientação do CNJ para o caso em análise, com a prévia intimação do apenado condenado em regime semiaberto antes da expedição do mandado de prisão. Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Todavia, concedo a ordem, de ofício, a fim de determinar o recolhimento do mandado de prisão não cumprido para observância da Resolução n. 417/2021. Oficie-se, com urgência, ao Tribunal Estadual e ao Juízo da Execução. Publique-se. Intimem-se. EMENTA