HC 977960 - DECISAO
Não conheço do habeas corpus porque a impetração busca substituir recurso cabível e não se demonstrou flagrante ilegalidade no acórdão do Tribunal de origem; além disso, o exame da matéria sobre acréscimo na pena-base demandaria supressão de instância.
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: IVAN MAIA DE PAULA; Órgão Julgador: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ACRE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 February 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo, Pena Base, Tráfico De Drogas, Flagrante Ilegalidade, Supressão De Instância, Preclusão, Princípio Da Unirrecorribilidade
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Parties
IVAN MAIA DE PAULA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ACRE
Órgão Julgador
Procedural Posture
Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus substitutivo de recurso legalmente previsto
- 2 existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado
- 3 redimensionamento da pena-base em razão da natureza e quantidade de entorpecente
Ratio Decidendi
Não conheço do habeas corpus porque a impetração busca substituir recurso cabível e não se demonstrou flagrante ilegalidade no acórdão do Tribunal de origem; além disso, o exame da matéria sobre acréscimo na pena-base demandaria supressão de instância.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, com pedido liminar, impetrado em favor de IVAN MAIA DE PAULA, contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ACRE. Pretende a defesa, em síntese, seja redimensionada a pena-base imposta ao paciente. É o relatório. Decido. Esta Corte - HC 535.063/SP, Terceira Seção, Rel. Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/6/2020 - e o Supremo Tribunal Federal - AgRg no HC 180.365, Primeira Turma, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 27/3/2020; AgR no HC 147.210, Segunda Turma, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018 -, pacificaram orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. Assim, passo à análise das razões da impetração, de forma a verificar a ocorrência de flagrante ilegalidade a justificar a concessão do habeas corpus, de ofício. O acórdão revisional tratou do tema da seguinte forma: " .. 18. Perlustrando os autos e o assentado pelo Revisionando, inobstante tenham afirmado a ocorrência "de contrariedade ao texto expresso em lei", indubitável que a intenção do mesmo é o de rediscutir os argumentos fundamentadamente rechaçados no curso processual. Forjo essa constatação, com a transcrição de trechos do Acórdão (pp. 24/41), proferido no bojo da Apelação Criminal pelos mesmos manejada - nº 0005545-44.2023.8.01.0001: .. Sabe-se que o tráfico de drogas é crime de ação múltipla e conteúdo variado, e, para que se configure, basta que fique provada a prática de qualquer uma das dezoito condutas descritas art. 33, caput, da Lei nº 11.343/06. (..) In casu, o intuito da defesa é, mais uma vez, tentar eximir o Recorrente das sanções do art. 33, caput, da Lei de Drogas. No entanto, não consta nos autos nenhum laudo ou documento que ateste ser o Recorrente usuário de drogas, e, ainda que fosse juntado, tal documento não afasta a condição de traficante de drogas, diante do acervo probante. Ademais, a condição de dependente químico, por si só, não excluiria a prática do tráfico de drogas quando confirmada violação de um dos verbos núcleos do tipo penal, eis que perfeitamente possível a figura do usuário traficante. Frise-se que no momento do flagrante foram apreendidas 102 (cento e duas) pedras de oxidado/cocaína, pesando 25,64g (vinte e cinco gramas e sessenta e quatro centigramas), conforme Laudo de Exame Químico em substância (fls. 100/101), além de 1 (uma) arma de fogo artesanal - Garrucha, calibre .28, 8 (oito) cartuchos calibre .28 intactos e 1 estojo de cor preta, conforme consta no Auto de Exibição e Apreensão (fl. 13). Os depoimentos colhidos nos autos, em Juízo, sob o crivo do contraditório e ampla defesa, não deixam qualquer margem de dúvida acerca da traficância. (..) com efeito, as declarações prestadas pelos policiais sinalizam para a mercancia ilegal de drogas praticada pelo Apelante. (..)Com efeito, as provas colhidas e em especial os depoimentos colhidos em Juízo, sob o crivo do contraditório e ampla defesa, não deixam qualquer margem de dúvida de que a droga apreendida pertencia ao Apelante, e era destinada à mercancia ilegal. Diante do cenário apresentado, incabível a desclassificação para a conduta capitulada no art. 28 da Lei nº 11.343/06, devendo ser mantida a condenação pela prática do crime de tráfico de entorpecentes. 19. Nesse sentido, não obstante a defesa ter mencionado o recente entendimento do Supremo Tribunal Federal acerca da possibilidade de a quantidade de entorpecente indicar consumo em vez de tráfico, importa destacar que tal posicionamento não configura uma regra absoluta. No caso, foram apreendidas 102 (cento e duas) porções de cocaína, além de o revisionando ter sido flagrado com uma arma de fogo e possuir histórico de reincidência criminal. Assim, a valoração negativa realizada pelo juízo, dentro do seu grau de discricionariedade, baseou-se em elementos concretos, amplamente descritos ao longo do caderno processual, não havendo qualquer indicativo de ausência de fundamentação adequada. 20. Ademais, quanto ao argumento de que a matéria "não foi objeto de impugnação em recurso de apelação", a defesa deve concentrar todos os seus argumentos no momento oportuno, ou seja, durante a apelação, sendo vedada sua apresentação de forma fragmentada. Tal vedação decorre do princípio da unirrecorribilidade e da preclusão, não permitindo à defesa interpor nova apelação, mesmo sob nomenclatura diversa, para alegar eventual nulidade. Com o recebimento da denúncia, a sentença condenatória e sua confirmação em grau recursal, presume-se a regularidade do processo, em atenção ao princípio da coisa julgada e da segurança jurídica .. " (e-STJ, fls. 9-19). Como se vê, o aspecto do acréscimo promovido na pena-base pela natureza e quantidade de drogas prossegue sem ser tratado pelo Tribunal de origem, o que impede a manifestação desta Corte, sob pena de indevida supressão de instância. Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA